Tons Laranja

O partido dos laranjinhas fez anos. Tantos quantos a democracia (possível) desta terra, que ajudou a fundar.
Motivo para trocar palmadinhas nas costas e acender velas.
De aniversário.


Mas também de velório.
Após o falecimento, por doença degenerativa, de uma Direcção incapacitada há muito para o exercício prático de funções.
Alumia-se-lhe o cadáver ainda quente…

[…O que não deixa de encerrar algum absurdo: com um ano apenas de mandato, Luís Filipe Menezes e sua equipa conseguiram entrada merecida na galeria dos benfazejos do partido, por dois actos memoráveis.
Primeiro, ter apeado Marques Mendes do pavoroso sonho de vir a ser Primeiro-Ministro.
Segundo, ter saído pelo próprio pé antes de correr o risco de o sonhar também.]

Mas mais velinhas se acendem.
Agora de súplica e devoção.

Arrancou a corrida à liderança do PSD. E exige-se que um partido com tanta gente faça sobressair os seus melhores.

Como militante, votarei. Como sempre. Com a maior consciência da responsabilidade que o meu voto pode ter. – Sou dos que acreditam que o que desta eleição resultar tanto pode ajudar ao erguer desta Nação como ao seu enterro definitivo.

E neste contexto de desfile de candidaturas e candidatos, urge fazer uma reflexão definitiva sobre os candidatos que parece arredada do palco político.
– A reflexão de um social-democrata a que não só a oportunidade como a consciência e a coerência me obrigam.

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Candidato Neto da Silva.
Ex-Secretário de Estado de Cavaco Silva.

Não conheço. Não sei quem é. E não voto em quem não conheço. Nem eu nem os outros portugueses. E se nele nunca votariam, por maioria de razão pouco sequer interessa o que o senhor tenha a dizer no presente contexto.

[É cruel, a verdade política.]

Candidato Patinha Antão.

Doutorado em Economia, Professor Universitário, Secretário de Estado-Adjunto, Vice-Director de Direcção-Geral, Chefe de Gabinete, Director de Gabinete, Deputado.

Uma das poucas figuras que pelo partido fala de Finanças como quem sabe do que fala e frequentemente tábua de salvação de um indigente Grupo Parlamentar laranja neste (…) domínio.

Já andou por muito lado, conseguiu mobilizar caramelos para recolher assinaturas por ele – que chegaram a vir a minha casa – mas os votantes não o encaram como um candidato “a sério” nesta eleição.
E se nele nunca votariam“…, idem aspas.

Candidata Manuela Ferreira Leite.

Economista, Directora de Departamento, Directora-Geral, Presidente de Conselho de Administração, Técnica Consultora, Chefe de Gabinete, Professora Universitária, Deputada, Secretária de Estado, Ministra por duas vezes, Membro do Conselho de Estado e Comendadora.

A sua entrada na corrida à Presidência do partido elevou a fasquia para todos os candidatos.
Mulher de longo currículo, muitas artes e imagem publicada de severidade e rigor, com uma longa e fiel corte de dependentes em cascata, é uma concorrente a ter em conta.

Pena é não ter assumido ainda a sua quota-parte de culpa no panorama em que hoje Portugal vive.
Não se é (?) impunemente membro de sucessivos Governos, aparecendo um belo dia como salvadora do País que se ajudou a moldar.
[E é assustadora a proximidade que se percebe entre a sua visão socio-política e a do “Governo” actual.]

Mais: Manuela Ferreira Leite contribuiu activamente para o descrédito em que a política hoje se encontra.
Engrossou a casta da clientela iluminada que assume indiferenciadamente qualquer mandato que esteja à mão, não deixou nem marca nem saudade nos Ministérios que dirigiu – Educação ou Finanças -, não disse “presente!” no momento da vida do seu partido em que era obrigada a fazê-lo (quando Durão Barroso saiu) e limitou-se a integrar o coro grego de agoiro de Direcções, em que muitos dos seus cortesãos se movimentam.

Agora, é mero rosto daquilo que a falange mendista consiga reacender após a derrota que lá vai e do seu objectivo de reconquistar o partido, encerrando um sonho mau em que tem vivido.

Candidato Pedro Santana Lopes.

