Rir-se Três Vezes

Este cavalheiro é Luís Campos Ferreira. Deputado do PSD.

…Que pela sua bancada se insurgiu contra a aprovação solitária no Parlamento, pelo PS, da Lei do Pluralismo e da não Concentração dos Meios de Comunicação Social.
(Ou, em rigor, da aprovação exclusiva pelo PS das alterações que o PS fez à Lei já votada exclusivamente pelo PS na Assembleia e entretanto não promulgada pelo Presidente da República, que a criticou.)

Mas não foco tanto a peculiaridade da pressa desta legislação, que atropela a reflexão que a União faz neste momento e que quando chegar a conclusões nos vai obrigatoriamente vincular (e desdizer?); nem a graça desta preocupação com “concentrações” de órgãos de informação nacionais, quando a concentração de media em mãos estrangeiras (por exemplo espanholas) não merecem preocupação por aí além; ou a curiosidade da exigência de garantia pelos próprios media (!) de “serem plurais”, de “darem voz a diferentes sensibilidades”, numa clara intromissão em quem lá está, o que lá faz e a opinião que tem, numa cavalgada muito além das competências da ERC; ou a comovente bondade de determinar em definitivo que o Estado não terá parte em meios de comunicação, no que pareceria ético da parte de quem ao privilégio prescinde, mas não esconde o garrote que quer colocar aos media locais – por exemplo na inconveniente Madeira; foco apenas a intervenção pontual deste deputado.

Dizia o dr. Luís Campos Ferreira no Parlamento, dirigindo-se ao Primeiro-Ministro: “Ó senhor engenheiro, dê-me um pouco de atenção. O país precisa de mais liberdade de expressão.”
…Socorrendo-se como é evidente da letra daquela música dos Xutos.

Só que me fez parecer aquela célebre figura do sujeito que quando ouve uma anedota se ri três vezes: quando a ouve, quando lha explicam e quando a percebe.

É que quando os Xutos falam dos que “andam na roubalheira“, dos que “nos andam a comer“, de quem “anda a enganar o povo que acreditou“, é bastante provável que se refiram a políticos quase com 10 anos de mandato de Deputado, com mandatos exercidos na política local, com cargos de destaque nas hierarquias partidárias, eventualmente “advogados-gestores”… Tal como o dr. Luís Campos Ferreira!
(Isto independentemente da injustiça que esta “caricatura de homem público” encerre ou – evidentemente – de o senhor não encaixar na caricatura em questão…)

O que é certo é que em política é fácil morrer pela boca.
…E que a cultura pop, ainda que não pareça, não é só pega e usa.
E que os Maria-vai-com-as-outras são mesmos uns tristes.

O Arcanjo. Mas, Por Partes…

Rodava ontem na TSF o escândalo de o PSD ainda não ter apresentado um candidato às europeias.
E o assunto tanto me interessa que acabei por lá ir dar – mais uma vez – o meu bitaite.

Comecei por achar totalmente irrelevante a questão em particular.
Isto da “corrida” de quem chega primeiro e bate com estrondo a lista no balcão do Tribunal Constitucional, é  próprio de um Portugal-taberneiro que não será o meu.

Para mais, como o disse no Fórum, bastava ao PSD apresentar o Manuel Luís Goucha à cabeça da lista e ganhava as eleições. Ponto; embrulhe que é para levar; venham as próximas! Não nos esqueçamos do País que temos e do povo que somos.
(Entretanto apresentou Paulo Rangel… e está lixado. Culpa apenas sua.)

Quando o PS apresenta o comunista-convertido Vital Moreira (dado curioso que escapa à perfeitamente limpa de referências políticas e bem arrumada biografia oficial da página da candidatura), dá-me mais que pensar.

(Falo de Vital Moreira. Ou, como também é conhecido, “Utael” – espécie de um nome de arcanjo inventado: em sânscrito, “O meu Senhor é uma fera”. Ou, para ser milimetricamente exacto, “Utael-uuuuuu-amálgama-com-aquele-traço-horizontal-por-cima-típico-da-palavra-Moreira”.)

Vital Moreira, que agora apresentou um livro reader’s digest de 10 anos dos seus próprios escritos sobre a Europa, é figura de proa de uma campanha. Mas uma campanha muito maior que a pindérica “campanha das europeias”.
E é isso que é preocupante.

Se há tempos andei a ganir neste blog, como cachorro à chuva, pela esmola de uma vez na vida ser ouvido no contexto da pilhagem nacional, não vou agora calar-me perante a festa da candidatura do Arcanjo Utael.
(…E do seu Dupont Rangel.)

A sacola de asneiras – que os latinos diziam que carregamos às costas e ignoramos porque à frente apenas trazemos pendente outra com as nossas qualidades – que eu censuro ao Arcanjo Utael pode ser procurada e facilmente encontrada na net.
Quem quiser procurá-la, encontra-a. (Quem não quiser, pergunto-me se chegará a ter justificação para continuar a ler este post…) Que vá ao Causa Nossa, o blog que o candidato partilha com figuras de relevo da República como Ana Gomes.

