“Bedtime Stories”

A caminho de uma noite de sono o pai puxa pela cabeça e conta ao filho a história inventada mais caprichada que consegue…
…Heróis (“aqueles”, especificamente, e não outros), contextos (verosímeis e testados), narrativas (com paragens e apeadeiros definidos), tudo artesanato, tudo improviso! Durante um leite bebido atento e algumas pausas pontuais para rectificações do reconto.

Chega ao fim o fio da aventura, o leite e o dia.

“Então? Foi gira a história?…” (“Claro! Tanto artesanato, tanto improviso!…”)

“Foi. Mas podia ser mais… Mas é normal!, como és mais velho não tens tanta imaginação…”

Sabes?, tens toda a razão, filho.

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DIES MEMORIAE

A 26 de Abril de 121 nascia o futuro imperador Marco Aurélio.

Um homem que reconheceu a natureza da sua presença num Universo em movimento, em que tudo passa.
A matriz que assemelha os Homens e os aproxima de Deus.
A inevitabilidade da Virtude como linguagem da Verdade.

Mais uma vez lhe regresso e à presença dilúvica da sua sabedoria que adiadamente não verte sobre as nossas cabeças…

…Reconhecido e – contra os seus ensinamentos – ansioso.

Uma Vela

Ao lado das palhaçadas que se assinalam hoje, realiza-se à noite pelo País uma velada (que termo tão pateta…). Uma de uma sequência que vem tendo lugar.

…Pelos milhares de vidas interrompidas desde a benévola entrada em vigor da alterada Lei do Aborto a 15 de Julho de 2007.

Vão agora a caminho de 30.000.

Bati-me muito, nessa altura, dentro dos limites dos meus meios e da minha contenção, contra o que considero ainda ser um daqueles produtos culturais de consumo imediato que caracterizam a triste civilização hoje – e contra os quais me indigno.
E mantenho a mesmíssima posição.

Dizia eu, então, sobre o dia seguinte ao da derrota pessoal que senti no referendo realizado:

Quem se ouviu na noite de 11 exigir aos “governantes” deste Estado alternativo as condições sociais, profissionais, financeiras, familiares e afins, que sustentem a gravidez de uma mulher portuguesa?
Que lhe permitam escolher. Encarar o seu futuro.
Que a resgatem do aborto – o tal mal indesejado – que candidamente se lhe oferece.
Quem se ouviu dizê-lo alto? Ninguém. Absolutamente ninguém.

Os “do poder” não se arriscam. Isto é, não se comprometem.
Os “das franjas” querem mais. Mais um voto aqui e ali. Hoje, já, que o tempo corre.

O aborto clandestino, que agora se normaliza, nunca foi o problema.
Nem as condições do fazê-lo.
Nem a pena a sujeitar-se mulheres para ele empurradas.
O problema é O ABORTO. Sempre foi e há-de ser. O drama, o perigo, o inimigo.
E a questão vertical – que nunca teve resposta porque nunca se perguntou – seria o que há a fazer para que ele nunca aconteça. Para que nunca seja a saída.

…E repito cada palavra.

Denunciava a hipocrisia e a inconsciência.
De nos permitirmos discutir e isolar pormenores do horror, simulando que por isso ele deixasse de o ser ou se tornasse aceitável.
De nos permitirmos mesclar (por vitória dos discursos ou por mera displicência) – num caldo fétido de horror – o que de mais maravilhoso a vida encerra em si: o legado generoso da sua continuidade.
…Despromovido de súbito a espécie de incómodo de uma civilização.  

Vi de novo, ainda há dias, o belíssimo A Lista de Schindler. O tal que foi aplaudido. O tal que ainda é mostrado piamente aos nossos jovens, como papão pedagógico face aos perigos iminentes para a liberdade do mundo.
O tal filme que tinha como tag: “Quem salva uma vida, salva o mundo inteiro.”

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…Mas isso não deve interessar.
Hoje, aqui, neste contexto.

Por isso fica uma vela, de tristeza e pouca esperança.

