Por um Portugal Profundo

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Hoje estou presente na “Festa do V Aniversário Do Portugal Profundo“.
…Do blog, entenda-se.

Presente, da maneira mais absurdamente natural: virtualmente.

Não poderei lá estar em corpo, mas conta a grande festança de cidadãos e de vozes livres com a minha calorosa solidariedade.

Estamos muito além daquela fase natural do optar por não falar, ou sequer daquela igualmente natural do optar por não falar para não chamar trabalhos.
A Pátria, graças a Deus, se vai encarregando de munir os homens com as ferramentas do discurso, macerados por um vício que só conhece parceiros ou antagonistas.

Com um enorme abraço concreto a todos os companheiros abstractos de um espaço virtual última fronteira da guerra pelo que resta desta Nação.
Em especial para aqueles que nela, como em qualquer guerra, pelo seu valor evidentemente se elevam de entre os demais.

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Coisas Bonitas – “Baroque Rules!”

“Barroco” pode ser pejorativo. Como “desnecessariamente artístico ou intrincado”…
…Ou não.

Concerto para Violino, Oboé e Cordas em Ré m, BWV 1060, Parte 3, de Johann Sebastian Bach.

O mundo podia mesmo prestar para alguma coisa…

[Ao Deltóide.]

Abater Um País Como Um Cão

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Saigão cai. E com ela uma aventura voluntarista e sangrenta, que gabinetes alcatifados engendraram.

Apesar da superioridade nas armas, da sofisticação logística e do poder da máquina de propaganda, o exército estrangeiro sofre uma derrota em toda a linha, que só a retirada estratégica permite camuflar e evitar que seja esmagadora.
Os combatentes locais, mal nutridos, mal equipados, mas moralizados para a vitória, face a quem a força ocupante sempre se comportara como inimigo, usam o terreno contra ele e paralisam a sua descomunal força, cansam-no e enfraquecem-no, impotentes para um combate desigual em campo aberto.

O invasor, demasiado confiante num combate rápido e decisivo mas atolado na sua própria incapacidade de antever dificuldades e obstáculos óbvios do terreno, entra em colapso, confronta-se com a sua opinião pública que o acossa, vê decair o seu moral, percebe que perde totalmente o pé e desiste.

Para trás, apenas destruição.
E a eterna pergunta a todas as guerras, sobre a nobreza de uma escolha, sobre a utilidade das perdas.
…A que os gabinetes alcatifados jamais responderão.

De caminho, uma execução na via pública. Acto cobarde e Divino, vingança mesquinha e grandiosa, num espaço sem Deus nem Lei.

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Ontem foi dia de novo “Prós e Contras”.
Mais um serão com o que de mais parecido com um programa de debate aberto se consegue arranjar em Portugal.
…E de novo sobre a Educação.

(Digo “Prós e Contras”, porque foi razoavelmente possível – ao contrário de outras sessões – perceber a presença dos “contras” na discussão em causa.
Abençoada a alma que pôs aquilo na bebida do sr. Albino e o levou a – uma vez na vida – proferir algumas palavras de responsabilização directa do “Ministério” da Educação no caos que provocou.)

De um lado – apenas – o espectro da srª “Ministra” repetindo as ladaínhas das virtudes do “modelo” de Avaliação de Desempenho Docente, da flexibilidade para lhe introduzir alterações e da firmeza do propósito de o levar até ao fim – cada uma delas mais patética que a outra; e uma estudiosa das questões da Educação, no exercício absurdo e infrutífero de defender o “modelo” naquele palco e ao mesmo tempo declamar a sua independência de pensamento político.

Do outro, o Sumo-Sacerdote da sindicalidade docente, de dedo espetado à efígie da “Ministra” – talvez o dedo da mão que assinou o malogrado “Memorando de Entendimento” – esmagado entre aquele momento da história em que calou devendo ter gritado, e aquele outro em que gritou já ninguém o levando bem a sério; e uma professora a quem, como professora, deram mais papel de figurante que de protagonista neste palco reservado a grandes figurões.

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Fora a transformação nocturna do sr. Albino em noite de Lua Minguante, poucas foram as novidades do programa.

Apenas o aparecimento de um novo tom, de um novo discurso nesta grande bagunça que já tínhamos: o do “Ministério Vítima”.

