Conversa de Homem

Esta menina é a Ana Lúcia. (Só. Sem apelido. Assim tipo “Madonna” mas com dois nomes. Assim tipo “Madonna Madonna”.)
E parece que é a capa da revista Maxmen em Maio.

Até aí…
Tem ar de ter uma personalidade forte, de quem faz reciclagem lá em casa e de quem tem muito sentido de humor. Tudo qualidades importantes para ocupar o patamar em que a colocaram.
(…Também, veio directamente das madrugadas insones da TVI em que papalvos são sugados até ao último dos seus trocos para acertar em “fruta-com-três-letras- _V_” em chamadas de valor acrescentado; o que é sempre um pergaminho!) 

Achei foi esquisita a conversa do director da Maxmen ao jornal que o noticiou.

Dizia ele: “um dos factores que ajudou à escolha foi o facto de ela ser muito gira“; A Ana foi fotografada com biquinis de cabedal e pele. Ficou muito giro.“; “A Ana é uma pessoa muito querida.

Bem… Não sou muito adepto da terminologia ou da construção linguística camioneira (no que toca a mulheres ou outra coisa qualquer) mas é um bocado surpreendente que à frente desta espécie de anexo das traseiras lusitano da Playboy Mansion esteja um tipo fosquinhas que numa conversa normal sobre mulheres, páginas centrais de revistas de homens e biquinis de cabedal e pele se fica ali pelas ruas do “giro” e do “querido.

…São feitios.

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A Parte Melhor Que o Todo

Vi o anúncio na rua. E depois na TVI. E depois na net.
…E então fui aprofundar.

Diziam uns malucos que vinham a Portugal os ABC, a Belinda Carlisle, os Curiosity Killed the Cat, a Kim Wilde, o Nick Kershaw e o Rick Astley!
What?!!!…

Para começar, se me perguntassem, não garantia que uma parte deles já não tivesse morrido ou não andasse atrás de um andarilho.
Depois, isto é uma autêntica tsunami a abater-se sobre Lisboa, à escala do Napoleão e da Gozilla. (Um que chegou mesmo a vir cá, outra que entretanto se perdeu ao dobrar um cabo qualquer.)
Por fim,… foi só um suspeito frio no estômago. (Estranho, aliás, para quem como eu é tão – nostalgicamente – simpatizante da música dos 80’s.)

…Que acabei por perceber.
Quando o espectáculo “Here and Now” me propõe “Aqui e Agora” encontrar todos estes cantores, torna-se-me claro que por vezes a parte é muito melhor que o todo.

É que se não me importo nada de os ter “Agora” comigo – tanto que os transporto como bagagem de que não me saberia desembaraçar – não me interessa absolutamente nada tê-los “Aqui”.

Ou seja, quando de vez em quando ainda oiço os estilosos ABC ou Nick Kershaw, as dulcíssimas Kim Wilde ou Belinda Carlisle, os urban-chic Curiosity Killed the Cat ou o Rick Astley – de quem de momento não me ocorrem epítetos que o favoreçam – oiço-os “Agora” mas nos anos 80. Sou transportado para uma época castiça de penteados esquisitos, ritmos descomplexados, rimas um bocado fáceis e coreografias exuberantes – em que era puto – e é esse o gozo que me dá.

…O “Aqui” era perfeitamente assustador. Uma viagem no Combóio Fantasma do parque temático da música.

Grande parte do prazer da música é o imaginário que a acompanha e que ela transporta. (Queria eu lá agora ver o estado em que estão os ossos do Mozart!…)
E esse imaginário depende de uma ilusão inocente de eternidade, demolível pelo choque inesperado de um confronto com a realidade. Umas divas avozinhas, uns galãs de prótese, um imaginário esboroado.
(No outro dia ia morrendo ao ver umas fotos da Cindy Lauper na praia! A “efervescente-colorida-jovial-amalucada-Cindy Lauper-dos-80s…)

Portanto, fiquem lá com o todo, que prefiro a parte.