Um empurrãozinho?…

Escrevia o senhor a 17 de Junho de 2008, sobre a nega irlandesa às pretensões transformistas do funcionamento da União “aprecio em particular a proposta de sufragar – por ocasião das eleições ao Parlamento Europeu em Junho de 2009 – o projecto de um Acordo, Mas, atenção, sufragar um tal acordo não significa sufragar este Tratado: neste cenário caberá aos partidos políticos apresentar programas eleitorais […] que os vinculem claramente [ao] Tratado de Lisboa [porque] defendem a aplicação do Tratado de Lisboa – se necessário a 26.
Ou seja, os nacionais dos vários países da União tinham mais era que ver passar o combóio dos cozinhados nas altas esferas da política europeia e dizer humildemente “amén“. Depois, mais tarde – tarde demais, entenda-se – lá poderiam opinar se achavam bem que Portugal corresse atrás do combóio em andamento ou ficasse no cais.
…Numa sinistra lógica de acto consumado, de chantagem política, de “quem não quer, larga” tão ao estilo de algumas cabeças socialistas.
Porque, segundo Utael, “o referendo [do aborto] ensinou-me a não fetichizar os referendos. É que nem 50 por cento dos portugueses se deram ao trabalho de ir votar… Como que a lembrar aos homens políticos – ‘vocês são eleitos por nós para decidir’. Eu, por mim, assumo essa responsabilidade.
Ora é essa horrífica perspectiva, a de senhores como ele fazerem o “sacrifício” de asumir o fardo de decidir pelos portugueses em matérias em que objectivamente há pessoas – e muitas – que põe pés à parede perante o rumo dessas “decisões legitimadas” de uma classe política tão benemérita mas corrompida por diversíssimas seduções.

Sobre o desenrascar do “problema” irlandês e a possibilidade de enfiar boca abaixo aos irlandeses novo referendo, dizia ainda nesta data: “não há nada de antidemocrático nisso. Se fosse em Portugal, o mesmo referendo poderia ser convocado já a partir de 15 de Setembro. E é evidente que os eleitores podem mudar livremente de opinião.” Pois, só que “esse” referendo, em Portugal, NÃO ACONTECEU!, também por culpa sua!

Mas não ficou por aqui.
Dias antes escrevera, no contexto da nega irlandesa, que “[auscultados,] somente 8% dos eleitores declararam ter ‘um bom conhecimento do Tratado’ (e pelo que se conhece da sociologia das sondagens, esse número deve pecar por excesso). Mesmo assim, cerca de 65% dos inquiridos acharam que podiam votar a favor ou contra. […] O que não é racional é submeter a decisão popular matérias que, pela sua manifesta complexidade, a generalidade dos eleitores não pode razoavelmente compreender. […] A oposição ao Tratado jogou explicitamente na ignorância. O seu principal slogan era ‘Vote Não porque você não sabe.’
Ao melhor nível – por exemplo – de uma sólida formação soviética, os “ignorantes” (ou seja, “toda a gente”) devem ser poupados ao confrangedor espectáculo de serem ouvidos e darem as suas patéticas opiniões. É para isso que servem os “intelectuais”, os “educadores do povo”: informados e ilustrados, e por isso quasi-infalíveis. E por isso inquestionáveis.
Fora de questão está, como é óbvio, INFORMAR, sobre aspectos fulcrais de uma vida QUE LHES DIZ RESPEITO, os pobres dos ignorantes… Para depois os chamar a participar nas decisões sobre o seu futuro.
Abençoados os que saíram à rua na Irlanda para dizer aos eleitores mais descontraídos: “Se não sabem, não saltem no escuro.” Porque é precisamente disso que se trata!

Que esta coisa do “Nós, europeus” faz-me lembrar um texto engraçado que li, estudante, sobre as maravilhas da educação colonial – neste caso no Norte de África francês.

Descrevia uma situação em que miuditos negros – “pieds noirs” magrebinos – liam e recitavam à volta de manuais escolares os feitos dos “nos père, les Gaulois“, “os nossos antepassados, os Gauleses“.

É neste ponto em que estamos, mais ou menos.
Quando Utael fala do “nós, europeus” sinto-me de imediato (considerado) um miudito de um território estrangeiro, a quem por força recitam histórias fantasiosas, que querem forçar a replicá-las e a aceitá-las como uma espécie de reescrita da sua própria história e identidade.

Armado em Malcolm X (olha para o que me havia de dar!…) diria eu que não aterrei na Europa, “esta” Europa aterrou sobre mim.
Uma “Europa” cada vez mais hostil, que não sou forçado a aceitar. Ou sequer a tolerar como se me insinua.

E nesta batalha angelical, em que farei fatalmente parte dos errados e dos malditos, lutarei com todo o gosto.

Mandar Homens Fazer Trabalho de Putos

Há dias houve perturbação da – normal – ordem no Parlamento.
…Alguém foi impedido de ouvir quando telefonava; alguém foi distraído enquanto lia; alguém foi interrompido enquanto gracejava para o lado; alguém no fundo pareceu querer testar o nível de concentração de um deputado comum – dos que funções de maior relevo não afastaram do hemiciclo numa tarde de relativo bom tempo.

E foi assim que o fez…

Afonso Candal, distinto tribuno de verbo cúspide e génio sombrio, entendeu em plena sessão fazer graça venenosa com a honoradez de intenções de José Eduardo Martins.

