Mais Ausente

A caminho de férias, ficar ainda mais ausente.

Ausente da ausência.
Numa pausa na pausa.

Sempre Ausente“, do António Variações – Anjo da Guarda; 1983.
Porque há coisas simples muito bonitas.

Apreciem. Muito. Tudo.

Um Ano e Mais Um

Mais um aniversário.
Assinalado fora de tempo. Claro.

Dois anos depois, quase trezentos pretextos depois para marcar presença numa net sem rostos, bolo para todos…

Comemoração não sei de quê.
As dúvidas persistem.
Qual o propósito?

Se julgar que algum, estou enganado.
A vida é muito mais larga que isto. Sonhos por cumprir.
E cada minuto gasto é um minuto irremediavelmente perdido.

Se disser que não, como explicar-me?
O que faço aqui? Diluviando letras atrás de letras, fios de palavras, ribeiros de frases, marés de discursos…
…Para nada?
E porque sinto sempre que tenho de voltar?

Cada um escolhe as suas Fúrias.
Mesmo sem se dar conta.

Criaturas das Profundezas, forças de Criação – cuja energia consome e destói.
Parteiras para a vida, mas Ira dos Mortos – insatisfação, nostalgia, remorso e vazio.

Ainda assim, justiceiras brutais, niveladoras da Vida desregrada do Homem falível.

No dia do aniversário coloquei o post da geração blog.
Pode ser que a voragem nos poupe, ao não nos consumir de vez…

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Se Querem Que Eu Vos Conte


Posso? Agora?…
Querem que eu conte?

Tem sido bem divertido ver aparecer na boca dos génios do pensamento as palavras “Quinta da Fonte”.
Divertido. Surrealista.

Quando a Fernanda Câncio – sim, essa – fala da Fonte, ponho-me eu a pensar: “Ah, pois, ela sabe do que fala, que a sua santa avozinha morava lá num T2.
Ou o António Vitorino – “
Ah, sim, a caminho das Assembleias Gerais do Santander-Totta é vê-lo a beber mines no Café Mourão.”
Ou o Marcelo Rebelo de Sousa. Que como qualquer mortal também tem Google Earth em casa, o que lhe dá alguma noção de para que lado é que a Fonte fica.

Eu sei um pouco do que falo.
Eu sei onde é e o que é a Quinta da Fonte.

…Eu, o Geolouco, a MaisDia, o Jaime, a Loba, a AbelhaMaia, a I.R., o F.F. e tantos outros compadres a quem por razões que nós sabemos tiro o meu chapéu.



Já passei três vezes pela E.B. 2,3 do Alto do Moinho e uma pela
famosa – e até polémica –E.B. 2,3 da Apelação.

O que me fez ir ao baú repescar o Projecto Educativo da E.B. 2,3 da Apelação, cuja elaboração coordenei em 2000, com base na informação oficial disponível à altura.

Dizia então o Projecto Educativo, na “Caracterização do Meio Escolar”…

«A FREGUESIA DA APELAÇÃO:
O nome “Apelação” parece ter a sua origem numa peste ocorrida há vários séculos em Lisboa e arredores. A população veio refugiar-se neste lugar, que não estava afectado, “apellando” à protecção de Nª Sr.ª da Encarnação. Passou a freguesia em 1594. […]
Em 1991, segundo o censo efectuado, tinha 3419 habitantes. Com base na actualização dos cadernos eleitorais de 1998, calcula-se que a população da Freguesia seja de 9000 habitantes, tendo já em atenção os novos realojamentos da Quinta da Fonte. A Freguesia da Apelação tem uma elevada densidade populacional, sendo superior à média do Concelho, […] com forte grau de urbanização. […]
Praticamente não há população a trabalhar no sector primário, no entanto o sector secundário ocupa 51,6% e o terciário 46,9%. Predominam os operários industriais, tendo grande peso os indiferenciados – as actividades ligadas aos serviços pessoais e domésticos absorvem um grande número de postos de trabalho.

