Ridículo

O milagre educativo português floresce e medra.
Com resultados cada vez mais positivos, frutos desejados da árvore reformadora da Srª Dª Mª de Lurdes Rodrigues.

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…Mas há sempre uma imundície que se cria em redor da árvore…

Então não diz Nuno Crato, Presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática, no dia em que mais de 230 mil alunos do 4.º e 6.º anos de todas as escolas portuguesas realizaram a Prova de Aferição de Matemática,
que a prova “não permite testar o que os alunos devem saber“?

Francamente!

E que «as provas não incidiram sobre o que os alunos devem saber e alguns cálculos exigidos eram “ridiculamente fáceis”»?…

E que «“não se testa o que os alunos sabem fazer, como o domínio dos conceitos e de algoritmos, mas a sua capacidade de interpretação e leitura”»?…

E não fala de um “número exagerado de questões demasiado elementares”?

Vá lá que, por precaução, Nuno Crato não quis afirmar que o facto se deva à necessidade do Ministério da Educação “apresentar resultados“…

Que má-língua!
Ridículo!

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Tons Laranja

O partido dos laranjinhas fez anos. Tantos quantos a democracia (possível) desta terra, que ajudou a fundar.
Motivo para trocar palmadinhas nas costas e acender velas.
De aniversário.


Mas também de velório.
Após o falecimento, por doença degenerativa, de uma Direcção incapacitada há muito para o exercício prático de funções.
Alumia-se-lhe o cadáver ainda quente…

[…O que não deixa de encerrar algum absurdo: com um ano apenas de mandato, Luís Filipe Menezes e sua equipa conseguiram entrada merecida na galeria dos benfazejos do partido, por dois actos memoráveis.
Primeiro, ter apeado Marques Mendes do pavoroso sonho de vir a ser Primeiro-Ministro.
Segundo, ter saído pelo próprio pé antes de correr o risco de o sonhar também.]

Mas mais velinhas se acendem.
Agora de súplica e devoção.

Arrancou a corrida à liderança do PSD. E exige-se que um partido com tanta gente faça sobressair os seus melhores.

Como militante, votarei. Como sempre. Com a maior consciência da responsabilidade que o meu voto pode ter. – Sou dos que acreditam que o que desta eleição resultar tanto pode ajudar ao erguer desta Nação como ao seu enterro definitivo.

E neste contexto de desfile de candidaturas e candidatos, urge fazer uma reflexão definitiva sobre os candidatos que parece arredada do palco político.
– A reflexão de um social-democrata a que não só a oportunidade como a consciência e a coerência me obrigam.

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Candidato Neto da Silva.
Ex-Secretário de Estado de Cavaco Silva.

Não conheço. Não sei quem é. E não voto em quem não conheço. Nem eu nem os outros portugueses. E se nele nunca votariam, por maioria de razão pouco sequer interessa o que o senhor tenha a dizer no presente contexto.

[É cruel, a verdade política.]

Candidato Patinha Antão.

Doutorado em Economia, Professor Universitário, Secretário de Estado-Adjunto, Vice-Director de Direcção-Geral, Chefe de Gabinete, Director de Gabinete, Deputado.

Uma das poucas figuras que pelo partido fala de Finanças como quem sabe do que fala e frequentemente tábua de salvação de um indigente Grupo Parlamentar laranja neste (…) domínio.

Já andou por muito lado, conseguiu mobilizar caramelos para recolher assinaturas por ele – que chegaram a vir a minha casa – mas os votantes não o encaram como um candidato “a sério” nesta eleição.
E se nele nunca votariam“…, idem aspas.

Candidata Manuela Ferreira Leite.

Economista, Directora de Departamento, Directora-Geral, Presidente de Conselho de Administração, Técnica Consultora, Chefe de Gabinete, Professora Universitária, Deputada, Secretária de Estado, Ministra por duas vezes, Membro do Conselho de Estado e Comendadora.

A sua entrada na corrida à Presidência do partido elevou a fasquia para todos os candidatos.
Mulher de longo currículo, muitas artes e imagem publicada de severidade e rigor, com uma longa e fiel corte de dependentes em cascata, é uma concorrente a ter em conta.

Pena é não ter assumido ainda a sua quota-parte de culpa no panorama em que hoje Portugal vive.
Não se é (?) impunemente membro de sucessivos Governos, aparecendo um belo dia como salvadora do País que se ajudou a moldar.
[E é assustadora a proximidade que se percebe entre a sua visão socio-política e a do “Governo” actual.]

Mais: Manuela Ferreira Leite contribuiu activamente para o descrédito em que a política hoje se encontra.
Engrossou a casta da clientela iluminada que assume indiferenciadamente qualquer mandato que esteja à mão, não deixou nem marca nem saudade nos Ministérios que dirigiu – Educação ou Finanças -, não disse “presente!” no momento da vida do seu partido em que era obrigada a fazê-lo (quando Durão Barroso saiu) e limitou-se a integrar o coro grego de agoiro de Direcções, em que muitos dos seus cortesãos se movimentam.