Advogado, Professor Universitário e Regente, Presidente de Conselho Fiscal, Presidente de Conselho de Administração, Assessor de Gabinete, Adjunto de Ministro, Presidente de duas Câmaras Municipais, duas vezes Secretário de Estado, Deputado, Deputado ao Parlamento Europeu, Primeiro-Ministro, Presidente de Clube Desportivo, Comendador numa data de países.

Santana Lopes concorre fundamentalmente por si próprio. Não pelo seu partido.

Não entendendo que o epíteto de imortal da política mais faz dele um chato que um resistente, Santana pretende corrigir a História.
Uma História que não percebeu que avança, que muda e que se fecha.

Fui (e sou) dos poucos que ouvi afirmar alto que a trapaça institucional a que Santana foi sujeito pelo ex-Presidente Jorge Sampaio não passou disso mesmo. Uma canalhice de contornos partidários.
O Presidente da República concretizou um Golpe de Estado constitucional, interrompendo o mandato dum Governo quatro meses depois de ter optado pessoalmente por dar-lhe posse.
Sob pretexto levianamente aludido de (sic)uma série de episódios“, a que acrescentou (sic) “dispenso-me de os mencionar um a um pois são do conhecimento do País“, cobrando a um Governo de quatro meses a “obra consistente e estruturante na resolução dos problemas” não realizada.

…Mas isso é História Antiga. Passada. Encerrada.

Se Santana se considera hoje uma vítima sedenta dos seus tempos de Governo, não tem senão que engolir o sapo, procurar Sampaio a uma esquina escura ou esperar por uma encarnação em que concretize o seu desígnio de governante de sucesso.
Tudo mais, é puro delírio.

Mesmo que tenha consigo um resto de santanistas não encaixados no partido desde o seu desaire e uma falange de menezistas que prefere as apostas altas, não é a espécie de oposição ao “Governo” PS que desenvolveu em articulação com Filipe Menezes que o torna nem opção séria para o partido nem para o País.


Candidato Pedro Passos Coelho.

Economista, Professor Universitário, Gestor, Deputado, Autarca.

Com ele estão todos os outros menezistas. Isto é, todos os que ajudaram a eleger Luís Filipe Menezes Presidente contra Marques Mendes – mesmo que mais por missão que por convicção, como eu.

O seu currículo é curto. O que o ajuda, ou nem tanto.
Num País parolo como o nosso é possível que se olhe para Passos Coelho como um candidato politicamente menos capaz, por não ter estado tão amesendado como os seus concorrentes em cargos e lugares no Estado.
Mas a sua distância do Estado e do aparelho do Partido permitem-lhe uma independência de discurso em relação à degradação actual da Nação e ao pedido de confiança para agir que as demais figuras elegíveis não alcançam.
(Apesar de, com alguns apoios, estar tão mal acompanhado como os demais…)

Um homem novo; um discurso com um novo tom; eventualmente uma nova mentalidade… A única possibilidade em aberto do fraco leque de escolhas.

É ele que receberá o meu voto.

João Jardim. O candidato que nunca o foi.

Seria seu o meu voto. Fosse a sua candidatura mais que um espectro.
Por isso apoiei o seu avanço em altura própria. Quando o que parecia estar em causa era uma questão de apoios…

E a explicação da minha posição não precisa de muitas mais palavras do que as que escrevi na resposta ao Palácio do Marquês, que fez uma graça com a minha manifestação pública:
É essa a medida do meu patriotismo: não me interessar se João Jardim tinha possibilidades contra Sócrates ou sequer à frente do PSD. Apenas a certeza de que a podridão geral em que este País chafurda precisa de um, dois, dez João Jardim, que abanem este charco e nos façam abrir os olhos de uma vez. Tudo que lá não chegue, é jogar para o empate, é brincar com coisas sérias, é dar de comer à vergonha de não fazer nada contra este estado de coisas. Mas o JJ já não concorre. E o País respira tranquilidade e paz.

Jardim, ao contrário de Santana, não concorre por si.
Faz política por si.