Se preferirem também, ficam aqui uns clips que ajudam a manter a ilusão.
(E não vão à procura no YouTube de espectáculos anteriores do “Here and Now”. Com Cutting Crew, Bananarama, Kid Creole, Paul Young e outros. Poupem-se.)

O Arcanjo. Mas, Por Partes…

Rodava ontem na TSF o escândalo de o PSD ainda não ter apresentado um candidato às europeias.
E o assunto tanto me interessa que acabei por lá ir dar – mais uma vez – o meu bitaite.

Comecei por achar totalmente irrelevante a questão em particular.
Isto da “corrida” de quem chega primeiro e bate com estrondo a lista no balcão do Tribunal Constitucional, é  próprio de um Portugal-taberneiro que não será o meu.

Para mais, como o disse no Fórum, bastava ao PSD apresentar o Manuel Luís Goucha à cabeça da lista e ganhava as eleições. Ponto; embrulhe que é para levar; venham as próximas! Não nos esqueçamos do País que temos e do povo que somos.
(Entretanto apresentou Paulo Rangel… e está lixado. Culpa apenas sua.)

Quando o PS apresenta o comunista-convertido Vital Moreira (dado curioso que escapa à perfeitamente limpa de referências políticas e bem arrumada biografia oficial da página da candidatura), dá-me mais que pensar.

(Falo de Vital Moreira. Ou, como também é conhecido, “Utael” – espécie de um nome de arcanjo inventado: em sânscrito, “O meu Senhor é uma fera”. Ou, para ser milimetricamente exacto, “Utael-uuuuuu-amálgama-com-aquele-traço-horizontal-por-cima-típico-da-palavra-Moreira”.)

Vital Moreira, que agora apresentou um livro reader’s digest de 10 anos dos seus próprios escritos sobre a Europa, é figura de proa de uma campanha. Mas uma campanha muito maior que a pindérica “campanha das europeias”.
E é isso que é preocupante.

Se há tempos andei a ganir neste blog, como cachorro à chuva, pela esmola de uma vez na vida ser ouvido no contexto da pilhagem nacional, não vou agora calar-me perante a festa da candidatura do Arcanjo Utael.
(…E do seu Dupont Rangel.)

A sacola de asneiras – que os latinos diziam que carregamos às costas e ignoramos porque à frente apenas trazemos pendente outra com as nossas qualidades – que eu censuro ao Arcanjo Utael pode ser procurada e facilmente encontrada na net.
Quem quiser procurá-la, encontra-a. (Quem não quiser, pergunto-me se chegará a ter justificação para continuar a ler este post…) Que vá ao Causa Nossa, o blog que o candidato partilha com figuras de relevo da República como Ana Gomes.

Um empurrãozinho?…

Escrevia o senhor a 17 de Junho de 2008, sobre a nega irlandesa às pretensões transformistas do funcionamento da União “aprecio em particular a proposta de sufragar – por ocasião das eleições ao Parlamento Europeu em Junho de 2009 – o projecto de um Acordo, Mas, atenção, sufragar um tal acordo não significa sufragar este Tratado: neste cenário caberá aos partidos políticos apresentar programas eleitorais […] que os vinculem claramente [ao] Tratado de Lisboa [porque] defendem a aplicação do Tratado de Lisboa – se necessário a 26.
Ou seja, os nacionais dos vários países da União tinham mais era que ver passar o combóio dos cozinhados nas altas esferas da política europeia e dizer humildemente “amén“. Depois, mais tarde – tarde demais, entenda-se – lá poderiam opinar se achavam bem que Portugal corresse atrás do combóio em andamento ou ficasse no cais.
…Numa sinistra lógica de acto consumado, de chantagem política, de “quem não quer, larga” tão ao estilo de algumas cabeças socialistas.
Porque, segundo Utael, “o referendo [do aborto] ensinou-me a não fetichizar os referendos. É que nem 50 por cento dos portugueses se deram ao trabalho de ir votar… Como que a lembrar aos homens políticos – ‘vocês são eleitos por nós para decidir’. Eu, por mim, assumo essa responsabilidade.
Ora é essa horrífica perspectiva, a de senhores como ele fazerem o “sacrifício” de asumir o fardo de decidir pelos portugueses em matérias em que objectivamente há pessoas – e muitas – que põe pés à parede perante o rumo dessas “decisões legitimadas” de uma classe política tão benemérita mas corrompida por diversíssimas seduções.

