Rir-se Três Vezes

Este cavalheiro é Luís Campos Ferreira. Deputado do PSD.

…Que pela sua bancada se insurgiu contra a aprovação solitária no Parlamento, pelo PS, da Lei do Pluralismo e da não Concentração dos Meios de Comunicação Social.
(Ou, em rigor, da aprovação exclusiva pelo PS das alterações que o PS fez à Lei já votada exclusivamente pelo PS na Assembleia e entretanto não promulgada pelo Presidente da República, que a criticou.)

Mas não foco tanto a peculiaridade da pressa desta legislação, que atropela a reflexão que a União faz neste momento e que quando chegar a conclusões nos vai obrigatoriamente vincular (e desdizer?); nem a graça desta preocupação com “concentrações” de órgãos de informação nacionais, quando a concentração de media em mãos estrangeiras (por exemplo espanholas) não merecem preocupação por aí além; ou a curiosidade da exigência de garantia pelos próprios media (!) de “serem plurais”, de “darem voz a diferentes sensibilidades”, numa clara intromissão em quem lá está, o que lá faz e a opinião que tem, numa cavalgada muito além das competências da ERC; ou a comovente bondade de determinar em definitivo que o Estado não terá parte em meios de comunicação, no que pareceria ético da parte de quem ao privilégio prescinde, mas não esconde o garrote que quer colocar aos media locais – por exemplo na inconveniente Madeira; foco apenas a intervenção pontual deste deputado.

Dizia o dr. Luís Campos Ferreira no Parlamento, dirigindo-se ao Primeiro-Ministro: “Ó senhor engenheiro, dê-me um pouco de atenção. O país precisa de mais liberdade de expressão.”
…Socorrendo-se como é evidente da letra daquela música dos Xutos.

Só que me fez parecer aquela célebre figura do sujeito que quando ouve uma anedota se ri três vezes: quando a ouve, quando lha explicam e quando a percebe.

É que quando os Xutos falam dos que “andam na roubalheira“, dos que “nos andam a comer“, de quem “anda a enganar o povo que acreditou“, é bastante provável que se refiram a políticos quase com 10 anos de mandato de Deputado, com mandatos exercidos na política local, com cargos de destaque nas hierarquias partidárias, eventualmente “advogados-gestores”… Tal como o dr. Luís Campos Ferreira!
(Isto independentemente da injustiça que esta “caricatura de homem público” encerre ou – evidentemente – de o senhor não encaixar na caricatura em questão…)

O que é certo é que em política é fácil morrer pela boca.
…E que a cultura pop, ainda que não pareça, não é só pega e usa.
E que os Maria-vai-com-as-outras são mesmos uns tristes.

O Arcanjo. Mas, Por Partes…

Rodava ontem na TSF o escândalo de o PSD ainda não ter apresentado um candidato às europeias.
E o assunto tanto me interessa que acabei por lá ir dar – mais uma vez – o meu bitaite.

Comecei por achar totalmente irrelevante a questão em particular.
Isto da “corrida” de quem chega primeiro e bate com estrondo a lista no balcão do Tribunal Constitucional, é  próprio de um Portugal-taberneiro que não será o meu.

Para mais, como o disse no Fórum, bastava ao PSD apresentar o Manuel Luís Goucha à cabeça da lista e ganhava as eleições. Ponto; embrulhe que é para levar; venham as próximas! Não nos esqueçamos do País que temos e do povo que somos.
(Entretanto apresentou Paulo Rangel… e está lixado. Culpa apenas sua.)

Quando o PS apresenta o comunista-convertido Vital Moreira (dado curioso que escapa à perfeitamente limpa de referências políticas e bem arrumada biografia oficial da página da candidatura), dá-me mais que pensar.

(Falo de Vital Moreira. Ou, como também é conhecido, “Utael” – espécie de um nome de arcanjo inventado: em sânscrito, “O meu Senhor é uma fera”. Ou, para ser milimetricamente exacto, “Utael-uuuuuu-amálgama-com-aquele-traço-horizontal-por-cima-típico-da-palavra-Moreira”.)