Disse-o em tempos e repito-o à exaustão:
«Como percebo o que disse João Jardim sobre a necessidade absoluta de uma frente de “combate ao Governo Sócrates”, abarcando “todas as forças politicas, sem excepção” desde que firmes neste propósito. […] Da mesma forma que percebo o que dizia Jardim sobre as últimas Presidenciais: “os candidatos que se perfilam para Belém não defendem o interesse de Portugal”. […] Em suma, é verdade que o País “está a ser conduzido por gente louca” e que “se Portugal não se livrar deste Primeiro-Ministro e deste Ministro das Finanças vai atravessar momentos dramáticos”. Até porque “a asneira tem rosto e não é depois do mal feito que o país deve acordar“.
Não dá para dissociar homens de políticos, pelo que o embrulho ficará sempre mal atado.
Mas até lá, João Jardim será referência de um homem de coragem num mar de cobardes, um homem de acção e obra entre incapazes, um homem frontal e temerário no meio de convencionados

Quem tivesse visto certa entrevista na RTP com a Judite de Sousa, teria esclarecido que “O Alberto João” é um genial cromo retórico com que Jardim distrai as atenções de papalvos enquanto governa sem que o aborreçam.

«Rigoroso, coerente, ponderado, incisivo, sobrando-lhe tempo de sobra para os recados às instituições, aos governantes e aos portugueses”, quando quer.
Mas perante a lôbrega pergunta: “E não teme os prejuízos políticos que daí possam vir?” e a resposta lapidar “Eu não tenho que pensar em mim.”, pouco ficou para dizer.
Claro que o dr João Jardim continuará amanhã a ser visto (ou queira-se fazer parecer) como um louco.
No Portugal do politicamente correcto [denunciar como ele o faz] é impensável. Só explicável por uma profunda perturbação mental.
Mas no fundo, nesta terra, quem são os alienados, quem são os carcereiros, quem está irremediavelmente fechado, onde e porquê?
Quantos homens destes seriam necessários para subverter a ordem instalada no hospício?
»

«Um político com defeitos públicos desfraldados e provocantes. Ao contrário de outros, com defeitozinhos privados e mesquinhos.
Um homem frontal. Ao contrário da casta dominante de castrados que nos governa.
Um governante de ideais, projectos e riscos. Ao contrário dos tíbios de verbo fácil que pululam e infestam uma política paralisada pelo politicamente correcto.
»

Mas a oportunidade perdeu-se e a fria realidade convoca-nos.

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Exigir-se-ia que um partido com tanta gente fizesse sobressair os seus melhores. Isto é, alguns bons… Ou pelo menos uns candidatos melhores que estes…

Mas deixemos o reino de tons laranja decidir como quer desembrulhar a prenda que Menezes deixou no seu sapatinho…

[Esta foto não sofreu qualquer tratamento.]

Bordado da Madeira

SECÇÃO “ESCRITA EM DIA”

Pois é: parece que João Jardim ganhou de novo as eleições da Madeira.
…Numa sequência ininterrupta de quantas vitórias eleitorais? Duas dezenas? Três dezenas?


E não só ganhou ganhou de novo, como de novo cilindrou a oposição – PS à cabeça, reduzido na Madeira ao valor relativo de 15 e qualquer coisa por cento.
Com quase dois terços do Parlamento Regional do seu lado, mais um mandato se avizinha em que, por mais não poder, a oposição definhará, e o Governo Jardim, por poder em demasia, continuará a ignorar tudo e todos.

E ainda que não caiamos no vício do requentamento do assunto político – arrastando-o quatro anos de mandato – será sempre motivo de análise o caso eleitoral, o cataclismo em urna, o genocídio plebiscitário.
Facto consumado perante o qual já nada resta aos detractores de Jardim fazer.

Diga-se em verdade que a campanha foi confrangedoramente pobre.
O resultado antecipado condicionou por completo palavras e gestos, reduzidos a pantomimas e espasmos convencionados…

(João Jardim a chamargente rasca” aos seus opositores, que intrinsecamente não potenciariam o normal equilíbrio partidário na Madeira – conceito válido, embrulhado num habitual papel de muito mau gosto.
Jacinto Serrão a acusar Jardim de delapidar a Madeira e de ter sidocolaboracionista do fascismo” (!!!) – sob a trágica dificuldade em admitir o paradoxal desenvolvimento de uma região portuguesa ultraperiférica elevada a um patamar social muito além do alcançado pelo Portugal do contnent.)

