…Mas vai raiando a luz na imprensa

O assunto ainda dura.

Não porque seja preciso explicá-lo aos lentos. (E só se fossem muuuuito lentos!)
Mas porque é preciso repeti-lo.

Porque de tanto o repetir…

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Cai o manto da noite sobre a net

Este é um País giro.

Ainda há poucos dias mostrei aqui o que se passava com o livro do Miguel Sousa Tavares.
A acusação de plágio, a polémica, a reacção, a perspectiva de haver porrada…

Tenho uma leitura dos episódios, umas convicções, mas independentemente delas gostava que a coisa fosse até ao fim.
Isto é, que na praça pública (paciência, era onde já estava!…) fossem tiradas as teimas sobre quem era o pulha. Quem era o ordinário descarado. Se o acusador impertinente, se o acusado renitente.

Porque, tretas à parte, sem rabiar em tecnicalidades de trazer por casa, era limpinho fazer o teste do plágio: ou aquilo lá estava escrito, ou não estava! Pimba! Ou se confirmava, ou se desmentia!

Mas à boa portuguesa, a solução ameaça ser outra.
Quem vá agora a http://freedomtocopy.blogspot.com/ encontra-lhe o lugar vazio…

O quer dizer o quê?
Que o acusador foi tirado do ar?
Que saiu pelo seu pé? E se saiu, foi por lhe apetecer ou por ser forçado? E se foi forçado, como? Pelas viris guichadas de Sousa Tavares? Pela perspectiva da Lei em campo?
Dever-se-á tudo a circunstâncias alheiras continuando dentro de momentos?
Ou não vai mesmo dar em nada?

Que é triste, é. Por ser tão, tão, previsível…

O farol fundido

Dailymotion blogged video

Garanto que tinha decidido já não falar deste assunto. O tempo passa e, pronto, deixa lá, que de desgraças está o mundo cheio…

Mas tanto se mete pelos olhos dentro o indivíduo em causa, que acaba mesmo por levar a “paulada“.

Sobre Miguel Sousa Tavares (de quem não conheço laços familiares com o engº Pinto de Sousa que nos governa) muito havia para dizer. (Como se pode comprovar no extensíssimo artigo da Wikipedia.)
Dos seus inúmeros trabalhos em tantos outros campos do saber; da sua abundante obra nos mais variados estilos; das infindas responsabilidades que assumiu em todo o tipo de lugar – e de que assumiu as consequências dos actos; dos seus incontáveis combates em causas sociais – com relevante prejuízo para a sua própria vida; enfim, das múltiplas marcas que ao passar foi deixando em todos os domínios
da sociedade portuguesa…

Muito haveria para dizer.
Só não me ocorre é nada!…

Por isso é que quando estoira a bernarda de que o excelentíssimo, na única coisa em que se lhe reconhece ponta de sucesso: o romancearismo, teria andado a roubar – este microfone está ligado?!… ROUBAR!! – texto de outros autores, dá vontade de chorar.

…Seguida de perto pela vontade de gargalhar a cair para trás quando se pensa na pose galaró com que o senhor todas as santas terças aparece na TVI a destilar banalidades, ódios e pleonasmos sobre tudo e sobre todos.
Afinal, o senhor, será igualmente bom a destilar plágios?

Quem vá a um blog chamado Freedomtocopy, (o homem é tão importante que até já o honram com blogs…) ou fica elucidado se tinha dúvidas, ou fica alucinado se não tinha noção do que está em causa.
Claro que como virtuosos dos bons, altivos faróis de virtude, daqueles que pululam e poluem Portugal, o bom do romancearista, o seu editor e mais uma comandita, claro que rejeitaram estas calúnias e infâmias lançadas sobre a “sua” obra bestséllera, ameaçando mesmo o másculo autor com “paulada“.

Mas vamos lá a ver se nos entendemos!…

Não está em discussão que o senhor tenha arrancado a capa de um livro e lhe tenha colocado a sua, apropriando-se do conteúdo recolhendo-lhe os lucros.
Não está em causa que o dito se tenha apropriado da coluna vertebral de uma obra e simplesmente lhe tenha montado em cima a sua narrativa.

Ninguém o acusou disso!

O que está em causa é o senhor ter ou não decalcado tradução de outra obra na sua, reclamada à “paulada” e sem cerimónias, sem aspas, notas ou remissões directas, colhendo descontraído os frescos frutos de um património literário universal que à sua vista está por aí à mão de semear, disponível para uso do autor mais desinspirado.
É só isto que está em causa.
E pelos vistos, é o que se verifica…

EXEMPLO:
«(…) O marajá de Gwalior, esse, era antes um obcecado pela caça: matou o seu primeiro tigre aos 8 anos e nunca mais parou – aos 40 tinha morto mil e quatrocentos tigres, cujas peles revestiam por inteiro todas as divisões do seu palácio. (…)»Miguel Sousa Tavares, «Equador», pág. 246, 1ª Edição, 2003

«(…) Bharatpur bagged his first tiger at eight. By the time he was 35, the skins of the tigers he’d killed, stitched together, provided the reception rooms of his palace with what amounted to wall to wall carpeting. (…) The Maharaja of Gwalior killed over 1400 tigers in his lifetime… (…)».Dominique Lapierre e Larry Collins, «Freedom at Midnight», pág. 174. 2ª Edição, 2003

Porque não é normal que chamada a refutar as acusações esta gente se refugie em becos sem saída do tipo “sujar o mérito de um trabalho de anos“, ter sido apropriado um “tema secundário do romance“, o não haver “plágio no sentido estrito do termo“, o senhor ter referido o texto rapinado como “fonte histórica do escritor“, dizer que “há coincidências entre as obras, que são três ou quatro personagens históricas e factos históricos, […] o que é absolutamente banal” ou mandar os acusadores “bardamerda” (sic) (24 Horas).
É muuuuito
mau sinal.
Quase tão mau quanto o senhor editor da obra, António Lobato Faria, da Oficina do Livro, proclamar que não está “demasiado preocupado, porque […] o assunto terá pouco impacto a médio prazo. […] Equador continua a revelar um bom investimento.
Isto não é normal.

