Os Empatas

“Ai que horror, e tal!”, que o sistema financeiro americano começa a estalar de inchado…
– Após décadas de corrida cega para o abismo, o Way of Life moderno ameaça o colapso.

Começam a chover pesadas sobre os mercados provas finais que atestam – além das conjecturas apocalípticas e por isso sempre despiciendas – que as espirais de endividamento não são auto-sustentáveis…
…E que a Finança – por mais conceptual, hoje a anos-luz do dinheiro no colchão – perante as naturais convulsões do mundo lhes está tão vulnerável como sempre.

E que quem deve, deve sempre; quem há, sempre haverá.
O que pode variar são meras taxas de juro.


O comum mortal acreditou MESMO na história de que a material modernidade lhe supriria não só as necessidades como as veleidades.
Que a sua alma se completaria, satisfeitas as promessas de uma generosíssima Babel bancária.
Que ocuparia o seu lugar devido na intrincada arquitectura da felicidade global ao fazer a ínfima parte que lhe cabia: pôr o seu pescoço no cepo… E o dos seus. E o dos vindouros. E – sem o saber – o pescoço do próprio circo inconsciente que alimentou e que ao afundar-se consigo o afundaria ainda mais baixo.


Estas são as notícias na têvê.

Outra coisa são as interpretações dos factos.

Tenho ouvido inúmeros “comentadores” “comentar” nos seus “comentários” que observamos hoje, através destas convulsões de capitais, a queda – ou pelo menos, vá lá, o tropeção – de uma sociedade americana e do sistema materialista em que culturalmente chafurda e com que vai porfiando na intoxicação do pobre mundo normal. Berço do capitalismo que hoje tão cabo dá do que tanto trabalho deu a conquistar em todos os continentes aos mouros dos libertarismos e dos igualitarismos.

…Mais: se observámos nos 90s o esboroar político do Bloco Soviético nas mãos dos seus dirigentes – que não souberam cumprir o ideal e o ideário socialistas – observamos hoje o desmoronar do que restou da Guerra Fria, o resquício vergonhoso de uma Nação arvorada em superpotência mas minada por um cancro social cujos sintomas agoram se manifestam agudos.

Teríamos assim, hoje, perante nós, o cair de um pano adiado.
O desenlace protelado de um desafio a que alguns atribuíram prematuras vitórias e derrotas, mas que agora se afirma como acabando num empate.


Acontece que – como de costume – discordo deste tipo de análise.

Ver assim o mundo e o dia de hoje é manifestamente míope. E desonesto.

Colocar em dicotomia o socialismo (soviético ou outro) e o capitalismo americano, no patamar comum dos erros que se equilibram e anulam se simultâneos e que grassam viçosos se solitários, é um exercício grosseiro.
Equiparar em natureza um sistema político com um aspecto de outro distinto, misturar de forma tão espalhafatosa alhos e bugalhos, facilmente se confunde com um expediente de diversão e ilusionismo.

O socialismo não é confundível com uma economia de mercado.
Como a democracia não é confundível com uma economia planificada.

Uma economia mais ou menos aberta – com os seus pecados próprios – é confrontável com qualquer outra diferente.
Um regime mais ou menos respeitador da identidade e potencial do indivíduo apenas rivaliza com outro sistema complexo e completo com propostas contrárias.

Evidente…

Sendo fácil desmontar a falácia.


Como poderia um regime chinês conjugar com tanto sucesso o exercício de um poder totalitário de esquerda com uma economia de investimento, produção e comércio tão “capitalistas”…

Como poderia um regime russo conjugar com tanto sucesso o exercício de um poder totalitário de esquerda com um figurino social, cultural e político tão “capitalistas”…


Como poderia um regime cubano conjugar de forma tão esquizofrénica o exercício de um poder totalitário de esquerda imposto ao seu povo com uma paralela vivência paradisíaca de Estado-resort tão “capitalista”, coincidentes no espaço…

…Se o socialismo não fosse também ele tão passível de albergar – mutualista – ao seu seio farto e entumecido o expedito “capitalismo”?

E é aí que radica a questão: só por limitação cromática de interpretação se pode continuar a afunilar obssessivo nos Estados Unidos a “paternidade”, a “sediação”, a “responsabilidade” ou o ónus da “exploração” dessa coisa do “capitalismo”.