…E quando novidades houve, só favoreceram Alberto João.

(Jerónimo de Sousa a apoiar o combate de Jardim à alterada Lei de Finanças Regionais e a reconhecer, mortífero, a inexistência do apregoado “défice democrático” no arquipélago ao dizer que “por parte do povo madeirense, não há nenhum défice democrático na medida em que, hoje, cada vez mais pessoas apoiam a CDU“.
Paulo Portas, beato, casto e platinado, a apelar perante as câmaras de televisão “à contenção nos gastos” e à “decência” financeira dos malandros do PS e do PSD, …a quatro dias do final da campanha!
Alguém do BE a reconhecer, mesmo que a posteriori, que os madeirenses “votaram contra uma «lei errada»“.)

…E assim se explica a vaga de votos num mesmo sentido.

Não me custa reafirmar que sou um grande admirador de um certo João Jardim, o madeirense.
Ainda que
não de outro Jardim, o madeireiro.

Quando o madeirense Jardim “faz três inaugurações por dia” durante a campanha, isto é: quando tem para inaugurar obra sua que enche até ao bordo a agenda de campanha do madeireiro Presidente do Governo Regional, tal tanto não é irrelevante para os ilhéus da Madeira como não o é para mim próprio. Que o assinalo e valorizo.
Quando o madeirense Jardim se demite da Presidência do Governo, sacudindo a pressão a que o machão “Governo” metropolitano o quis sujeitar, merece o meu total apoio e concordância; que perde quando o madeireiro Alberto João se furta a reger-se por regras básicas e universais de funcionamento da democracia, como a definição de um quadro de incompatibilidades para o exercício do serviço público.
Quando a 25 de Abril deste ano inaugurouuma estrada mandada construir pelo Governo Regional“, aproveitando para “assinalar os 33 anos” da revolução, estamos do mesmo lado. Pois denunciou – mais uma de tantas vezes – que “
foi para o desenvolvimento dos portugueses que se fez a «Revolução dos Cravos» e não para «retórica mentirosa»“. Mas como pode ser suportado o madeireiro que (a ser verdade) teria lamentado a morte de um trabalhador da construção, associando-a aos transtornos de agenda que o acidente provocaria ao seu programa de campanha?

Contudo, admiro Alberto João Jardim. Ah pois!
Um político com defeitos públicos desfraldados e provocantes. Ao contrário de outros, com defeitozinhos privados e mesquinhos.
Um homem frontal. Ao contrário da casta dominante de castrados que nos governa.
Um governante de ideais, projectos e riscos. Ao contrário dos tíbios de verbo fácil que pululam e infestam uma política paralisada pelo politicamente correcto.

Tíbios como aqueles a quem o deputado socialista madeirense Maximiano Martins “acusou” – tíbio, ele próprio – de falta de solidariedade com o PS-Madeira, depois de o PS nacional se ter acobardado a dar a cara no terreno, no arquipélago, ao lado de um Jacinto Serrão que teve uma luta que não pediu e para a qual não estava manifestamente preparado.

Em última análise é aí que ficamos na questão madeirense.

No apoio a um “Governo” mais maniqueísta que razoável, mais contumaz que convicto, mais autoritário que respeitável, mais dividido que plural, apesar das campanhas a seu favor…
…Ou no apoio a um Governo Regional mais autocrata que dialogante, mais populista que popular, mas progressista e não limitador – como confirma o insuspeito Jerónimo de Sousa – da vida democrática dos seus cidadãos, apesar das campanhas em seu demérito…

E a cada um cabe a responsabilidade última de se tecer no que sempre foi e vai continuando a ser o intrincado bordado da Madeira.

Ponto por ponto

Anda tudo em polvorosa por causa de João Jardim.
(E sendo ele como é, o que ele deve gozar com isso…)

É facto consumado a sua demissão da chefia do Governo Regional da Madeira. E a sua recandidatura a novo mandato.
E as notícias apanharam todos em contrapé.
Tem razão o PS quando diz que o PSD não foi tido nem achado na decisão de Jardim (ainda que seja uma estupidez a conversa dos “reféns“, da “autoridade” e da “instabilidade“).
Tal como o PS, que se vê desarmado à boca de mais uma disputa de eleições regionais na Madeira.
(Ensinamento que todos já deviam ter retirado há muitos anos: “estar sempre preparado para as venetas de João Jardim!“)

O Presidente do Governo Regional demite-se como forma de “protesto contra as medidas do executivo socialista da República“, tendo-as denunciado desde o início como gravosas e arbitrárias no que toca à Madeira.
E recandidata-se, porque nunca foi sua intenção deixar o mandato a meio, governa com maioria e tem obra feita e em curso no arquipélago que quer ver concluir.

