A Caça ao Estúpido

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Afinal parece que a malta das notícias já se vai descosendo, como eu pedia.
Não só já o Sol, mas a SIC, a TVI, o Correio da Manhã, o Expresso, o Diário de Notícias e outros avançam com “investigações”, informações, cruzamentos de dados, análises e questões formuladas directa e indirectamente aos protagonistas, numa maré de perda de respeito ao dono e de zarpar rumo ao que é o seu trabalho sério: fuçar na lama e encontrar as trufas.

É a isso que todos temos direito. É isso que nos confere o código deontológico do jornalismo.

“Parece” que houve asneirada da grossa no nascimento do Freeport de Alcochete. E que está a vir à tona.

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Houve uma conferência de imprensa, dada live, de urgência, pelo Sr. José Sócrates Pinto de Sousa sobre o caso Freeport (daqui em diante referido como Fripóre.)
Que colocou o País na posição em que prefere estar:  a da Caça ao Estúpido.

Na conferência disse então Sócrates sobre o Fripóre:
não se lembra da conversa que teve com o tio sobre pagamentos ilícitos de 4 milhões de contos para aprovação em Portugal, durante um “Governo” em que estava, do maior outlet de toda a Europa;
2º a única reunião em que esteve presente foi convocada pelo Presidente da Câmara de Alcochete à data;
3º aliás, o processo de licenciamento do Fripóre não contou com nenhum tratamento de favor da parte do Ministério de Sócrates, nomeadamente um especial desembaraço;
4º e muito menos teria o Ministério de Sócrates favorecido os promotores do Fripóre ao torcer as regras ambientais que regem o País e a União, reajustando limites de uma Zona de Protecção Especial da Natureza…

…O que não podia estar mais em contradição com os factos até aqui apurados, parecendo ser a afirmação peremptória de cada um destes pontos um evidente risco para quem o faz.

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O já famoso tio de Sócrates afirmou com todas as letras que ajudou os senhores que queriam fazer o Fripóre a reunir com o sobrinho – mal-agradecidos que nem obrigado lhe disseram – porque “um gabinete de advogados” os informara que o preço de aprovação do projecto eram “4 milhões de contos“, ao que responderia Sócrates ao familiar que não era nada disso, “ele é que tratava desses assuntos“.
(…Sendo muito interessante que Sócrates não tenha depois mexido um dedo para apurar isso de andarem a pedir milhões a terceiros sob pretexto de aprovação de projectos sob a sua alçada!…)
Mais: um primo de Sócrates terá mesmo exigido aos senhores do Fripóre um pagamento pela intervenção da família no processo.
Pontos 1 e 2 ao ar. (Mesmo que Sócrates renegue a família aspergindo-a com água benta.)

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Sobre a estranha eficiência do processo de aprovação do Fripóre fica tudo dito no taxativo despacho do primeiro juiz de instrução do caso, que considerou encontrar nele “várias irregularidades e uma celeridade invulgar“.
Sobre os – chamemos-lhes – “ajustes” que a Zona de Protecção Especial sofreu às mãos do Ministério do Ambiente a três dias de saída de funções, não só a SIC apresentou um boneco que torna tudo muito claro, como o Secretário de Estado do Ambiente que veio depois de Sócrates confirmou o que era por demais sabido: que a União Europeia veio a chumbar as alterações do Ministério do “Engenheiro” e as obrigou a recuar.

Tudo num sentido diverso do afirmado pelo Primeiro-Ministro.

Ou seja, esperemos que, mais uma vez, Sócrates não tenha falado demais embaraçando-nos a todos.


É que já houve outro momento extremamente embaraçoso para todos com características semelhantes estas, envolvendo o “sr. Engenheiro”.
Regressos ao passado, suspeitas de irregularidades, “estão todos contra mim!“, grandes esclarecimentos ao País“, “não é assim que me derrotam!“, lágrima no canto da alma, “não foi isso, foi parecido“, “ai que eu não me lembro!“, “eu andei foi com más companhias“, “mas alguém consegue provar alguma coisa?!“… Fim!

