Hélder e o Rei do Kuduro

No princípio era o verbo…

…Inflamado, no Conselho Nacional do CDS-PP.

Por entre acusações trocadas de falta de “pêpêsismo” e insultos de f*lh* d* p*t* a voar das bocas assumidamente mais queques da política nacional – que queques na política portuguesa há muitos, mas não se assumem… -, Ribeiro e Castro e Paulo Portas esgrimiram os seus argumentos no fito de seduzir a nação democrata-cristã a arrebanhar-se à beira de um ou de outro.

É que, rasgada uma manhã de nevoeiro pelo troar de um Maserati, soube o País e o mundo que Paulo Portas estava de volta à presidência do PP.
(Isto posto sem cerimónias, que mal o senhor apareceu estava o desfecho traçado!)

Obrigado a abandonar o posto no caótico fim do Governo PSD-PP, agradeceu a Ribeiro e Castro ter-lhe mantido o lugar quente e firmou-se no propósito fácil de o apear em público e sem apelo.
Propósito ética e moralmente fácil.

Precisava apenas de conseguir vender ao partido a necessidade de eleições directas, sem recurso a congresso nacional – que mais dificilmente controlaria.
Foi o que pretendeu no Conselho Nacional de todas as peixeiradas.
Por exemplo a
alegada agressão à presidente do Conselho Nacional do CDS-PP, Maria José Nogueira Pinto, pelo deputado Hélder Amaral, durante a refrega…

Mais denúncias, menos desmentidos, mais disparates, menos melindres, fica o burlesco episódio, representativo do que uma família honrada (…) pode tornar-se com despiques de galarós.

Visto de fora, sinceramente, não tenho grande dificuldade em perceber melhor uma Nogueira Pinto que desabafava vir a não ser “nada nem ninguém” num partido “território onde alguns assaltam o poder” – ameaçando sair -, do que um Telmo Correia que inacreditavelmente lia dessas palavras a “tentativa de cisão” do partido.
Honestamente – como simplório cidadão – não me custa apontar a dedo onde vejo o grupo dos bandoleiros.

Não carecia o País do “debate” entre os concorrentes, na RTP.
Uma conversa de semi-chacha, de “tu-cá-tu-lá”, que não foi para nenhum, não foi para o PP, nem foi para ninguém.
Portas apontando a frouxidez de Ribeiro e Castro (já que criaria “uma oposição mais sólida a José Sócrates“); Ribeiro e Castro apontando Portas como “o líder da oposição ao longo deste ano“.
Grandes novidades…

E Ribeiro e Castro não prescindia de um congresso… até ter de capitular.

E vieram as directas. E a vitória de Portas.
Esmagadora. Previsível.

Numa época política em que estamos, do chamado “pragmatismo”, tanto me espanta num partido socialista um homem que de socialista nada tem – apenas um “certo ar promissor” vital para um partido em jejum -, como noutro democrata-cristão ver chegar à direcção um (re)novo presidente através da mais soez das manobras – totalmente irrecusável a promessa do melhor cão para a resposta ao do adversário.

Ainda que os Hélders desta “nova” vaga, discípulos do “novo” líder que optaram, se contem pelos 22% do total dos militantes do PP… (Uma vergonha que trespassa todo o País.)
…E que não se confundam com democratas-cristãos veneráveis como Narana Coissoró, que ameaçouafastar-se do partido” no caso da “via Portas” voltasse a dominar o PP.

Diz Paulo Portas, no discurso presente da “Primavera do CDS” e da “síntese de que o CDS precisa“: “Também sei que na sociedade portuguesa há preconceitos sobre este vosso amigo que aqui está. Vou lidar com eles com inteira naturalidade, prestar-lhes atenção e ter alguma ironia, que em política, como na vida, é preciso estar nisto com alguma boa disposição”.

Tem razão. Há preconceitos. Como o meu.

Contra indivíduos sem carácter que se pavoneiam por aí imaculados; como quem passeia no Parque.
Contra indivíduos cuja leveza de consciência atropela o pudor e aflora a demência.

Abatido o único líder partidário que me merecia algum respeito – pela sua evidente incapacidade de sobrevivência no meio – estamos cada vez mais entregues a um surrealismo político degenerativo.
Quem se seguirá nesta Arca de Noé?
O que se seguirá nesta orgia delirante?

Oh mãe, não me compres isso, que os meninos chama-me hexa.

[Nota prévia: Só por saber que quem vem a esta chafarica me conhece q.b. é que me permito o perigo de apedrejamento pelos fariseus do politicamente correcto.]

Não me perguntem como foi.
Contra os mal intencionados nunca adiantaria a mezinha de dizer que foi “ocasional”, que lá fui parar por um link ou dar outra explicadela qualquer.
O que é facto é que aterrei nesta página deste site e o resto é história.

E muitas interrogações se me puseram.
Terá nascido o Smart de um ovo hexacolorido LGBT, apesar de concebido pelos alemães machões da Mercedes-Benz e apadrinhado pelos machões tunners da Brabus? Serão resquícios da parceria com a Swatch?…
Estará neste momento a Daimler-Chrysler a promover o Smart junto de um segmento de mercado-alvo que considera estratégico? E já agora: “estratégico” porquê?!…
Estarão os gays nacionais a aderir formalmente ao Choque Tecnológico? Aderindo à partida a um conceito modernaço de transporte, tecnologia e “design“? …E a “aderir” ou a “sancionar”?

É que eu (e não há nada que me possa valer contra as tais más intenções…) sempre fui um grande fão do Smart!
Pela funcionalidade urbana, pela estética, pelo desempenho, pelo consumo, pela fiabilidade, etc. Tal (ainda) é a minha inabalável fé no conceito Smart (ou outro que apareça).

Agora, não me apetece nada fazer propaganda de cachão.
A reboque da minha opinião pessoal sobre uma coisa, ser feito parvo a comprometer-me indirectamente com mil e uma outras subentendidas, sejam elas quais forem.

Gosto muito de ténis Reebok. “Hã?… O quê?… São os ténis dos snifadores de cola? Ai é?”
Gosto de marcadores Stabilo. “O quê?… São os marcadores de quem fala muito alto?”
Gosto de BigMacs. “A sério?… São os hamburgueres de quem foge ao fisco?”
Gosto muito da Taschen. “Hã? São os livros de quem tem caspa?…”
And so on
Imaginando que a Reebok, a Stabilo, o McDonald’s, a Taschen, etc. faziam campanhas para os snifadores, para os gritadores, para os trânsfugas ou para os casposos!

Não haverá nada de errado neste quadro?