Dia da Terra

Sim…
…Eu sei que já passou. O Dia da Terra.
(O que mais ou menos atesta o que o cidadão comum se está borrifando para a “efeméride”.)

Mas ainda o marco porque me diz alguma coisa. Porque assumo (algum)a responsabilidade do que dou a viver e do que deixo a quem vier.

…E porque gosto muito da minha terra. Explico-vos porquê.

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O Triunfo da Vontade (Parte 2)

(E este título mais uma vez...)

Vi na SIC – como se fosse uma notícia – que Susan Boyle surpreendeu todos no concurso de talentos inglês “Britain’s Got Talent”.

“Mas quem é Susan Boyle?…”
Exactamente!

Mais uma vez neste concurso o desdém dá lugar ao espanto. (O que é pedagógico para quem o vê.)
Mas, mais importante, mais uma vez neste concurso o sonho troca de lugar – como prometido – com a felicidade.

Já uma vez falei por cá do caso de Paul Potts. A que este caso é em muito semelhante.
O de uma mulher de 48 anos.
Desempregada.
Solitária. De um lugarejo desconhecido.
…Com uma chama dentro de si.

Deixo-vos o vídeo de Susan Boyle (e também – em repetição – o tal vídeo de Paul Potts)…
(Qualquer um, que vi compulsivamente, muitas dezenas de vezes.)

Vodpod videos no longer available.

…Janelas de possibilidade. De que o sonho resista à vida.

Correcção…

Lia hoje nas notícias do Sapo: “Índia: maior democracia do mundo vai às urnas.”

Ora, lamento desmentir o Sapo e a France Press, mas a Maior Democracia do Mundo estou farto de dizer que são… os Estados Unidos da América.
(…Qual merceeiro que prega certezas aos fregueses das sua loja de bairro.)

Por excelência, “A” nação do mundo moderno a nascer de uma revolução de independência; “A” revolução dos Direitos do Cidadão; balão de ensaio para a Revolução Francesa, essa sim, endeusada como o farol da ética política europeia.

A Índia… enfim. Ainda faz muitos filmes.

A Parte Melhor Que o Todo

Vi o anúncio na rua. E depois na TVI. E depois na net.
…E então fui aprofundar.

Diziam uns malucos que vinham a Portugal os ABC, a Belinda Carlisle, os Curiosity Killed the Cat, a Kim Wilde, o Nick Kershaw e o Rick Astley!
What?!!!…

Para começar, se me perguntassem, não garantia que uma parte deles já não tivesse morrido ou não andasse atrás de um andarilho.
Depois, isto é uma autêntica tsunami a abater-se sobre Lisboa, à escala do Napoleão e da Gozilla. (Um que chegou mesmo a vir cá, outra que entretanto se perdeu ao dobrar um cabo qualquer.)
Por fim,… foi só um suspeito frio no estômago. (Estranho, aliás, para quem como eu é tão – nostalgicamente – simpatizante da música dos 80’s.)

…Que acabei por perceber.
Quando o espectáculo “Here and Now” me propõe “Aqui e Agora” encontrar todos estes cantores, torna-se-me claro que por vezes a parte é muito melhor que o todo.

É que se não me importo nada de os ter “Agora” comigo – tanto que os transporto como bagagem de que não me saberia desembaraçar – não me interessa absolutamente nada tê-los “Aqui”.

Ou seja, quando de vez em quando ainda oiço os estilosos ABC ou Nick Kershaw, as dulcíssimas Kim Wilde ou Belinda Carlisle, os urban-chic Curiosity Killed the Cat ou o Rick Astley – de quem de momento não me ocorrem epítetos que o favoreçam – oiço-os “Agora” mas nos anos 80. Sou transportado para uma época castiça de penteados esquisitos, ritmos descomplexados, rimas um bocado fáceis e coreografias exuberantes – em que era puto – e é esse o gozo que me dá.

…O “Aqui” era perfeitamente assustador. Uma viagem no Combóio Fantasma do parque temático da música.

Grande parte do prazer da música é o imaginário que a acompanha e que ela transporta. (Queria eu lá agora ver o estado em que estão os ossos do Mozart!…)
E esse imaginário depende de uma ilusão inocente de eternidade, demolível pelo choque inesperado de um confronto com a realidade. Umas divas avozinhas, uns galãs de prótese, um imaginário esboroado.
(No outro dia ia morrendo ao ver umas fotos da Cindy Lauper na praia! A “efervescente-colorida-jovial-amalucada-Cindy Lauper-dos-80s…)

Portanto, fiquem lá com o todo, que prefiro a parte.