Após ter dado ao mundo o mote para o estabelecimento de Nações livres e confiantes no futuro das suas mãos – quase 15 anos antes dos revolucionários franceses! – muitos foram os povos que mais tarde ou mais cedo optaram pela democracia republicana como o sistema que os governasse.
Pela liberdade de intervir ou de se resguardar, de agir ou de se abster, de optar, na relação consigo mesmo, com os outros, com o Estado,… ou com o mercado. (Repito, desnecessariamente, “com todos os pecadilhos e falhas que às liberdades vêem apensos”.)
E muitas Nações adoptaram hoje essa liberdade financeira – quer enquadrada em sociedades genericamente livres, quer como uma tranche de “liberdade cirúrgica” que as sustenta…

O que não é bom nem mau. É um facto.

Espantoso é o apartheid civilizacional auto-infligido por alguns, que numa cirurgia a frio se amputam de um corpo global a que pertencem, apenas pelo penhor de poder “de fora” – quiçá “independentemente” – elaborar juízo sobre aquilo que os demais por força do comprometimento não alcançam.

Prefiro por isso fazer votos de que o terremoto financeiro “norte-americano” seja a tempo minorado.
Que os “capitalismos” latino-americano, europeu, africano, asiático, oceânico não sejam afectados com  violência.
Que as economias de mercado nacionais, regionais ou global possam manter-se estáveis. – Só assim o porco do “capitalismo” poderá ir sendo amestrado e corrigido como deve, num globo – liberto há mais de uma década da sombra do derrotado socialismo global – exigente e humanista.

…Mais que armar-me em empata e, num momento-chave da nossa vida em comum, confundir tempos, perder contexto e ficar, inútil, sozinho num canto, de bandeirinha na mão, a falar a língua de um homem só.

Advertisements

Bola Vermelha


Hoje é dia de derbe. Por isso pára o País.
(É verdade que também é Sábado, e por isso não havia muito para parar… mas o que que houver para parar é que pára mesmo.)
É dia não só de ver porfessionais a correr atrás do esférico, mas de ver os máiores da praça!

Pena é que o resultado não seja grande surpresa.
Basta ver a – equilibrada – capa d’A Bola para o perceber….

Aliás, eu até vos explico a metafísica desta equação…, mas ‘perem aí qu’antes vou buscar uma mine

Será Mesmo Possível?…


Será mesmo possível?…
…Que uma ideia na net germine, cresça e colha?
Nesta net – tão parecida com o mundo real – controlada pelos poderes, pelas cliques e pelos mal-fazejos.
Será possível?

Julgo que sim.
Não é a primeira vez que recolho pistas aqui e acolá, que me espicaçam. Que digiro e que reposto com uma roupagem de opinião algo diferente.
Novidade novidade foi encontrar no Hora Absurda adesão à “campanha” dos Idiotas.

Fora o prazer que me deu, vi colar uma ideia original. (Que na vida o que valem são as ideias.*)
Que estando ao alcance de todos lançar a semente do seu pensar, se calhar até estará a possibilidade de colher.
…Que não é mais que estreitar um pouco esta afinidade de sermos iguais.

Ainda que o propósito de cada um não seja a pregação nem converter, é capaz de ser possível começar alguma coisa.

Porque não uma revolução?

* [Com uma piscadela de olho ao PCS.]

Ao Longe

Ao longe no espaço e no tempo a música surgiu. E uma possibilidade de comunicar de ainda hoje nos socorremos com sucesso.

Da Bulgária profunda… Uma canção, um clip em que a acronia passa por nós. (*)

(* É normal que não encontrem “acronia” no dicionário lá de casa. É que foi inventada agora – ainda está quentinha.)

Azul Celeste

“WC Pato”, uma instituição nacional.
Seja em líquido, em bloco, em toalhitas, em espuma, na retrete, no autoclismo, com esta fragrância ou aquela, em Vinhais ou no Pontal.

Gerações sucessivas conviveram e cresceram com o agradável cheirinho e com a reconfortante sensação de fresquinho.
Se tudo na vida fosse tão simples e puro… éramos capazes de estar tramados.

No outro dia dei-me ao trabalho de ler as costas desta coisa de cheiro.
E, qual não foi o meu espanto, dei de caras com a maior das franquezas (a que a lei obriga) do produtor do dito.

“Blá, blá, blá, não meta na sopa, não o fume, não tome banho com ele, compre muitos e… pode causar efeitos nefastos a longo prazo no ambiente aquático!”
Woops!…

Agradeço que mo digam… A sério.
(Até porque da próxima vou ver se os outros também o dizem…)
Mas dá que pensar.

Com tão má fama que as águas de saneamento têm, parece que as perfumadas águas aniladas que por magia o Pato produz não lhe ficam muito atrás.
Parece que a peixeirada, as plantitas, os bichinhos daqueles que são tão pequenitos que a gente bem se pode esforçar que não os chega a conseguir ver, em salmoura do Pato, vai toda para os anjinhos, de volta para o Criador…
É brutal!

