A Quadra da Família

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Na Quadra da Família, deixo uma palavra que nem sempre se ouve neste blog.

…A de gratidão para com os que vieram antes de mim, aprenderam com a vida e me ensinaram o que puderam para que eu a percorra com a menor abrasão, com o menor sofrimento possível.
E para com os que estiveram antes de mim e já não estão. Ensinando-me até na sua ausência. (Que a nada devemos agarrar-nos desesperadamente na vida. Apenas nela semear, e com a felicidade dos dias ver germinar e crescer… Para na altura certa abrir em paz da nossa mão.)

É esse o caminho que quero continuar. O seu caminho.
O de permitir a quem vem depois de mim uma maior compreensão do Mundo. E a liberdade de escolher ser ou não uno com ele.

…Uma palavra de gratidão por qualidades que sei que tenho – a par das que me faltam – porque de alguma forma me foram ensinadas, e que me vão permitindo suportar o mergulhar diário no Mundo que corre na rua.

Fica essa palavra em falta.
…Que se perderá entre tantas que pairam dentro do globo envidraçado deste blog.

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Erros de Palmatória

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Durante a navegação neteira desta Quadra, tropecei neste link: receita de “Bolo de Bolacha com Creme de Café”; diria, à la Portal Sapo.

…Mas é pena.
Deste receituário não vai sair nada de remotamente parecido com o Ferrari que cá em casa se produz e que por mera definição apelidamos de Bolo de Bolacha (…sim, também com o tal do café…).
Às mãos do Sapo, nesta quadra festiva, em muitos lares se colherão as espigas da desilusão semeadas nesta tentativa bem-intencionada de “troca de receitas”.
…É pena.

Já estou como “o outro” do passarinho: esta receita, “nem a tiro, nem a ensino”.
Mas posso adiantar isto: “açúcar em pó?”, “manteiga”?… dois erros de palmatória!

Natal “Retro-Techno”

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No esforço de satisfazer os gostos de todos os visitantes, fica o atalho para um álbum de descarga gratuita: “8-Bit JESUS“.

Uma espécie de Reader’s Digest do Natal para aqueles que não alinham muito em coisas de religião. Que são mais virados para os gostos do mundo…
…Por exemplo o gosto pelos jogos de computador. De hoje ou de há vinte anos atrás…

Pixels saltitantes em écran monocromático, ao som de midis repetitivos.

Para amostra, uma espécie de “Jingle Bells” de Natal adaptados a 8bits: Super Jingle Bros.
Façam o teste. O resto do álbum também fica à mão.

Natal

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A todos os que por aqui passem, desejos de um verdadeiro Natal.

Nem “bom” nem “mau”; que para quem o Natal signifique o que deve, lhe bastará que esteja presente verdadeiro no seu coração e na sua vida por um dia que seja.

Por isso não desejo prendinhas a ninguém. (E quem não gosta de receber prendas?!…)
…Que as “prendas” nos entopem as artérias onde corre a seiva de nos darmos aos outros, como uma espécie de colesterol que nos mata em silêncio.
(…Ir à Baixa de Lisboa e ver uma porcaria de uma iluminação apensa à publicidade do mecenas a quem pertence o Natal.)

E pelo sentido do Natal (mesmo que pareça mesquinho), desejo-o verdadeiro a quem por aqui passe.
A quem me conheça e procure.
A quem saiba que aqui estou.
…A esses, os melhores votos. Com esses, a intimidade de partilhar esta data.
Abraços, beijos e risos à volta de um fogo quente, na memória Daquele que um dia nos juntou na diferença e nos fez crer ser possível.

Ao Mundo, vasto de gente, desejo paz – a granel.
E que a indiferença e distância que nos mantém apartados se enfeite de grinaldas, de luzes e  cantarolices.

A Vida a Imitar os Blogs

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A “internet” não existe!

A internet é uma  abstracção. Um conceito que tornado físico se constitui um intervalo em branco.

A internet não existe. Não é pensável como espaço preenchível – “pus na internet“, “encontrei na internet“, “vou à internet“…
É um vão entre duas coisas que só se vê preenchido pelo estrito momento de o percorrermos ocupando-o.