Se preferirem também, ficam aqui uns clips que ajudam a manter a ilusão.
(E não vão à procura no YouTube de espectáculos anteriores do “Here and Now”. Com Cutting Crew, Bananarama, Kid Creole, Paul Young e outros. Poupem-se.)

O Arcanjo. Mas, Por Partes…

Rodava ontem na TSF o escândalo de o PSD ainda não ter apresentado um candidato às europeias.
E o assunto tanto me interessa que acabei por lá ir dar – mais uma vez – o meu bitaite.

Comecei por achar totalmente irrelevante a questão em particular.
Isto da “corrida” de quem chega primeiro e bate com estrondo a lista no balcão do Tribunal Constitucional, é  próprio de um Portugal-taberneiro que não será o meu.

Para mais, como o disse no Fórum, bastava ao PSD apresentar o Manuel Luís Goucha à cabeça da lista e ganhava as eleições. Ponto; embrulhe que é para levar; venham as próximas! Não nos esqueçamos do País que temos e do povo que somos.
(Entretanto apresentou Paulo Rangel… e está lixado. Culpa apenas sua.)

Quando o PS apresenta o comunista-convertido Vital Moreira (dado curioso que escapa à perfeitamente limpa de referências políticas e bem arrumada biografia oficial da página da candidatura), dá-me mais que pensar.

(Falo de Vital Moreira. Ou, como também é conhecido, “Utael” – espécie de um nome de arcanjo inventado: em sânscrito, “O meu Senhor é uma fera”. Ou, para ser milimetricamente exacto, “Utael-uuuuuu-amálgama-com-aquele-traço-horizontal-por-cima-típico-da-palavra-Moreira”.)

Vital Moreira, que agora apresentou um livro reader’s digest de 10 anos dos seus próprios escritos sobre a Europa, é figura de proa de uma campanha. Mas uma campanha muito maior que a pindérica “campanha das europeias”.
E é isso que é preocupante.

Se há tempos andei a ganir neste blog, como cachorro à chuva, pela esmola de uma vez na vida ser ouvido no contexto da pilhagem nacional, não vou agora calar-me perante a festa da candidatura do Arcanjo Utael.
(…E do seu Dupont Rangel.)

A sacola de asneiras – que os latinos diziam que carregamos às costas e ignoramos porque à frente apenas trazemos pendente outra com as nossas qualidades – que eu censuro ao Arcanjo Utael pode ser procurada e facilmente encontrada na net.
Quem quiser procurá-la, encontra-a. (Quem não quiser, pergunto-me se chegará a ter justificação para continuar a ler este post…) Que vá ao Causa Nossa, o blog que o candidato partilha com figuras de relevo da República como Ana Gomes.

Um empurrãozinho?…

Escrevia o senhor a 17 de Junho de 2008, sobre a nega irlandesa às pretensões transformistas do funcionamento da União “aprecio em particular a proposta de sufragar – por ocasião das eleições ao Parlamento Europeu em Junho de 2009 – o projecto de um Acordo, Mas, atenção, sufragar um tal acordo não significa sufragar este Tratado: neste cenário caberá aos partidos políticos apresentar programas eleitorais […] que os vinculem claramente [ao] Tratado de Lisboa [porque] defendem a aplicação do Tratado de Lisboa – se necessário a 26.
Ou seja, os nacionais dos vários países da União tinham mais era que ver passar o combóio dos cozinhados nas altas esferas da política europeia e dizer humildemente “amén“. Depois, mais tarde – tarde demais, entenda-se – lá poderiam opinar se achavam bem que Portugal corresse atrás do combóio em andamento ou ficasse no cais.
…Numa sinistra lógica de acto consumado, de chantagem política, de “quem não quer, larga” tão ao estilo de algumas cabeças socialistas.
Porque, segundo Utael, “o referendo [do aborto] ensinou-me a não fetichizar os referendos. É que nem 50 por cento dos portugueses se deram ao trabalho de ir votar… Como que a lembrar aos homens políticos – ‘vocês são eleitos por nós para decidir’. Eu, por mim, assumo essa responsabilidade.
Ora é essa horrífica perspectiva, a de senhores como ele fazerem o “sacrifício” de asumir o fardo de decidir pelos portugueses em matérias em que objectivamente há pessoas – e muitas – que põe pés à parede perante o rumo dessas “decisões legitimadas” de uma classe política tão benemérita mas corrompida por diversíssimas seduções.