E já agora, também é anormal que os media se metam de cabeça em assuntos destes. Primeiro anunciando do que não tenham certeza. Depois explorando o ângulo do sangue que pode dar. Por fim tomando partindo do infeliz que precisa que no meio da rua os media lhe façam a lavagem da honra em barrela pública.
Concretamente, que o DN escreva “o suposto “plágio” resume-se, na verdade, a apenas três páginas“, que o autor “não plagiou” (sic), que fale de uma “falcatrua primária” (referindo-se à acusação de plágio), ou que o DN “concluiu que esta é infundada“.
Isto não é normal.

Porque há-de valer mais um julgamento sumário da matéria e dos acusadores chancelado pelo “DN” que a denúncia com apresentação de prova pelo tal blog?
Porque há-de valer mais uma justificação circular e rabejada que uma explicação exemplificada?

Já agora, porque há-de valer mais uma acusação rancorosa, insultuosa e (assumidamente) insinuosa de Miguel Sousa Tavares sobre a autoria das acusações – atacando autores e não texto -, do que um questionamento directo da idoneidade da sua obra – em primeira análise texto e só como consequência autor?

Diz Miguel Sousa Tavares que “Um blogue não pode ser uma manifestação de liberdade se não houver responsabilidade. Assim, é mera libertinagem“.
Tem razão.
O mesmo se pode dizer de muitas posições e atitudes que tem tomado – e de como as tomou – ao abrigo dessa liberdade que sabe exercer, mas que por enorme falta de responsabilidade tem tendência a alibertinar.

O que não faz valer tudo, mas a tudo dá uma grossa camada de ridículo. (Saiba-o a quem toca reconhecer…)
Um boneco de Miguel Sousa Tavares “totalmente indefeso e vulnerável” perante as acusações é um quadro de muito mau gosto e já vem muito tarde.
A prova? Está à vista na TVI numa próxima 3ºfeira.

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O fogo

Terça-feira à noite foi dia de gramar o Miguel Sousa Tavares na TVI (para quem lá passa…).

E se um tema do dia era a alteração à (vulgo) Lei do Tabaco, o “comentador” (i.é, gajo que diz umas coisas em que esteve a pensar lá em casa e que como pensa melhor ou diferentemente dos outros é muito interessante ouvir porque nós próprios temos algumas dificuldades em pensar quanto mais em sermo originais) ganhou fogo nas ventas e insurgiu-se contra ela. Com a imparcialidade, comedimento e brilhantismo que lhe são conhecidos quando fala do PS ou do FCP.

Dizia o senhor que a alteração “desperta o que há de pior em cada um de nós” por incentivar a denúncia dos fumadores no flagrante do vício em espaços vedados.

O que é capaz de ser engraçado duas vezes (digo eu…).

A primeira, o senhor achar chocante agir para levar ao cumprimento da Lei por outrém – leis da Nação que em princípio se dirigem a todos; a segunda, é que o senhor (que se “esqueceu” de comentar a justeza social da Lei) ainda continua a achar que se alguém está no exercício de um vício seu não deve ser importunado pelo “pior” que o vizinho tem “dentro de si”.

Mas cada um é como é e Nosso Senhor nos livrasse de sermos todos como ele.

Que não é confundível com o universo dos “fumadores-pessoas-normais”!

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O fumo

Após primeira fase de consultas, o Ministério da Saúde continua a sua senda de legislar para que duma vez por todas se reduza a quantidade do fumo com que dependentes e não atalham uns anos bons às tribulações de andar por cá.

O Anteprojecto de Lei para prevenção do tabagismo encontra-se agora em fase de discussão pública, antes da previsível aprovação e entrada em vigor, no início de 2007.
Já é alguma coisa.

Vamos lá ver onde vai a coragem de intransigir com “vícios de sociedade”.
Que o fumo é muito fashion, mas não tem graça nenhuma.

Sistematicamente os não-fumadores são colocados perante o facto consumado do fumo alheio, a “legitimidade democrática” dos fumadores para o produzir e em muitos casos a obrigação da partilha de espaços mal limitados.

Sou sensível ao argumento clínico de que os fumadores não deixam de o ser do dia para a noite, e ao argumento do bom-senso de que um fumador não é um alcoolizado da estrada nem um molestador que só porque lembra a alguém passa a ser apontado a dedo na rua tornado o pária do Rectângulo.

Mas não é possível negar o estatuto de privilégio de que goza a fumodependência.
No meu local de trabalho não tenho uma sala para o vício da pornografia.
Nem para o jogo da batota.
Ou para o de tirar macacos do nariz. (Perdoem o grafismo, mas pretendi dar exemplos de vícios amigos do ambiente e nada lesivos para a saúde do parceiro!)
…E não me falem em expressão numérica que eu invoco já os meus “direitos constituídos”!

Porque, em última análise, andamos a brincar às escondidas.
Não é farisaico pretender-se carregar os jovenzinhos de formação anti-tabágica nas escolas nos anos que vêm e pedir que o façam a professores que, pela força do seu vício de fumo, são monumentos vivos ao uso do tabaco – pelas mais variadas razões – e que transportam consigo para a sala de aula o odor social do fumo que contradiz a palavra de desincentivo?

Haverá muito a dizer.
Entretanto, quem pretenda consultar o documento na íntegra, pode fazê-lo seguindo este link.