(Definir “internet faz lembrar no limite a crença talmúdica de que nas Tábuas da Lei o nome de Deus estava – não gravado, mas – sulcado de um lado ao outro da pedra, trespassando-a, sinal último da impossibilidade da sua materialização em palavras do Homem.)

Simplificando, a internet é a confirmação da distância mínima de uma linha entre dois pontos. “Aqui” e “lá”. Percorrível em dois sentidos.
É o entre-pontos e não os pontos em si; só sobrevivendo deles.
internet é um canal, uma passagem. E só.

…Ficando a um salto da pergunta “passar, o quê?” a inevitável interrogação ontológica “passar, é o quê?“.
A partir do ponto que ocupo no mundo – o “aqui” – qual é a intencionalidade básica de fazer o percurso?; como se pretende alcançar o outro?; qual o resultado do próprio chegar?

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No bizarro processo da comunicação virtual, subvaloriza-se a identidade – ou mera confirmação inequívoca da presença – de um interlocutor no ponto de chegada da mensagem. Dispensável.
Ficando cabalmente claro que a maior energia despendida na comunicação virtual está auto-concentrada no “aqui” e no ponto de partida. Este “passar” é não chegar a partir.

Mais importante que alguém me ouça, é vital que eu fale.
…Por excelência o reino dos blogs.

A compreensão da comunicação virtual encontra-se no “aqui”.
No que me interessa dizer a ninguém, no que tenho de gritar para o vazio para não rebentar, no que preciso de exteriorizar de forma compulsiva para que não me envenene, no que me forço a semear ao vento para sossegar a minha culpa, no que tento verbalizar para que ouvindo-o me perceba como sou.
…A compreensão da comunicação virtual encontra-se “aqui”.

E a vida imita a net, imita um blog.
Cada um de nós caminha para o outro numa missão de salvamento de si mesmo.
(Apenas na vida real o confronto com o rosto do outro nos força, num processo diferente, a reconhecer formalmente a sua presença, a sua existência, descentrando pelo menos de nós parte da toda atenção.
O rosto do outro força-nos a assumir a sua materialidade, a sua totalidade e – com alguma sorte para ambos –  a sua diferença.)

Na internet, quando comunico, o foco não se descola de mim.
E os meus gestos e palavras, simulados de ecuménicos, resvalando no silêncio, regressam todos a mim, atingem-me todos em círculo, concretizando o reforço do que sou e do que sinto.
Condicionado que estou a ser-me eu próprio assim.

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Mas mais bizarro que isso, no bizarro processo da comunicação virtual, se se subvaloriza o interlocutor, até o canal do discurso é sobrevalorizado.
Gente há que pelo facto de usar a modernista internet a confunde com ferramenta. Julgando que ela lhe serve para agigantar em tom, em sentido ou em valor a palavra que os não tem.
…Ignorando que a net não é ferramenta, mas só um vão canal que ecoa o que nela se põe dentro.

Mas a net não é existe. Não é um destinatário. E quanto mais lhe recorro para propalar decretos, para entoar trovões,  mais isolado eu fico na projecção de um contacto que não chega a acontecer.

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Esclareço que esta reflexão tem uma base concreta.
O todos os dias que passam me cruzar com novos blogs com que de pronto me enojo. De gente que logo desprezo.

Sim… É lamentável mas certo.

Gente que como expliquei – num processo de fingir – simula para si comunicar com um ente irreal a quem dirige palavras; quando acaba a dirige- se, por disso necessitar, a uma escassez de si mesmo…
(Que ninguém o vê ou ouve.)
…Perseguindo obsessivo a cauda do seu pensamento se envolve, à orla da náusea, na torrente de um discurso moralista, paternal, convencionado, soberbo, cruzadista, petulante, ofensivo, mal-criado, sempre – invariavelmente – impotente e patético na agonia de enlear-se numa teia viciada.

Já referi uma vez ou outra blogs que conheço, nascidos da bondade de almas limpas que atesto. E que neste jogo estranho de ecos e vacuidades fermentam o que há de bom; que de bom têm para si. Que se reinventam em angústias, em ânsias e expectativas, mas não se auto-destroem. Antes se equilibram e aos poucos aprendem a equilibrar-se com o desconcerto do Mundo.