Sobre o desenrascar do “problema” irlandês e a possibilidade de enfiar boca abaixo aos irlandeses novo referendo, dizia ainda nesta data: “não há nada de antidemocrático nisso. Se fosse em Portugal, o mesmo referendo poderia ser convocado já a partir de 15 de Setembro. E é evidente que os eleitores podem mudar livremente de opinião.” Pois, só que “esse” referendo, em Portugal, NÃO ACONTECEU!, também por culpa sua!

Mas não ficou por aqui.
Dias antes escrevera, no contexto da nega irlandesa, que “[auscultados,] somente 8% dos eleitores declararam ter ‘um bom conhecimento do Tratado’ (e pelo que se conhece da sociologia das sondagens, esse número deve pecar por excesso). Mesmo assim, cerca de 65% dos inquiridos acharam que podiam votar a favor ou contra. […] O que não é racional é submeter a decisão popular matérias que, pela sua manifesta complexidade, a generalidade dos eleitores não pode razoavelmente compreender. […] A oposição ao Tratado jogou explicitamente na ignorância. O seu principal slogan era ‘Vote Não porque você não sabe.’
Ao melhor nível – por exemplo – de uma sólida formação soviética, os “ignorantes” (ou seja, “toda a gente”) devem ser poupados ao confrangedor espectáculo de serem ouvidos e darem as suas patéticas opiniões. É para isso que servem os “intelectuais”, os “educadores do povo”: informados e ilustrados, e por isso quasi-infalíveis. E por isso inquestionáveis.
Fora de questão está, como é óbvio, INFORMAR, sobre aspectos fulcrais de uma vida QUE LHES DIZ RESPEITO, os pobres dos ignorantes… Para depois os chamar a participar nas decisões sobre o seu futuro.
Abençoados os que saíram à rua na Irlanda para dizer aos eleitores mais descontraídos: “Se não sabem, não saltem no escuro.” Porque é precisamente disso que se trata!

Que esta coisa do “Nós, europeus” faz-me lembrar um texto engraçado que li, estudante, sobre as maravilhas da educação colonial – neste caso no Norte de África francês.

Descrevia uma situação em que miuditos negros – “pieds noirs” magrebinos – liam e recitavam à volta de manuais escolares os feitos dos “nos père, les Gaulois“, “os nossos antepassados, os Gauleses“.

É neste ponto em que estamos, mais ou menos.
Quando Utael fala do “nós, europeus” sinto-me de imediato (considerado) um miudito de um território estrangeiro, a quem por força recitam histórias fantasiosas, que querem forçar a replicá-las e a aceitá-las como uma espécie de reescrita da sua própria história e identidade.

Armado em Malcolm X (olha para o que me havia de dar!…) diria eu que não aterrei na Europa, “esta” Europa aterrou sobre mim.
Uma “Europa” cada vez mais hostil, que não sou forçado a aceitar. Ou sequer a tolerar como se me insinua.

E nesta batalha angelical, em que farei fatalmente parte dos errados e dos malditos, lutarei com todo o gosto.

Onde É que Você Estava…

“…no dia tantos do tantos?”

