“World Under Obama”

(...Com dedicatória àqueles a quem a secreta admiração pela América força à renegação.)

Consta que Obama já ganhou as eleições americanas.
(O que espremido na mão ainda pode vir a valer tanto como a vitória de Kerry ou de Gore.)
A comprová-lo, a parada de “Obamas-desde-pequeninos” que se lhe vão emplastrando à passagem. 

…Sabe-se que numa boa campanha de marketing garante quase tanto a mentalização para a compra como o momento da compra em si.
E se o eleitorado (tendencialmente conformado, pachorrento, seguidista…) acreditar na inevitabilidade de um resultado certamente ele acontecerá.
(Excepto se, contra todas as expectativas da “intelectualidade” americana, mais uma vez a América “parola”, “rural”, “ignorante”, “retrógrada”, não der a volta ao resultado e não afirmar a sua voz noutro sentido…)

Certo é que na Europa Obama ganharia com pompa e circunstância!
(…O que, bem entendido, não passa de uma força de expressão, uma vez que tão obamófilo e moderno continente já elegeu até ao dia de hoje 0 cidadãos negros.)
“Obama é que era! Deus lhe dê saúde!”

Só que muita desta euforia nasce de uma clínica mania de inferioridade que era tempo de ir acabando – mais: que só acabando nos permitirá (Nação, Europa, Ocidente) afirmarmo-nos psicológica e civilizacionalmente.

“Um democrata Obama abriria as portas ao multilateralismo global…” – O que cinicamente se pretende não é a melhor escolha para os Estados Unidos. Ou diria sequer para o clima de relacionamento entre as Nações da Terra.
O que se fita é, aliviada a pressão militar e diplomática de uma América hegemonicamente sufocante, apanhar-lhe migalhas do chão e abocanhá-las sôfregas, entre empurrões e delírio, as demais Nações aspirantes a “potências mundiais”.
Não sabendo afirmar-se de forma autónoma, a Europa anseia por vir a ter uma América “amiguinha” do outro lado da rua atlântica, que não lhe dispute em vantagem o palco e os proveitos, que a deixe ir aparecendo. Porque isso da “paz no mundo”, da “sustentabilidade do planeta”, do “desenvolvimento e da equidade” é tudo muitíssimo relativo – pelo menos na prioridade.

Acontece que, ganhe quem ganhar em Novembro, tanto a Europa como o mundo continuarão sob influência (não digo “controlo estratégico” para não chocar ninguém) dos Estados Unidos. E ainda bem.

“Ainda mal”, quando me confronto com o meu orgulho pátrio – que o tenho. Com o orgulho – hoje bastante envergonhado – de dizer-me português. De um País que desejo livre, democrático, poderoso de alma e com um futuro pela frente.
Mas inequivocamente “ainda bem” no contexto de um mundo que aplica a regra crua de não existir vácuo na geoestratégia: não há espaços por ocupar, não há espaços em branco. E se uma força civilizacional, política, ideológica, moral, não ocupa o espaço, alguém proveitará para o fazer…
…E a Europa é um tudo-nada cultural que se limita a ocupar um espaço geográfico. Como peso morto de civilização em que se vai tornando.
E as ameaças existem.
E se geneticamente a Europa e a América estão ligadas – quer agrade, se abomine ou nada pese – alguém vela activamente pelo resquício da nossa identidade.

Claro que há quem goste mais de chazinhos.
Desviar a conversa para outro lado.
Quem escolha fazer-se desentendido, brincar aos analistas ou aos “americanos virtuais” e “preferir muito muito muito” Obama a McCain, como se num momento libertador de escolha vital lhe rasgassem o peito inflados sentimentos de impertinente pureza política.

A questão para mim é simples. É preferível para a Europa fazer parte de um mundo sob Obama ou sob McCain?…
Não sendo para mim a resposta clara ou fácil. (Ao que hei-de voltar…)

Entretanto, como exemplo de que estar debaixo deste ou daquele às vezes é uma mera questão de circunstância, fica um clipezinho da palhaçada – que desde os primórdios se sabe que são os mais certeiros…
…Só para refrescar a memória. 

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