Mas e de permeio?“…
Exactamente!

Num momento em que o País atravessa uma crise mais profunda que a económica e que a de auto-confiança: a crise da participação cívica, João Jardim dá aos madeirenses a oportunidade de dizerem nas urnas de que lado acham que está a razão de um conflito institucional que opõe o Governo Central e o Regional.

Claro que tem algo de populista.
Claro que se o PSD-Madeira ganhar as eleições a Lei das Finanças Regionais não retrocede um milímetro.
Claro que – a não ser que caia um santinho do altar abaixo – o PS-Madeira será de novo derrotado numas eleições que, pela banalização do rol de vitórias eleitorais a que João Jardim que já perdeu a conta, não terão sequer um impacto por aí além.
Claro! Claro!

Mas cortemos um pouco com o maldito do PC. (Que nos diz que o senhor é um nepotista e um mauzão e um malcriado e um gordo.)
Paremos um pouco para pensar por cabeça própria.

Não é coerente que um eleito num cargo político que se manifesta de forma tão agressiva em ruptura com o poder central que o tutela e lhe altera as regras do mandato a meio, dê de novo à população voz para se exprimir a favor ou contra a sua continuação em funções sob as novas regras?
Devolver a voz ao povo” que se governa não é a maior dádiva da democracia? É que era capaz de jurar que tinha sido essa a argumentação que nos idos dias de Santana Lopes levou Sampaio e os seus simpatizantes a justificar uma convocação de Legislativas…
Jardim leva o seu protesto até às últimas consequências.

É isso que distingue um resistente de um queixinhas. Não se acobardar à última da hora.
A diferença é que, contrariamente a um Guterres ou a um Barroso que deixaram a meio mandatos para quem haveria de vir, João Jardim persevera no posto há trinta anos e desafia adversários sucessivos a depô-lo nas urnas – se o conseguirem. Não tem nada a ver com “guerrilha institucional“, ao contrário do que diz o porta-voz do PS, Vitalino Canas.
E o resto são cantigas.


Mas sobre o duelo Jardim/PC, não vou deixar ambiguidades.
Ponto por ponto.

Concordo com o pouco eloquente deputado Guilherme Silva quando disse queJosé Sócrates e o PS/Madeira fizeram um cerco a João Jardim, na aprovação da lei das Finanças Regionais“.
A discriminação negativa da Madeira em favor dos Açores é um erro – como se pode permitir que uma região com uma taxa de execução orçamental como a Madeira perca fundos para outra cujos governantes demonstraram incompetência para os gerir?
É o célebre “deitar dinheiro para cima do problema”.

Como percebo o que disse João Jardim sobre a necessidade absoluta de uma frente de “combate ao Governo Sócrates“, abarcando todas as forças politicas, sem excepção” desde que firmes neste propósito.
Há muito que esta “governação” atingiu o limite sensato de tolerância. Como homem, como profissional, como contribuinte, como cidadão, não me pode ser pedido mais.
Há muito que a falta absoluta de propósito, de projecto, de noção, de mesura, de decoro desta gente, os elevou a uma categoria de ameaça pública ao futuro comum que não pode merecer outro tratamento.

Da mesma forma que percebo o que dizia Jardim sobre as últimas Presidenciais: “os candidatos que se perfilam para Belém não defendem o interesse de Portugal“.
A clarividência de votar no menor dos males mas não ter ilusões sobre um mandato de um “Presidente Cavaco” com uma agenda própria desde há anos, potencial refúgio estratégico de políticas ínvias do “Governo”.

Em suma, é verdade que o País “está a ser conduzido por gente louca” e que “se Portugal não se livrar deste Primeiro-Ministro e deste Ministro das Finanças vai atravessar momentos dramáticos“.
Até porque “a asneira tem rosto e não é depois do mal feito que o país deve acordar“.

