À Margem da Folia

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Balanço de uma “interrupção lectiva”.

Horas embrenhadas no verde, no ribeiro, no passaredo que não se agita, a bater biscas de três contra noventa e seis anos de vício quase feitos.

Não a bisca de Raul Brandão. Sopro de ânimo e eternidade.

Fugir para viver a vida mais completa.

Parar. Respirar mais fundo.

…Com uma música a passar no rádio e a rematar um momento perfeito.

Boards of Canada - Peacock Tail

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PORQUE Queremos um Acordo Ortográfico

PORQUE havemos nós de perder – de todo – tempo com estabelecimento de normas gráficas?

PORQUE teimamos em resistir ao que daria muito mais jeito: cada um escrever como lhe desse na bolha?

…Se calhar apenas para ter um leque novo de regras para não cumprir. À laia de desfastio, só para não nos aborrecermos.

[Fica o link a esclarecer, como serviço público aos fregueses da casa.]

.

…A Desculpa do David, Eu Sei Qual É

Com os cumprimentos do Desculpe Qualquer Cosinha, fica um vídeo.
(Que encontrei com uma porcaria de legendas em brasileiro!)

…Um vídeo que me faz bailar na cabeça um “…a desculpa do David, eu sei qual é“, enquanto penso nalgumas pessoas que andam aí pela praça.

…Estimada Leitora

Ainda há pouco tempo assinalei aqui uma capa da Visão a que achei muita graça.

Explicava aos mais distraídos o que é hoje “um homem”. (Pois, sem maiúscula, para não confundir…)

…Uma espécie de uma coisa cada vez mais distante dos “egrégio avós”, cada vez mais alérgica ao ser de quem o pôs no mundo e de quem lhe limpou o ranho do nariz, basicamente cada vez mais longínqua do que até há bem pouco tempo atrás era considerado “um homem”, quanto mais não fosse pela contraposição óbvia do que é “uma mulher”.
(Numa capa – ficou por aí a leitura de um dinheiro que não dou a ganhar a “jornalismo” desse – em que a mixórdia entre o fundamental e o estúpido era patente, num caldo alarvemente modernaço.)

Agora passou uma capa da Sábado (que consegue ser pior que a Visão) com os seguintes dizeres.

Ficamoa a saber portanto que o que está a dar no universo feminino é soltar a franga! Para quem queira fazer parte dos ventos de mudança, do progressismo, da modernidade.
– Quem gosta, por gosto, quem não gosta, porque é “moda” ou porque “é uma tendência cada vez mais mostrada em novelas e filmes“. E toda a gente sabe que contra a moda não há poder de Deus que valha.

Depois de a homenzarrada da camionagem e da estiva ter ficado informada pela concorrente que ou começa a amaricar-se ou acaba num museu, a Sábado dirige-se ao público feminino – como uma nova Revista Maria – mostrando às suas estimadas leitoras a via de quem se avia. O que está in ou out no fértil reino animal.

(Fica-me a recôndita dúvida de onde vão estes ordinários buscar estas “peças jornalísticas”.
Não “ordinários” num sentido moralista. “Ordinários” num sentido objectivamente valorativo, de análise da qualidade do trabalho feito – “jornalismo”, diz-se…
“Ordinário” na acepção do reles, do rasca, do superficial, do fácil e do ficcional em imprensa.)

…Se calhar ninguém fez ainda foi a leitura cruzada das duas capas!

Será possível – porque tudo é possível e eu também tenho o direito a inventar um bocado – que uma capa derive da outra?
Ou seja, que a (alegada) vaga de experimentalismo sensual do mulherio tenha a ver com o facto de os homens andarem a ficar cada vez mais parecidos com elas?
Terá a ver com o facto de estar (eventualmente) a escassear o tal referencial masculino de outras alturas?
(E haverá alguém interessado em que ele escasseie?)

Para já, faço por isso aqui, pela primeira vez, uma banquinha de sondagens no meu modesto belogue.
Não há como tirar a limpo.

– E desta vez estou MESMO interessado em ter o O MAIOR NÚMERO POSSÍVEL de visitantes neste post e de colaboradores no teste! –

Cá vai. APENAS PARA AS SENHORAS.
(AOS CAVALHEIROS, PEÇO QUE DIFUNDAM O PEQUENO TESTE…)

Estimada Leitora, complete (confidencialmente) por favor, da forma mais honesta, a seguinte frase.