“Provavelmente a ser controlado mentalmente por um ethereal.”
“Ou a assistir às danças e cantares da Irlanda.”
“Ou a tentar enxertar o ‘Mad Dod’.”
“Ou a percorrer corredores e a abrir portas, à procura de pernas de frango.”
“Ou a tentar fazer uma carambola e a meter a branca.”
“Ou a ver se os ‘evil Harkonnen’ não me papavam a ‘spice’ toda.”
“Ou a embirrar com aquela coisa de ser agarrado pelo gancho, porque os tempos estavam todos errados.”
“Ou a encher a massa de banana e outras porcarias para ver se a freguesia picava.”
“Ou a organizar uns jogos para a malta se esquecer da sangria dos impostos.”
“Ou a tratar do bicho das laranjas e a regar os tomates.”
“Ou a fazer que combatia à espadeirada no intervalo de duas larachas.”
“Ou a saltar de bolha em bolha a fugir aos burocratas.”
“Ou a arrumar cargueiros à mão.”
“Ou indeciso se havia de entrar à bola ou entrar ao jogador, que a pontuação era igual.”
“Ou a maquinar como é que uma bola podia acender uma vela e fazer o rato ligar a ventoinha.”
“Ou a escolher os espanhóis porque sempre tinham mais 50% de ‘power’ contra os indígenas.”

Bons tempos.

[Com dedicatória, ao Deltóide.]

Planeta Para o Maneta

Corre hoje uma iniciativa.
Daquelas que vão mudar o mundo. Já amanhã.

Chama-se “A Hora do Planeta”.

Parece que a acção visa que durante uma hora inteirinha o mundo se desligue. (Electricamente falando…)

A coisa começou a brincar, na Austrália, e acabou por salvar o mundo, tornando-se num marco importante “para a sustentabilidade“.
Tudo à distância da mão ao interruptor.

Apenas a mim não convence grande coisa.
Parece-me isto uma espécie de powerpoint gigante – daqueles recebidos como spam no nosso mail – em que se apela a sermos mais bonzinhos uns para os outros, a escutarmos a nossa voz interior, a descobrir como o mundo é belo se assim o fizermos e virmos… Banais, vazios e inócuos.

Não me mandem apagar a luz.
Parei o meu carro e apeei-me em plena Avenida da República, frente ao Campo Pequeno, naquela tarde de semana em que, qualquer dia há dez anos, Portugal inteiro parou por um minuto agitando consciências sobre o que se passava no – ainda hoje – desgraçado Timor-Leste. E repetia-o.
…Para palhaçadas, tenham paciência.

Até porque hoje, em Portugal (na Suécia não sei, que eles não são bem humanos…) há jogo de selecção a essa hora…

…É dia de hino à electricidade.

Logo, pelo menos por cá, lá vai o planeta para o maneta.

Eu Mostro-lhes Como É…

Isto é um vídeo.

Sobre o sofrimento lancinante de um homem. Que perdeu um jogo e por isso se achou uma vítima da vida.
Chamado ao relvado para receber a medalha que lhe tocou na prova, quis marcar a sua posição.

O que fez?

A) Subiu ao relvado e aceitou a medalha como elemento de um grupo de trabalho que foi finalista numa taça?
B) Recusou-se a subir ao relvado para evitar o achincalho?
C) Subiu ao relvado e recusou-se a aceitar a medalha para evitar o achincalho?
D) Subiu ao relvado, aceitou a medalha mas deu-a ao primeiro apanha-bolas que achou à beira do campo, como forma de achincalho?
E) Numa atitude típica de novo-riquismo mimado de pontapeador de bolas, subiu ao relvado, alinhou com a equipa em bicha na cerimónia da entrega das medalhas, aceitou para a mão a medalha que lhe coube, lançou-a grosseiramente pelos ares e ficou não só de papo cheio com a vingançazinha malcriada, como certo de que um escravo qualquer lhe iria apanhar a medalha do chão, já que elas não pegam de estaca?

…Ah, pois “E”!

Por estas e outras é que eu gosto tanto de futebol.

Mas também não havia que enganar. Já dizia o outro sobre o Menino-Génio…

Kiwi

A inspiradora história de um kiwi…

Para quem se abandone ao convite… e resista a fazer a pergunta proibida.

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