OS BAIRROS DA APELAÇÃO[…]
O BAIRRO DA QUINTA DA FONTE

A Urbanização da Quinta da Fonte é um empreendimento composto por um total de 776 fogos, destinados a realojamento. Pertencendo a maioria dos fogos à Câmara Municipal de Loures.
Metade dos residentes são provenientes da freguesia do Prior Velho, do Bairro Tete e da Quinta da Serra. 20% são provenientes da Quinta do Carmo, Freguesia da Portela. Os restantes 30% provêm de outras freguesias. Consequentemente, verifica-se uma grande diversidade socio-geográfica da população residente.
Há que considerar também uma grande diferenciação etnico-cultural que, segundo estudos feitos pela C.M.L., apontam para uma presença de 40% de famílias de etnia africana, 39% de famílias de etnia cigana e 21% de etnia branca. Numa análise por nacionalidade dos indivíduos residentes, predomina a nacionalidade portuguesa (71%), embora coabite com diferentes outras: cabo-verdiana, guineense, são-tomeense.
Segundo os mesmos estudos, a população idosa representa apenas 4% do total de indivíduos e 79% da população tem até 34 anos.
É de salientar que se verificam baixos escalões de rendimento, nomeadamente devido ao fraco grau de escolaridade, às baixas qualificações profissionais, ao desemprego e vínculo laboral precário. Numa análise por agregado familiar, o escalão de rendimento mais representativo é o de 55.000$ – 100.000$00. […]
A população activa desenvolve a sua actividade profissional na venda ambulante (maioria), na construção civil e em actividades ligadas a serviços domésticos e de limpeza.»

Uma povoação centenária de perfil rural avassalada nos anos 90 pela implantação de um maciço populacional edificado; uma sub-sociedade implantada mas não harmonizada ou integrada que desde então tentou o equilíbrio da influência e dos espaços; uma força de trabalho desqualificada terrivelmente vulnerável à instabilidade socio-económica; uma comunidade com as virtudes e os vícios de uma juventude em risco.

Um caldo inconsistente que fervia já assim há quase dez anos atrás…

Agora, tiros, agitação, choque das boas consciências.

Pude dizer no outro dia, no Fórum TSF, que antes de tudo há na discussão superficial da Fonte muita contaminação por asneira (talvez deliberada).

1º – “Esta foi uma rixa pontual. Apesar das tensões vividas no bairro, este é um cenário atípico.”
Não, não é. Sei-o e afirmo-o. E mesmo quem fingisse que não o saber não poderia iludir notícias como as de Março do ano passado, com “carros incendiados e tiros disparados” na Fonte, por “jovens”, durante a noite.

2º – “Estes foram desacatos provocados por desavenças entre vizinhos, que como problemas pessoais não podem confundir-se com choques rácicos.”
De facto não podem. Mas porque os conflitos raciais descambam em tiroteio e as “desavenças” acabam como há algum tempo atrás com uma larga saída da urbanização de ciganos desavindos entre si.

3º – “Os moradores da Fonte são vítimas da sociedade.
Em certa medida. Apenas.
O realojamento destes moradores foi feito em condições sociais a muitos títulos condenáveis. Mas não é menos verdade que foram – em grande parte – resgatados da miséria sanitária da vida que levavam em bairros de lata.
Atingido por estes um patamar de condições básicas de vida, competia-lhes – bem entendido, aos que nunca o fizeram – lutar pela fuga a uma dependência crónica dos rendimentos garantidos que eu pago (90% desta população, avançaram os jornais).
A actividade da(s) “venda(s) ambulante(s)” de ciganos não os auto-qualifica para exigir o que alguns moradores esforçados e honrados (ciganos ou não) exigem ao poder tutelar.
A importação a grosso de famílias africanas – com a conivência de um Estado relapso – até ao vigésimo grau de parentesco, para fogos e urbanizações que não expandem, não revela qualquer capacidade da parte deste grupo social de conceber para si mesmo um plano integrador na sociedade com condições mínimas de bem-estar.
…E miúdos que vão à escola receber a única refeição decente do dia, apenas senhas para o passe, o apoio financeiro da Acção Escolar, uma palavra de conforto, o conselho básico de higiene, são factos diários que competiria a estes grupos acautelar.
Dar o peixe e a cana e pôr a mesa e pré-mastigá-lo e vê-lo ficar na borda do prato? É demais.