Este, temível parlamentar de verve tremente e verbo falsete, mandou-o à sorrelfa para oλ®λ£ΠΩ.

…Para conferir…

É o que acontece quando homens feitos tentam – com pouca qualidade – encarnar putos num papel que julgam fácil.

Um encarrila na de chacotear “o teu pai é careca!”. Numa pândega alarve que destoa da noção que os adultos têm de que na esfera dos crescidos  esse tipo de brincadeira pode dar direito a uns bons murros na tromba.

Outro refugia-se no “tens cara de cócó!”. Sem cuidar de lhe pagar com os murros na tromba que julgaria adequados – simbólicos ou literais – e sem noção de que o linguajar dos adultos é uma arma com recuo.

E assim se pinta o retrato. De homens armados em putos.
Porquê?
Porque como putos – acham que – é mais rápido chegarem onde querem. Mais fácil. E que graças ao expediente sempre depois podem alegar uma espécie de insanidade temporária para “interpretações dúbias” que as suas – anormais – intervenções possam ter…

A confirmá-lo, Afonso Candal diz que não insinuou “fosse o que fosse“, que “se tivesse algo a dizer, afirmava-o” e que “às vezes há mal-entendidos“.
Regressado que é à sua sanidade maior, ensaia com sucesso a ressaca de uma privação de sentidos de que já matou o vício e recolheu o proveito.

…Por seu lado, José Eduardo Martins sacode com uma mão a poeira da sua honra manchada e ainda por lavar, enquanto que com a outra coifa o cabelo desalinhado simulando semelhante regresso de um sono momentâneo.
Assume: “sou humano, erro, e manifestamente errei“, “da maneira como eu fui criado não se deixam passar em claro as ofensas à honra“, “ao senhor deputado Afonso Candal com certeza que não peço desculpas“.


Cada um, vitorioso por ter – como um puto – levado a melhor – dentro da sua cabeça.

Mas não nos enganemos. Porque nesta história de pseudo-putos, apesar das parecenças, os papéis são muito diferentes.

Afonso Candal pôde insinuar o que não poderia. E viu encerrado o episódio a contento, sem sequelas.
José Eduardo Martins tentou como pôde fechar – com a última palavra – o episódio da sua afronta.
…Sendo até à exaustão apontado a dedo o segundo, na têvê e nos demais, por ter usado um palavrão dentro das portas sagradas da Casa da Democracia.
…E poupado o primeiro, que ninguém atirou contra a parede, pretendendo apurar a fundo que história era aquela dos “interesses“, que lhe motivou a graça.

José Eduardo Martins  tem razão, quando diz que no Parlamento – e no País – é mais grave um palavrão que atentar contra a honra de terceiros. Arena em que é mais solene a forma que o conteúdo.
No Parlamento da Nação, insinuar, toldar, contaminar, atentar, são verbos conjugados num nível corrente do politiquês. Faz parte dos usos e costumes tornados lei pelo hábito. São tática, técnica e muleta de deficientes oratórios. E assim é que estamos bem.

Tudo isto sob um Presidente como Jaime Gama! De quem também já não esperava nada de especial… Ou sequer de diferente.

Mas não se perca de vista que, neste recreio de putos finos, no Parlamento (como no País), continua a haver o “bully” e o “vítima“.
Cada um laboratorialmente concebido, politicamente encartado, intelectualmente certificado pela sociedade e pelos media.
Uns satisfazendo a sua boçalidade intocável e visando a impunidade. Outros matando a fome a uma honra anémica e porfiando na sobrevivência tolerada.

Sendo que, enquanto todos se entendam e sejam felizes, está o País garantido.

[Publicado no Canto Aberto.]

I Just Called…

Há dias houve lá para a América um espectáculo em que o presidente Obama homenageou Stevie Wonder.

Uma mixórdia de tributo nacional, capricho pessoal, auto-promoção comercial e Convenção do Invisual.

Por cá, que não somos de ficar atrás de ninguém, tivemos uma réplica à nossa escala.

O Direito ao Café

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Estive ontem a assistir a um bocadito da audição no Parlamento de Dias Loureiro por causa das baldrocas do BPN.
– Aquela “comissão parlamentar” fantástica, presidida pela grande especialista nestas podas que é a deputada Maria de Belém.

E deu-me algum nojo.

Não a condução dos trabalhos, que não acompanhei.
Não o teor do depoimento, cujo fio não me interessei por seguir.
Mas o tom com que Dias Loureiro se apresentou a depor.

Um tom informal, blasé, descomplexado, solto, tu-cá-tu-lá, ingénuo, insuportável.

Não suporto que alguém como Dias Loureiro, para tratar assuntos como o afundar de um banco por onde passou, no momento em que o “Governo” despejou milhões meus sobre fogos acesos por gente do seu meio, sentado no Parlamento, no contexto histórico da discussão da sua saída do Conselho de Estado, um “Senador” da Nação, adopte este tipo de tom para responder numa Comissão de Inquérito.

Não suporto ouvi-lo contar as conversas de bastidores entre os tubarões da sombra da sociedade portuguesa, os seus entendimentos e os seus acordos titânicos, os seus negócios e decisões passíveis de sacudir o País como ondas sísmicas, os seus golpes de rins de interesse à margem da Nação, com o mesmo tom com que o homem comum narra no café a outro homem comum episódios da sua vida comum.