Já não o discurso ridículo “do ovo e do tomate”, mas o da necessidade de deixar implementar o “modelo”, defendendo-o da coacção anti-democrática e violenta.
Neste programa ouviu-se dizer pela primeira vez que pessoas partidárias do “modelo” de Avaliação – já agora chamemos as coisas pelos nomes – foram “ameaçadas fisicamente” por outras, no sentido de o boicotar. Que estamos perante uma situação de prevalência de maiorias que têm de respeitar “as minorias” a quem pretendem tirar a voz.

O que, se hoje é degradante, poderá vir a ter alguma graça retroactiva daqui a trinta anos.

Não vou cansar-me a repetir o que já estou farto de escrever.
Afirmo apenas que os professores desta Nação condescenderam demais num processo que há anos se percebeu que acabaria nisto. (E daí a sua culpa.)
Afirmo que a BALDA na Educação não estava instalada antes destas “reformas” ainda que muito houvesse a fazer (e do que TUDO continua na mesma). A BALDA está instalada agora!

Um “Ministério” com roupas de mando e poderio, com voz de trovão e autoridade, apanha agora com ovos de putos irresponsáveis (que lhe não têm respeito) e está a braços com uma espécie de desobediência civil da parte dos seus tutelados (a quem não merece senão o respeito mínimo a que hierarquicamente estão obrigados), movidos pelo que de mais perigoso pode fazer agir um cidadão à beira do desepero: a visão da tomada do poder pelos Estúpidos.

Falar-se hoje de casos de coacção nas escolas para que o “modelo” de Avaliação seja suspenso, é um louvor à persistência, é um hino à paciência, um tributo ao profissionalismo de quem durante os últimos anos nas escolas, focando-se altruísta no que mais importa, deu o benefício da dúvida a um “Ministério” que mostrou não o merecer por não ser de confiança.
Fora a evidente natureza de caso de polícia de actos como esse (que ainda assim não me coíbo de seguramente classificar como paisagísticos no universo das escolas em conflito) – e que quem conhece tem obrigação de relatar, não em público mas à polícia – considero heróico que só no dia 24 de Novembro de 2008 se aluda pela primeira vez a EVENTUAIS actos desesperados da parte de quem vê a sua vida, a vida dos seus alunos, a vida da sociedade e a do País despejadas alarvemente pelo cano, apesar do seu esforço, apesar dos seus alertas, apesar da sua luta contra paredes de pedra.

Se os discursos e os actos estão cada vez mais inflamados no reino da Educação Nacional, há que assacar responsabilidades permanentes a quem contribui activamente para os apaziguar ou incendiar. Independentemente de o fazer de boa ou má-fé.

Tudo isto mete dó.

Entretanto, conto apenas com a honestidade e a energia da minha pequena luta pessoal.
E com o olhar aquilino de quem sem descanso velará pelo meu bem-estar.
…Enquanto o País é abatido na rua como um cão.

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[Publicado no Canto Aberto.]

Descer um Degrau na Escadaria do Horror

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Pensei muito. Muito mesmo.
Como nunca, antes de publicar um post. (Curioso…)

Quando a fronteira está entre o dizer e o calar, é fácil.
…Ou entre o transigir ou o avançar.
O teste é simples, está traçado o limite e o salto é dado pela medida da vontade de o dar.

A medida do agredir é diferente.

Não é fácil traçar o limite de até onde estamos dispostos a violentar o outro.
– Felizmente.

Recebi do JR, por mail, um dos clips mais horríveis que já vi até hoje.
Trata-se de imagens divulgadas pela PETA – Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais – recolhidas numa exploração de peles naturais na China…
…E do horror de constatar a violência fria a que seres humanos podem sujeitar outras criaturas. Que se limitam a ocupar o seu legítimo lugar no mundo.

Alerto – E REPITO-O – que a ligação ao site desta organização que aqui vou deixar remete para imagens horríveis.
Imagens que muitos – como eu – julgariam reservadas à ficção.
Pelo que não se destinam a todos.
E se alguém ao visioná-las se sentir desconfortável, deve parar de vê-las porque se agravam e crescem em crueldade.

Não posso ser mais claro nem mais honesto.