Os Filhos da Puta

…ou A Véspera do 25 de Abril 

O R. não teve culpa.
Esteve na rua errada quando alguém era atacado por um bando de selvagens e pretendeu intervir.
E daí não saiu bem.

Foi a pior das escolhas. Na sociedade porca que temos, os actos de nobreza e bravura escorrem como lixo solto varrido em aluvião para a sarjeta da indiferença. Para mais, os de um miúdo.

Mas nem os selvagens cobardes tiveram a culpa a sério. Umas bestas sem cabresto, bichos mal domesticados.

Culpados?, os Filhos da Puta coveiros de um Abril que nunca chegou a ser nem se deixará chegar. Todos! Todos, todos eles.

Todos os que evocados, invocados e convocados às exéquias anuais da nossa “Revolução” desfilarem este ano mais uma vez em infindável maratona encenada.

Todos os que, à nascença, tentaram subverter o princípio puro e simples do viver em liberdade, querendo colonizar à força o País e o bem-comum.
Todos aqueles que, depois, por tíbios e incapazes não sonharam à altura de um Sonho prometido, nem agiram à altura da História de uma Nação.
Todos, por fim, os que hoje, num País podre e estagnado, vão impingindo cartilhas, atamancando respostas, simulando-nos saídas, arrebanhando sentires para sua promoção, predadores do que resta, coveiros de um Abril que nunca chegou a ser nem se deixará chegar.

Filhos da Puta, hoje, todos, aqueles que dão corpo e textura à camada grassa de sebo da nossa democracia. E que assim a vão mantendo, porque tal lhes aproveita.

Todos os que brincam e gozam no recreio da política com as vidas de quem paga.
Os que têm as mãos sujas do hipotecar a Nação, tanto ontem como hoje. Os que não lhe deram progresso nem lhe dão educação. Os que não lhe dão a regra porque numa selva sem lei mais imperam os tiranos.

O R. não teve culpa de ser nobre e ser ingénuo. De um lado o seu feitio, de outro a sua idade… – nenhum digno de censura.
Mas nem os selvagens cobardes. Que numa terra normal, da decência e consciência, sofreriam quarentena do convívio dos humanos – atendendo à primazia da segurança e da paz – para mais tarde poderem, recuperados, completos, voltar à vida comum, com tudo que têm a dar.

Acuso os Filhos da Puta que olham a sociedade como enorme variável dos seus planos pessoais.
Acuso-os de não nos levarem – cegos e enfileirados – a caminho de coisa alguma.
Acuso-os de delapidarem, vis, grosseiros, debochados, a Educação de um povo e um futuro por inteiro.
Acuso-os do mal repetido que se tolera em desleixo.
Acuso-os de provocarem a perda e simularem o seu espanto.    

Ontem, véspera de feriado do Dia da Liberdade.
Hoje festança e orgia.
Não é assim que eu os sinto. Nem os que conhecem o R.

…A quem dou o meu abraço.

Coincidências

Ah, que bom! O PS admitiu que a propósito das “Europeias” se fale de “assuntos nacionais”…
Que bom! Assim já se podem fazer campanhas totalmente democráticas, sem ninguém com receios de ir contra a voz do dono.

Que ternura!…

Por falar nisso, encontrei uma foto inédita – que partilho convosco – do recente abraço de Vital Moreira à causa de Sócrates. 
…Que fôfo!

  

Dia da Terra

Sim…
…Eu sei que já passou. O Dia da Terra.
(O que mais ou menos atesta o que o cidadão comum se está borrifando para a “efeméride”.)

Mas ainda o marco porque me diz alguma coisa. Porque assumo (algum)a responsabilidade do que dou a viver e do que deixo a quem vier.

…E porque gosto muito da minha terra. Explico-vos porquê.

Companheiros na Estrada…

Alguém me disse que talvez aparecesse por cá…
…E como bom anfitrião, quero estender um tapete novo, pôr a melhor toalha e convidar a entrar. 

Bem-vindos os companheiros de estrada.