A Parte Melhor Que o Todo

Vi o anúncio na rua. E depois na TVI. E depois na net.
…E então fui aprofundar.

Diziam uns malucos que vinham a Portugal os ABC, a Belinda Carlisle, os Curiosity Killed the Cat, a Kim Wilde, o Nick Kershaw e o Rick Astley!
What?!!!…

Para começar, se me perguntassem, não garantia que uma parte deles já não tivesse morrido ou não andasse atrás de um andarilho.
Depois, isto é uma autêntica tsunami a abater-se sobre Lisboa, à escala do Napoleão e da Gozilla. (Um que chegou mesmo a vir cá, outra que entretanto se perdeu ao dobrar um cabo qualquer.)
Por fim,… foi só um suspeito frio no estômago. (Estranho, aliás, para quem como eu é tão – nostalgicamente – simpatizante da música dos 80’s.)

…Que acabei por perceber.
Quando o espectáculo “Here and Now” me propõe “Aqui e Agora” encontrar todos estes cantores, torna-se-me claro que por vezes a parte é muito melhor que o todo.

É que se não me importo nada de os ter “Agora” comigo – tanto que os transporto como bagagem de que não me saberia desembaraçar – não me interessa absolutamente nada tê-los “Aqui”.

Ou seja, quando de vez em quando ainda oiço os estilosos ABC ou Nick Kershaw, as dulcíssimas Kim Wilde ou Belinda Carlisle, os urban-chic Curiosity Killed the Cat ou o Rick Astley – de quem de momento não me ocorrem epítetos que o favoreçam – oiço-os “Agora” mas nos anos 80. Sou transportado para uma época castiça de penteados esquisitos, ritmos descomplexados, rimas um bocado fáceis e coreografias exuberantes – em que era puto – e é esse o gozo que me dá.

…O “Aqui” era perfeitamente assustador. Uma viagem no Combóio Fantasma do parque temático da música.

Grande parte do prazer da música é o imaginário que a acompanha e que ela transporta. (Queria eu lá agora ver o estado em que estão os ossos do Mozart!…)
E esse imaginário depende de uma ilusão inocente de eternidade, demolível pelo choque inesperado de um confronto com a realidade. Umas divas avozinhas, uns galãs de prótese, um imaginário esboroado.
(No outro dia ia morrendo ao ver umas fotos da Cindy Lauper na praia! A “efervescente-colorida-jovial-amalucada-Cindy Lauper-dos-80s…)

Portanto, fiquem lá com o todo, que prefiro a parte.

Se preferirem também, ficam aqui uns clips que ajudam a manter a ilusão.
(E não vão à procura no YouTube de espectáculos anteriores do “Here and Now”. Com Cutting Crew, Bananarama, Kid Creole, Paul Young e outros. Poupem-se.)

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