Sobre o desenrascar do “problema” irlandês e a possibilidade de enfiar boca abaixo aos irlandeses novo referendo, dizia ainda nesta data: “não há nada de antidemocrático nisso. Se fosse em Portugal, o mesmo referendo poderia ser convocado já a partir de 15 de Setembro. E é evidente que os eleitores podem mudar livremente de opinião.” Pois, só que “esse” referendo, em Portugal, NÃO ACONTECEU!, também por culpa sua!

Mas não ficou por aqui.
Dias antes escrevera, no contexto da nega irlandesa, que “[auscultados,] somente 8% dos eleitores declararam ter ‘um bom conhecimento do Tratado’ (e pelo que se conhece da sociologia das sondagens, esse número deve pecar por excesso). Mesmo assim, cerca de 65% dos inquiridos acharam que podiam votar a favor ou contra. […] O que não é racional é submeter a decisão popular matérias que, pela sua manifesta complexidade, a generalidade dos eleitores não pode razoavelmente compreender. […] A oposição ao Tratado jogou explicitamente na ignorância. O seu principal slogan era ‘Vote Não porque você não sabe.’
Ao melhor nível – por exemplo – de uma sólida formação soviética, os “ignorantes” (ou seja, “toda a gente”) devem ser poupados ao confrangedor espectáculo de serem ouvidos e darem as suas patéticas opiniões. É para isso que servem os “intelectuais”, os “educadores do povo”: informados e ilustrados, e por isso quasi-infalíveis. E por isso inquestionáveis.
Fora de questão está, como é óbvio, INFORMAR, sobre aspectos fulcrais de uma vida QUE LHES DIZ RESPEITO, os pobres dos ignorantes… Para depois os chamar a participar nas decisões sobre o seu futuro.
Abençoados os que saíram à rua na Irlanda para dizer aos eleitores mais descontraídos: “Se não sabem, não saltem no escuro.” Porque é precisamente disso que se trata!

Que esta coisa do “Nós, europeus” faz-me lembrar um texto engraçado que li, estudante, sobre as maravilhas da educação colonial – neste caso no Norte de África francês.

Descrevia uma situação em que miuditos negros – “pieds noirs” magrebinos – liam e recitavam à volta de manuais escolares os feitos dos “nos père, les Gaulois“, “os nossos antepassados, os Gauleses“.

É neste ponto em que estamos, mais ou menos.
Quando Utael fala do “nós, europeus” sinto-me de imediato (considerado) um miudito de um território estrangeiro, a quem por força recitam histórias fantasiosas, que querem forçar a replicá-las e a aceitá-las como uma espécie de reescrita da sua própria história e identidade.

Armado em Malcolm X (olha para o que me havia de dar!…) diria eu que não aterrei na Europa, “esta” Europa aterrou sobre mim.
Uma “Europa” cada vez mais hostil, que não sou forçado a aceitar. Ou sequer a tolerar como se me insinua.

E nesta batalha angelical, em que farei fatalmente parte dos errados e dos malditos, lutarei com todo o gosto.

Sumo Artífice

Por definição, um Papa é um bom alvo…

Para começar, o Papa é um velho – pelo que, nos dias estilizados que correm, não devia sequer ter o descaramento de desfilar a sua inestética figura na passerelle mediática do mundo ocidental higiénico e eugénico, quanto mais de impingir a sua visão do mundo, datada e arcaica, própria da cabeça de um velho.

Depois, o Papa é um estrangeiro – portanto não tem que meter o bedelho no que se passa na minha rua, opinar sobre o meu viver; não me conhece de lado nenhum, não conhece o que está à minha volta, as regras do agir no contexto em que eu ajo; é uma figura intrusiva e excedentária.

O Papa fala numa língua ininteligível – apesar de articular todas as línguas do mundo, exprime-se em conceitos e em absolutos, quando eu não vivo sob conceitos nem absolutos, mas ao compasso do momento, e tudo à minha volta marca o ritmo da dança das minhas circunstâncias; que podem maniatar-me mas tornam a minha vida vivível: o que temo, o que amo, o que desejo, o que tenho, o que perco, onde vou, onde estou, o que sou neste preciso instante, rodeado por detalhes; o Papa vive numa dimensão paralela.

O Papa está à frente de uma Igreja e ensaia por isso limitar o meu livre livre-arbítrio à sua medida – pretende colonizar com a sua presença e a sua mensagem a minha cabeça, arrombando-lhe as trancas da razão para nela se plantar e florescer; pretende entrar na minha cabeça e no meu intelecto (a que ele insiste em chamar “a minha alma”);  e ninguém gosta que se lhe pregue morais que lhe atrofiem as “liberdades”.