Vital Moreira, que agora apresentou um livro reader’s digest de 10 anos dos seus próprios escritos sobre a Europa, é figura de proa de uma campanha. Mas uma campanha muito maior que a pindérica “campanha das europeias”.
E é isso que é preocupante.

Se há tempos andei a ganir neste blog, como cachorro à chuva, pela esmola de uma vez na vida ser ouvido no contexto da pilhagem nacional, não vou agora calar-me perante a festa da candidatura do Arcanjo Utael.
(…E do seu Dupont Rangel.)

A sacola de asneiras – que os latinos diziam que carregamos às costas e ignoramos porque à frente apenas trazemos pendente outra com as nossas qualidades – que eu censuro ao Arcanjo Utael pode ser procurada e facilmente encontrada na net.
Quem quiser procurá-la, encontra-a. (Quem não quiser, pergunto-me se chegará a ter justificação para continuar a ler este post…) Que vá ao Causa Nossa, o blog que o candidato partilha com figuras de relevo da República como Ana Gomes.

Um empurrãozinho?…

Escrevia o senhor a 17 de Junho de 2008, sobre a nega irlandesa às pretensões transformistas do funcionamento da União “aprecio em particular a proposta de sufragar – por ocasião das eleições ao Parlamento Europeu em Junho de 2009 – o projecto de um Acordo, Mas, atenção, sufragar um tal acordo não significa sufragar este Tratado: neste cenário caberá aos partidos políticos apresentar programas eleitorais […] que os vinculem claramente [ao] Tratado de Lisboa [porque] defendem a aplicação do Tratado de Lisboa – se necessário a 26.
Ou seja, os nacionais dos vários países da União tinham mais era que ver passar o combóio dos cozinhados nas altas esferas da política europeia e dizer humildemente “amén“. Depois, mais tarde – tarde demais, entenda-se – lá poderiam opinar se achavam bem que Portugal corresse atrás do combóio em andamento ou ficasse no cais.
…Numa sinistra lógica de acto consumado, de chantagem política, de “quem não quer, larga” tão ao estilo de algumas cabeças socialistas.
Porque, segundo Utael, “o referendo [do aborto] ensinou-me a não fetichizar os referendos. É que nem 50 por cento dos portugueses se deram ao trabalho de ir votar… Como que a lembrar aos homens políticos – ‘vocês são eleitos por nós para decidir’. Eu, por mim, assumo essa responsabilidade.
Ora é essa horrífica perspectiva, a de senhores como ele fazerem o “sacrifício” de asumir o fardo de decidir pelos portugueses em matérias em que objectivamente há pessoas – e muitas – que põe pés à parede perante o rumo dessas “decisões legitimadas” de uma classe política tão benemérita mas corrompida por diversíssimas seduções.

Sobre o desenrascar do “problema” irlandês e a possibilidade de enfiar boca abaixo aos irlandeses novo referendo, dizia ainda nesta data: “não há nada de antidemocrático nisso. Se fosse em Portugal, o mesmo referendo poderia ser convocado já a partir de 15 de Setembro. E é evidente que os eleitores podem mudar livremente de opinião.” Pois, só que “esse” referendo, em Portugal, NÃO ACONTECEU!, também por culpa sua!

Mas não ficou por aqui.
Dias antes escrevera, no contexto da nega irlandesa, que “[auscultados,] somente 8% dos eleitores declararam ter ‘um bom conhecimento do Tratado’ (e pelo que se conhece da sociologia das sondagens, esse número deve pecar por excesso). Mesmo assim, cerca de 65% dos inquiridos acharam que podiam votar a favor ou contra. […] O que não é racional é submeter a decisão popular matérias que, pela sua manifesta complexidade, a generalidade dos eleitores não pode razoavelmente compreender. […] A oposição ao Tratado jogou explicitamente na ignorância. O seu principal slogan era ‘Vote Não porque você não sabe.’
Ao melhor nível – por exemplo – de uma sólida formação soviética, os “ignorantes” (ou seja, “toda a gente”) devem ser poupados ao confrangedor espectáculo de serem ouvidos e darem as suas patéticas opiniões. É para isso que servem os “intelectuais”, os “educadores do povo”: informados e ilustrados, e por isso quasi-infalíveis. E por isso inquestionáveis.
Fora de questão está, como é óbvio, INFORMAR, sobre aspectos fulcrais de uma vida QUE LHES DIZ RESPEITO, os pobres dos ignorantes… Para depois os chamar a participar nas decisões sobre o seu futuro.
Abençoados os que saíram à rua na Irlanda para dizer aos eleitores mais descontraídos: “Se não sabem, não saltem no escuro.” Porque é precisamente disso que se trata!