Para rematar, ultimamente e sobre os resultados do referendo do aborto, o Presidente do Governo Regional da Madeira disse[não haver] testículos para se dizer que referendo não [fora] vinculativo“.
“Nem para isso nem para mais nada”, acrescentaria eu.
Prisioneiros que insistimos em manter-nos do politicamente corecto que nos envenena e do comodismo mental, enfileiramos arrebanhados pelos caminhos por onde nos levam, sem tugir nem mugir.
Seja quem for, seja por onde for. E no fim… queixamo-nos.

Não dá para dissociar homens de políticos, pelo que o embrulho ficará sempre mal atado.
Mas até lá, João Jardim será referência de um home de coragem num mar de cobardes, um homem de acção e obra entre incapazes, um homem frontal e temerário no meio de convencionados.

E até ver… a Madeira é um jardim.

Já chegámos aos Açores?…

Foi noticiado que a Assembleia de Rhode Island, EUA, aprovou um voto de protesto pelo encerramento previsto do consulado português em Providence.

Na origem do voto, a reestruturação da rede consular portuguesa em marcha, que à moda recente de “gerir racionalmente custos” se traduz no encerramento alarve de portas em locais-chave da representação portuguesa no mundo – como em Rhode Island, em que os muitos milhares de portugueses (inscritos nos consulados de New Bradford e Providence – que fechará) formam uma comunidade sólida e influente.

Uma rematada vergonha!

E o que teve a dizer o senhor Presidente do Governo Regional dos Açores – região que muitos portugueses deu e dá à América – sobre esta reestruturação e estes fechos?

Começou por garantir o senhor que “o Executivo Regional tem «estas matérias mais ou menos assentes» com o secretário de Estado das Comunidades, tendo em conta a reestruturação que o Governo da República pretende concluir ainda este mês“.
(…Assim uma espécie de ter uma ideia do que o Governo vai realmente fazer.)

* Milhares de portugueses.
* Fim de representação diplomática.
* «Matérias mais ou menos assentes».
OK…

De seguida, acrescentou que “o
consulado de Nova Bedford vai manter-se“, desenganando os pessimistas portugueses que já pensavam que a enxurrada lhes arrastaria ambos os consulados.
Mas ainda foi mais longe. (“Ai os portugueses de Rhode Island precisavam de mais um consulado?“)
Anunciou que “o consulado de Providence será extinto mas, em contrapartida, deve ser aberto um novo consulado na zona da Califórnia” (sic).

“NA ZONA DA CALIFÓRNIA!”

Eu sei que é um bocado má-vontade minha estar a pegar nas infelizes palavras do senhor. Que não era isso que ele queria dizer e patati-patatá.
Mas lamento: foi o senhor que fez a inacreditável associação de ideias!
O que lhe ocorreu veloz à puída inteligência, foi referir a “contrapartida” da “Califórnia“.
Em suma, que se um português em Rhode Island tiver assuntos seus a tratar num consulado, olha!, houve um que abriu para aí a 4300 kilómetros!

Ninguém se lembra de o maluco do Presidente da Região Autónoma da Madeira (um “maluco“, claro!) acusar o seu Homólogo dos Açores de “ter vendido a autonomia financeira por um «prato de lentilhas»“?

É que eu lembrei-me agora.
Curioso…

Mas fulanos à parte, o desprezo pela portugalidade e pelas suas mais enraizadas forças grassa com a acção deste Governo.
Tanto cá dentro, como lá fora.

Por isso o Conselho das Comunidades Portuguesas se manifestou já contra estes encerramentos abruptos de consulados.

Por isso quase dois mil portugueses se manifestaram frente aos consulados em Orleães e Toulouse, em França, protestando também contra o encerramento dos seus consulados.

Por isso em Nova Iorque, onde também se prevê a implosão do consulado de Portugal se fizeram sentir reacções de muitos mais outros portugueses que se sentem abandonados.
Por um País que será o único da Europa a 27 que não terá ali uma representação consular.

Como se sentirão os portugueses em Durban, na África do Sul.
Onde tantos morrem, abatidos nas ruas por um crime selvagem e sem nexo, com um pensamento derradeiro na sua Pátria.