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 …Fantástico como alguns sujeitos se vestem com a roupa da superioridade quando lhes agrada e vestem os panos da humildade quando muito bem lhes convém.

Mas não cola.
Tanto não cola que é um insulto…

E seria agradável, de vez em quando, ver cair sobre estes deuses que a seu prazer vertem o maná sobre a Terra – e sobre as próprias cabeças! – uma pragazinha bíblica na proporção do seu poder.

Não faz parte da ordem da Natureza, mas sempre equilibrava as coisas.

Canetinha Tão Roída…

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É com esta caneta, tão roída de raiva e ânsia, que vou votar este ano no Pedro Passos Coelho.

Não. Duas vezes não.
…Nem estou bêbado, nem esse voto é do fundo do coração.
É só o voto possível. No momento possível.

(Se no fim do ano tivermos outro Primeiro-Ministro, depois falamos. Senão, finjam que esta mensagem se auto-destruiu, como nos filmes…)

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Figuras do Estilo

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Manuela Ferreira Leite tem de falar!
Assim está obrigada pela condição de “líder”(?) da “oposição”(?). Só falando se vai à têvê, e a senhora quer mesmo ir à têvê.
…Portanto, fala.

E tornou a falar, e tornou a aparecer, e tornou a cobrir-me – a mim, aos sociais-democratas e ao País – de vergonha.

Calma, que não me refiro à sua “apologia dos seis meses sem democracia”!
Essa foi uma pileca estafada que algumas figurietas montaram e esporaram até dar cabo dela, ora para cobrir mais uns metros no despique político sem terem de suar a camisola, ora para vender papel de forma preguiçosa e contemplativa!

…A escandaleira à volta da “apologia dos seis meses sem democracia” foi tão estúpida como quem a alimentou.
Por exemplo o sr. Ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, que “exortou o PSD a esclarecer as declarações” de Ferreira Leite e as apelidou de “gravíssimas“.
Por exemplo o sr. líder parlamentar do PS, Alberto Martins, que não só condenou a “atitude anti-democrática” de Ferreira Leite, como manifestou o seu “repúdio veemente” pelas palavras e acusou a “cultura autoritária e ausência de cultura cívica” de quem as disse.
Como por exemplo o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, que apelidou de “despropositadas e infelizes” as declarações, sentenciando que “há ironias que não se podem fazer“.
Por exemplo Pedro Passos Coelho – inevitável sombra fantasmagórica a pairar sobre Ferreira Leite – que não acreditava que a oradora “tivesse querido dizer aquilo que disse“.
Por exemplo – o  já caso clínico – Luís Filipe Menezes, que disse que fora uma “ideia bizarra“, que deveria ter feito “Sá Carneiro dar voltas no túmulo“.
Por exemplo o “prof. Marcelo”, que – críptico – falava de relativizar sobretudo em período eleitoral essas declarações no que têm de confusão entre democracia e ditadura(?!?!?).

…Por aí fora.

Todos eles estúpidos.
Ou de carreira, ou de circunstância.

Alimentados por uma imprensa que falava de “uma líder debaixo de fogo“, da sugestão de”interrupção na democracia“, da ironia “que foi longe demais” e outros incendiarismos.
Culminados pela patética prestação de esclarecimentos por Marques Guedes, sobre o que toda a gente já tinha mais que percebido não ser o que se quis que fosse.
(Como brilhantemente nesta crónica ficou dito.)

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O que não isenta Ferreira Leite – tanto que foi aí que comecei.

Há uma data de tempo que os meus miúdos já perceberam das aulas de Português o que é uma ironia, esta figura de estilo.
Ao contrário de Ferreira Leite – com a sua idade e a sua rodagem…

A ironia é um jogo de pessoas inteligentes. Em que uma emite uma mensagem codificada e outra a descodifica.
Numa comunicação não só eficaz como gratificante para ambas as partes no que ela tem de jogo…

Nessa comunicação arrisca-se a passagem de uma mensagem falsa, ou inexacta, por forma a salientar pelo contraste o verdadeiro recado do falado ou do escrito.
É dada, por isso, para anular o risco de equívoco – e na medida de evidência que o assegure – uma dica perceptível a quem nos lê ou ouve, por forma a detectar o jogo em causa e desfazer o “absurdo”.
Um tom, um gesto, uma construção…

E é disso incapaz Manuela Ferreira Leite.

Com a sua invariável cara, o seu invariável tom de “paga-me o que deves”, com a rigidez plástica da sua comunicação como garantias numa interacção que se pretende flexível e adaptável, usada por esta senhora a ironia é uma arma mortífera – não por disparar certeira em dada direcção, mas por explodir nas suas mãos ineptas e se fragmentar atingindo todos em redor.

Quem não sabe, não faça.
Que se é um bom princípio para mudar um fusível, também o deve ser para o abrir a boca.

Com este livro, fica a sugestão de uma prenda de Natal.
Para uma mudança da figura ou do estilo.

…Não Digam a Ninguém

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Por partes.

