O mundo em guerra


Alguns distraídos e mais uma porção de desonestos mantêm-se barricados numa ilha ideal de que o mundo actual não se encontra em guerra…

E confortavelmente, ao não reconhecê-lo, recusam-se a tomar partidos, preferindo entreter-se com jogos florais ideológicos no conforto ocidental.

11 de Setembro.
Hoje, ainda “somos todos americanos”?

FIM

Foi noticiado que acabou.
A vida de Saddam Hussein. Um capítulo da história do mundo.


E é absurdo perdermo-nos a conjecturar sobre a crueldade da pena de morte – que lhe foi aplicada.
Ou sobre a justiça da pena a que um tribunal iraquiano o sentenciou.
Ou sobre a conivência, implicação ou patrocínio do processo pelos “vencedores” da intervenção no Iraque.
Ou sobre a justeza da intervenção no Iraque. Sobre os seus fundamentos e os seus resultados…
Tudo, em suma, em que se queira pegar para, discutindo tudo, não se discutir nada.


É absurdo.

Quando durante décadas o mundo civilizado e humanista assistiu indiferente às atrocidades do regime iraquiano – que os americanos supostamente sozinhos apoiaram – sem fazer o que quer que fosse.
Quando anos a fio a relapsa intelectualidade internacional nunca obrigou a ONU (ou a própria a si mesma por auto-iniciativa) a mexer-se como era sua obrigação na imposição do cumprimento de resoluções às dezenas do Conselho de Segurança, que Saddam mandou bugiar – por exemplo no folhetim tragicómico da escalada de suspeição sobre as WMDs iraquianas.
Quando buscando argumentos para condenar a invasão do Iraque – sem qualquer ideia ainda do que viria a revelar-se mais tarde a sua vergonhosa fundamentação – muitos invocaram a “soberania” e a “independência” de um Iraque totalitário no desmando da sua política interna e externa. Ou a existência de outras ditaduras onde a invasão não se dera – como se se a aconselhasse!…
Quando a “comunidade internacional” se opôs a que Saddam acabasse preso numa Gitmo qualquer, porque deveria ser julgado pelos seus e colocar-se uma pedra na exploração mediática americana do circo da captura do ditador.

De repente, houve quem achasse que o julgamento devia ter lugar noutro lado. Onde não se aventasse sequer a possibilidade da condenação à morte – sugerindo um julgamento e uma pena à la carte, de privilégio, para este réu. À imagem e vontade da ocidentalidade com súbito rebate de consciência.
De repente, surgiram esboços de cumutações de pena ou transformações deste julgamento numa mera catarse simbólica, que salvasse a cara de um Direito dos Homens aparentemente servido (que com a “comunidade internacional” ninguém brinca!), mas ao mesmo tempo sublimasse a responsabilidade severa e extrema de ver condenado à morte um monstro que se pretendia de certa forma ver julgado num certo limite de um certo abstracto Justo Direito.

Invadido, Saddam terminara.
Encontrado como um bicho num buraco escavado no chão, Saddam terminara.
Sentado num tribunal iraquiano, Saddam terminara.

Apenas agora o inultrapassável complexo do complexo?…
Apenas este um último reduto do desesperadamente correcto?

Simplesmente um fim.

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Fim de um ciclo

As forças militares americanas, jordanas e iraquianas eliminaram Abu Musab al-Zarqawi (ver aqui).
E não deve haver escândalo no uso do termo.

Não cabem numa resma de posts as considerações que se impunham sobre Saddam Hussein, os Estados Unidos, o folhetim ONU, a intervenção no Iraque, a vitória militar, a derrota administrativa, o terrorismo no terreno, o terrorismo global, a Ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues e outras desgraças quejandas que enquadram o episódio.
Fico-me apenas por um sentimento assumido (e bastante culposo) de satisfação por ter acontecido.

Nenhum problema do mundo se resolveu no segundo da sua morte. Nem sei se pelo contrário.
Mas sei que não tornarei a ver imagens deste homem (?) a degolar inocentes.

(Porque as vi na íntegra. Quantos de muitos que falam as terão visto?)

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