Tudo que vai para além disso, é o objectivo assumido de chocar, de agredir as consciências.
Porque a velha história do “relativismo moral” não é da carochinha. E enquanto permitirmos no mundo actos deploráveis a que preferimos virar costas por nos ser mais confortável, não merecemos respeito.

(…E aqui só se fala de violência sobre animais. Tanto mais haveria a dizer…)

Um link para seguir com consequências.

O Melhor de Dois Mundos

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Luto e luta continuam.
Por – e contra – uma “Educação” tornada radioactiva, que mata silenciosa quem a vive e quem toca.

Na escola, na rua, onde for preciso, até onde for preciso, na medida exclusiva da lealdade a quem não a tem – porque assim a moral obriga porque não somos todos da mesma massa – e da salvaguarda de quem menos culpa carrega, a parte mais importante hoje e amanhã neste imundo lodaçal: os alunos do País.

Que os motivos estão intactos…

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…O longuíssimo espectáculo conta com mais variedades.

Contra toda a tradição recente, a srª “Ministra da Educação”, o “Governo” e o sr “Primeiro-Ministro” deram um show de “democracia”.
(Quero dizer, daquela coisa a que unilateralmente chamam por equívoco de mentalidade “democracia”…)

Reunido de emergência, o Conselho de Ministros deu-se à desproporção prática de juntar durante uma tarde, à volta de uma mesa, toda a elite dos “governantes” da Nação para engendrar num papelucho o ilógico desmentido dos mandamentos do “Governo” para a Educação até à data (simulando continuar no seu respeito); toda a elite dos “governantes” da Nação reunida para listar nuns rabiscos uma absurda lista das cedências ao bom-senso já podre de maduro, naquilo que o “Governo” considerara sagrado na sua obstinação (passando a chamar-lhe acessório…).
…Tudo isto num exercício à laia do turista que refastelado ao sol veranil tenta encaixar num cruzadex “ 3 Vertical: ‘coisa ou pessoa importuna, flagelo, calamidade’, com 5 letras“. [*]

Na gíria do Ministério da Educação vigente: “uma simplificação“.

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É claro que num momento como este, histórico para a política portuguesa, muitos se apressaram a propalar a boa-nova ministerial.
(“Que clarividência!”.
Que generosidade!”.
Que magnificência!”.)
Com grande destaque para a apressada entrevista da…RTP1.

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…Onde, logo ao serão, em meia hora, a propaganda jorrou em fonte e correu em rio até ao eleitor ignorante.
Num contínuo desde a conferência de imprensa de poucas horas atrás, nunca por minuto na televisão nacional se ouviu repetir tantas vezes “dialogar“, “identificar problemas“, “ouvir“, “ser sensível“, “conversar“, “flexibilidade“, etc.
O que se torna tanto mais saliente quanto se considere a boca de onde saíram.

Um Ministério inicialmente paquiderme na forma de impor, aplicar e silenciar, transformado de súbito em paquiderme rosa, com lacinhos nas pontas, bramindo em falsete.
Com uma srª “Ministra” a penitenciar-se dramaticamente por “não ter dado às escolas todas as condições“…
(Só quem não tenha coração não ficou com vontade de a adoptar e levar para casa.)
…E tudo de forma totalmente natural e desinteressada!

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Mas há quem não ande a dormir e tenha percebido as entrelinhas da comunicação do “Governo” à Nação pela boca da srª “Ministra” e lhe viu como causa a forma como estava (…e está) entalada numa porta que mantém trancada.

Quando Manuel Alegre diz abertamentejá não ter paciência” para o “quero, posso e mando” da “Ministra” (e a obriga a responder-lhe no tom habitual) pressiona-a a dar um passo – nem que seja em frente, para o abismo.
Ou António José Seguro, ao falar deposições [que] não permitem que se responda positivamente“.
Ou António Costa, ao afirmar a necessidade de “resolver uma a uma todas as dificuldades“.
…Com um Conselho Científico para Avaliação a denunciar quenão é de todo um posicionamento construtivo manter um clima de conflito“.
…Um Conselho de Escolas a pedir desde sempre a suspensão do processo..
…E paizinhos a dizer que a ministra devia dar mais atenção ao que se está a passar” (obviamente que não a CONFAP)…
Não foi por nada que a direcção do PS preparou um livreco com “perguntas e respostas sobre as questões mais polémicas da Educação” para artilhar os presidentes das federações do partido “[com] argumentos a favor do modelo de avaliação dos professores“.