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Daí eu falar da Caça ao Estúpido.

Não me interessa tanto saber se Sócrates meteu ao bolso dinheiro que não devia.

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Não me interessa se Sócrates admite conversas com o tio e se elas os comprometem.
Ou se gente à sua volta ganhou com o caso o que não podia ter ganho.
Não me interessa.

…Ou melhor, interessa-me muito. Imenso!

Não preciso é disso para formular uma opinião.
Para me colocar ao lado ou contra gajos que “apenas” pelo que é garantido que fizeram, que “apenas” pelo forma como o julgam desmentir, facilitam muito a vida a quem queira decidir-se.

E a Caça ao Estúpido consiste exactamente nisto: ficar à espera. À espera que alguém em qualquer processo tenha sido tão terrivelmente estúpido que tenha metido a pata na poça. Que tenha cometido a estupidez suprema de deixar pontas soltas, rabos de palha a descoberto, em ilícitos criminais.
E fazer depender a opinião individual a que estamos obrigados do sucesso de uma caça a gambuzinos.

É isso o ficarmos à espera que “as entidades competentes” “apurem” e depois “se pronunciem”. Assim tipo, para não ser “injusto”, para não parecer “parcial” e tal…

Até lá, deixamos correr. Achamos indiferente – porque é achar indiferente o não apertar de imediato os calos a quem percebemos que meteu os pés pelas mãos onde eticamente lhe era vedado.
Deixamos correr. Porque é muuuuito mais confortável e a co
nsciência já não é o que era, nem a dos políticos nem a dos cidadãos.

Ora, as “entidades competentes” só podem pronunciar-se sobre o que é do âmbito estrito das investigações.
Só se podem pronunciar sobre matérias do âmbito da violação da lei.
Só se podem pronunciar sobre o que em Portugal faz prova.
Só se podem pronunciar no tempo próprio dos processos.

Eu não preciso das “entidades competentes” para julgar gravíssimos erros políticos – que elas não arbitram.
Não preciso
das “entidades competentes”para ter opinião sobre evidentes bizarrias técnicas – a que elas não chegam.
Não preciso de ficar à espera dessas “entidades” quando sei que a haver provas de violações de lei – caso do famoso vídeo inglês – pode dar-se o caso de elas não poderem sequer julgar à sua luz.
Não vou de certeza ficar
meses à espera de uma Justiça convenientemente morosa que se não me garante eficácia nem neutralidade, muito menos a solicitude que me permita uma opinião e uma posição como cidadão em tempo útil.

Por isso, boa caça. A quem gostar dela.

A minha conversa é outra.

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Efeito de Espelho

É hoje cumprida mais uma etapa na prova da palhaçada da Educação de Portugal, de novo com os seus mais salientes protagonistas em cena.

Vota-se na Assembleia da República uma coisa do PP sobre uma coisa qualquer sobre Avaliação.

Deve sem importante, tanto que o “Governo” não deixa os seus deputados votar como querem.
(“Ai não é o Governo?… Eu dessas coisas percebo pouco.”)
Tão importante que o “Governo” (…ou lá o que é) já disse aos deputados que não é para faltarem! (Diz o Ministro Augusto Santos Silva que é um  “assunto crítico“! ) É preciso estar toda a gente para barrar o PP e mais o resto da maralha!

Pelo que não se deve retirar daqui mais do que se espera…

Só retiro eu um pequeno detalhe deste quadro pitoresco.

É mais determinante a acção dos professores para corrigir o absentismo dos políticos que a dos políticos para reduzir o absentismo dos professores.

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Um “obrigado” não custava nada.

“Um Contra Todos”?

Detalhe do "David" de Gian Lorenzo Bernini

Como numa corrida aos saldos de Inverno, por toda a Nação da Educação os docentes acorreram a entregar os seus “Objectivos Individuais”.
Falo dos “Objectivos Individuais” que o Decreto-Regulamentar 02/2008 de 10 de Janeiro refere – o DR da alteração à Avaliação do Desempenho Docente. Onde o docente enuncia os “objectivos” que se propõe alcançar no desenrolar da sua actividade no intervalo de tempo a que a Avaliação de Desempenho diga respeito.