…Sendo que anda sempre vestido de branco no meio das pessoas normais, o que – para além de não ser normal – lhe remata o perfil e o põe mesmo a jeito.

Refiro-me “ao Papa”. Qualquer Papa.

E é fatal, numa irremediável contradição de termos, que quanto mais fiel “o Papa” for aos princípios que a sua Igreja lhe exige que defenda – e que se comprometeu a propalar – mais exposto esteja ao inevitável libelo do mundo transitório a que se dirige.
De onde resida a sua coerência lhe virá a dificuldade em explicá-la.

“O Papa” – por ser tradicionalista – será sempre um entrave a um desenraizado pensamento “moderno”.
“O Papa” – por ser moralista – será sempre um entrave aos comportamentos “liberais” e libertários amoralizantes.
“O Papa” – por ser espiritualista – será sempre um entrave ao resvalar da atitude hedonista e material.
“O Papa” – por ser universalista – será sempre um entrave ao discurso casuístico, circunstancial, relativo e auto-justificativo.

Mas assumamos abertamente que o encaixe que as palavras do Papa conseguem no íntimo de cada um não depende de cumprirem mínimos de nenhuma espécie de razoabilidade genérica que transportem e que permita validá-las: o seu encaixe decorre maioritariamente de uma predisposição individual prévia para que em cada um elas façam ou não eco.
Salvo momentos de electrocussão mística (em que não acredito muito…), o sumo artifício de fazer chegar aos homens uma particular mensagem reveladora e salvífica depende da predisposição residente em cada homem para se auto-compreender e para se auto-suplantar.
(…Que, diga-se, não depende da intersecção de qualquer religião ou liderança espiritual para se manifestar de forma positiva na vida de cada um.)

Devo admitir que não simpatizo pessoalmente com a figura de Bento XVI, Joseph Ratzinger. (Todos nós funcionamos assim…)
O Homem que me habituei a respeitar em João Paulo II – o Karol Wojtyla-cidadão do mundo – ainda não o encontrei neste Papa. A afabilidade, a humildade, o esforço, o exemplo…
Precisará de tempo? Precisaria de ser outro homem? Será só pelo seu semblante sinistro? Não sei.

…Mas não simpatizar com ele não me impede de estar aberto às suas palavras, de reflectir sobre elas e de lhes encontrar uma eventual razoabilidade.
Como aconteceu durante a recente polemiqueta dos preservativos.

Disse Ratzinger que o problema da SIDA em África não se resolve só com dinheiro (que também é importante) se não houver esforço, se os povos africanos não se empenharem, que o flagelo não se resolve com a distribuição de preservativos, o que só vai piorá-lo“.
(…E porque nestas coisas cada um diz que se disse que disse, aqui fica o momento.)

Sendo que considero totalmente certo o que realmente foi dito.

Para poupar conversa, deixo de parte a argumentação “científica” que envolve a temática.
Como na anedota do contabilista, isto dos “estudos” vale o que vale e se há gente a arrancar cabelos devido ao absurdo científico da – assim lida – posição do Papa, também há quem afirme peremptório que não foi de todo uma baboseira o que ele disse.

Eu fico-me pelo senso comum.
E é neste pé que acho muita graça ao sururu levantado quer em Portugal, quer pelo mundo fora, chegando às mais altas instâncias, por gente lampeira que na dança de cadeiras do protagonismo do progressismo tudo fez para não ficar fora da fotografia.


Segundo o senso comum, somos convidados a ouvir bem o que se nos diz antes de sentenciar sobre tal.

O Papa usou o vocabulário do combate sério para parar a SIDA, nomeadamente da parte dos próprios africanos, dizimados como moscas pela propagação de uma doença mortal não transmitida de forma desconhecida, inevitável ou sequer inadvertida, mas através de estúpidos comportamentos de risco em que se persiste.
(África conta neste momento com quase 70% dos infectados com SIDA de todo o mundo, com clara tendência para piorar.)
Não falava de métodos paliativos ou placebos estatísticos.

