Correcção…

Lia hoje nas notícias do Sapo: “Índia: maior democracia do mundo vai às urnas.”

Ora, lamento desmentir o Sapo e a France Press, mas a Maior Democracia do Mundo estou farto de dizer que são… os Estados Unidos da América.
(…Qual merceeiro que prega certezas aos fregueses das sua loja de bairro.)

Por excelência, “A” nação do mundo moderno a nascer de uma revolução de independência; “A” revolução dos Direitos do Cidadão; balão de ensaio para a Revolução Francesa, essa sim, endeusada como o farol da ética política europeia.

A Índia… enfim. Ainda faz muitos filmes.

Advertisements

Compreendo…

42-21127679

Compreendo muito bem quem me diz que já não tem paciência para Bush, depois de dois mandatos tão compridos.

Compreendo-os muito bem…

É que Obama ainda agora está a tomar posse e eu já nem posso ouvir falar dele!

(…Assunto a que voltarei já, como é evidente.)

Não…

42-20206628

…Se estivesse nos States não votaria Obama.
(Eu sei, “que chatice”, “sempre do contra”… Mas que fazer?…)

Por uma razão singular: é-me demasiado familiar a sua cassete.
…Semelhante a uma que ouvi tocar ultimamente há uns três anos e tal atrás. Dum artista menor – fraco compositor, fraco intérprete – mas que levou muitos na cantiga e ainda continua a encher casas. – Está para se perceber como.

A semelhança dos seus métodos políticos com os de José Sócrates é avassaladora.”, escrevia o Orlando.
E eu assino por baixo.

Se calhar hoje nos States – como em portugal há três anos – há quem procure a “mudança”, a “juventude”, a “abertura”,… Basicamente algo diferente…
E arrisca-se a tê-lo.

O que é muito giro é que quem pensa um bocado facilmente o percebe.
Para o exemplificar, deixo um clip de um dos republicanos mais malvados que se conhecem.
(“Bandidos!” “Más-línguas!”)


Ah pois!

Certo certo é que a mim Obama não metia no saco.

Daí para a frente, ponho nas mãos de Deus.
…Que sempre provê.

natebeeler-godobama

“World Under Obama”

(...Com dedicatória àqueles a quem a secreta admiração pela América força à renegação.)

Consta que Obama já ganhou as eleições americanas.
(O que espremido na mão ainda pode vir a valer tanto como a vitória de Kerry ou de Gore.)
A comprová-lo, a parada de “Obamas-desde-pequeninos” que se lhe vão emplastrando à passagem. 

…Sabe-se que numa boa campanha de marketing garante quase tanto a mentalização para a compra como o momento da compra em si.
E se o eleitorado (tendencialmente conformado, pachorrento, seguidista…) acreditar na inevitabilidade de um resultado certamente ele acontecerá.
(Excepto se, contra todas as expectativas da “intelectualidade” americana, mais uma vez a América “parola”, “rural”, “ignorante”, “retrógrada”, não der a volta ao resultado e não afirmar a sua voz noutro sentido…)

Certo é que na Europa Obama ganharia com pompa e circunstância!
(…O que, bem entendido, não passa de uma força de expressão, uma vez que tão obamófilo e moderno continente já elegeu até ao dia de hoje 0 cidadãos negros.)
“Obama é que era! Deus lhe dê saúde!”

Só que muita desta euforia nasce de uma clínica mania de inferioridade que era tempo de ir acabando – mais: que só acabando nos permitirá (Nação, Europa, Ocidente) afirmarmo-nos psicológica e civilizacionalmente.

“Um democrata Obama abriria as portas ao multilateralismo global…” – O que cinicamente se pretende não é a melhor escolha para os Estados Unidos. Ou diria sequer para o clima de relacionamento entre as Nações da Terra.
O que se fita é, aliviada a pressão militar e diplomática de uma América hegemonicamente sufocante, apanhar-lhe migalhas do chão e abocanhá-las sôfregas, entre empurrões e delírio, as demais Nações aspirantes a “potências mundiais”.
Não sabendo afirmar-se de forma autónoma, a Europa anseia por vir a ter uma América “amiguinha” do outro lado da rua atlântica, que não lhe dispute em vantagem o palco e os proveitos, que a deixe ir aparecendo. Porque isso da “paz no mundo”, da “sustentabilidade do planeta”, do “desenvolvimento e da equidade” é tudo muitíssimo relativo – pelo menos na prioridade.