Nação ingrata.

Neste post tive o orgulho de escrever umas 16 vezes “Portugal“; nos seus variados matizes.
…Isso faz de mim mais patriota que o Governo em funções e seus cúmplices? Certamente que não.
Mas já é uma boa purga.

Baile da Madeira

Hoje foi dia de Grande Entrevista na RTP.
E não foi “grande”, foi monumental.

Como o próprio dr. João Jardim deixou como provocação inicial, não se percebeu na totalidade o propósito da entrevista em causa.
Claro que os critérios jornalísticos da actualidade e relevância seriam ponderáveis, …mas estamos na vigência DESTE Governo, e seria disparatado começarmos agora a aventar razões implausíveis, como se a linha editorial do canal público não estivesse “na sua alçada”.

O que é certo é que o senhor se sentou na cadeira, frente à drª Judite e a coisa lá foi.
…Como poucos esperariam!

Poucos (inclusive eu) julgariam que o Presidente do Governo Regional da Madeira conseguisse ser tão eficaz na entrevista.
Rigoroso, coerente, ponderado, incisivo.
Sempre expansivo, afrontante e desafiador, como é hábito, mas nunca resvalando. Nunca caindo na armadilha de se chocar com memórias, protagonistas, factos ou convites ao devaneio, antes devolvendo e estrangulando germes de polémica servidos em prato quente.

Com números, dados, factos, expôs o seu ponto de vista, pretendendo (como não se cansou de repetir) “esclarecer os portugueses que andam a ser enganados” pelo Governo da Nação.

Loucuras autonomistas, delírios despesistas, incompetências financeiras, intransigências face ao esforço de solidariedade nacional, incompatibilidades pessoais, tudo lhe foi atirado à cara em menos de uma hora.
E a tudo reagiu da mesma forma: esclarecendo, exemplificando, desmontando e montando peça a peça uma entrevista que controlou na totalid
ade, sobrando-lhe tempo de sobra para os recados às instituições, aos governantes e aos portugueses.

Se excessos houve, couberam por completo a Judite de Sousa.
Que quando lhe foram dados números desdenhou dizendo: “os espectadores acabam por se aborrecer com números“. Como se os portugueses fossem todos atrasados mentais que habituados a Froribellas não conseguem assimilar os importantes números, tão claramente explicados.

Ou quando João Jardim pôs preto no branco o que considerava ser o seu (e de todos) dever de solidariedade. Ao que a entrevistadora respondeu: “sabe que os portugueses não aceitam as suas justificações…“. Como se os atrasados mentais dos Floribellos nacionais precisassem da sua esclarecida mediação para militar por si a sua “raiva”.

Ou quando quase no final, estando a conversa mais animada até sobre os favorecimentos aos Açores socialistas (sempre) baseados em números, a senhora desabafou: “não me venha com os números!”.
Como se tivesse entrado em
vigor hoje uma maneira nova de ser credível quando se afirma alguma coisa: já não o basear-se em números, mas, quem sabe, arrotar mais alto ou conseguir tocar com a língua na ponta do nariz…

Claro que esta é uma opinião. E como dizia o filósofo “Tudo é opinião“.
Mas perante a lôbrega pergunta: “E não teme os prejuízos políticos que daí possam vir?” e a resposta lapidar Eu não tenho que pensar em mim.”, pouco ficou para dizer.

Claro que o dr João Jardim continuará amanhã a ser visto (ou queira-se fazer parecer) como um louco.
Quem senão um louco ousa dizer em público na sociedade portuguesa que o que o dr Jorge Sampaio, então Presidente da República, fez ao afastar o Primeiro-Ministro Santana Lopes foi um golpe constitucional?
E que sendo nós um País na míngua prescindimos dos rios de milhões de euros em dívida de países africanos de expressão portuguesa, em função do benefício pessoal de nomenklaturas cleptómanas e crué
is?

No Portugal do politicamente correcto isto é impensável. Só explicável por uma profunda perturbação mental.

Mas no fundo, nesta terra, quem são os alienados, quem são os carcereiros, quem está irremediavelmente fechado, onde e porquê?
Quantos homens destes seriam necessários para subverter a ordem instalada no hospício?

Alguém deve ter ficado MUITO chateado, esta noite.

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