Acontece que eu não fiz a entrega dos meus “Objectivos Individuais”.
Tendo disso dado conta, como me competia, ao órgão de gestão do meu agrupamento.
(Como a Declaração que aqui deixo linkada regista.)

Encontro-me agora – pela obstinação de respeitar a minha consciência e os meus princípios – no compreensível receio do que me possa profissionalmente acontecer.
Não porque me tivesse entretanto arrependido – quem age ponderadamente e com raíz na sua honra raramente terá razões para querer voltar atrás.
Mas por ser humano, e tão frágil como qualquer pessoa que dependa do rendimento do seu trabalho, tenha uma família a seu cargo e preze ao mais alto nível o seu bom-nome. (Assim não fosse e muito mais longe estaria pronto a ir.)
…E por saber com quem trato, o tipo de gente de quem espero uma sensatez correspondente à minha. Por saber que da cegueira e na vertigem tudo é de esperar.

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Ocorreu-me um texto lapidar do HS que li no Hora Absurda. Estávamos nós naquele período engraçado desta história em que o Ministério da Educação inventou o envio por mail dos Objectivos para os serviços centrais.
Dizia ele nesse seu texto.

Ao meu avaliador vou dizer apenas isto: avalia-me se te sentes capaz de o fazer, mas não me peças nada, entra nas salas onde eu estiver a dar aulas quando bem entenderes, pede autorização para consultar o meu processo na secretaria, lá encontras tudo o que eu já fiz nestes anos todos, que abonam a favor e contra mim. Também lá estão as faltas que ingenuamente pensei que eram «a descontar nas férias», também lá está o processo disciplinar que me levantaram quando me recusei a fazer substituições, coisa que ainda hoje não faço nem farei. Encontras lá as acções que fiz sobre como fotografar igrejas e vacas a pastar, as acções de como recortar papel para fazer acetatos animados quando já havia Power Point. […]
Vá lá, força nessa avaliação. Estou no 9.º escalão, não me interessa já subir para o 10.º e último, faço 57 anos daqui a alguns dias, logo que tenha 30 anos de serviço peço a reforma e vou plantar batatas. Palavra de honra!

Só nos distinguem vinte anos de idade, uns bons escalões e o ter acedido há muito tempo às “substituições” – que tenho como um mal relativo.
No resto, revejo-me nas suas palavras.

Vivemos um momento de aventureirismo educativo. Que como tudo o que rima com “educativo” terá a seu tempo o impacto de uma maré na sociedade em que vivemos.
Quem decide hoje a Educação não mostra certeza de porque o faz, através de que meios ou sequer com que consequências.
– O que parece (des)compensado com a euforia desvairada de arrancar, avançar, forçar e fazer chegar a uma meta ficcional uma carroça cada vez mais desengonçada, que chocalha, perde peças a cada passo do caminho e põe em risco todos os que lá vão dentro.

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E este é o sentimento geral dos professores do País. Que só por motivos mesquinhos não põem os pés à parede e dizem “Basta!”.
Não me refiro a uma mesquinhez íntima dos professores – esse discurso é o de outros. Refiro-me é à situação em que a nossa “Democracia” nos colocou, a de não ser certo para ninguém que por discordar, divergir, por levantar a sua voz, não seja visto como um “deficiente social”, um indesejado, um proscrito na sua própria casa e um corpo estranho a eliminar.

Sabendo que não devem, por acharem que “não podem”, os professores (com algumas excepções pelo meio) vão transigindo. Vamos dizendo que sim. Vamos deixando que aconteça e que nos aconteça, preferindo o conforto de pensar que nada se pode fazer.

…Até ao momento igualmente confortável de pensar que já nada há fazer, tal o ponto a que as coisas chegaram.
E a vida continua.

Mas nem sempre pode ser assim.
Não quando as perdas são tão altas.

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O que fiz, fi-lo bem.