Acontece que, ganhe quem ganhar em Novembro, tanto a Europa como o mundo continuarão sob influência (não digo “controlo estratégico” para não chocar ninguém) dos Estados Unidos. E ainda bem.

“Ainda mal”, quando me confronto com o meu orgulho pátrio – que o tenho. Com o orgulho – hoje bastante envergonhado – de dizer-me português. De um País que desejo livre, democrático, poderoso de alma e com um futuro pela frente.
Mas inequivocamente “ainda bem” no contexto de um mundo que aplica a regra crua de não existir vácuo na geoestratégia: não há espaços por ocupar, não há espaços em branco. E se uma força civilizacional, política, ideológica, moral, não ocupa o espaço, alguém proveitará para o fazer…
…E a Europa é um tudo-nada cultural que se limita a ocupar um espaço geográfico. Como peso morto de civilização em que se vai tornando.
E as ameaças existem.
E se geneticamente a Europa e a América estão ligadas – quer agrade, se abomine ou nada pese – alguém vela activamente pelo resquício da nossa identidade.

Claro que há quem goste mais de chazinhos.
Desviar a conversa para outro lado.
Quem escolha fazer-se desentendido, brincar aos analistas ou aos “americanos virtuais” e “preferir muito muito muito” Obama a McCain, como se num momento libertador de escolha vital lhe rasgassem o peito inflados sentimentos de impertinente pureza política.

A questão para mim é simples. É preferível para a Europa fazer parte de um mundo sob Obama ou sob McCain?…
Não sendo para mim a resposta clara ou fácil. (Ao que hei-de voltar…)

Entretanto, como exemplo de que estar debaixo deste ou daquele às vezes é uma mera questão de circunstância, fica um clipezinho da palhaçada – que desde os primórdios se sabe que são os mais certeiros…
…Só para refrescar a memória. 

Os Empatas

“Ai que horror, e tal!”, que o sistema financeiro americano começa a estalar de inchado…
– Após décadas de corrida cega para o abismo, o Way of Life moderno ameaça o colapso.

Começam a chover pesadas sobre os mercados provas finais que atestam – além das conjecturas apocalípticas e por isso sempre despiciendas – que as espirais de endividamento não são auto-sustentáveis…
…E que a Finança – por mais conceptual, hoje a anos-luz do dinheiro no colchão – perante as naturais convulsões do mundo lhes está tão vulnerável como sempre.

E que quem deve, deve sempre; quem há, sempre haverá.
O que pode variar são meras taxas de juro.


O comum mortal acreditou MESMO na história de que a material modernidade lhe supriria não só as necessidades como as veleidades.
Que a sua alma se completaria, satisfeitas as promessas de uma generosíssima Babel bancária.
Que ocuparia o seu lugar devido na intrincada arquitectura da felicidade global ao fazer a ínfima parte que lhe cabia: pôr o seu pescoço no cepo… E o dos seus. E o dos vindouros. E – sem o saber – o pescoço do próprio circo inconsciente que alimentou e que ao afundar-se consigo o afundaria ainda mais baixo.


Estas são as notícias na têvê.

Outra coisa são as interpretações dos factos.

Tenho ouvido inúmeros “comentadores” “comentar” nos seus “comentários” que observamos hoje, através destas convulsões de capitais, a queda – ou pelo menos, vá lá, o tropeção – de uma sociedade americana e do sistema materialista em que culturalmente chafurda e com que vai porfiando na intoxicação do pobre mundo normal. Berço do capitalismo que hoje tão cabo dá do que tanto trabalho deu a conquistar em todos os continentes aos mouros dos libertarismos e dos igualitarismos.

…Mais: se observámos nos 90s o esboroar político do Bloco Soviético nas mãos dos seus dirigentes – que não souberam cumprir o ideal e o ideário socialistas – observamos hoje o desmoronar do que restou da Guerra Fria, o resquício vergonhoso de uma Nação arvorada em superpotência mas minada por um cancro social cujos sintomas agoram se manifestam agudos.

Teríamos assim, hoje, perante nós, o cair de um pano adiado.
O desenlace protelado de um desafio a que alguns atribuíram prematuras vitórias e derrotas, mas que agora se afirma como acabando num empate.


Acontece que – como de costume – discordo deste tipo de análise.

Ver assim o mundo e o dia de hoje é manifestamente míope. E desonesto.