Que esta coisa do “Nós, europeus” faz-me lembrar um texto engraçado que li, estudante, sobre as maravilhas da educação colonial – neste caso no Norte de África francês.

Descrevia uma situação em que miuditos negros – “pieds noirs” magrebinos – liam e recitavam à volta de manuais escolares os feitos dos “nos père, les Gaulois“, “os nossos antepassados, os Gauleses“.

É neste ponto em que estamos, mais ou menos.
Quando Utael fala do “nós, europeus” sinto-me de imediato (considerado) um miudito de um território estrangeiro, a quem por força recitam histórias fantasiosas, que querem forçar a replicá-las e a aceitá-las como uma espécie de reescrita da sua própria história e identidade.

Armado em Malcolm X (olha para o que me havia de dar!…) diria eu que não aterrei na Europa, “esta” Europa aterrou sobre mim.
Uma “Europa” cada vez mais hostil, que não sou forçado a aceitar. Ou sequer a tolerar como se me insinua.

E nesta batalha angelical, em que farei fatalmente parte dos errados e dos malditos, lutarei com todo o gosto.

Mandar Homens Fazer Trabalho de Putos

Há dias houve perturbação da – normal – ordem no Parlamento.
…Alguém foi impedido de ouvir quando telefonava; alguém foi distraído enquanto lia; alguém foi interrompido enquanto gracejava para o lado; alguém no fundo pareceu querer testar o nível de concentração de um deputado comum – dos que funções de maior relevo não afastaram do hemiciclo numa tarde de relativo bom tempo.

E foi assim que o fez…

Afonso Candal, distinto tribuno de verbo cúspide e génio sombrio, entendeu em plena sessão fazer graça venenosa com a honoradez de intenções de José Eduardo Martins.

Este, temível parlamentar de verve tremente e verbo falsete, mandou-o à sorrelfa para oλ®λ£ΠΩ.

…Para conferir…

É o que acontece quando homens feitos tentam – com pouca qualidade – encarnar putos num papel que julgam fácil.

Um encarrila na de chacotear “o teu pai é careca!”. Numa pândega alarve que destoa da noção que os adultos têm de que na esfera dos crescidos  esse tipo de brincadeira pode dar direito a uns bons murros na tromba.

Outro refugia-se no “tens cara de cócó!”. Sem cuidar de lhe pagar com os murros na tromba que julgaria adequados – simbólicos ou literais – e sem noção de que o linguajar dos adultos é uma arma com recuo.

E assim se pinta o retrato. De homens armados em putos.
Porquê?
Porque como putos – acham que – é mais rápido chegarem onde querem. Mais fácil. E que graças ao expediente sempre depois podem alegar uma espécie de insanidade temporária para “interpretações dúbias” que as suas – anormais – intervenções possam ter…

A confirmá-lo, Afonso Candal diz que não insinuou “fosse o que fosse“, que “se tivesse algo a dizer, afirmava-o” e que “às vezes há mal-entendidos“.
Regressado que é à sua sanidade maior, ensaia com sucesso a ressaca de uma privação de sentidos de que já matou o vício e recolheu o proveito.

…Por seu lado, José Eduardo Martins sacode com uma mão a poeira da sua honra manchada e ainda por lavar, enquanto que com a outra coifa o cabelo desalinhado simulando semelhante regresso de um sono momentâneo.
Assume: “sou humano, erro, e manifestamente errei“, “da maneira como eu fui criado não se deixam passar em claro as ofensas à honra“, “ao senhor deputado Afonso Candal com certeza que não peço desculpas“.


Cada um, vitorioso por ter – como um puto – levado a melhor – dentro da sua cabeça.

Mas não nos enganemos. Porque nesta história de pseudo-putos, apesar das parecenças, os papéis são muito diferentes.