Desde que a imprensa percebeu que pode chegar ao povo que logo alguém percebeu que a pode usar para através dela também lá chegar. (Para o que quer que lhe convenha.)
E se a “imprensa” não é nem mais nem menos fina que qualquer outro pormenor da civilização humana, está sujeita desde esse momento original à maior corrupção.

…Corrupção essa que a assola tanto mais quanto a saturação do aquário em que ela nada.
Vide a diferença de país para país quanto aos níveis de maroscada social; a diferença que não há.
A diferença que não faz.

Quando há tempos, a propósito da “licenciatura” do “engenheiro” Sócrates, nosso “Primeiro-Ministro” (…as aspas estavam em saldo!), vários directores de órgãos de comunicação se queixaram publicamente – e à entidade responsável em Portugal – de ter sido pressionados pelo gabinete de S. Exª no sentido de saírem de cima da personagem e do seu sufoco, tivemos uma aberta no véu de opacidade com que a imprensa cobre a sua podre intimidade.

Claro que os referidos directores se apressaram depois a esclarecer que se tratara de “um caso isolado”, de “uma vez sem exemplo”…
…Mas referiam-se a este tipo de promiscuidade entre media e política, entenda-se! – saloia, brutamontes e violentadora das “sensibilidades”. Não se referiam à excepcionalidade de haver mixórdia entre a política e a imprensa.

A colocação de gente afecta em lugares-chave das redacções – para publicar, não publicar, publicar aqui ou acolá, naquele dia ou naquele, para publicar associado a isto ou aquilo, com comentários ou sem eles, com este formato ou aquele cabeçalho…
As interdependências de gente que está em redacções porque conhece este ou aquele que eventualmente lhe pode abrir portas (e ao órgão empregador) em momentos de privilégio noticioso – o que em sentido inverso grangeia ao “profissional” o lugar e o favor da parte do seu editor…
O ascendente accionista em grupos de comunicação, que como mão que alimenta merece o respeito devido por cada bicho ao seu dono…
And so on…

Por isso se queixa bem Manuela Ferreira Leite.
Um Partido de Governo está sempre na mó-de-cima mediático. Ganha e dá a ganhar num beijo-na-boca eterno com a imprensa. (Excepto quando, por motivos transcendentes, a coisa azeda.)
Um partido na oposição está sempre virtualmente tramado. Ou mostra uma credibilidade (!) arrasadora e suscita a curiosidade a satisfazer de um público soberano, ou pinta a macaca dia-a-dia de forma a capturar a atenção intermitente da imprensa… ou está tramado.
Por isso tem razão Ferreira Leite – que saboreia hoje “o outro lado”, o estar na oposição. Que é uma gaita!

Mas daí a afirmar quenão pode ser a comunicação social a seleccionar aquilo que transmite“… vai metro e meio.
Só alguém profundamente perturbado pode afirmar com ar sisudo uma coisa destas.
…Que juro que nem sequer quero tentar racionalizar para tentar perceber!

Esta não é senão mais uma de tantas vezes em que me ecoa na cabeça o refrão: “Eu sou social-democrata (mas não digam a ninguém)“.

Para a Tralha Cavaquista, Daqui Vai…

…Um Sentido Pontapé!

Num País em que todo o cão e gato tem direito a “biografias” em papel, na net e em canais da especialidade, o Sr. Pinto de Sousa não é excepção.
Saiu para os escaparates um
rolo de papel de folha simples sobre o percurso do político e do Homem que se fartou de bulir para cá chegar. (Confira-se o site da FNAC.)

“Cá”, à política, a Lisboa, ao sucesso, ao Governo, ao zénite do superior pensamento da Nação.

(Coitadinho, o que ele moirou para vingar desfavorecido na Beira…, o que ele batalhou para singrar sozinho na esfera do PS da metrópole…, o que ele suou para se formar no académico que é hoje…, o esforço que foi arrancar o seu poder actual às mãos aferrolhadas de Santana Lopes…, os tormentos que passa ainda agora, coitadinho, com uma imprensa tão atenta, isenta e agressiva…
Coitadinho…)


Por isso, para tal alma tudo é pouco.

Coube o frete…, isto é, a distinção, à sub-directora da Antena1, a jornalista Eduarda Maio, de quem até gosto.
…Que mais ou menos nos termos que se esperava explicou – em longos seis minutos – à RTP (!!!) o processo de postura da obra.
Como as dez horas de entrevista com o protagonista da biografia não autorizada“.
Como a extenuante pesquisa sobre a longa vida de salientes concretizações do “Menino de Ouro do PS” – termo da autoria de terceiros e que por isso não compromete a imparcial e inócua obra literária!

Mas ainda que triste, não é esta a parte mais lamentável.


Foram mais reveladores os próprios detalhes do parto do opúsculo.

Numa comovente cena de Natividade, vieram reunir-se em redor do Menino (de Oiro) os Reis Magos da nata VIP que pelas heterogéneas razões que lá saberão trouxeram os incensos e as mirras que lançaram na farta molhada das oferendas da circunstância.

Um deles: Dias Loureiro.

(…É difícil conciliar o reconhecimento da liberdade individual e universal de falar e agir de cada um com a censura e o asco que me sufocam e se me moldam em palavras… mas paciência.)