Resultados virão.
E eu de novo a este ponto.

No Choco

Há três meses atrás o CP lançava um desafio no Quintus: esclarecer, afinal de contas, até que ponto o Choque Tecnológico estava a mudar a Educação nas escolas.
(…Se  ninguém reparou no pormenor do “há três meses atrás“, fico mais aliviado…)

Na altura não lhe repondi, pelo meu vício de ou fazer as coisas por todo ou nem sequer as começar para as deixar em metade.
E porque se alguma coisa aprendi nos (já, meu Deus?…) anos de bloguice, foi que todos os assuntos são circulares e que se se não apanham na primeira maré de oportunidade ela lá voltará para de novo passar.

E a oportunidade pode ser agora.

Dizia então o CP: “Criticamos o governo PS quando é preciso, [mas] se há ramo governativo que tem corrido bem é o do desenvolvimento do uso das tecnologias de informação nas escolas portuguesas. Em 2009, um em cada cinco alunos terá na Escola um computador com acesso à internet, haverá um videoprojetor por sala e um quadro interativo por cada três salas“, “tendência […] ainda reforçada com o concurso de ligação de todas as escolas a uma rede 48 mbps e a extensão do e-escolas ao 7 e 8 ano de escolaridade“.
Acrescentando então o CP com sensatez: “Se estes números se cumprirem (e falta apenas um ano para o comprovar), então as escolas portuguesas serão das mais tecnologicamente avançadas do mundo“; “se assim fôr, ficamos realmente impressionados“.

Pois bem, não há – como previa – razão para grandes impressionismos.

É que – obediente a outro vício meu – só consigo encarar esta ou outra “revolução tranquila” como sérias numa óptica de estratégia, não de táctica. Isto é, numa lógica de resposta global e integrante, não numa perspectiva de tapa-buracos, como é o caso.

Em primeiro lugar, é SEMPRE mais fácil comprar uma solução que construí-la!

Como neste caso foi muitíssimo mais fácil o “Governo” assinar um par de diplomas – carregar no célebre botão que faz coisas acontecerem – que pensar uma plano estruturado e sólido.
(O dinheiro não é seu, dispõe dele com ligeireza.)

É que a chave do parágrafo do CP está aqui: “tem corrido bem [o] desenvolvimento do uso das tecnologias de informação nas escolas“.
Porque não tem corrido bem, de facto!

É um delírio – posto a coberto pela ignorância sobre o terreno da maior parte dos portugueses – dizer o “Governo” que “em 2009, um em cada cinco alunos [tenha] na Escola um computador”. (Ou como disse recentemente Mário Lino: “queremos em 2010 estar em dois alunos por computador“.)
Primeiro porque não vão tê-lo, segundo porque não o poderiam ter!

Não vai tê-lo porque o ratio actual está actualmente longíssimo desse número e porque se agora a tal da “crise” o vai financeiramente impedir, já antes não se percebia bem de onde – Europa, clasulado prévio de contratos de operadoras com o Estado,… – viriam os fundos para permitir tal maná.
Não poderia nunca tê-lo porque se já esse aluno “em cada cinco” mal cabe em salas com turmas sobrelotadas muito menos as salas de aula portuguesas suportariam a ocupação física desse tipo de aparato.
…Já sei que a resposta podem ser os famosos portáteis. Mas não. Essa não é uma resposta asseada para quem faz diariamente o número do “carreiro de formigas” com os seus alunos quando pretende usar as TICs na sua aula e vai levantar os portáteis a um ponto da escola para os usar em resma noutro oposto – com as óbvias perdas de tempo e paciência associadas. (O que – atenção! – por motivos de segurança do material, no contexto das escolas portuguesas, não poderia aliás ser de outra forma!)