Afonso Candal pôde insinuar o que não poderia. E viu encerrado o episódio a contento, sem sequelas.
José Eduardo Martins tentou como pôde fechar – com a última palavra – o episódio da sua afronta.
…Sendo até à exaustão apontado a dedo o segundo, na têvê e nos demais, por ter usado um palavrão dentro das portas sagradas da Casa da Democracia.
…E poupado o primeiro, que ninguém atirou contra a parede, pretendendo apurar a fundo que história era aquela dos “interesses“, que lhe motivou a graça.

José Eduardo Martins  tem razão, quando diz que no Parlamento – e no País – é mais grave um palavrão que atentar contra a honra de terceiros. Arena em que é mais solene a forma que o conteúdo.
No Parlamento da Nação, insinuar, toldar, contaminar, atentar, são verbos conjugados num nível corrente do politiquês. Faz parte dos usos e costumes tornados lei pelo hábito. São tática, técnica e muleta de deficientes oratórios. E assim é que estamos bem.

Tudo isto sob um Presidente como Jaime Gama! De quem também já não esperava nada de especial… Ou sequer de diferente.

Mas não se perca de vista que, neste recreio de putos finos, no Parlamento (como no País), continua a haver o “bully” e o “vítima“.
Cada um laboratorialmente concebido, politicamente encartado, intelectualmente certificado pela sociedade e pelos media.
Uns satisfazendo a sua boçalidade intocável e visando a impunidade. Outros matando a fome a uma honra anémica e porfiando na sobrevivência tolerada.

Sendo que, enquanto todos se entendam e sejam felizes, está o País garantido.

[Publicado no Canto Aberto.]

I Just Called…

Há dias houve lá para a América um espectáculo em que o presidente Obama homenageou Stevie Wonder.

Uma mixórdia de tributo nacional, capricho pessoal, auto-promoção comercial e Convenção do Invisual.

Por cá, que não somos de ficar atrás de ninguém, tivemos uma réplica à nossa escala.

O Direito ao Café

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Estive ontem a assistir a um bocadito da audição no Parlamento de Dias Loureiro por causa das baldrocas do BPN.
– Aquela “comissão parlamentar” fantástica, presidida pela grande especialista nestas podas que é a deputada Maria de Belém.

E deu-me algum nojo.

Não a condução dos trabalhos, que não acompanhei.
Não o teor do depoimento, cujo fio não me interessei por seguir.
Mas o tom com que Dias Loureiro se apresentou a depor.

Um tom informal, blasé, descomplexado, solto, tu-cá-tu-lá, ingénuo, insuportável.

Não suporto que alguém como Dias Loureiro, para tratar assuntos como o afundar de um banco por onde passou, no momento em que o “Governo” despejou milhões meus sobre fogos acesos por gente do seu meio, sentado no Parlamento, no contexto histórico da discussão da sua saída do Conselho de Estado, um “Senador” da Nação, adopte este tipo de tom para responder numa Comissão de Inquérito.

Não suporto ouvi-lo contar as conversas de bastidores entre os tubarões da sombra da sociedade portuguesa, os seus entendimentos e os seus acordos titânicos, os seus negócios e decisões passíveis de sacudir o País como ondas sísmicas, os seus golpes de rins de interesse à margem da Nação, com o mesmo tom com que o homem comum narra no café a outro homem comum episódios da sua vida comum.

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 …Fantástico como alguns sujeitos se vestem com a roupa da superioridade quando lhes agrada e vestem os panos da humildade quando muito bem lhes convém.

Mas não cola.
Tanto não cola que é um insulto…

E seria agradável, de vez em quando, ver cair sobre estes deuses que a seu prazer vertem o maná sobre a Terra – e sobre as próprias cabeças! – uma pragazinha bíblica na proporção do seu poder.

Não faz parte da ordem da Natureza, mas sempre equilibrava as coisas.

Canetinha Tão Roída…

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É com esta caneta, tão roída de raiva e ânsia, que vou votar este ano no Pedro Passos Coelho.

Não. Duas vezes não.
…Nem estou bêbado, nem esse voto é do fundo do coração.
É só o voto possível. No momento possível.