Cada vez mais me ocorre a expressão usada por Vicente Jorge Silva – então recém-convertido à rosa – quando um dia julgou (e bem) ver regressar à política, depois do flop, o cortejo inevitável dos que apelidou de “tralha guterrista“.
…Ocorre-me a expressão, adaptada pelos tempos para a tralha cavaquista“.


Cada vez mais o aluvião do Rio Cavaco se revela um espessante poderoso do caldo barrento em que involuntariamente nadamos.
Cada novo rosto laranja que se reencontra, cada nova individualidade que sobressai e reforça posição no laranjal ou no Nacional Rectângulo, uma velha memória comum de colaboração política no Governo de um Cavaco-Primeiro; hoje um Cavaco-Sombra mais abrangente e tentacular que o que o seu magistério prevê, do que a sua amorfa prática sugere.

Cavaco Silva, o magnificamente sereno Presidente da República, monarca de cognome “O Inútil” (esta paga direitos ao Kaos), o “Cooperante Estratégico” com a farsa governativa, ainda assim não dorme.
E segundo um plano antigo e abrangente,
os seus tentáculos penetram na sociedade influenciando-a, controlando-a, manietando-a.

Dir-me-á alguém que sempre assim foi e sempre assim será…
Que o polvo soarista ainda aí está para lavar e durar. Que o sampaísta idem. Que o “-ista” agarrado a este ou agrafado àquele – fremente, sôfrego, subalterno, parasita – é uma fatalidade da política e da sociedade…
Seja-o.
Mas que não seja menor a inevitabilidade de o denunciar, quem o ache o insulto e a perversão que configura.

Porque não façamos confusões.

Cavaco Silva foi o maior Primeiro-Ministro que este País já teve. E sem parecenças de vir a perder o galardão para qualquer outro nas próximas décadas.
E a
quem a razão não se encontre politicamente toldada, aconselha-se a leitura do laudatório “As Reformas da Década”, onde os mais esquecidos poderão sempre recordar o percurso de um Portugal-Cavaco – saído de 40 anos de subdesenvolvimento e mais dez de bagunça revolucionária de plantar de estaca – que se actualizou, modernizou e dignificou perante si mesmo.

…Apenas as geniais palavras que serviram para caracterizar Mário Soares (“É um animal político, não é um animal ético.“) se vão aplicando ao discreto algarvio pacato e competente.

Cavaco, afinal, tinha “uma agenda”. Sua.
Um plano. Para si.
Um projecto e um propósito individuais de alcance duvidoso.
Tendo sido a corrida à Presidência a evidenciá-lo. Ao colocar-se acima e além de tudo.

E quando um Barão-Laranja Dias Loureiro se presta à dupla vassalagem de patrocinar o lançamento de um já miseravelmente propagandístico “O Menino de Ouro do PS”, ocorre a cada um de nós que nada é por acaso.

Disse que Sócrates “faz bem ao País“, pelo seu optimismo.
Disse que Sócrates “emociona” pelo “lado dos afectos“, pelo “amor pela sua terra“, pelos “valores que o amarram à vida“. Disse da sua enorme generosidade“, “sensatez e prudência“. Das suas qualidades de “coragem” de “homem trabalhador“.
Disse que Sócrates, “tal como Tony Blair” “é infatigável“. Que com a sua “coragem“, “capacidade de liderança” e “capacidade estratégica” está “muito longe de estar acabado“…

…E eu sinto, em partes iguais, desnorte e vergonha.

E se aparecem umas aves raras – por exemplo Paulo Teixeira Pinto (lá estão eles…) – a dizer coisas tão convenientes como que a «dicotomia “nós” e “eles” [é] “péssima” para o país», porque “cria descrédito” e “ajuda a minar o apoio social que as políticas possam ter“, é um pouco mais que suspeito.
Enquadra-se no estilo-neutro da Presidência, no estilo-suave da oposição laranja, no estilo-morto do espírito crítico dos moradores da Nação.

Que alguém chegasse um dia a assumir que não existem diferenças entre os partidos, seria de louvar.

Que o PS e o PSD andam no alterne (ou alternância) político (-a, ou lá como se chama), gostaria de ver alguém reconhecer.
Que os pequenos partidos políticos apenas esperam para a sua sobrevivência ou um lugar à mesa grande ou que o circo pegue fogo de vez para correrem de baldinho, seria giro ver assumir…

Até lá, não me gozem. Não me insultem.

E se as tralhas partidárias se afastarem demasiado da realidade do País, estará na hora de uma reacção do País e dos Portugueses. De uma mudança.

Por isso, do fundo do meu coração laranja, para a tralha cavaquista, daqui vai
… um sentido pontapé!

Tons Laranja

O partido dos laranjinhas fez anos. Tantos quantos a democracia (possível) desta terra, que ajudou a fundar.
Motivo para trocar palmadinhas nas costas e acender velas.
De aniversário.


Mas também de velório.
Após o falecimento, por doença degenerativa, de uma Direcção incapacitada há muito para o exercício prático de funções.
Alumia-se-lhe o cadáver ainda quente…

[…O que não deixa de encerrar algum absurdo: com um ano apenas de mandato, Luís Filipe Menezes e sua equipa conseguiram entrada merecida na galeria dos benfazejos do partido, por dois actos memoráveis.
Primeiro, ter apeado Marques Mendes do pavoroso sonho de vir a ser Primeiro-Ministro.
Segundo, ter saído pelo próprio pé antes de correr o risco de o sonhar também.]