4º – “O poder político tem estado atento ao isolamento social.
Em situações destas apenas releva se o problema está resolvido ou não.
Se em Loures o Presidente da Câmara foi politicamente colhido pela situação como que por um touro, também merece o que lhe acontecer. Dizer que lhe tem dado “atenção muito especial” é não dizer nada. Confessar-se “convencido que alguns problemas que surgiram no início do realojamento dos habitantes da Quinta da Fonte estavam solucionados” é invocar uma inadmissível ignorância. Recordar que “há pouco tempo numa festa na Quinta da Fonte […] tudo estava tranquilo e pacífico” é de uma pobreza demolidora.
Se o Presidente da República vai à Apelação para as fotos e para as palmas validar a mudança da realidade, é ele que leva os tiros que só resvalam nele pela baixíssima qualidade da nossa imprensa. A intervenção dos jovens é fulcral, mas “têm conseguido melhorar o ambiente na freguesia e no bairro da Quinta da Fonte? Dependerá deles? E que prtessão tem feito o PR para provocar respostas eficazes?
Se o ex-PR Jorge Sampaio diz com o descaramento superior de um Presidente da Aliança para as Civilizações da ONU que “os eventos ocorridos neste bairro não surpreendem pelos problemas que se vêem há alguns anos relacionados com habitação, escolaridade, segurança social e apoio social e profissional destas pessoas“, importa confrontá-lo com os dois mandatos na Presidência e a mesma questão que se coloca a Cavaco Silva.
E sobre as culpas dos Governos sucessivos?, e sobre as deste “Governo”… tanto haveria a dizer.

E o resultado é que como sempre estamos desamparados, estamos sós, estamos mal conduzidos e mal defendidos pelos nossos eleitos.
Como sempre todos são vítimas e ninguém é culpado de nada.
Como sempre a “informação” é espectáculo, mais que responsabilidade. E as tretas derrubam qualquer resistência – dizia a Governadora Civil de Lisboa “Será dado tempo às partes para se acalmarem“…

Como sempre a Natureza se encarregará de encontrar uma solução.
neste caso como a do organismo preponderante englutir um menor.

Não quer dizer é que vamos no caminho certo.
Ou em qualquer caminho que seja.
Apenas o de deixar a Natureza englutir grupo a grupo entre si, até à aniquilação total.

Única coisa que cinicamente se aproveita: a bofetada àqueles que maquinalmente apelidam tudo e todos de “racista” por mera expressão de opinião franca.
Esses andam caladinhos, depois do deboche verbal dos últimos dias trocado entre “os ciganos” e “os pretos“.

A este assunto, ainda se há-de voltar.
Por força das circunstâncias.

"Ginjando Pela Rua"

Encontrei no Mais Dia Menos Dia um post engraçado.
Sobre uma gravíssima aleivosia gramatical que por aí desfila de salto e cabelo solto…

“Gravíssima”, entenda-se, aos olhos de quem a vê.
…Ou, melhor, de quem a perceba.

Daí a graça do post.

Já muitas vezes dei por mima a correr com os olhos a ementa de um restaurante, um folheto de instruções, um texto publicitário, os movimentos de lábios de um falador, com olhito inquisitório, na ânsia maquinal – mas benévola – de topar a construção, a falha de concordância, a falta de pontuação, um lapso de ortografia,…
…Como descrito do texto.

Sei que muita gente engrossa esta fileira da Língua.
Do respeito, da atenção, da defesa, do combate. Mesmo sem especial formação, mesmo sem obrigação.
Mas essa comum tarefa de zelar pelo Português acaba em obsessão para o prof de uma Língua.
É mais forte do que nós.

Lembro-me de um caso em Óbidos. Na última Chocolatada,

Em que fui a um café. Em que fiz o meu consumo. Em que o trouxe ensacado.
Depois do que fora, à porta, fiz um compasso de espera já não sei por que motivo.

E, claro, de saco na mão, lá começou o escrutínio…

E deparou-se-me aos olhos uma coisa do outro mundo – ainda que camuflada.

Duas “ginjas” apregoadas. Num papel de tom diferente…
…Que me apressei a escavar.

Revelando a escavação que onde as “ginjas” se apresentavam, já outra coisa morara:

as “gingas” de um idiota.

Não faço ideia o que interesse topar com um tal achado.
Decerto, menos que nada.