Colocar em dicotomia o socialismo (soviético ou outro) e o capitalismo americano, no patamar comum dos erros que se equilibram e anulam se simultâneos e que grassam viçosos se solitários, é um exercício grosseiro.
Equiparar em natureza um sistema político com um aspecto de outro distinto, misturar de forma tão espalhafatosa alhos e bugalhos, facilmente se confunde com um expediente de diversão e ilusionismo.

O socialismo não é confundível com uma economia de mercado.
Como a democracia não é confundível com uma economia planificada.

Uma economia mais ou menos aberta – com os seus pecados próprios – é confrontável com qualquer outra diferente.
Um regime mais ou menos respeitador da identidade e potencial do indivíduo apenas rivaliza com outro sistema complexo e completo com propostas contrárias.

Evidente…

Sendo fácil desmontar a falácia.


Como poderia um regime chinês conjugar com tanto sucesso o exercício de um poder totalitário de esquerda com uma economia de investimento, produção e comércio tão “capitalistas”…

Como poderia um regime russo conjugar com tanto sucesso o exercício de um poder totalitário de esquerda com um figurino social, cultural e político tão “capitalistas”…


Como poderia um regime cubano conjugar de forma tão esquizofrénica o exercício de um poder totalitário de esquerda imposto ao seu povo com uma paralela vivência paradisíaca de Estado-resort tão “capitalista”, coincidentes no espaço…

…Se o socialismo não fosse também ele tão passível de albergar – mutualista – ao seu seio farto e entumecido o expedito “capitalismo”?

E é aí que radica a questão: só por limitação cromática de interpretação se pode continuar a afunilar obssessivo nos Estados Unidos a “paternidade”, a “sediação”, a “responsabilidade” ou o ónus da “exploração” dessa coisa do “capitalismo”.

Após ter dado ao mundo o mote para o estabelecimento de Nações livres e confiantes no futuro das suas mãos – quase 15 anos antes dos revolucionários franceses! – muitos foram os povos que mais tarde ou mais cedo optaram pela democracia republicana como o sistema que os governasse.
Pela liberdade de intervir ou de se resguardar, de agir ou de se abster, de optar, na relação consigo mesmo, com os outros, com o Estado,… ou com o mercado. (Repito, desnecessariamente, “com todos os pecadilhos e falhas que às liberdades vêem apensos”.)
E muitas Nações adoptaram hoje essa liberdade financeira – quer enquadrada em sociedades genericamente livres, quer como uma tranche de “liberdade cirúrgica” que as sustenta…

O que não é bom nem mau. É um facto.

Espantoso é o apartheid civilizacional auto-infligido por alguns, que numa cirurgia a frio se amputam de um corpo global a que pertencem, apenas pelo penhor de poder “de fora” – quiçá “independentemente” – elaborar juízo sobre aquilo que os demais por força do comprometimento não alcançam.

Prefiro por isso fazer votos de que o terremoto financeiro “norte-americano” seja a tempo minorado.
Que os “capitalismos” latino-americano, europeu, africano, asiático, oceânico não sejam afectados com  violência.
Que as economias de mercado nacionais, regionais ou global possam manter-se estáveis. – Só assim o porco do “capitalismo” poderá ir sendo amestrado e corrigido como deve, num globo – liberto há mais de uma década da sombra do derrotado socialismo global – exigente e humanista.

…Mais que armar-me em empata e, num momento-chave da nossa vida em comum, confundir tempos, perder contexto e ficar, inútil, sozinho num canto, de bandeirinha na mão, a falar a língua de um homem só.

Exemplo e Liderança


Dia de Memória no mundo.
De como qualquer Nação – qualquer Povo – é vulnerável às ameaças invisíveis que a rondam sinistras.

Lembrete da necessidade de a maior democracia do mundo se repensar de forma inteligente, de se definir com objectividade, de escolher um caminho em consciência e convicção. E o mundo com ela.

Exemplo e Liderança precisam-se.

Pedro Nunes no Mundo Americano

Tenho uma surpresa para todos!

Parece que as regras das eleições americanas mudaram à última da hora!
…E eu decidi avançar.

Agradeço por isso o vosso maior apoio!…

(Apesar de a campanha já não estar a correr nada mal.)

Vodpod videos no longer available.

Com uma piscadela de olho ao Retrossexual.
Posted in Uncategorized. Tags: , , . 3 Comments »