Mas mais velinhas se acendem.
Agora de súplica e devoção.

Arrancou a corrida à liderança do PSD. E exige-se que um partido com tanta gente faça sobressair os seus melhores.

Como militante, votarei. Como sempre. Com a maior consciência da responsabilidade que o meu voto pode ter. – Sou dos que acreditam que o que desta eleição resultar tanto pode ajudar ao erguer desta Nação como ao seu enterro definitivo.

E neste contexto de desfile de candidaturas e candidatos, urge fazer uma reflexão definitiva sobre os candidatos que parece arredada do palco político.
– A reflexão de um social-democrata a que não só a oportunidade como a consciência e a coerência me obrigam.

___________________________________

Candidato Neto da Silva.
Ex-Secretário de Estado de Cavaco Silva.

Não conheço. Não sei quem é. E não voto em quem não conheço. Nem eu nem os outros portugueses. E se nele nunca votariam, por maioria de razão pouco sequer interessa o que o senhor tenha a dizer no presente contexto.

[É cruel, a verdade política.]

Candidato Patinha Antão.

Doutorado em Economia, Professor Universitário, Secretário de Estado-Adjunto, Vice-Director de Direcção-Geral, Chefe de Gabinete, Director de Gabinete, Deputado.

Uma das poucas figuras que pelo partido fala de Finanças como quem sabe do que fala e frequentemente tábua de salvação de um indigente Grupo Parlamentar laranja neste (…) domínio.

Já andou por muito lado, conseguiu mobilizar caramelos para recolher assinaturas por ele – que chegaram a vir a minha casa – mas os votantes não o encaram como um candidato “a sério” nesta eleição.
E se nele nunca votariam“…, idem aspas.

Candidata Manuela Ferreira Leite.

Economista, Directora de Departamento, Directora-Geral, Presidente de Conselho de Administração, Técnica Consultora, Chefe de Gabinete, Professora Universitária, Deputada, Secretária de Estado, Ministra por duas vezes, Membro do Conselho de Estado e Comendadora.

A sua entrada na corrida à Presidência do partido elevou a fasquia para todos os candidatos.
Mulher de longo currículo, muitas artes e imagem publicada de severidade e rigor, com uma longa e fiel corte de dependentes em cascata, é uma concorrente a ter em conta.

Pena é não ter assumido ainda a sua quota-parte de culpa no panorama em que hoje Portugal vive.
Não se é (?) impunemente membro de sucessivos Governos, aparecendo um belo dia como salvadora do País que se ajudou a moldar.
[E é assustadora a proximidade que se percebe entre a sua visão socio-política e a do “Governo” actual.]

Mais: Manuela Ferreira Leite contribuiu activamente para o descrédito em que a política hoje se encontra.
Engrossou a casta da clientela iluminada que assume indiferenciadamente qualquer mandato que esteja à mão, não deixou nem marca nem saudade nos Ministérios que dirigiu – Educação ou Finanças -, não disse “presente!” no momento da vida do seu partido em que era obrigada a fazê-lo (quando Durão Barroso saiu) e limitou-se a integrar o coro grego de agoiro de Direcções, em que muitos dos seus cortesãos se movimentam.

Agora, é mero rosto daquilo que a falange mendista consiga reacender após a derrota que lá vai e do seu objectivo de reconquistar o partido, encerrando um sonho mau em que tem vivido.

Candidato Pedro Santana Lopes.

Advogado, Professor Universitário e Regente, Presidente de Conselho Fiscal, Presidente de Conselho de Administração, Assessor de Gabinete, Adjunto de Ministro, Presidente de duas Câmaras Municipais, duas vezes Secretário de Estado, Deputado, Deputado ao Parlamento Europeu, Primeiro-Ministro, Presidente de Clube Desportivo, Comendador numa data de países.

Santana Lopes concorre fundamentalmente por si próprio. Não pelo seu partido.

Não entendendo que o epíteto de imortal da política mais faz dele um chato que um resistente, Santana pretende corrigir a História.
Uma História que não percebeu que avança, que muda e que se fecha.

Fui (e sou) dos poucos que ouvi afirmar alto que a trapaça institucional a que Santana foi sujeito pelo ex-Presidente Jorge Sampaio não passou disso mesmo. Uma canalhice de contornos partidários.
O Presidente da República concretizou um Golpe de Estado constitucional, interrompendo o mandato dum Governo quatro meses depois de ter optado pessoalmente por dar-lhe posse.
Sob pretexto levianamente aludido de (sic)uma série de episódios“, a que acrescentou (sic) “dispenso-me de os mencionar um a um pois são do conhecimento do País“, cobrando a um Governo de quatro meses a “obra consistente e estruturante na resolução dos problemas” não realizada.

…Mas isso é História Antiga. Passada. Encerrada.

Se Santana se considera hoje uma vítima sedenta dos seus tempos de Governo, não tem senão que engolir o sapo, procurar Sampaio a uma esquina escura ou esperar por uma encarnação em que concretize o seu desígnio de governante de sucesso.
Tudo mais, é puro delírio.