Por achar que devia.
Por manter – até às portas do desespero  – o respeito pelo processo e pela hierarquia a que ela me obriga.
Por tê-lo feito num timming responsável. Quando já não havia risco de a minha declaração fomentar mais confusão no processo de Avaliação do que a inevitável e já constatável.
Por tê-lo feito sozinho – como não preciso de mestres que me empurrem para o que acho justo, também não preciso de camaradas que me sustenham ou muito menos de discípulos atrás das minhas manias.
Por não ter pretendido fechar uma porta de que não tenho a chave – como dizia por outras palavras o HS. Se a Avaliação contempla os docentes, eu estou automaticamente por ela abarcado.

Se este modelo de Avaliação de Desempenho der frutos, serei o primeiro a beneficiar deles. Pelo que só posso esperar que, se avançar, seja o maior sucesso.

Entretanto, como expus na declaração que atrás referi, este modelo de Avaliação só me traz insegurança e incerteza pela efemeridade das suas regulamentações – permanentemente reformuladas e contraditas – fazendo com que não só o “conteúdo” e o “funcionamento” do modelo sejam elementos intranquilizadores no próprio processo, como numa perspectiva mais larga os seus “fundamentos” sejam passíveis de desconfiança, desaconselhando a adesão incondicional da parte de quem nele se encontra envolvido.

…Quando no nº 4 do artº 11º o DR 02/2008 de 10 de Janeiro diz ser “garantido ao docente o conhecimento dos objectivos, fundamentos, conteúdo e funcionamento do sistema de avaliação do desempenho”.

Não me peçam tanto.

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A história não está para acabar.
(Certamente a nível nacional, eventualmente a nível pessoal.)

Serão muitas as missas que ainda se vão rezar por este moribundo.
Muitas velinhas que muita gente se vai afanar a acender, com maior ou menor convicção.

O que é certo é que não devem contar comigo para as acender.
Ou para ter paciência para quem as acende.

Pior: cada vez mais são dois lados inconciliáveis, os dos que acendem as velinhas e o dos que as não acendem.
É que se o fundamental da actividade docente está noutro lado que não nestas tretas, não pode ser indiferente a ninguém profissionalmente sério julgar a degradação do que considera fundamental, na dimensão da origem do que o degrada e da identidade dos seus agentes.

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[Este post não teria sido possível sem a prestável ajuda do JPG do Apdeites – gente que tem rosto
para além da net e que no mundo real descubro ao nível da sua estatura virtual. A quem agradeço.]

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[Agradeço, como sempre, todos os comentários que tenham a deixar neste post – como em qualquer outro.
Apenas por motivos de ordem prática os comentários estão aguardando aprovação da parte do administrador.]

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Comer da Farta Pia

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Mais uma notícia sobre o dr. Armando Vara.
O heróico e inefável dr. Vara.
(O tal!… Ora, de certeza que se lembram!…)

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Mais uma vez é notícia e, curiosamente, não pelos melhores motivos.
(Manchete em mais um jornal “dos malucos”, que “não é de referência”, que “até é à borla” e por tudo isso não merece respeito…) 

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Já não é a primeira.
Mas pode bem ser a última, já que para um (eventual) inútil não deve ser possível ascender mais na meteórica “carreira”.

…Deus lhe dê muita saúde para gozar o que eu lhe pago.

Mais me preocupam outros.
Como por exemplo quem está à frente  do “Governo” da Nação.

E – não, – não é mania de perseguição.
Vão fazer uma pesquisa simples no Sapo com os termos combinados “Vara Morais Sócrates“, para ver aos sítios onde vai parar.
– Sim, este sr. Vara. Pois, o dr. Morais que deu na UnI as aulinhas milagrosas ao senhor “engenheiro” e de que Sócrates “já nem se lembrava”. Esse mesmo, o actual Primeiro-Ministro de Portugal. –
Vão lá ver o tipo de mixórdias em que TODOS eles se encontram (eventualmente) envolvidos…

…Os “boys” da Nação. Ou os “super-boys“. Putos ranhosos, que o foram, e que assim continuam mais que qualquer outro mortal, mais Armani, menos Armani.

