…Estimada Leitora

Ainda há pouco tempo assinalei aqui uma capa da Visão a que achei muita graça.

Explicava aos mais distraídos o que é hoje “um homem”. (Pois, sem maiúscula, para não confundir…)

…Uma espécie de uma coisa cada vez mais distante dos “egrégio avós”, cada vez mais alérgica ao ser de quem o pôs no mundo e de quem lhe limpou o ranho do nariz, basicamente cada vez mais longínqua do que até há bem pouco tempo atrás era considerado “um homem”, quanto mais não fosse pela contraposição óbvia do que é “uma mulher”.
(Numa capa – ficou por aí a leitura de um dinheiro que não dou a ganhar a “jornalismo” desse – em que a mixórdia entre o fundamental e o estúpido era patente, num caldo alarvemente modernaço.)

Agora passou uma capa da Sábado (que consegue ser pior que a Visão) com os seguintes dizeres.

Ficamoa a saber portanto que o que está a dar no universo feminino é soltar a franga! Para quem queira fazer parte dos ventos de mudança, do progressismo, da modernidade.
– Quem gosta, por gosto, quem não gosta, porque é “moda” ou porque “é uma tendência cada vez mais mostrada em novelas e filmes“. E toda a gente sabe que contra a moda não há poder de Deus que valha.

Depois de a homenzarrada da camionagem e da estiva ter ficado informada pela concorrente que ou começa a amaricar-se ou acaba num museu, a Sábado dirige-se ao público feminino – como uma nova Revista Maria – mostrando às suas estimadas leitoras a via de quem se avia. O que está in ou out no fértil reino animal.

(Fica-me a recôndita dúvida de onde vão estes ordinários buscar estas “peças jornalísticas”.
Não “ordinários” num sentido moralista. “Ordinários” num sentido objectivamente valorativo, de análise da qualidade do trabalho feito – “jornalismo”, diz-se…
“Ordinário” na acepção do reles, do rasca, do superficial, do fácil e do ficcional em imprensa.)

…Se calhar ninguém fez ainda foi a leitura cruzada das duas capas!

Será possível – porque tudo é possível e eu também tenho o direito a inventar um bocado – que uma capa derive da outra?
Ou seja, que a (alegada) vaga de experimentalismo sensual do mulherio tenha a ver com o facto de os homens andarem a ficar cada vez mais parecidos com elas?
Terá a ver com o facto de estar (eventualmente) a escassear o tal referencial masculino de outras alturas?
(E haverá alguém interessado em que ele escasseie?)

Para já, faço por isso aqui, pela primeira vez, uma banquinha de sondagens no meu modesto belogue.
Não há como tirar a limpo.

– E desta vez estou MESMO interessado em ter o O MAIOR NÚMERO POSSÍVEL de visitantes neste post e de colaboradores no teste! –

Cá vai. APENAS PARA AS SENHORAS.
(AOS CAVALHEIROS, PEÇO QUE DIFUNDAM O PEQUENO TESTE…)

Estimada Leitora, complete (confidencialmente) por favor, da forma mais honesta, a seguinte frase.

Resultados virão.
E eu de novo a este ponto.

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4 Responses to “…Estimada Leitora”

  1. almamater Says:

    diz-me, queres mesmo que eu faça o teste. é queucá nunca tive pensamentos destes ou doutros…

    ok, agora a sério. fale-se em crise de todas as cores e, se possível da cor do dinheiro, que a economia tem cor, sabias? mas doque ninguém fala é dessa outra crise, de valores que, essa sim, vai deixar o país penhorado até que o futuro já não aguente nem nós.

    desculpa-me pela demora, sim…?

    beijo, beijo, beijo,…

  2. Maria João Silva Says:

    Confesso que já não me surpreende que faças este tipo de teste, porque ultimamente também tenho sentido que anda no ar uma vaga de experimentalismo do mulherio, o tal “soltar da franga”. Ventos de mudança, moda, tendências, não sei bem mas que os homens andam a ficar cada vez mais parecidos com elas e que o referencial masculino de outras alturas está a desaparecer isso é um facto.
    Mas não fiques preocupado porque apesar da “tendência” as “mulheres” não vão desaparecer da face da terra.
    Desculpa o atraso mas não quis deixar de registar que ainda pertenço ao grupo das mulheres á antiga portuguesa. Bigada pela oportunidade!!!

  3. anape Says:

    Votei. Queria contudo, salientar 2 coisas.
    Primeiro: Já não Homens, porque também não há Mulheres. Existem, sim, umas “coisas” maioritariamente mimadas e altamente imaturas (ambos os géneros oficiais, porque quantos aos demais, serão “mutações hedonistas e relativistas”).
    Segundo: admito que a maioria das mulheres tende a competir com os homens (daí, o soltar da franga). Deixaram o tradicional “feminino” para se masculinizarem/libertarem dos maçudos papéis do antigamente – mulher, esposa, mãe – agora são iguais, podem fazer e ser tudo quanto eles, esquecendo que há diferenças físicas/biológicas, sociais, morais e por aí fora.
    Os homens, após a confusão e a insegurança iniciais, cederam e, em certa medida aplaudem a nova mulher independente, trabalhadora, mais actualizada.
    Contudo, à medida que o tempo vai passando, apercebem-se que a mudança da maioria das mulheres é escassa ou superficial, ex: “aqui quem manda sou eu”… já para “mudar um pneu”, nada melhor do que fazer charme ao que passa; o calculismo (casamentos; uso dos filhos quando chega o divórcio; “soltar a franga”, etc.); futilidade (consumismo sem freio) e egoísmo da maioria delas.
    Resultado: eles deixaram-nas a “falar” sozinhas! A solidão e a frustração de muitas mulheres empurra-as para o colo de outras, ou gays.
    Basta olhar para os miúdos e jovens. Quantos não preferem as “suas coisas” (desporto; ginásio; pc artilhado; jogatinas com os amigos; o carro/tunning; cervejolas; etc…) às gajas?
    Só o termo aplicado constantemente – gajas – boazudas, ou não, são apenas gajas! Até que um dia aparece a tal que não é “gaja”…
    Enfim, será provável no futuro uma selecção de grupo?
    Não sei. Só o futuro o dirá se os géneros continuarão a afastar-se cada vez mais, em vez de colaborarem e se unirem.

  4. pedronunesnomundo Says:

    com algum choque, vejo que os meus posts motivam opiniões e expressões a pessoas que passam fugazmente por aqui

    (…que o choque já era algum só de ver que alguém de passagem por aqui vem!…)

    é bom

    principalmente quando as opiniões não são meros “ah e tal” de alguém que desdenha o mote

    é muito bom

    bem-vindos todos


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