Assobiar Para o Lado

(Apesar de tudo, os mais distraídos leiam de novo: "...em Londres", não "...em Loures"!)

Talvez seja a primeira vez que abordo este tema – ou pelo menos desta forma –  e cheira-me que não há-de ser a última.
“A Ameaça do Fundamentalismo Islâmico”.

É um tema que me suscita a maior apreensão. Na directa proporção da gente que tenho visto (ou lido) sorrir por dentro e por fora à alusão a estas palavras conjugadas.
…Uns sorriem em desdém, considerando esta ameaça um mito urbano que apenas uns tolos tagarelas propalam a partir de refeições rápidas comidas nos media.
…Uns sorriem, superiores, julgando tratar-se de mera questiúncula levantada por xenófobos hiper-ocidentalizados, limitados na sua mundivisão.
…Uns sorriem, cínicos, adivinhando na denúncia um serviçalismo ideológico mal disfarçado a nações ou figuras auto-proclamadas hoje combatentes dessa ameaça.
…Uns sorriem, cáusticos, descobrindo uma colagem iniludível da denúncia da ameaça fundamentalista islâmica a afinidades pessoais a uma fé diversa, o que forçosamente condicionaria o juízo.
…Outros sorriem apenas, ignorantes.
Mas a questão existe. A ofensiva radical islâmica em curso sobre o Ocidente.

Mão amiga (…) fez-me chegar este recorte de jornal.
Onde se lê – o texto é curto e deve ser lido como documento com valor histórico – que em Inglaterra foram constituídos cinco tribunais islâmicos, estando previstos mais dois para breve.

Cinco.
Tribunais islâmicos.
Em solo inglês. Na União Europeia.
Que vão encarregar-se de questões como “divórcio, violência doméstica, disputas ou heranças“.

Já não lá nos confins do mundo, nem sequer às portas turcas, mas dentro da nossa casa.
Tribunais competentes para julgar direitos e obrigações de cidadãos europeus.
À luz da Sharia, a lei religiosa corânica.


Começo por assinalar a fonte da notícia: o “Jornal das Maluqueiras”, ou dos Ignorantes, ou dos Desinformados, o Correio da Manhã – que não a inventou! (Alguém viu este assunto referido nalgum outro lado?…)
Um periódico considerado superficial, mundano e sensacionalista, membro estranho ao clube da “Imprensa de Referência” da nossa intelectualidade.
…O que permitiu dizer que a notícia apareceu nas bancas -“porque ninguém quer fazer segredo disto…”- mas simultaneamente remetê-la para o beco dos Ronaldos, das novelas, da faca no bucho, num enrolado de pretensa sub-informação.
Desta forma – objectiva e recorrente – a piedosa imprensa nacional mantém a cabeça das pessoas comuns livre de preocupação, alheia a uma realidade sobre a qual não possui qualquer esboço mental, em qualquer formato que seja.


Mas o conteúdo da notícia, fala por si.

Desmentindo alguns emproados – que continuam a tocar com o barco a pique e a atirar-nos areia para os olhos -, do que tomamos conhecimento é do chega-para-lá consentido que a avassaladora vaga demográfica muçulmana dá já às tão “God-save-the-Queen“, Anglicanas e “Saint George” sociedade e cultura britânicas.

Neste momento, uma das nações mais ciosas da sua tradição e raízes – porque não dizê-lo: até chauvinista – da Europa, cede em toda a frente à avalanche cultural islâmica que primeiro a minou por dentro e a obriga agora humilhada a sujeitar-se-lhe.

É uma apontamento de mau gosto dizer que estes tribunais religiosos não se equiparam aos tribunais civis nacionais. Que só por eles são julgados casos de cidadãos quando “ambas as partes aceitem ser julgadas pela lei islâmica“. Que não existe uma colisão sangrenta entre as suas esferas de intervenção.

A criação de tribunais paralelos, à medida, concorrentes na imposição de lei – na “d’A Lei”! – é uma abominação.
Para mim, curiosamente… Cidadão anónimo, irrelevante, ignorante das questões da política, do direito, da história, da psicologia, da religião, da filosofia, das questões técnicas que regem o mundo…
Mas não para os sábios de cada uma destas disciplinas do saber humano. Não o suficiente para que uma liga destes se faça ouvir impondo-se a que tal se concretize. O que me parece curioso.