…Aliás, se calhar é daqui que vem o termo “Azul Celeste”.

[Nota: Este post não teria sido possível sem a amável
colaboração do site do Continente. Por isso, um agradecimento à
Sonae Distribuição e um abraço reconhecido ao BP.   LOL]

Falar…

Não sei que mais posso dizer-vos senão isto: falar pode mudar o mundo.
Pode mudar-nos a nós, se estivermos abertos a ouvir.
…Acredito que sim.

O Projecto TED, baseia-se num conceito muito simples: pôr pessoas a falar para o Mundo.
Não do alto de uma torre nem de uma cátedra carunchosa, mas perante uma sala, para a net, de mãos vazias, munidas das suas ideias e das suas palavras para as comunicar.

E o resultado é assombroso.

Para – pequeníssimo – exemplo, aqui ficam “5 Coisas Perigosas Que Devia Deixar os Seus Filhos Fazer“.

(Ou para ver aqui...)

…E mais! E mais… Muito mais.

Assobiar Para o Lado

(Apesar de tudo, os mais distraídos leiam de novo: "...em Londres", não "...em Loures"!)

Talvez seja a primeira vez que abordo este tema – ou pelo menos desta forma –  e cheira-me que não há-de ser a última.
“A Ameaça do Fundamentalismo Islâmico”.

É um tema que me suscita a maior apreensão. Na directa proporção da gente que tenho visto (ou lido) sorrir por dentro e por fora à alusão a estas palavras conjugadas.
…Uns sorriem em desdém, considerando esta ameaça um mito urbano que apenas uns tolos tagarelas propalam a partir de refeições rápidas comidas nos media.
…Uns sorriem, superiores, julgando tratar-se de mera questiúncula levantada por xenófobos hiper-ocidentalizados, limitados na sua mundivisão.
…Uns sorriem, cínicos, adivinhando na denúncia um serviçalismo ideológico mal disfarçado a nações ou figuras auto-proclamadas hoje combatentes dessa ameaça.
…Uns sorriem, cáusticos, descobrindo uma colagem iniludível da denúncia da ameaça fundamentalista islâmica a afinidades pessoais a uma fé diversa, o que forçosamente condicionaria o juízo.
…Outros sorriem apenas, ignorantes.
Mas a questão existe. A ofensiva radical islâmica em curso sobre o Ocidente.

Mão amiga (…) fez-me chegar este recorte de jornal.
Onde se lê – o texto é curto e deve ser lido como documento com valor histórico – que em Inglaterra foram constituídos cinco tribunais islâmicos, estando previstos mais dois para breve.

Cinco.
Tribunais islâmicos.
Em solo inglês. Na União Europeia.
Que vão encarregar-se de questões como “divórcio, violência doméstica, disputas ou heranças“.

Já não lá nos confins do mundo, nem sequer às portas turcas, mas dentro da nossa casa.
Tribunais competentes para julgar direitos e obrigações de cidadãos europeus.
À luz da Sharia, a lei religiosa corânica.


Começo por assinalar a fonte da notícia: o “Jornal das Maluqueiras”, ou dos Ignorantes, ou dos Desinformados, o Correio da Manhã – que não a inventou! (Alguém viu este assunto referido nalgum outro lado?…)
Um periódico considerado superficial, mundano e sensacionalista, membro estranho ao clube da “Imprensa de Referência” da nossa intelectualidade.
…O que permitiu dizer que a notícia apareceu nas bancas -“porque ninguém quer fazer segredo disto…”- mas simultaneamente remetê-la para o beco dos Ronaldos, das novelas, da faca no bucho, num enrolado de pretensa sub-informação.
Desta forma – objectiva e recorrente – a piedosa imprensa nacional mantém a cabeça das pessoas comuns livre de preocupação, alheia a uma realidade sobre a qual não possui qualquer esboço mental, em qualquer formato que seja.


Mas o conteúdo da notícia, fala por si.

Desmentindo alguns emproados – que continuam a tocar com o barco a pique e a atirar-nos areia para os olhos -, do que tomamos conhecimento é do chega-para-lá consentido que a avassaladora vaga demográfica muçulmana dá já às tão “God-save-the-Queen“, Anglicanas e “Saint George” sociedade e cultura britânicas.

Neste momento, uma das nações mais ciosas da sua tradição e raízes – porque não dizê-lo: até chauvinista – da Europa, cede em toda a frente à avalanche cultural islâmica que primeiro a minou por dentro e a obriga agora humilhada a sujeitar-se-lhe.