E não há dinheiro (como o Papa disse) nem descargas de preservativos (como o Papa afirmou) sobre África que se oponham de forma eficaz e a prazo ao devorar de vidas por este genocídio, enquanto não houver uma mudança de comportamentos que o esvazie.
E apostar em paliativos – isso sim – é não só uma irresponsabilidade como uma brincadeira.
É uma brincadeira pretender que a introdução de um gadget manufacturado de importação venha resolver o dilema de uma população entalada entre uma desinibidíssima atitude cultural perante o sexo – independentemente de idades, estratos sociais ou credos dos seus elementos – e a morte que lhe chega através dela. É uma brincadeira pretender que é o uso quotidiano ou não do preservativo que dita o risco de contágio pelo HIV e não a manutenção de hábitos pouco menos que suicidas.

Ainda se vislumbra ao longe aquele gag genial do Jerry Seinfeld sobre o capacete…

…Dizia ele que era uma prova de que o Homem não é assim tão esperto, já que não desiste de actividades que eventualmente lhe partem a cabeça, tento inventado um objecto que lhe permite evitar parti-la tanto sem abdicar do estilo de vida em que arrisca parti-la.
E que a obrigação do uso do capacete é ainda mais estúpida, já que se destina a proteger compulsivamente de se partirem cabeças cujo discernimento não permite perceber o perigo de comportamentos que arriscam parti-la, e a que afinal não conseguem renunciar…

Quando a Conferência Episcopal Regional da África Ocidental – que representa uma Igreja que não é de papel mas está no terreno diariamente com as vítimas da miséria em África – se pronunciou sobre esta polémica fê-lo de forma contundente. (Cf. Texto integral.)
Falou da manipulação descarada dos media das palavras do Papa, deliberadamente transformada de  mensagem global em patética “Guerra do Preservativo”.
Falou da degradação moral que grassa e com que se prefere condescender e fomentar a corajosamente denunciar e afrontar.
Falou do comportamento nauseante dos que pensam e falam pelos africanos, julgando que através do paternalismo mais os ajudam que chamando-os à sua responsabilidade individual e colectiva.
Falaram da importância da visita e da intervenção do Papa. Do seu apelo à dignidade e ao amor, como caminhos para o desenvolvimento de África. (…A que se juntaram nevrálgicas denúncias de corrupção de Estado, esclavagismo, neocolonialismo, fome, tráfico humano, guerras de conveniência, tortura ou lavagens de dinheiro existentes naquele continente, acrescento eu. Que até nem simpatizo muito com o senhor.)

em tempos me afirmei pelo preservativo. Como meio de evitar (ou evitar disseminar) a morte e o sofrimento.

Não faço é confusões. Entre o diminuir o risco de comportamentos ou diminuir os comportamentos de risco.

E se o campeão africano no combate à SIDA continua a ser o Uganda, que com a “Política A-B-C” reduziu o avanço da doença em dois terços, não são conversas fiadas que convencem sobre a eficácia a longo prazo de estratégias de intervenção imediatistas e mediáticas.

Se o problema em causa não fosse profundo, global, civilizacional, se o preservativo tivesse os poderes mágicos de eliminação, resolução ou sequer contenção de uma maré-SIDA, não existiria uma – já chamada – epidemia da doença em Washington. Capital do Mundo Ocidental, evoluído, instruído e adequadamente preservatizado.

Ironias… E alertas. E uma evidente urgência.

Planeta Para o Maneta

Corre hoje uma iniciativa.
Daquelas que vão mudar o mundo. Já amanhã.

Chama-se “A Hora do Planeta”.

Parece que a acção visa que durante uma hora inteirinha o mundo se desligue. (Electricamente falando…)

A coisa começou a brincar, na Austrália, e acabou por salvar o mundo, tornando-se num marco importante “para a sustentabilidade“.
Tudo à distância da mão ao interruptor.

Apenas a mim não convence grande coisa.
Parece-me isto uma espécie de powerpoint gigante – daqueles recebidos como spam no nosso mail – em que se apela a sermos mais bonzinhos uns para os outros, a escutarmos a nossa voz interior, a descobrir como o mundo é belo se assim o fizermos e virmos… Banais, vazios e inócuos.

Não me mandem apagar a luz.
Parei o meu carro e apeei-me em plena Avenida da República, frente ao Campo Pequeno, naquela tarde de semana em que, qualquer dia há dez anos, Portugal inteiro parou por um minuto agitando consciências sobre o que se passava no – ainda hoje – desgraçado Timor-Leste. E repetia-o.
…Para palhaçadas, tenham paciência.

Até porque hoje, em Portugal (na Suécia não sei, que eles não são bem humanos…) há jogo de selecção a essa hora…

…É dia de hino à electricidade.

Logo, pelo menos por cá, lá vai o planeta para o maneta.