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É esta a história desta gente.
Com especial relevo – porque é maior o relevo dos seus actos para o futuro da terra em que nasci – para a história do sr. Pinto de Sousa, hoje “Engenheiro Sócrates”.

De que eu não me esqueço. E de que ninguém se deveria esquecer! Se esta fosse terra de gente que liga mais ao que interessa do que às tretas que lhes metem olhos dentro barradas de lazer.

Para os que estão atentos mas que assumem que a memória pode pregar partidas, fica esta ligaçãozinha, para refrescar.
Singelo post. Sobre estas e outras marmeladas.
Sobre estes e outros banquetes públicos. Maneiras de fazer caminho e governar a vidinha.

Porque é que teimosamente continuo a não me dar por infeliz por não ter sido ensinado a chafurdar nessa pia de oportunidades, caramba?… Porquê?!…

Porca Por Cá

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Ouvi ontem – ou lá o que foi – o novo programa da Conceição Lino.
Uma espécie de upgrade do “seu” Nós Por Cá, que estávamos habituados a ver como rodapé do noticiário da SIC. Agora programa toda a semana, com hora marcada.

Por um lado vamos passar a poder ver com mais fartura casos de sinalização de estacionamento dentro de mercearias (se ainda restar alguma), facturas erradas chegadas a casa do sr. Adérito para pagar o que deve da passagem de ano em Andorra onde não esteve, um buraco aberto no quintal do meu vizinho que disse que lá ia pôr uma couve mas o mentiroso passadas duas semanas ainda não pôs lá nada parece que anda é a gozar comigo mas devia era brincar com quem lhe fez as orelhas, …
…Enfim, muitos outros casos da vida, que interessam tanto a toda a gente.
(Que a Conceição tem carinha laroca para televisão, fica bem no formato da mão na anca e já deu provas de não servir nem para pivô de notícias nem sequer para coordenar fóruns de opinião do povo!, portanto…)

Mas o primeiro programa já valeu.
Teve o Medina Carreira e bastou.

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(Medina Carreira, daquela raça estranha de criaturas que a Coutada do Pensamento deixa à borda do prato, por um lado porque é um velho e nesta terra higiénica, eugénica, espertalhota e finória os velhos não ficam bem no retrato, são inconvenientes e inestéticos – excepto, claro, os velhos que fazem parte da Coutada, esses, monumentos vivos à virtude superna dos povos. Por outro lado, é um maluco, ou seja, diz o que pensa – e onde é que já se viu, neste admirável mundo da Coutada, agora cada um começar a dizer o que quer quando quer?, que mau exemplo!)

Com a Conceição a cair no constrangimento de lhe perguntar, uma vez que se seguiria ao programa a “primeira grande entrevista do ano a José Sócrates”, o que esperava ouvir dele.
Resposta pronta, curta e seca: “Propaganda!
– Imprevisto silêncio incomodado. –
Ao que a apresentadora – varrendo as migalhas do que lhe caíra ao chão – reforçou: “Mas ‘propaganda’ porquê?”
Resposta seca, curta e pronta: “Porque é a única coisa que ele sabe fazer!

Mas aos mais formatados partidariamente é importante explicar que antes deste momento de antologia, já a bordoada chovera da mesma boca por igual sobre a cabeça de todos os “políticos” desta terra.
Numa comparação, neste “Por Cá“, da “política actual” à Porca do Rafael Bordalo Pinheiro. Demolidor!

É tempo de quem tem opinião a manifestar.
É obrigação de quem tem meios audiovisuais no seu bolso permitir a estes homens que falem.
É da mais elementar decência que perante uma invectiva destas – mesmo que sem recorrer à vergonha perdida – que a “política” tenha um espasmo de incómodo na esterqueira em que se rebola.

Nostalgia de uma época em que não vivemos e em que amiúde as questões de honra brevemente se resolviam sobre a pedra da calçada com umas valentes bengaladas.