A “Ministra” não se mexeu, foi obrigada a mexer-se.

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Mas eis-nos perante a mexida da “determinação” e da “flexibilidade” na Avaliação de Desempenho Docente.
E dois logros.

Em primeiro lugar é um travesti dizer com todas as letras ao País que a famosa da “Avaliação” se tinha sólida em cima de três patas e que assim continua.
Por um lado, o enfoque na responsabilidade das escolas na avaliação dos seus professores. Agora já nem interessa ao “Ministério” a “descentralização” – que estamos numa de serviço de coacção dedicada ao clientemas até esta altura, a tutela limitou-se a ditar generalidades e a atirar para as escolas o trabalho sujo de definir “caminhos específicos” para cumprir a “Avaliação”, isto é, exigir magicamente produtos finais sem assegurar regras claras, propósitos racionais ou sequer meios viáveis para a sua concretização.
Por outro, a “avaliação global e integral” dos docentes. Entenda-se, a indecência de julgar a prática quotidiana e continuada pela “observação” por pares não treinados – e muitas vezes não aptos – de uma amostra de três aulas anuais, sem incidência na componente científica.
Por último, a definição de uma “avaliação com consequências“. Que na onda dos milagrosos resultados dos alunos visaria uma maravilhosa melhoria dos resultados dos professores. Aqueles que por idiotas eram acusados de nunca ter sido avaliados e por isso terem recebido um “Satisfaz”-padrão, passarem a receber um “Bom”, tais as regras do jogo: de uma mediocridade mais dourada e de uma excelência fora de alcance.

NUNCA NENHUM DESTES PILARES FOI REAL.

avaliacao_aplicacao_onlineSegundo logro, infinitamente maior, é o da “simplificação” dos procedimentos, como se estivéssemos a falar de passos construtivos no processo ou sequer a sintonizar qualitativamente com o que ficou para trás. Podendo  urrar-se sonoramente que ao tocar em “três áreas” o modelo “não foi beliscado“.
Ao “permitir” – generosamente – que “os docentes avaliados possam ter avaliadores da sua área de ensino e não de outras como acontecia até agora“, haverá quem bata palmas. A mim causa-me repulsa que à Nação não repugne. Porque se ainda agora há casos de escolas que não têm docentes das áreas de formação adequadas para avaliar os seus colegas como as regras o obrigam, antes tal nunca incomodou um “Ministério” monstruoso a quem, por exemplo, nunca ocorreu ser uma anormalidade um professor de Educação Musical avaliar um colega de Educação Física lá por serem ambos de “Expressões”.
Sobre a “excessiva burocracia“, digo que é um assunto da treta – fraco argumento desde há muito na boca dos contestatários – que se vira contra quem o defendeu. A quem se queixava – com fundamento – das papeladas infindas, o “Ministério” responde com redução de papel mantendo sem “beliscadura” o absurdo da sua produção! A raiva que os professores ficam a dever à rua tem sobretudo a ver com horas intermináveis e irrecuperáveis de discussão para a construção de materiais de observação (como vai voltar a acontecer introduzidas as novas alterações!) e não tanto com o seu preenchimento.
Também “os resultados escolares dos alunos deixarão de constituir um parâmetro da avaliação dos professores” por “dificuldades técnicas e de aplicação” (!?!?), passando de essenciais a detalhe.
Também as aulas assistidas deixarão de existir, salvo por solicitação do professor que aspire às classificações máximas na sua avaliação. E mesmo assim já não três mas duas…

O QUE FAZ COM QUE NÃO SE FALE DE UMA “SIMPLIFICAÇÃO” MAS DE UMA DECAPITAÇÃO DO MODELO, VENDIDO À POPULAÇA COMO “NÃO BELISCADO“.

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O “Ministério” da Educação tenta assim o melhor de dois mundos: primeiro convencer que algo existe, depois, corrido mal, convencer que sobre ele algo melhor sobreveio… (Sem base onde se fixar.)
…Colocando inteligentemente o ónus da “paz social” sobre os professores, forçados a dar então eles um passo.