Talvez honrando o podre compromisso do “politicamente correcto”…
Talvez para não “hostilizar” quem é “diferente” “segregando-o”, para não ter um “discurso de ódio” perante ele.
Talvez para em nome da “tolerância”, da “integração”…
…Ou então por medo. Ou por interesse. (Não sei qual deles o pior.)


Que não é da vida ou do futuro desses tecnicistas do pensamento que se trata. Mas das condições de vida que se permitem às gerações futuras.

Quem decente pode admitir que seja a lei corânica a julgar questões de “divórcio, violência doméstica, disputas ou heranças” num país europeu?

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Para ficar com uma ideia das linhas com que coserá um tribunal baseado no Corão, sugiro a consulta deste site, uma espécie de manual prático corânico, em “português”, adoptando as roupagens modernas do palavrismo soft.

1 – “Se o divórcio não for baseado em motivos Islâmicos, então o divórcio é no mínimo cencuravél e extremamente desaconselhavél.” “Quando o divórcio é baseado em motivos Islâmicos, então é permitido. No caso de a mulher ter carências em professar a sua fé ou ter fraqueza na sua honra, enquanto que tu como esposo não estás na posição de exercer influência sobre isto, então o divórcio é desejado.

2 – Falando de violência doméstica (que infelizmente traduzo livre por “direitos das mulheres”)…
2.1 – Niqab: “a mulher é obrigada a cobrir tudo, inclusivamente as mãos e o rosto. Esta é a afirmação correcta.”

2.2 – Excisão: “pode ser dito que alguns estudiosos, como ibnu Hazm ad-Dhaahiri, disse que a circuncisão de uma mulher é recomendada, e pelo menos isto revela que a circuncisão feminina pode ser considerada como permitida. […] Temos que considerar que este acto é permitido, e não necessário, obrigatório ou recomendado.”

2.3 – Sobre aquilo a que no Ocidente ainda chamamos pedofilia: “um dos últimos ataques ínimigos [do Islão] refere-se ao casamento do Profeta com Aisha. Eles dizem que é contra a natureza e perverso que um homem de mais de cinquenta anos se case com um rapariga de seis anos de idade.” “Todos devem saber que o Profeta na realidade casou com Aisha quando ela tinha seis anos de idade, mas o consumo do casamento só ocorreu no seu nono ano de idade“.
(E a quem se deslumbre pelo “simbolismo” do texto alcorânico, aconselho que se actualize. Um texto cheio de benções, “a única lei na terra“.)


2.4 – Casamento (da mulher!): “Uma das maneiras em que o Islão homenageia a mulher, é por lhe conceder o direito de ela escolher o seu marido. A mulher crente conhece este direito, mas não nega o aconselhamento e orientação dos seus pais se um candidato potencial passar de visita. Isto porque os seus pais só querem o melhor para ela, e porque têm mais experiência na vida e mais compreensão da natureza humana.
O Mensageiro de Allah disse: “Se alguém sobre quem vôces estão satisfeitos sobre a sua fé e carácter pergunta pela mão de uma das vossas filhas, casa [as vossas filhas] então com ele, porque se vôces não fizerem isto Fitnah [decadência moral] irá de ocorrer na terra e irá de espalhar imoralidade amplamente.”
O homem tem o direito de Qiwaamah [autoridade/supervisão] sobre a sua mulher, como Allah diz no Alcorão“.

2.5 – Sobre a poligamia, regozija-se por a porta se ir abrindo já na Europa…

…Etc.
Tudo isto escrito e claro para quem quiser lê-lo.
Num site soft, mais em tom de Relações Públicas que de Madrasah, em que cada “esclarecimento” se assume sentença com o selo inquebrável da citação do Livro e da exegese, normalizadora dos costumes e com peso de lei – uma Lei Universal, não destinada apenas aos fiéis mas dirigida a eles como disseminadores da Palavra ao género humano.
Na Europa a conquistar, na Rússia a converter, no Mundo

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Ao abrir uma porta desta natureza, o Mundo Ocidental – mais especificamente a Europa – perverte a sua tradição e perde a sua face.
Após séculos de história em que progressivamente adormeceu no aconchego indolente do “desenvolvimento” e do conforto, uma civilização vê-se colher paulatinamente o que semeou. Vê coroar-se um percurso suicida de debilidade e negligência.

