Figuras do Estilo

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Manuela Ferreira Leite tem de falar!
Assim está obrigada pela condição de “líder”(?) da “oposição”(?). Só falando se vai à têvê, e a senhora quer mesmo ir à têvê.
…Portanto, fala.

E tornou a falar, e tornou a aparecer, e tornou a cobrir-me – a mim, aos sociais-democratas e ao País – de vergonha.

Calma, que não me refiro à sua “apologia dos seis meses sem democracia”!
Essa foi uma pileca estafada que algumas figurietas montaram e esporaram até dar cabo dela, ora para cobrir mais uns metros no despique político sem terem de suar a camisola, ora para vender papel de forma preguiçosa e contemplativa!

…A escandaleira à volta da “apologia dos seis meses sem democracia” foi tão estúpida como quem a alimentou.
Por exemplo o sr. Ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, que “exortou o PSD a esclarecer as declarações” de Ferreira Leite e as apelidou de “gravíssimas“.
Por exemplo o sr. líder parlamentar do PS, Alberto Martins, que não só condenou a “atitude anti-democrática” de Ferreira Leite, como manifestou o seu “repúdio veemente” pelas palavras e acusou a “cultura autoritária e ausência de cultura cívica” de quem as disse.
Como por exemplo o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, que apelidou de “despropositadas e infelizes” as declarações, sentenciando que “há ironias que não se podem fazer“.
Por exemplo Pedro Passos Coelho – inevitável sombra fantasmagórica a pairar sobre Ferreira Leite – que não acreditava que a oradora “tivesse querido dizer aquilo que disse“.
Por exemplo – o  já caso clínico – Luís Filipe Menezes, que disse que fora uma “ideia bizarra“, que deveria ter feito “Sá Carneiro dar voltas no túmulo“.
Por exemplo o “prof. Marcelo”, que – críptico – falava de relativizar sobretudo em período eleitoral essas declarações no que têm de confusão entre democracia e ditadura(?!?!?).

…Por aí fora.

Todos eles estúpidos.
Ou de carreira, ou de circunstância.

Alimentados por uma imprensa que falava de “uma líder debaixo de fogo“, da sugestão de”interrupção na democracia“, da ironia “que foi longe demais” e outros incendiarismos.
Culminados pela patética prestação de esclarecimentos por Marques Guedes, sobre o que toda a gente já tinha mais que percebido não ser o que se quis que fosse.
(Como brilhantemente nesta crónica ficou dito.)

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O que não isenta Ferreira Leite – tanto que foi aí que comecei.

Há uma data de tempo que os meus miúdos já perceberam das aulas de Português o que é uma ironia, esta figura de estilo.
Ao contrário de Ferreira Leite – com a sua idade e a sua rodagem…

A ironia é um jogo de pessoas inteligentes. Em que uma emite uma mensagem codificada e outra a descodifica.
Numa comunicação não só eficaz como gratificante para ambas as partes no que ela tem de jogo…

Nessa comunicação arrisca-se a passagem de uma mensagem falsa, ou inexacta, por forma a salientar pelo contraste o verdadeiro recado do falado ou do escrito.
É dada, por isso, para anular o risco de equívoco – e na medida de evidência que o assegure – uma dica perceptível a quem nos lê ou ouve, por forma a detectar o jogo em causa e desfazer o “absurdo”.
Um tom, um gesto, uma construção…

E é disso incapaz Manuela Ferreira Leite.

Com a sua invariável cara, o seu invariável tom de “paga-me o que deves”, com a rigidez plástica da sua comunicação como garantias numa interacção que se pretende flexível e adaptável, usada por esta senhora a ironia é uma arma mortífera – não por disparar certeira em dada direcção, mas por explodir nas suas mãos ineptas e se fragmentar atingindo todos em redor.

Quem não sabe, não faça.
Que se é um bom princípio para mudar um fusível, também o deve ser para o abrir a boca.

Com este livro, fica a sugestão de uma prenda de Natal.
Para uma mudança da figura ou do estilo.

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2 Responses to “Figuras do Estilo”

  1. Clavis Prophetarum Says:

    Esta mulher é um espectáculo!
    Imagino as graças que não dará Sócrates por ter na oposição taman ha gafista!
    e em época de eleições!

  2. pedronunesnomundo Says:

    Pois é…
    E se não fosse involuntário? Não seria muito interessante?


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