Mas mais uma vez demonstro, à científica exaustão, que mais que estar no ensino está em nós a profissão…

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O Porco do Futebol

Lembrei-me outra vez (…como se me tivesse esquecido) porque é que não olho para o futebol como a generalidade de um País embasbacado pela bola. “Benfiquista desde pequenino” – como o outro – sei que não mudo de camisola.
Mas também sei que isso das camisolas não me leva nem a deitar dinheiro à rua nem sequer a perder horas de sono ou de vigília. (Apenas uns minutos a escrever posts...)

Porque a nobre de uma coisa lá qualquer sobre “desporto” e “competição” e “clubes” e tretas, não é mais que uma memória colada a fotos de homens de outros tempos, de bigodes retorcidos de equipas de ciclismo.

Hoje o futebol é, principalmente, uma rematada pocilga.

Entre a podridão das negociatas entre clubes, dirigentes, empresários de jogadores, patrocinadores, federações, ligas, autarquias, governos, instituições internacionais e outros que mais, dificilmente sobressaem ilhas de noventa minutos semanais em que o futebol agonizante esperneia atenção.

Que se possa conceber anos a fio dirigismo desportivo sinónimo de práticas irregulares, ilícitas ou criminosas impunes, é inaceitável.
É inaceitável que estruturas clubísticas exerçam
impunemente mandatos de disputa de uma coutada tolerada de influência e manipulação.
Não se pode aceitar a simulação da purificação da bola pela perseguição cirúrgica a indivíduos singulares.
Como não se pode aceitar o gozo transcendente do sistema legal por esses mesmos indivíduos, intocáveis porque participantes de uma orgia muito coloridamente concorrida.
É inaceitável a triste figura de usar estratagemas baixos e suicidários para compensar fracassos e impotência para afirmar-se desportivamente no momento e tempo certos.

E ninguém que lhe ponha a mão. Porque não interessa a ninguém com poder que se lha ponha.

Por isso impressiona a javardice desse mundo.

Ainda assim a pureza dos adeptos, à mistura com alguma ingenuidade e um colossal gosto por telenovelas e bonecos, leva muitos fervorosos a seguir cegos pelas cores os clubes e as caras.
A criar facções, fábulas e fé numa coisa que não os alimenta nem os favorece.

Admito que – numa lógica de quem vai ao cinema ou ao Oceanário – possa gostar-se de ver bola, que seja um passatempo, um interesse, uma curiosidade enciclopédica, uma fixação, uma mania.

No meu caso, como não gosto assim tanto de confusão mal explicada entre realidade e ficção, verdade e simulacro, acho – alguma – piada a isto e, como as pessoas normais não se preocupam com as suas próprias escolhas, eu também não e passo em frente.

Em Exame – O Resgate da Tropa Fandanga

(…Sim, Ainda…)

O Mundo é redondo.
O meu e o nosso.

E as ideias e os factos rodopiam numa órbita que – se estivéssemos totalmente despertos – nos serviriam de bandeja o confronto e o contraste entre todas as coisas que passaram e todas as que acabarão por vir.

“Exames Nacionais do Ensino Básico?”
O Resgate do Soldado Ryan!”

Em 1998, um filme esmagador de Spielberg – ainda na memória de todos – contava a história real do Capitão Miller (Tom Hanks), do seu 2º Batalhão de Rangers, do épico Desembarque Aliado na Normandia a 6 de Junho de 1945 e de uma bizarra missão recebida no cenário de combate.

O resgate para a segurança do lar de um jovem soldado, James Ryan, que o Estado Maior Americano decide devolver aos braços da dolorosa mãe…
…Que perdera sucessivos, na torcionária Guerra Mundial, os seus outros três filhos.

Com o que de absurdo tal encerra.

Como se conciliam na cabeça de homens comuns o propósito violento e glorioso de desembarcar na Europa Continental para derrubar o exército nazi e o propósito benévolo e banal de correr a paisagem francesa à procura de um homem para salvá-lo?
Como se conciliam na cabeça de homens comuns a salvação imperiosa da vida de um homem e o risco da vida de todos os outros oito que o procuram?

– Tensões de um grande argumento. –

O Resgate do Soldado Ryan?”
“Exames Nacionais do Ensino Básico!”