Decadentes e majestosas,  Nações inteiras disfrutaram sem fim do sucesso da ciência e da técnica, da paz, da abundância e da longevidade, do prazer de existir. Descurando para lá do limite do imaginável o avivar necessário da chama da sua identidade – único pretexto válido para a sua existência livre.
…Como o foram fazendo, zelosas, Nações “menores”, de menores recursos, de menores realizações e menor relevo no passo épico da Humanidade, cientes, noutra escala, de que só o relato permanente do seu passado legitimaria a sua sobrevivência. No que lograram.

O afamado “Choque de Civilizações” é real. Mas não na acepção que vulgarmente se he dá.

No que toca à Europa, existe hoje um “choque”. Mas não entre dois blocos civilizacionais em confronto.
Existe antes um “estado de choque” em que se encontra uma certa parte de um bloco civilizacional que vislumbra em espanto um tsunami que se abaterá sobre si e ao mesmo tempo a absoluta apatia à sua volta… Esse, o verdadeiro “choque de civilização” na Europa.

Da convergência geográfica e histórica entre culturas distintas e intimamente divergentes, a que assistimos, nenhum “choque” resulta, nenhuma perturbação, a mínima agitação.
Tão-só a dolorosa confirmação da verdade física da natural inexistência de vácuo… Falta de comparência do Mundo Ocidental no concerto das civilizações, ocupação do seu espaço por uma miríade de canais de civilização que a infiltram ramificados, tentaculares e profundos.

Que nada disto seria forçosamente grave. Nada seria forçosamente mau… Apenas – mais – uma natural mutação histórica de hábitos, influências, regras em sociedades; como tantas idas e tantas a vir.
…Não fossem o radicalismo da mudança em curso e a determinação dos que prezam o seu modo de vida e o suor dos que lutaram para que ele se estabelecesse firme e crecesse com esperança no seu aperfeiçoamento.
Esses poucos, único obstáculo, último reduto da resistência à pilhagem da sua cultura.

Talvez fosse o momento histórico para a Europa parar e reflectir. Com urgência.

Para pararem e reflectirem os obreiros da “igualdade-indiferenciação” que tornaram a Europa uma folha em branco a ser reescrita. Já sem os claros referenciais morais judaico-cristãos por assassinato às mãos do laicismo desenfreado; já sem as claras balizas éticas humanistas europeias por assassinato às mãos de uma classe dirigente geralmente apostada no próprio governo da esfera que ocupa; já sem claras feições de ocidentalidade por pudor de ao assumir naturais laços culturais se melindrarem vizinhos geográficos e parceiros de negócio.
Para reflectirem os obreiros da “tolerância-desmazelo”.
Para reflectirem os obreiros da “multilateralidade-devassidão”.
Para reflectirem os vendilhões – em todas as Nações – dos mais básicos patriotismo e responsabilidade histórica.

Todos eles responsáveis pelo assomar ao abismo.

Assim o “politicamente correcto” soma e segue-nos na direcção de uma eira em que, insciente, seria degolado na primeira oportunidade, sem contemplações.
Assim os ideiais congenitamente alterados de “tolerância” ou “integração” levam invariavelmente a conceber o que não corresponde à prática e a praticar do que consequências não se podem prever.
Assim a opinofobia irresponsável impede uns de falar e veda a outros o acesso à informação que talvez lho suscitasse. Num ciclo fechado de toxicidade e decadência.

A Sharia, hoje, já passou a soleira da nossa porta.

Talvez seja a primeira vez que abordo este tema – ou pelo menos desta forma –  e cheira-me que não há-de ser a última.
“A Ameaça do Fundamentalismo Islâmico”.

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Atipicamente, todas as fotos deste post foram retiradas de fontes abertas na internet.

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[Com saudações particulares ao OB e ao JN.]
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