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Mas aqueles que subsistem envoltos no veludo de si, os mais solitários de todos, são tristes navios-fantasmas.

Bastara-me passar os olhos pelos posts de alguns blogs para me sentir nauseado. E não por conteúdos que me furto a recordar, mas como que mareado caído num remoinho, preso numa espiral centrípeta de palavras que não expandem, que apenas convergem vorazes para um vórtice alucinado, que vão rodando em anel sobre o “aqui” e escorrem par um ralo fundo e sombrio…

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Cada blog, de uma fauna infinita, é o rosto estampado de quem o faz e mantém.
E vai servindo aos quem passam de montra deste lidar.
…Honesto, humano, humilde, generoso, inspirado, sábio, livre, construtivo…
…Simulado, cruel, presunçoso, egoísta, rotineiro, cretino, tacanho, velhaco, seja ele o que for.
Espelhos da variadade fantástica dos feitios do Ser-Homem.
Estigmas da sina de ser para sempre igual a si.

E no fim, voltar ao mesmo.

A “internet” não existe. É um intervalo em branco em que se plasmam palavras. Ou as sombras das palavras.
E aquilo que digo ou faço, é só o que digo ou faço.

E, no fim, blogar é nada.
Exercício redundante de afirmar que existo.

Que posso precisar para mim dessa mesma confirmação…
…Mas então para o problema não virá do virtual uma privada salvação.

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Cacofonia Natalícia

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Nesta época de festa, deixo a expressão do meu sentir. Para não falhar por incomparência.

Sou cristão, num mundo em que “essas coisas” cada vez mais são varridas para debaixo do tapete da modernidade.
“Cristão”, antes de homem, antes de cidadão, antes de  marido, antes de pai, antes de professor – como diria o V. .
E para mim Cristo não foi só uma figura política, um Che Guevara  antes de tempo, um cromo repetível na caderneta da História.

Para mim, Cristo continua a ser um marco único no crescimento da Humanidade mas também na sua emancipação espiritual.

Se sigo à risca o seu exemplo –  se o sei, se o posso ou se me esforço quanto  deveria – essa é outra história.
O que é certo é que sou lúcido quanto à importância que tem para mim. Quanto à importância que tem à minha volta, sobre todos os que me rodeiam, sobre a sociedade em que me encontro.
E reconhecê-lo é uma forma de compreender melhor  o funcionamento  de nós.

Só é pena que a Quadra – até a quadra – sirva para aquela chacota grosseira dos não-crentes militantes, para o achincalho dos intolerantes da fé dos outros, para a parada robotizada dos que se negam a si mesmos sacudindo uma parte de si de que não gostam.

…Porque da parte da “festa”, “das luzinhas”, da “árvore”, das “prendas”, ninguém prescinde.
Só daquela parte do orgulho cego.

Por isso, à margem do espírito natalício –  e do referido exemplo que quero seguir – só me resta dizer: Haja algum decoro, haja alguma humildade.
Àquele “espírito rebelde”, àquele “cidadão inconformado”, àquele “Homem-livre” na sua cabeça, que vive na paranóia da verdade impoluta no seio dos  iludidos, dizer: Deixa celebrar, vive e deixa viver!

Senão, pelo menos,  intervala!  Porque, basicamente, no Mundo Ocidental, é Natalie Imbruglia!

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O Melhor do Ramo

Andava pela net, por aí, e encontrei um site que, não sendo nenhum espanto, é fixe.
Partindo de um conceito pouco construtivo – o desfile de bodegas – é uma proposta enciclopedicamente válida.

Foi lá que encontrei uma coisa maravilhosa.
(…Que ou não conhecia ou a minha memória se encarregou há muito tempo de encerrar na cave.)

O clip “Shine on Me” de Chris Dane Owens.
…De uma época em que os artistas pop trajavam colorido, andavam de cabelo comprido e olhinho pintado, e cantavam falsetes, tudo isso muito antes de se inventarem os gueis.
De uma época que uns vêem como vazia e fútil, mas em que se andava mais livre, mais solto, sem (tantos) stresses ou neuras – mais optimista.

Fica para ver.

Um horror. O pior clip de sempre
…Ou uma autêntica peça de museu.