“O Que Eles Acharam”…

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Encontrei este blog sobre fitas e fitinhas.
E  para quem gosta de cinema foi uma surpresa muito boa.

Comentários sobre filmes que andam por aí. Apenas.

Não só o mainstream, mas também o alternativo.
Não só lugares-comuns, mas observações de quem sabe alguma coisa do assunto.
Não só desabafos, mas análises imparciais, aprofundadas e com fundamento.

No fundo, uma coisa tão simples mas tão rara…

A considerar!

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KOYAANISQATSI

A propósito de uma coisa, lembrei-me daquela de “quando o discípulo está pronto, o mestre aparece”.

Este é um filme com apenas 27 anos. De Godfrey Reggio. Que ninguém conhece.
Mas que vale a pena.

Sobre o nosso lugar na bola azul.
Sem argumento, nem diálogo, nem personagens. Ou com 6.000.000.000 delas.
…Numa viagem à procura de um equilíbrio.

E se…

Já lá vai há uns meses o último filme de M. Night Shyamalan, The Happening; ou, como o chamámos, O Acontecimento.
E também passa aqui.

Devo confessar uma simpatia especial pelo realizador. Que ora mais inspirado ora menos produz sempre fitas de acordo com uma concepção pessoal de ideias, enredos e desenlaces.
Que, ainda que num registo comercial, trabalha sempre com uma boa dose de indiferença – aparente… – aos preconceitos, às expectativas ou às opiniões dos espectadores.


A sua originalidade permitiu-lhe fazer um perturbador “O Sexto Sentido” em que a fala com os mortos não é o mais importante, um sedutor “O Protegido” (…estas traduções) em que o herói discutivelmente é o protagonista, um frenético “Sinais” em que uma invasão extraterrestre é relegada para segundo plano, um misterioso “A Vila” em que um filme construído como de época desafia a nossa incerteza moderna, e “A Senhora da Água” que…, bem…, enfim…, paciência…, esse é que não tem ponta por onde se lhe pegue.

Filmes construídos sobre situações bizarras, em ambientes inquietantes, que colocam dilemas terminais em que a natureza humana, invariavelmente levada ao limite, é elevada à categoria de derradeira chave.

The Happening respeita essa linha.

Na manhã de um dia comum numa cidade actual, algo horrível sucede. Imprevisto, absurdo, avassalador, incontrolável…


…E como num bom filme de Shayamalan, nada disso interessa verdadeiramente.

(Claro que para a exploração das personagens, para o adensar da trama, para o aprofundamento do efeito emotivo, para o desenlace que se espera (?) de um filme, sim…
…Mas não no essencial.)


A narrativa destes acontecimentos anómalos, a catástrofe em que o género humano engrena sem apelo, apenas corre ombro a ombro com o provocante desafio lançado pelo realizador, a questão verdadeiramente original e relevante em duas horas de sala às escuras: “E se?…”

O que aconteceria se uma espécie perdesse – não importa no filme nem fora dele o “porquê” – o seu instinto vital?
Qual o resultado imediato da perda do seu instinto de preservação?
Ou, mais feio, qual a consequência de uma inversão desse instinto primordial?
Quais as feições do género humano rendido a esta horrível impossibilidade tornada real?

…E qual a largura da fronteira entres dois universos?, o do pretenso controlo absoluto da sua vida e das suas opções, e o do abandono e da voragem do vazio?…

Para quem goste de uma boa pipoca, há filme. (Servido a preceito por uma ou outra horrível representação cujo contrato não deve ter permitido descartar.)

Para quem não se limite a ver filmes e aceite o desafio, algumas imagens horríveis do abismo.