(Se no fim do ano tivermos outro Primeiro-Ministro, depois falamos. Senão, finjam que esta mensagem se auto-destruiu, como nos filmes…)

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Figuras do Estilo

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Manuela Ferreira Leite tem de falar!
Assim está obrigada pela condição de “líder”(?) da “oposição”(?). Só falando se vai à têvê, e a senhora quer mesmo ir à têvê.
…Portanto, fala.

E tornou a falar, e tornou a aparecer, e tornou a cobrir-me – a mim, aos sociais-democratas e ao País – de vergonha.

Calma, que não me refiro à sua “apologia dos seis meses sem democracia”!
Essa foi uma pileca estafada que algumas figurietas montaram e esporaram até dar cabo dela, ora para cobrir mais uns metros no despique político sem terem de suar a camisola, ora para vender papel de forma preguiçosa e contemplativa!

…A escandaleira à volta da “apologia dos seis meses sem democracia” foi tão estúpida como quem a alimentou.
Por exemplo o sr. Ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, que “exortou o PSD a esclarecer as declarações” de Ferreira Leite e as apelidou de “gravíssimas“.
Por exemplo o sr. líder parlamentar do PS, Alberto Martins, que não só condenou a “atitude anti-democrática” de Ferreira Leite, como manifestou o seu “repúdio veemente” pelas palavras e acusou a “cultura autoritária e ausência de cultura cívica” de quem as disse.
Como por exemplo o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, que apelidou de “despropositadas e infelizes” as declarações, sentenciando que “há ironias que não se podem fazer“.
Por exemplo Pedro Passos Coelho – inevitável sombra fantasmagórica a pairar sobre Ferreira Leite – que não acreditava que a oradora “tivesse querido dizer aquilo que disse“.
Por exemplo – o  já caso clínico – Luís Filipe Menezes, que disse que fora uma “ideia bizarra“, que deveria ter feito “Sá Carneiro dar voltas no túmulo“.
Por exemplo o “prof. Marcelo”, que – críptico – falava de relativizar sobretudo em período eleitoral essas declarações no que têm de confusão entre democracia e ditadura(?!?!?).

…Por aí fora.

Todos eles estúpidos.
Ou de carreira, ou de circunstância.

Alimentados por uma imprensa que falava de “uma líder debaixo de fogo“, da sugestão de”interrupção na democracia“, da ironia “que foi longe demais” e outros incendiarismos.
Culminados pela patética prestação de esclarecimentos por Marques Guedes, sobre o que toda a gente já tinha mais que percebido não ser o que se quis que fosse.
(Como brilhantemente nesta crónica ficou dito.)

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O que não isenta Ferreira Leite – tanto que foi aí que comecei.

Há uma data de tempo que os meus miúdos já perceberam das aulas de Português o que é uma ironia, esta figura de estilo.
Ao contrário de Ferreira Leite – com a sua idade e a sua rodagem…

A ironia é um jogo de pessoas inteligentes. Em que uma emite uma mensagem codificada e outra a descodifica.
Numa comunicação não só eficaz como gratificante para ambas as partes no que ela tem de jogo…

Nessa comunicação arrisca-se a passagem de uma mensagem falsa, ou inexacta, por forma a salientar pelo contraste o verdadeiro recado do falado ou do escrito.
É dada, por isso, para anular o risco de equívoco – e na medida de evidência que o assegure – uma dica perceptível a quem nos lê ou ouve, por forma a detectar o jogo em causa e desfazer o “absurdo”.
Um tom, um gesto, uma construção…

E é disso incapaz Manuela Ferreira Leite.

Com a sua invariável cara, o seu invariável tom de “paga-me o que deves”, com a rigidez plástica da sua comunicação como garantias numa interacção que se pretende flexível e adaptável, usada por esta senhora a ironia é uma arma mortífera – não por disparar certeira em dada direcção, mas por explodir nas suas mãos ineptas e se fragmentar atingindo todos em redor.

Quem não sabe, não faça.
Que se é um bom princípio para mudar um fusível, também o deve ser para o abrir a boca.

Com este livro, fica a sugestão de uma prenda de Natal.
Para uma mudança da figura ou do estilo.