Por mim, o(s) passo(s) está(ão) dado(s).
Dia 3 de Dezembro (e 11, e outros) aderirei à Greve de Professores. Com a maior convicção.

Esta contestação esteve errada desde o início. Por culpa dos sindicatos.

Nunca seria aceitável a divisão dos professores em duas castas como prevê o Estatuto da Carreira Docente alterado, já está em vigor e não sei até que ponto será reversível.
Nunca seria aceitável a demolição da organização – minimamente – participada das escolas vivida até hoje, introduzido o novo figurino da Autonomia, Gestão e Administração, que contempla a morte a prazo da representatividade docente nas sedes de reflexão, debate e decisão pedagógica das escolas.
Nunca seria aceitável o Estatuto do Aluno como estava e alguns ovos peritos em leis se encarregaram de corrigir.
Nunca seria aceitável – desde que foi conhecido – este modelo de Avaliação de Desempenho; com os absurdos,  as falhas, as fragilidades, os perigos que qualquer pessoa no terreno lhe percebe.
Nunca seria aceitável a existência de uma prova de ingresso na carreira.

Mas foram-no. Todos. Aceites e cumpridos. Em silêncio.
O que torna diabólica agora a tarefa de quem se opõe a todos eles e a todos deseja o fim.

Mas é possível.
Tem de o ser.
E o País observa-nos.

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É assustador ter à frente do País quem mostra esta falta de vista para a Educação.
Quem acha que sabe tudo.
Quem acha que é melhor.
Quem não pensa e impõe.
Quem falha mas não admite.
Quem não recua devendo.
Quem remedeia piorando.
Quem faz conta ao ganho próprio.
Quem saúda falsas vitórias.
Quem vive para aparências.
Quem fala sempre do alto.

Por muitas falhas que tenha, felizmente assim não sou.
Porque quem mais perderia seria quem priva comigo: miúdos que, se puder, hei-de pôr mais a pensar e torná-los homens livres que nem hoje nem depois sofram moles como eu às mãos deste tipo de gente.

A luta ainda não findou. Nem a meio estaremos.

Que esta horda de invasores tem artes e muitos meios.
Executivos das escolas já se encontram sob mira. Qualquer funcionário público tem previsto no novo Estatuto Disciplinar que o rege – cap.V, artº18, b) “Demissão e Despedimento por Facto Imputável ao Trabalhador” – a “prática de actos de insubordinação ou indisciplina ou incitamento” (?)…

O que nos virá por aí?
Que estamos dispostos a permitir?
Que este mal de viver persista?, que esta doença radioactiva alastre?
Que vamos deixar aos nossos filhos?

Luto e luta continuam.

Na escola, na rua, onde for preciso, até onde for preciso.

[* Muito adequadamente: "praga".]

“Porno-chanchadas”

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A net é muita louca! Uma verdadeira maluqueira.

É a única instituição verdadeiramente democrática do mundo, que dá tudo a toda a gente.
Dá tudo o que lá se procura. E, tão generosa que é, às vezes até dá o que não se procura.

No outro dia, quando – claro que não o procurava!… – encontrei num certo portal um slideshow do Salão Erótico de Lisboa. *
(…Não vale a pena irem a correr que já acabou dia 2.)

Com fotografias giras, sim senhor, mas pouco conformes (se eu usasse o termo “decentes” haveria pessoas que se melindrariam) a um visionamento aberto por qualquer puto charila perdido entre “WWWs” e “.COMes”.

Sei que nada é por acaso.
Que se este portal – como outros – não tivesse de vez em quando algumas porno-chanchadas ou coisas deste critério duvidoso, menos pessoas lá passavam, mas… chiça!
(…Já referi que os meus posts da Carolina Salgado, apesar de terminada a experiência, dobraram as visitas?…)
Não vou pôr o meu filho “à frente” do Magalhães para se cruzar sem saber com sessões de chicha tendida.
(Que as referidas fotos eram bem mais que o que mostro…)

Vá lá, parece que a BALDA tem partes boas. Estas da paródia.
Em que o descontrolo social é espelhado de forma exactamente igual a outras, em que a desregra se prepara para colher exactamente da mesma maneira, mas sempre deixa na boca aquele travozinho agradável do consumo, sempre deixa o papinho cheio de momentos.