Agora, é mero rosto daquilo que a falange mendista consiga reacender após a derrota que lá vai e do seu objectivo de reconquistar o partido, encerrando um sonho mau em que tem vivido.

Candidato Pedro Santana Lopes.

Advogado, Professor Universitário e Regente, Presidente de Conselho Fiscal, Presidente de Conselho de Administração, Assessor de Gabinete, Adjunto de Ministro, Presidente de duas Câmaras Municipais, duas vezes Secretário de Estado, Deputado, Deputado ao Parlamento Europeu, Primeiro-Ministro, Presidente de Clube Desportivo, Comendador numa data de países.

Santana Lopes concorre fundamentalmente por si próprio. Não pelo seu partido.

Não entendendo que o epíteto de imortal da política mais faz dele um chato que um resistente, Santana pretende corrigir a História.
Uma História que não percebeu que avança, que muda e que se fecha.

Fui (e sou) dos poucos que ouvi afirmar alto que a trapaça institucional a que Santana foi sujeito pelo ex-Presidente Jorge Sampaio não passou disso mesmo. Uma canalhice de contornos partidários.
O Presidente da República concretizou um Golpe de Estado constitucional, interrompendo o mandato dum Governo quatro meses depois de ter optado pessoalmente por dar-lhe posse.
Sob pretexto levianamente aludido de (sic)uma série de episódios“, a que acrescentou (sic) “dispenso-me de os mencionar um a um pois são do conhecimento do País“, cobrando a um Governo de quatro meses a “obra consistente e estruturante na resolução dos problemas” não realizada.

…Mas isso é História Antiga. Passada. Encerrada.

Se Santana se considera hoje uma vítima sedenta dos seus tempos de Governo, não tem senão que engolir o sapo, procurar Sampaio a uma esquina escura ou esperar por uma encarnação em que concretize o seu desígnio de governante de sucesso.
Tudo mais, é puro delírio.

Mesmo que tenha consigo um resto de santanistas não encaixados no partido desde o seu desaire e uma falange de menezistas que prefere as apostas altas, não é a espécie de oposição ao “Governo” PS que desenvolveu em articulação com Filipe Menezes que o torna nem opção séria para o partido nem para o País.


Candidato Pedro Passos Coelho.

Economista, Professor Universitário, Gestor, Deputado, Autarca.

Com ele estão todos os outros menezistas. Isto é, todos os que ajudaram a eleger Luís Filipe Menezes Presidente contra Marques Mendes – mesmo que mais por missão que por convicção, como eu.

O seu currículo é curto. O que o ajuda, ou nem tanto.
Num País parolo como o nosso é possível que se olhe para Passos Coelho como um candidato politicamente menos capaz, por não ter estado tão amesendado como os seus concorrentes em cargos e lugares no Estado.
Mas a sua distância do Estado e do aparelho do Partido permitem-lhe uma independência de discurso em relação à degradação actual da Nação e ao pedido de confiança para agir que as demais figuras elegíveis não alcançam.
(Apesar de, com alguns apoios, estar tão mal acompanhado como os demais…)

Um homem novo; um discurso com um novo tom; eventualmente uma nova mentalidade… A única possibilidade em aberto do fraco leque de escolhas.

É ele que receberá o meu voto.

João Jardim. O candidato que nunca o foi.

Seria seu o meu voto. Fosse a sua candidatura mais que um espectro.
Por isso apoiei o seu avanço em altura própria. Quando o que parecia estar em causa era uma questão de apoios…

E a explicação da minha posição não precisa de muitas mais palavras do que as que escrevi na resposta ao Palácio do Marquês, que fez uma graça com a minha manifestação pública:
É essa a medida do meu patriotismo: não me interessar se João Jardim tinha possibilidades contra Sócrates ou sequer à frente do PSD. Apenas a certeza de que a podridão geral em que este País chafurda precisa de um, dois, dez João Jardim, que abanem este charco e nos façam abrir os olhos de uma vez. Tudo que lá não chegue, é jogar para o empate, é brincar com coisas sérias, é dar de comer à vergonha de não fazer nada contra este estado de coisas. Mas o JJ já não concorre. E o País respira tranquilidade e paz.

Jardim, ao contrário de Santana, não concorre por si.
Faz política por si.