(Porque ainda ficou por explorar aquela de “as pessoas não falarem POR MEDO“!)

Cíclico. Clínico. Crónico. Mas…

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Estou isolado, agredido e não tenho nenhuma disposição para deixar-me humilhar.
O que faz de mim uma ameaça potencial à convenção.

(…”Potencial”, que sou um tipo português, ocidentalizado e fleumático.
Que não faz mal a uma mosca, que quer paz e sossego e que para agravar tenta ser um bom cristão.
Mas…)

…Qualquer homem que não seja desprovido de coluna, cérebro e tomates (*), quando colocado sob estas circunstâncias, torna-se  um sério risco para quem o submete.

Estou farto de repetir que estou encravado entre um “Ministério” da Educação reles e autoritário – parte de um “Governo” autoritário e reles – e um sindicalismo comodista, bazófias e polichinelo.

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Por isso considerar lamentável que dia 11 não haja de novo Greve de Professores.

(Perceba-se que ainda bem que não há: não tenho ordenado que me permita infindamente dobrar dias de perda de vencimento – quadrados quando em casa os professores são dois…
E eu trabalho para me sustentar!)

Mas, evidentemente, a haver greve, seria o primeiro a aderir-lhe.
Porque se me disponho com colegas meus a manifestações, vigílias, greves, agravando-me os malefícios que os capatazes da profissão diariamente me impõem, esse é um acto evidente de desespero.
De inconformismo, de raiva, de resistência perante quem insiste em insultar-me e em exigir-me agradecimento, mas sobretudo de desespero. De esvaziamento de alternativas. De fim de linha.

Se a revolta está transbordada, é tarde para contê-la.

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Triste País, em que a qualidade das figuras públicas nivela à altura da cintura.
(Dizia alguém que “o estúpido é mais danoso que o malévolo“.
Enquanto que do malévolo se sabe o que esperar, a maravilhosa imprevisibilidade do estúpido deixa-nos na eterna surpresa do sentido do seu gesto.)

E deste surrealista “processo negocial” entre dois colossos da estupidez cada vez mais, por definição, parece irrealista esperar uma solução racional.

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Quando o “Governo” deu de caras com o Ensino descobriu nele duas oportunidades de ouro.
Primeira: a oportunidade de compensar a sua incompetência orçamental; sangrando-o sem pudores.a-custa-profs

Segunda: a oportunidade de fazer do “seu” Ensino a anti-montra da sua inépcia; incapaz de levar o País em frente, engendra nos resultados escolares prova para-povo-ver do milagre do seu toque; inábil na racionalização do Estado e do trabalho dos cidadãos, simula um desígnio e uma visão inabaláveis para a Escola aos olhos do País; impotente para afrontar verdadeiros grupos de pressão, veste-se de machão quando se dirige em palavras e actos ao Ensino e a quem o mantém – o que supostamente valeria de amostra.

E o “sindicalismo” assistiu impassível e mudo à soez cavalgada do “Governo” em ambas as selas…

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…Depois da monstruosa e pacífica aprovação das alterações ao Estatuto da Carreira Docente, do novo modelo de Autonomia, Gestão e Administração das escolas, das alterações ao Estatuto do Aluno, da introdução de regras de ingresso na carreira, assistindo – numa palavra – à desvalorização generalizada do papel e da prática docentes pelo “Governo”, apenas me resta o desespero perante o caos.

A maneira desta gente negociar é uma só: pelo achómetro.

Uns “acham” que aos olhos do público devem mostrar força, então cerram os dentes e falam dramaticamente grosso.
Os outros, vendo-os enrijar, “acham” que não podem ficar atrás aos olhos do espectador e não mostrando fraqueza falam mais grosso ainda.
Os primeiros “acham” então que pode ser aconselhável variar o disco e mostrar abertura, então transigem sem explicação.
Os segundo, “acham” que estão a ficar expostos de carrancudos e transigem ainda mais, não podendo ficar atrás…
…Pelo meio, todos eles, quando transigem afirmam raquíticos a sua pujança, enquanto se obstinam proclamam grosseiros a sua abertura.