É uma apontamento de mau gosto dizer que estes tribunais religiosos não se equiparam aos tribunais civis nacionais. Que só por eles são julgados casos de cidadãos quando “ambas as partes aceitem ser julgadas pela lei islâmica“. Que não existe uma colisão sangrenta entre as suas esferas de intervenção.

A criação de tribunais paralelos, à medida, concorrentes na imposição de lei – na “d’A Lei”! – é uma abominação.
Para mim, curiosamente… Cidadão anónimo, irrelevante, ignorante das questões da política, do direito, da história, da psicologia, da religião, da filosofia, das questões técnicas que regem o mundo…
Mas não para os sábios de cada uma destas disciplinas do saber humano. Não o suficiente para que uma liga destes se faça ouvir impondo-se a que tal se concretize. O que me parece curioso.

Talvez honrando o podre compromisso do “politicamente correcto”…
Talvez para não “hostilizar” quem é “diferente” “segregando-o”, para não ter um “discurso de ódio” perante ele.
Talvez para em nome da “tolerância”, da “integração”…
…Ou então por medo. Ou por interesse. (Não sei qual deles o pior.)


Que não é da vida ou do futuro desses tecnicistas do pensamento que se trata. Mas das condições de vida que se permitem às gerações futuras.

Quem decente pode admitir que seja a lei corânica a julgar questões de “divórcio, violência doméstica, disputas ou heranças” num país europeu?

_______________________________________________________________

Para ficar com uma ideia das linhas com que coserá um tribunal baseado no Corão, sugiro a consulta deste site, uma espécie de manual prático corânico, em “português”, adoptando as roupagens modernas do palavrismo soft.

1 – “Se o divórcio não for baseado em motivos Islâmicos, então o divórcio é no mínimo cencuravél e extremamente desaconselhavél.” “Quando o divórcio é baseado em motivos Islâmicos, então é permitido. No caso de a mulher ter carências em professar a sua fé ou ter fraqueza na sua honra, enquanto que tu como esposo não estás na posição de exercer influência sobre isto, então o divórcio é desejado.

2 – Falando de violência doméstica (que infelizmente traduzo livre por “direitos das mulheres”)…
2.1 – Niqab: “a mulher é obrigada a cobrir tudo, inclusivamente as mãos e o rosto. Esta é a afirmação correcta.”

2.2 – Excisão: “pode ser dito que alguns estudiosos, como ibnu Hazm ad-Dhaahiri, disse que a circuncisão de uma mulher é recomendada, e pelo menos isto revela que a circuncisão feminina pode ser considerada como permitida. […] Temos que considerar que este acto é permitido, e não necessário, obrigatório ou recomendado.”

2.3 – Sobre aquilo a que no Ocidente ainda chamamos pedofilia: “um dos últimos ataques ínimigos [do Islão] refere-se ao casamento do Profeta com Aisha. Eles dizem que é contra a natureza e perverso que um homem de mais de cinquenta anos se case com um rapariga de seis anos de idade.” “Todos devem saber que o Profeta na realidade casou com Aisha quando ela tinha seis anos de idade, mas o consumo do casamento só ocorreu no seu nono ano de idade“.
(E a quem se deslumbre pelo “simbolismo” do texto alcorânico, aconselho que se actualize. Um texto cheio de benções, “a única lei na terra“.)


2.4 – Casamento (da mulher!): “Uma das maneiras em que o Islão homenageia a mulher, é por lhe conceder o direito de ela escolher o seu marido. A mulher crente conhece este direito, mas não nega o aconselhamento e orientação dos seus pais se um candidato potencial passar de visita. Isto porque os seus pais só querem o melhor para ela, e porque têm mais experiência na vida e mais compreensão da natureza humana.
O Mensageiro de Allah disse: “Se alguém sobre quem vôces estão satisfeitos sobre a sua fé e carácter pergunta pela mão de uma das vossas filhas, casa [as vossas filhas] então com ele, porque se vôces não fizerem isto Fitnah [decadência moral] irá de ocorrer na terra e irá de espalhar imoralidade amplamente.”
O homem tem o direito de Qiwaamah [autoridade/supervisão] sobre a sua mulher, como Allah diz no Alcorão“.