Disse-o em tempos e repito-o à exaustão:
«Como percebo o que disse João Jardim sobre a necessidade absoluta de uma frente de “combate ao Governo Sócrates”, abarcando “todas as forças politicas, sem excepção” desde que firmes neste propósito. […] Da mesma forma que percebo o que dizia Jardim sobre as últimas Presidenciais: “os candidatos que se perfilam para Belém não defendem o interesse de Portugal”. […] Em suma, é verdade que o País “está a ser conduzido por gente louca” e que “se Portugal não se livrar deste Primeiro-Ministro e deste Ministro das Finanças vai atravessar momentos dramáticos”. Até porque “a asneira tem rosto e não é depois do mal feito que o país deve acordar“.
Não dá para dissociar homens de políticos, pelo que o embrulho ficará sempre mal atado.
Mas até lá, João Jardim será referência de um homem de coragem num mar de cobardes, um homem de acção e obra entre incapazes, um homem frontal e temerário no meio de convencionados

Quem tivesse visto certa entrevista na RTP com a Judite de Sousa, teria esclarecido que “O Alberto João” é um genial cromo retórico com que Jardim distrai as atenções de papalvos enquanto governa sem que o aborreçam.

«Rigoroso, coerente, ponderado, incisivo, sobrando-lhe tempo de sobra para os recados às instituições, aos governantes e aos portugueses”, quando quer.
Mas perante a lôbrega pergunta: “E não teme os prejuízos políticos que daí possam vir?” e a resposta lapidar “Eu não tenho que pensar em mim.”, pouco ficou para dizer.
Claro que o dr João Jardim continuará amanhã a ser visto (ou queira-se fazer parecer) como um louco.
No Portugal do politicamente correcto [denunciar como ele o faz] é impensável. Só explicável por uma profunda perturbação mental.
Mas no fundo, nesta terra, quem são os alienados, quem são os carcereiros, quem está irremediavelmente fechado, onde e porquê?
Quantos homens destes seriam necessários para subverter a ordem instalada no hospício?
»

«Um político com defeitos públicos desfraldados e provocantes. Ao contrário de outros, com defeitozinhos privados e mesquinhos.
Um homem frontal. Ao contrário da casta dominante de castrados que nos governa.
Um governante de ideais, projectos e riscos. Ao contrário dos tíbios de verbo fácil que pululam e infestam uma política paralisada pelo politicamente correcto.
»

Mas a oportunidade perdeu-se e a fria realidade convoca-nos.

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Exigir-se-ia que um partido com tanta gente fizesse sobressair os seus melhores. Isto é, alguns bons… Ou pelo menos uns candidatos melhores que estes…

Mas deixemos o reino de tons laranja decidir como quer desembrulhar a prenda que Menezes deixou no seu sapatinho…

[Esta foto não sofreu qualquer tratamento.]

O Maravilhoso CDS


Fui ao Cirque du Soleil.
E já espero que regresse, porque também voltarei.

Antes de entrar no chapiteau não me saía da cabeça um episódio memorável (como todos) do South Park em que “um” certo Cirque modernaço chegava à cidade, e que de tão pateta e abichanado como rentável levava os protagonistas a decidirem fazer eles também o seu para ganhar algumas corôas fáceis…

…Mas à saída fazia eu já parte da grande claque global do Soleil.


Mas – disparates à parte – o Cartman, o Kenny, o Kyle e o Stan estavam certos em duas coisas. Na máquina fabulosa que se adivinha por detrás do espectáculo e na sua desconcertante fachada de simplicidade.

Como é possível dissimular de forma tão simples eternidades inevitáveis de dolorosa rotina?
…E criar ao vivo beleza a partir de recursos tão básicos?

Como foi possível a alguém conceber uma extravagância técnica como o Quidam para um espaço assim?
Como foi possível antecipar o sucesso de tal intersecção do circo com a representação, com a coreografia, com a música, com o canto?…
Num espectáculo tão emocionante na sensibilidade como no riso?

Quidam parte de uma realidade que é a nossa: encarreirada, de duas dimensões, impassível, confortável mas dolorosa, convidando à viagem, ao absurdo, a outra coisa, a perdermo-nos, diferentes e maiores.
Através da metáfora da criança que o consegue….


Quão longe vai o circo da minha juventude, do terreiro poeirento, do palhaço enfarinhado, da bosta de leão sonolento, do número de magia que cansava perscrutar.

Se calhar é o tempo que passa.
Se calhar somos nós que crescemos.
Se calhar é só injusto.

Hoje a viagem faz-se de outras maneiras.

E esta é definitivamente uma delas.

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Estaleiro Permanente

No infinito mar de possibilidades para o qual eu não tenho tempo, sempre mais uma avaria no estaleiro do blogar
…Por exemplo o absurdo de voltar a posts já enterrados para mudá-los!

Parece que aquele post tão espirituoso sobre o 25 de Abril ficou mais leve depois de reformulado.
E que dá agora a possibilidade de ouvir uma das mais bonitas músicas já compostas em português.


(Mas muita atenção às tábuas soltas e à queda de objectos.)

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Muito Obrigadinho

Informamos os nossos estimados clientes que as anomalias GRAVES registadas neste blog se devem à EXTREMA simplicidade de personalização do BetaBlogger, parece que pomposamente também chamado “New Blogger”.

[Thanks for nothing…]

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"The Simple Past"…

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