Num grande movimento circular. Digno da atenção clínica adequada. E que dificilmente tem remédio.
Não fossem estas a Terra e a gente que tão bem conhecemos.

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O “Ministério” da Educação não sabe o que anda a fazer. (Concedo-lhe o enorme benefício de acreditar ser esse o seu motivo!) Nem quando meteu as escolas na fossa em que se encontram, nem nos sketches aleatórios e viciados de “revisão de regras” de jogos de miúdos.
Os sindicatos passam por tudo a dormir. (Talvez a prova de que afinal os pobres não são verdadeiramente profissionais da sindicância…) Tanto no princípio deixaram instalar-se o abuso, como agora não têm respostas cabais para obstáculos específicos – porque infelizmente, mas em verdade, nalguns aspectos a sua noção da Educação é igual à do “Ministério”.
(Os professores – a sério -, claro, confirmam não ter iniciativa própria para escusar muletas e enfrentar os seus problemas (em que o “sindicalismo” se inclui).

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Mas…

(“There’s always a big but…“)

…Não é líquido que uns e outros não se possam entender.
Ou que não saibam como entender-se.
Melhor: que não venham a entender-se à margem dos professores, salvaguardada que esteja a parte de cada um.

A “participação” nestes processos é uma ilusão que eu não tenho.
Pessoalmente tenho mais a ilusão da INTERVENÇÃO…

Se nada dura para sempre, um dia este País terá de ver uma mudança.
E era bom que começasse já.

(*) Como toda a gente sabe, o tomate é um bom anti-oxidante.

Grave. Greve!

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Está dito o que havia a dizer.

(Ou talvez não esteja. E talvez não houvesse desde o início nada para ser dito…)

Neste momento, tudo está perdido. O nexo, o momento, a oportunidade, a face.
Por todos os jogadores do tabuleiro da Educação…

…Em que os professores não se contam!

Responsáveis pelo comodismo de não ter impulsionado a tempo a mudança, são corresponsáveis pelo caos.
Mas têm do seu lado o sólido álibi de ter estado demasiado ocupados a tratar dos Filhos da Nação. Inclusos os dos políticos e os dos sindicalistas.

Abandonados desde sempre pelos tuteladores de uma Educação negligenciada e manipulada, os professores mantiveram no terreno aberta ao (seu) público a porta da Escola possível nesta Nação à deriva.

Até que a Política, a par do seu histórico, crónico e criminoso desleixo pela Educação, decidiu perverter de vez o que ainda mantinha a Escola de pé e os professores em funções com um resto de dignidade. Tudo por um punhado de moedas e pela miragem de tornar a Escola um objecto do seu prazer.

Mas quem está nas escolas – sempre esteve! – não pode ceder sem luta!

A menorização das competências dos docentes para universalmente poderem deter responsabilidades de organização, o engendramento contabilístico e – por isso – cego de categorias sem correspondência à qualificação dos profissionais, o envenenamento da representatividade e participação na gestão escolar… E a mentira. E a manipulação e a chantagem…

Nada disto é a Escola.
Nada disto queremos ensinar aos nossos miúdos.

…Que se depender de nós crescerão muito diferentes dessa gente. Para lhes não continuar nem a gesta nem a miserável linhagem.
Que será deles – e nossa com eles – a vida nova de amanhã.

E no amanhã que me cabe, faço GREVE!
(Ao que um Homem chega.)
Amanhã e depois! E quando for!

(Convocar greves: único préstimo que aos sindicatos resta.)

A manifestação de desagrado já vai longe. E o inconformismo, e a revolta, e a repulsa.
Hoje, tudo que fique aquém da defenestração do friso que decora o meu Ministério, mais a sua podre argumentária e toda a sua corrupta semente, é menos que nada.

Que o caminho para onde corre Portugal é grave.
E ainda não desisti de me recusar a ter vergonha de ser professor!

(…Fazendo votos sinceros de que o meu primeiro motivo de vergonha não nasça já amanhã do comportamento dos que me ladeiam.)
    

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