Mesmo que tenha consigo um resto de santanistas não encaixados no partido desde o seu desaire e uma falange de menezistas que prefere as apostas altas, não é a espécie de oposição ao “Governo” PS que desenvolveu em articulação com Filipe Menezes que o torna nem opção séria para o partido nem para o País.


Candidato Pedro Passos Coelho.

Economista, Professor Universitário, Gestor, Deputado, Autarca.

Com ele estão todos os outros menezistas. Isto é, todos os que ajudaram a eleger Luís Filipe Menezes Presidente contra Marques Mendes – mesmo que mais por missão que por convicção, como eu.

O seu currículo é curto. O que o ajuda, ou nem tanto.
Num País parolo como o nosso é possível que se olhe para Passos Coelho como um candidato politicamente menos capaz, por não ter estado tão amesendado como os seus concorrentes em cargos e lugares no Estado.
Mas a sua distância do Estado e do aparelho do Partido permitem-lhe uma independência de discurso em relação à degradação actual da Nação e ao pedido de confiança para agir que as demais figuras elegíveis não alcançam.
(Apesar de, com alguns apoios, estar tão mal acompanhado como os demais…)

Um homem novo; um discurso com um novo tom; eventualmente uma nova mentalidade… A única possibilidade em aberto do fraco leque de escolhas.

É ele que receberá o meu voto.

João Jardim. O candidato que nunca o foi.

Seria seu o meu voto. Fosse a sua candidatura mais que um espectro.
Por isso apoiei o seu avanço em altura própria. Quando o que parecia estar em causa era uma questão de apoios…

E a explicação da minha posição não precisa de muitas mais palavras do que as que escrevi na resposta ao Palácio do Marquês, que fez uma graça com a minha manifestação pública:
É essa a medida do meu patriotismo: não me interessar se João Jardim tinha possibilidades contra Sócrates ou sequer à frente do PSD. Apenas a certeza de que a podridão geral em que este País chafurda precisa de um, dois, dez João Jardim, que abanem este charco e nos façam abrir os olhos de uma vez. Tudo que lá não chegue, é jogar para o empate, é brincar com coisas sérias, é dar de comer à vergonha de não fazer nada contra este estado de coisas. Mas o JJ já não concorre. E o País respira tranquilidade e paz.

Jardim, ao contrário de Santana, não concorre por si.
Faz política por si.

Disse-o em tempos e repito-o à exaustão:
«Como percebo o que disse João Jardim sobre a necessidade absoluta de uma frente de “combate ao Governo Sócrates”, abarcando “todas as forças politicas, sem excepção” desde que firmes neste propósito. […] Da mesma forma que percebo o que dizia Jardim sobre as últimas Presidenciais: “os candidatos que se perfilam para Belém não defendem o interesse de Portugal”. […] Em suma, é verdade que o País “está a ser conduzido por gente louca” e que “se Portugal não se livrar deste Primeiro-Ministro e deste Ministro das Finanças vai atravessar momentos dramáticos”. Até porque “a asneira tem rosto e não é depois do mal feito que o país deve acordar“.
Não dá para dissociar homens de políticos, pelo que o embrulho ficará sempre mal atado.
Mas até lá, João Jardim será referência de um homem de coragem num mar de cobardes, um homem de acção e obra entre incapazes, um homem frontal e temerário no meio de convencionados

Quem tivesse visto certa entrevista na RTP com a Judite de Sousa, teria esclarecido que “O Alberto João” é um genial cromo retórico com que Jardim distrai as atenções de papalvos enquanto governa sem que o aborreçam.

«Rigoroso, coerente, ponderado, incisivo, sobrando-lhe tempo de sobra para os recados às instituições, aos governantes e aos portugueses”, quando quer.
Mas perante a lôbrega pergunta: “E não teme os prejuízos políticos que daí possam vir?” e a resposta lapidar “Eu não tenho que pensar em mim.”, pouco ficou para dizer.
Claro que o dr João Jardim continuará amanhã a ser visto (ou queira-se fazer parecer) como um louco.
No Portugal do politicamente correcto [denunciar como ele o faz] é impensável. Só explicável por uma profunda perturbação mental.
Mas no fundo, nesta terra, quem são os alienados, quem são os carcereiros, quem está irremediavelmente fechado, onde e porquê?
Quantos homens destes seriam necessários para subverter a ordem instalada no hospício?
»

«Um político com defeitos públicos desfraldados e provocantes. Ao contrário de outros, com defeitozinhos privados e mesquinhos.
Um homem frontal. Ao contrário da casta dominante de castrados que nos governa.
Um governante de ideais, projectos e riscos. Ao contrário dos tíbios de verbo fácil que pululam e infestam uma política paralisada pelo politicamente correcto.
»

Mas a oportunidade perdeu-se e a fria realidade convoca-nos.

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Exigir-se-ia que um partido com tanta gente fizesse sobressair os seus melhores. Isto é, alguns bons… Ou pelo menos uns candidatos melhores que estes…

Mas deixemos o reino de tons laranja decidir como quer desembrulhar a prenda que Menezes deixou no seu sapatinho…

[Esta foto não sofreu qualquer tratamento.]