Tudo é banal e o banal é tudo.

Belo Mundo Novo, hã?…

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* Porque eu sei que tenho alunos meus a passar por aqui, deixo um link alternativo...  😉

Figuras do Estilo

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Manuela Ferreira Leite tem de falar!
Assim está obrigada pela condição de “líder”(?) da “oposição”(?). Só falando se vai à têvê, e a senhora quer mesmo ir à têvê.
…Portanto, fala.

E tornou a falar, e tornou a aparecer, e tornou a cobrir-me – a mim, aos sociais-democratas e ao País – de vergonha.

Calma, que não me refiro à sua “apologia dos seis meses sem democracia”!
Essa foi uma pileca estafada que algumas figurietas montaram e esporaram até dar cabo dela, ora para cobrir mais uns metros no despique político sem terem de suar a camisola, ora para vender papel de forma preguiçosa e contemplativa!

…A escandaleira à volta da “apologia dos seis meses sem democracia” foi tão estúpida como quem a alimentou.
Por exemplo o sr. Ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, que “exortou o PSD a esclarecer as declarações” de Ferreira Leite e as apelidou de “gravíssimas“.
Por exemplo o sr. líder parlamentar do PS, Alberto Martins, que não só condenou a “atitude anti-democrática” de Ferreira Leite, como manifestou o seu “repúdio veemente” pelas palavras e acusou a “cultura autoritária e ausência de cultura cívica” de quem as disse.
Como por exemplo o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, que apelidou de “despropositadas e infelizes” as declarações, sentenciando que “há ironias que não se podem fazer“.
Por exemplo Pedro Passos Coelho – inevitável sombra fantasmagórica a pairar sobre Ferreira Leite – que não acreditava que a oradora “tivesse querido dizer aquilo que disse“.
Por exemplo – o  já caso clínico – Luís Filipe Menezes, que disse que fora uma “ideia bizarra“, que deveria ter feito “Sá Carneiro dar voltas no túmulo“.
Por exemplo o “prof. Marcelo”, que – críptico – falava de relativizar sobretudo em período eleitoral essas declarações no que têm de confusão entre democracia e ditadura(?!?!?).

…Por aí fora.

Todos eles estúpidos.
Ou de carreira, ou de circunstância.

Alimentados por uma imprensa que falava de “uma líder debaixo de fogo“, da sugestão de”interrupção na democracia“, da ironia “que foi longe demais” e outros incendiarismos.
Culminados pela patética prestação de esclarecimentos por Marques Guedes, sobre o que toda a gente já tinha mais que percebido não ser o que se quis que fosse.
(Como brilhantemente nesta crónica ficou dito.)

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O que não isenta Ferreira Leite – tanto que foi aí que comecei.

Há uma data de tempo que os meus miúdos já perceberam das aulas de Português o que é uma ironia, esta figura de estilo.
Ao contrário de Ferreira Leite – com a sua idade e a sua rodagem…

A ironia é um jogo de pessoas inteligentes. Em que uma emite uma mensagem codificada e outra a descodifica.
Numa comunicação não só eficaz como gratificante para ambas as partes no que ela tem de jogo…

Nessa comunicação arrisca-se a passagem de uma mensagem falsa, ou inexacta, por forma a salientar pelo contraste o verdadeiro recado do falado ou do escrito.
É dada, por isso, para anular o risco de equívoco – e na medida de evidência que o assegure – uma dica perceptível a quem nos lê ou ouve, por forma a detectar o jogo em causa e desfazer o “absurdo”.
Um tom, um gesto, uma construção…

E é disso incapaz Manuela Ferreira Leite.

Com a sua invariável cara, o seu invariável tom de “paga-me o que deves”, com a rigidez plástica da sua comunicação como garantias numa interacção que se pretende flexível e adaptável, usada por esta senhora a ironia é uma arma mortífera – não por disparar certeira em dada direcção, mas por explodir nas suas mãos ineptas e se fragmentar atingindo todos em redor.

Quem não sabe, não faça.
Que se é um bom princípio para mudar um fusível, também o deve ser para o abrir a boca.

Com este livro, fica a sugestão de uma prenda de Natal.
Para uma mudança da figura ou do estilo.