…”Com acesso à internet“.
Neste momento (Fevereiro de 2009) nem mesmo escolas “de referência” para o Ministério, nem mesmo escolas especialmente empenhadas no uso das Tecnologias no seu dia-a-dia, têm acessos aceitáveis à net. (Afirmo-o com todas as letras.)
As ligações ainda são baixas em velocidade e a havê-las não cobrem em wireless a totalidade do recinto escolar – a cobertura física teria custos atronómicos! E se escolas tiverem pretendido montar uma rede como deve ser para servir as suas necessidades, terão sido instadas pelo Ministério a fazê-lo com os seus prórios – e inexistentes – fundos. Isto muito antes da “crise”!
…Para não falar do harware, das máquinas que se usam, também elas muitas a precisar de extrema unção.
Ou da graça de não haver qualquer forma eficaz prevista – em pen, em disco, etc., à falta de net – para os alunos que usam os portáteis na escola armazenarem os seus trabalhos em progresso! Os portáteis que usam hoje podem estar ocupados amahã, “amanhã” o seu trabalho pode ter sido apagado por um outro utilizador, o que confere ao trabalho com as TIC uma carga de impoderabilidade e ligeireza a que muitos professores não se prestam. (A última esmola, foram umas pens que o projecto Electrão deu às escolas – uma pen por turma a girar no início e no final da aula por todos os computadores de todos alunos, roubando-lhes metade do tempo útil. E fica tudo dito.)

Sobre o “videoprojetor por sala e [o] quadro interativo por cada três salas“, outra miragem.

É perfeitamente inútil e alucinado prometer para cada sala um projector, olhando ao País pelintra que somos (ainda de antes da “crise”). Mas  de facto não é possível usar eficazmente os ditos quadros se não houver montado em plano elevado um projector – não levado para a aula debaixo do braço, como agora, montado à altura do tronco ou do rabo do professor, conferindo à aula uma inusitada valência de espectáculo de sombras chinesas.
Estou a frequentar uma acção de formação sobre o uso das TICs em sala de aula. Em que em parte se abordam os “quadros interactivos”.
…Espectaculares, espantosos, maravilhosos, revolucionários (ou nem tanto). Inúteis se não estiverem montados de forma funcional.
Sendo que tudo tem um preço alto, que as escolas – mais uma vez – não têm posses para o pagar sozinhas, que o Ministério até agora ainda não se mexeu (estando as autarquias cada vez mais estranguladas) e que – entrados no mundo ideal  dos projectos que se concretizam – as salas de aula portuguesas podem não estar sequer preparadas arquitectonicamente para receber uma tela fixa para projecção na famosa posição “perpendicular às janelas”.

Sobre o “e-escolas“, pouco há a dizer.
Foi astuto convidar as operadoras móveis a pagar parte do custo dos PCs aos pais das crianças, tornando-os mais acessíveis. Mas é uma falsidade dizer que as operadoras assumiram perder dinheiro aqui para o ganhar com as concessões de 3G contrapartidas.
É aqui exactamente que as operadoras vão recuperar o dinheiro investido – e não dado.
Na miragem de PCs baratos, resmas de pais – de um País pelintra, repito – lançaram-se de cabeça para a compra de uma pechincha atracada de uma despesa fixa de um serviço wireless contratado por uma eternidade e nada pechincha ele próprio.

“Comparticipação a sério do legislador na despesa com tecnologia no sentido de a democratizar?”, zero.
“Apoio fiscal a este tipo de despesa tão incentivada com palavras?”, zero.

Melhor ainda que ir às compras e montar estatística: mandar ir às compras e acrescentar-lhe uns pontos.

…Mas, e o Magalhães, em particular?

…Lá irei depois. Exclusivamente.

O que é certo é que o “Choque Tecnológico”, apesar da propaganda oficial, não passa – por hora – de uma manta de retalhos.
Que não reflete nem incorpora uma estratégia coerente de integração das TICs na vida educativa das escolas.
(E se para desmentir o que digo se apresentarem exemplos avulsos, respondo que é esse mesmo o problema de que falo.)

O “Governo” tem-se comportado mais ou menos como o tótó que quer ter o computador mais artilhado lá da rua e que na loja compra os componentes todos  que lhe vêm à mão desde que lhe pareçam os mais modernaços. Para depois chegar a casa e perceber que (para além de não saber como se montam) não jogam uns com os outros.
Apesar de serem os mais rebimbas que encontrou!