2.5 – Sobre a poligamia, regozija-se por a porta se ir abrindo já na Europa…

…Etc.
Tudo isto escrito e claro para quem quiser lê-lo.
Num site soft, mais em tom de Relações Públicas que de Madrasah, em que cada “esclarecimento” se assume sentença com o selo inquebrável da citação do Livro e da exegese, normalizadora dos costumes e com peso de lei – uma Lei Universal, não destinada apenas aos fiéis mas dirigida a eles como disseminadores da Palavra ao género humano.
Na Europa a conquistar, na Rússia a converter, no Mundo

_______________________________________________________________

Ao abrir uma porta desta natureza, o Mundo Ocidental – mais especificamente a Europa – perverte a sua tradição e perde a sua face.
Após séculos de história em que progressivamente adormeceu no aconchego indolente do “desenvolvimento” e do conforto, uma civilização vê-se colher paulatinamente o que semeou. Vê coroar-se um percurso suicida de debilidade e negligência.

Decadentes e majestosas,  Nações inteiras disfrutaram sem fim do sucesso da ciência e da técnica, da paz, da abundância e da longevidade, do prazer de existir. Descurando para lá do limite do imaginável o avivar necessário da chama da sua identidade – único pretexto válido para a sua existência livre.
…Como o foram fazendo, zelosas, Nações “menores”, de menores recursos, de menores realizações e menor relevo no passo épico da Humanidade, cientes, noutra escala, de que só o relato permanente do seu passado legitimaria a sua sobrevivência. No que lograram.

O afamado “Choque de Civilizações” é real. Mas não na acepção que vulgarmente se he dá.

No que toca à Europa, existe hoje um “choque”. Mas não entre dois blocos civilizacionais em confronto.
Existe antes um “estado de choque” em que se encontra uma certa parte de um bloco civilizacional que vislumbra em espanto um tsunami que se abaterá sobre si e ao mesmo tempo a absoluta apatia à sua volta… Esse, o verdadeiro “choque de civilização” na Europa.

Da convergência geográfica e histórica entre culturas distintas e intimamente divergentes, a que assistimos, nenhum “choque” resulta, nenhuma perturbação, a mínima agitação.
Tão-só a dolorosa confirmação da verdade física da natural inexistência de vácuo… Falta de comparência do Mundo Ocidental no concerto das civilizações, ocupação do seu espaço por uma miríade de canais de civilização que a infiltram ramificados, tentaculares e profundos.

Que nada disto seria forçosamente grave. Nada seria forçosamente mau… Apenas – mais – uma natural mutação histórica de hábitos, influências, regras em sociedades; como tantas idas e tantas a vir.
…Não fossem o radicalismo da mudança em curso e a determinação dos que prezam o seu modo de vida e o suor dos que lutaram para que ele se estabelecesse firme e crecesse com esperança no seu aperfeiçoamento.
Esses poucos, único obstáculo, último reduto da resistência à pilhagem da sua cultura.

Talvez fosse o momento histórico para a Europa parar e reflectir. Com urgência.

Para pararem e reflectirem os obreiros da “igualdade-indiferenciação” que tornaram a Europa uma folha em branco a ser reescrita. Já sem os claros referenciais morais judaico-cristãos por assassinato às mãos do laicismo desenfreado; já sem as claras balizas éticas humanistas europeias por assassinato às mãos de uma classe dirigente geralmente apostada no próprio governo da esfera que ocupa; já sem claras feições de ocidentalidade por pudor de ao assumir naturais laços culturais se melindrarem vizinhos geográficos e parceiros de negócio.
Para reflectirem os obreiros da “tolerância-desmazelo”.
Para reflectirem os obreiros da “multilateralidade-devassidão”.
Para reflectirem os vendilhões – em todas as Nações – dos mais básicos patriotismo e responsabilidade histórica.

Todos eles responsáveis pelo assomar ao abismo.

Assim o “politicamente correcto” soma e segue-nos na direcção de uma eira em que, insciente, seria degolado na primeira oportunidade, sem contemplações.
Assim os ideiais congenitamente alterados de “tolerância” ou “integração” levam invariavelmente a conceber o que não corresponde à prática e a praticar do que consequências não se podem prever.
Assim a opinofobia irresponsável impede uns de falar e veda a outros o acesso à informação que talvez lho suscitasse. Num ciclo fechado de toxicidade e decadência.

A Sharia, hoje, já passou a soleira da nossa porta.

Talvez seja a primeira vez que abordo este tema – ou pelo menos desta forma –  e cheira-me que não há-de ser a última.
“A Ameaça do Fundamentalismo Islâmico”.

_______________________________________________________________

Atipicamente, todas as fotos deste post foram retiradas de fontes abertas na internet.

_______________________________________________________________

[Com saudações particulares ao OB e ao JN.]