Segundo o Ministério, todos os dias nesta terra de Deus 170.000 professores abordam as costas da Educação em “higgins apinhados, tensos e inquietos, numa moderna Normandia.
…Com o equipamento e o treino considerados adequados, adivinham que nem um nem outro garantem o sucesso da sua perigosa missão, aguardando nas frágeis barcaças oscilantes que rasgam o espaço o sinal do desembarque e do confronto…

Cada professor, inseguro, impotente, vulnerável, expectante, obriga-se a confiar a sua vida aos camaradas de armas – que sabe poderem falhar sob a pressão, sob o cansaço, sob o medo, como ele próprio – e numa Providência abstracta cujas regras dificilmente entende, única entidade que pode no último momento poupá-lo ao holocausto.

Todos os dias mais de 170.000 professores galgam em corrida e adrenalina os passadiços tombados sobre a água baixa das praias da Educação.

…Na esperança infundada e inconsciente de ganhar ali a batalha que lhe cabe – e outra, e outra, que se lhe seguirão – de uma Guerra Total em que se joga a Nação, em que se joga o futuro, mas que sente que depende menos de si que de estratégias traçadas na segurança de uma qualquer secretária no conforto de um qualquer gabinete.

E há uma personagem exemplar que para mim se evidencia neste drama: o soldado Daniel Jackson (Barry Pepper).
Atirador furtivo do batalhão de Miller, homem de fé e alma de filósofo.

Quando os oito errantes cruzam os campos da Normandia na busca absurda de um homem a quem vão dar as melhores e as piores notícias da sua vida, Jackson não pode deixar de manifestar ao seu comandante a estupefacção que tem dentro de si sobre os desígnios de um destino caprichoso que não controla.

Jackson reconhece o seu dom divino para a guerra.
Mas não percebe como pode qualquer Força Superior colocá-lo logicamente e ao seu dom natural no local mais improvável para o aplicar.
Numa situação em que aquele aparentemente se torne mais banal e inútil.

Como seria diferente se o seu dedo certeiro pudesse premir o gatilho infalível não em plena paisagem campestre do litoral de França mas em Berlim, na direcção de um Hitler cuja morte, num segundo, ditaria o fim da Guerra e o reinício da História…

Este diálogo, é tido em grupo. Em marcha. À laia de um discurso peripatético numa academia grega.
Sobretudo entre Jackson e o capitão Miller. Que numa deliciosa coincidência – e para estupefacção dos seus homens e do público – era… professor na sua anterior vida civil.

Jackson expande o seu raciocínio sobre o absurdo que une aqueles homens, numa sequência absurda também ela mas enternecedora.
Em que parece que Miller regressou à sua sala de aula, com aqueles homens ferozes-por-fora pela mão.
Pedindo-lhes uma opinião que adivinha paciente que não será a mais acertada, reforçando Jackson a desenvolver o seu pensamento, observando a correcção da exposição, chamando todos os camaradas a contrapor, e os mais incrédulos à partilha da aprendizagem daquele momento…
Superior, cúmplice, humano.

Quando os professores portugueses partem para missões absurdas diárias como os Exames Nacionais, fazem-no como missão. Que não contestam. Que cumprem.
Como sempre.
E pagam-se da simples felicidade do regressar…

Sujeitos ao risco e à solidão.
À incerteza e à frustração.

Sentem que excluídos das razões de quem ordena não são mais que um utensílio. Meio para um fim misterioso.
Que são carne para canhão. Matéria-prima à pazada numa prensa ou num caldeiro, revolvida e requentada.

Sentem que valem mais que isso.
Que são um recurso apoucado. Que por estupidez ou maldade se mantém subnutrido.
…Conscientes de ser pilares de uma força poderosa que sustenta o bem comum.

Há os que chegam. Os que vão. Uns que se perdem. Os que tombam.
Como em campo de batalha.

Uns dias Jackson – lúcidos e inconformados – outros Miller – serenos e repetindo-se que têm de segurar responsáveis os fiapos de uma manta que não o é.

A Educação.
E a paz?

Com uma curiosidade: os professores portugueses, devido à humidade atlântica, esquecem-se muito amiúde que estão no meio da guerra.

O que frequentemente é fatal.
Para si e para quem está à volta.

Quem Por Aqui Passe… III

Muita gente por aqui passa.
Ou, mesmo se não muita, muita para mim…


…Como aquela minha visita repetida de Carcavelos, Lisboa.
Que sempre me evoca o jogo do que está perto e do que está longe. Uma praia. Vivida aqui. Sonhada Além.

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