O “Governo” tentou (com o pouco dinheiro que há) comprar uma solução rápida e espampanante.
Carregou num botão e houve coisas que aconteceram…

Mas ainda que aprove mais este investimento que em estádios de futebol, ele está longe de sair de cabeças de quem saiba o que anda a fazer. Por cinismo ou pura incompetência.

Dizia o CP: “é ainda necessário reforçar a aposta na qualificação e na valorização dos professores (uma área que tem sido gravemente descurada)“.
E é verdade.
Como pode pretender-se introduzir revolucionárias ferramentas pedagógicas no Ensino (e uma nova filosofia) sem ter NENHUMA preocupação em dotar de conhecimentos/técnicas aqueles profissionais a quem vão ser exigidos os frutos da sua utilização?
Alguém não está a ser sério.

Como é possível apregoar a universalização do uso das tecnologias nas escolas quando a escolaridade obrigatória está objectivamente amputada – por razões financeiras e físicas que não há coragem para afrontar – nessa falsa preocupação?
Como é possível descarregar toneladas de computadores sobre as criancinhas do 1º e do 2º ciclos quando ninguém se preocupou em dar-lhes formação nas TICs? À semelhança do que acontece (só) no final do 3º ciclo.
É sempre mais fácil passar um cheque, num momento, que assumir um projecto e um compromisso de futuro.
Das pretensas “intenções”, das supostas cruzadas, vê-se assim a credibilidade.
Alguém não está a ser sério.

Como é tão-pouco possível que a quem compete – Ministério da “Educação” e “Governo” – não ocorra que se estamos à boca do portal para outra dimensão não seja revisto o que se estuda nas escolas da Nação tendo estas ferramentas sobrenaturais à disposição?
Que conteúdos são relevantes hoje, que competências novas se visam desenvolver, que estratégias frescas se podem aplicar, basicamente, que objectivos diferentes tem a Educação nestes tempos modernistas?
Se os tem, duvido.
E duvido que alguém nas altas esferas que passa cheques já tenha pensado sobre isso durante meia hora.
E por não acreditar que nisso já tenha pensado, não acredito… na seriedade deste filme.

Tudo isto é um ovo ainda fechado. No choco tecnológico.
Cheínho de expectativas mas que tanto pode estar podre e não vir a dar-nos nada (porque o desafio é exigente, competitivo e urgente), como dele pode nascer o mais amoroso pinto. (Desde que não seja “de Sousa”.)

Resta-nos ficar atentos, CP.

Mais Aleixo

Já uma vez aqui tinha deixado nota d’ O Programa do Aleixo. (Uma pérola alternativa.)

Agora o Aleixo foi a operar – o que muito preocupa família e amigos.
É que o funcionamento dos hospitais é coisa que não se percebe!

O Calhau

Já não é novidade para ninguém. Não é com esse tom que o refiro.

É mais com incómodo intelectual.

Em mais uma edição do Correio da Manhã, Emídio Rangel volta a “escrever” uma crónica das suas. Com o seu estilo e no seu estilo habituais.
Mais uma vez sobre a temática que lhe é mais cara: o louvor a Sócrates. A quem chama “O Rochedo”.

Da sua cabeça formatada e pela sua pluma obediente desfilaram em carreirinho o que julga serem as superiores qualidades que comprovam o rochedismo do sr. Pinto de Sousa.

Uma liderança forte do partido e do Governo“, “a mesma força e a mesma determinação que exibia em 2004“, “o mérito, o trabalho e a dedicação, sem quebras“, “[a] capacidade de luta invulgar“, “[o] manter sempre índices elevados em todas as sondagens“, “podendo mesmo vir a reclamar de forma definitiva nova maioria absoluta“. “Foi, de certeza, muito difíci subir e descer montanhas, enfrentar dificuldades de monta, no partido e no País, e continuar como um rochedo, desafiando todas as intempéries“.

…Porque Rangel nos aviva a memória: “Sócrates teve e tem um inimigo interno perigoso e capaz de todas as tropelias, […] Manuel Alegre, que se revelou um homem capaz de atraiçoar os seus camaradas no momento em que sentir terreno apropriado para a façanha“.
Também […] as oposições a Sócrates usam mão de todas as armas, da Universidade Independente ao caso Freeport, para derrubar o político que tem ousado responder à letra às calúnias e às armadilhas postas para denegri-lo. São oposições que nem no momento em que o PR apela à unidade do País, nem na ocasião em que emergiu uma crise mundial de grandes proporções que afecta tudo e todos, são capazes de dar ajuda, uma solução, uma opinião de boa-fé“.
(Um rochedo se calhar apenas um pouco pintadote de uma e outra polémicas que lhe vão pousando em cima e escorrendo por si abaixo a sua clara marca.)

Mas Sócrates não é só um rochedo. É o único. Por isso está sozinho, na sua rochideza, no embate com os gajos normais que o retraem na sua marcha gloriosa.

…E há depois uns terceiros. Os sabujos.
Como Emídio Rangel.

E esta não é uma dicotomia de bolso – de bons e maus. Dicotomia cegueta é a do autor daquele texto.

O que afirmo é simplesmente que se Sócrates tem acertado (?) também tem falhado. E que da ponderação entre o acertar e o falhar o resultado prático para um País em retrocesso não convence. E que se se vai mantendo popular desta forma é graças ao controlo pidesco sobre os dissidentes e à arregimentação de uma corte laudatória de serviço. E que se hoje Sócrates ainda se permite falar no tom como fala com os seus interlocutores e à Nação, tal se deve exclusivamente à incapacidade de um povo castrado e “politicamente correcto” para lhe puxar os colarinhos e dar-lhe de vez em quando umas cabeçadas – apenas de vez em quando, no momento certo; não era rigorosamente preciso nada mais que isso.

E é precisamente nesta selecta turba de louvadores que encaixa Emídio Rangel. Naquela corja cromática que rodeia sempre a Corja dos políticos que exercem funções.
Lá saberão muito bem porquê…


Não me peçam é para lhes achar graça.

Porque quando Emídio Rangel redunda na fórmula estafada dos outros “a pensar de que os portugueses são todos estúpidos” faz o esboço do que o próprio pensa em actos.
…Pensando iludir alguém de que o seu justo juízo e as glórias que canta ao (seu) Salvador não são – num jogo de espelhos – tão evidentemente contaminadas de afeições e desamores como as críticas dos que só lhe vê defeitos.
É o discurso de um calhau destinado em esperança a outros calhaus que se deixem por si persuadir e arrebanhar.

Que eu não vejo só defeitos em Sócrates…

Se quando Sócrates ascendeu ao poder no PS “muitas foram as vozes que na altura afirmaram reticências à capacidade e à inteligência do jovem líder“, já aí eu lhe reconhecia créditos.
Sobre a sua “inteligência” não exageremos, mas sobre a esperteza e a tenacidade com que papou na corrida ao Secretariado-Geral João Soares e Manuel Alegre haveria muito a dizer…
E sobre capacidade de gestão de equipas e influências, que continua a demonstrar até agora, num País de sociedade policienta, de pensamento único, sob o medo – para o qual Ramalho Eanes alertava há poucos dias.

Se Emídio Rangel acredita no que diz, que “a crise, que ganhou agora maior expressão com os índices do INE, vai ser vencida [com] Sócrates” (como se a culpa fosse agora do INE…), é bom. Fica mais feliz. Fico aliás mais feliz por ele.

Mas eu não acredito, paciência.

Porque acho que o rochedo é mais parte do problema que da solução.
E que o que está a correr mal tem larga margem para passar a correr pior. (Muito fora “conjunturas”…)

Se [o Rochedo-]Sócrates tem hoje mais cabelos brancos [e o] seu rosto por vezes exibe o desgaste” tal deve-se a uma natural erosão.
À erosão de quem se arrogou a pureza, de quem se propôs a perfeição, começando depois a aparecer aos olhos do povileu, sob a força desgastante da Natureza, como um homem com duas pernas e dois braços. Para a surpresa dos calhaus, mais um gajo normal. Que o paleio auto-justificativo cada vez menos inocenta. Que cada vez mais precisa dos Rangéis e demais calhaus como muletas e dínamos.

…Que quando o rochedo se erodir de vez, em mil bocadinhos, vai de novo e em definitivo voltar a confundir-se com a pilha de cascalho que para aí há, de que é perfeitamente igual na essência.

[Publicado no Canto Aberto.]