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O Fim do Início

Não tenho – sequer paciência, quanto mais – jeito para andar atrás de ninguém a pregar-lhe a virtude.
Cada um sabe de si e se não violar aquilo que é mais elementar no trato com os outros (i.é, comigo também ), não me terá à perna a moralizar-lhe os actos.

E quando, para mais, todas as famílias vivem felizes com isso melhor ainda.

Já o previa, num certo post que lá vai, que o “caso Scolari” acabara no momento em que começou.
E não me enganei.

Depois das cenas que vimos, repetidas à náusea, e da aplicação da pena de uns trocos mais 4 jogos, Scolari – e a FPF – mexeu (-ram) os seus cordelinhos na Comissão de Recursos da UEFA e conseguiu (-iram) a atenuação do castigo para três jogos.
Depois de uma sessão de beijinhos e abraços com o jogador sérvio (a quem tentou ir ao farol) e de uma barradela de banha, Scolari conseguiu a vitória mínima da redução de um jogo – altura em que, porventura, voltará ao banco de uma selecção já morta e enterrada no apuramento para o Euro – e “acredita ter reabilitado um pouco o seu nome e imagem“.

E a vida continua….
Tudo na maior.

Faz-me lembrar o caso passado de uma história de televisão, em que um “jovem” de uma ganadaria lá para o norte deu uma patada numa sujeita, chocou o País e não acabou preso nem sequer vilão, apesar da ajuda que me deu – a mim e aos que têm por “obrigação” educar miúdos nas escolas – na formação de personalidadezinhas tenras sem deformações nem anomalias.

Só acho piada é que estes episódios ocorram ao mesmo tempo das campanhas – essas sim! – moraliseiras para reduzir a violência doméstica, nas escolas, na sociedade ou sobre nós próprios…

E se fôsseis todos dar um grande banho ao cão?

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PRÉMIOS PT – Carapaus de véspera

E o Prémio Perda de Tempo vai para…

Está em cena o espectáculo “Os Melhores Sketches dos Monty Python”, no Casino de Lisboa.
(Até vir a mulher da fava rica… Que, chegada ao fim que é a “exposição” dos esfolados que lhe servia de romagem, é possível que o público português sedento de cultura acorra em massa ao show.)

Um espectáculo que por três tipos de razões não me há-de apanhar na plateia.

1ª – A razão clínica.

É um risco incalculado para diafragmas sensíveis assistir a um espectáculo que inclui de uma assentada António Feio, José Pedro Gomes, Bruno Nogueira, Jorge Mourato e Miguel Guilherme.
Exacto…
O Miguel Guilherme, que fazia aquele anúncio tão giro da picadora: “Prrrr!, Prrrr!”. Só rir! E que só agrafado ao Herman Com Piada (de antes do caso do Parque e isso…) me lembro de vê-lo ter alguma graça.
O Jorge Mourato, que toda a gente se lembra de fazer aquele seriado na SIC do “Não Há Pai” com a Patrícia Tavares e o falecido Camacho Costa – que era de cortar os pulsos – ou então umas aparições para ganhar côdea naquelas pepinadas de espécies de stand-ups.
O Bruno Nogueira; aquele da publicidade das queimas-das-fitas a apelar ao coma alcoólico, que é um humorista tão giro, assim disforme e tal… É um género…
O António Feio e o José Pedro Gomes, pais do marco da galhofa portuguesa chamado “Conversas da Treta”, que tão bons momentos de piadética original nos proporcionaram em televisão. E em filme. E em DVD. E em espectáculo. E em livro. E sabe lá Deus mais quê. E agoram se agarram a – mais – esta tábua de salvação.
Tudo com a chancela de um Nuno Markhl – tipo com um conhecimento médio do mundo do riso bastante acima do normal; porque também a vida dele é essa… – que precisa tanto de ganhar umas coroas como qualquer mortal e acaba a vender spam, “juriando” na “Operação Triunfo” ou a “adaptar” textos dos Monty Python.
Não aguenta tanta jocosidade, um fraco coração!…


(O que leva à…)

2ª – A razão hermenêutica.

O espectáculo “Os Melhores Sketches dos Monty Python”, não é composto pelos “melhores sketches dos Monty Python”.
E podíamos ficar por aqui. Com exemplo e tudo…

Há – como em tudo – dois tipos de pessoas no mundo: quem conhece os Monty Python e quem não os conhece.
E quem os conhece não faz confusões: este não é um espectáculo com “sketches dos Monty Python”.
Pelo que não é admissível anunciar “X” se “X” não passa de uma variante manhosa do próprio “X”.
Exemplo: “Eu vi o Pai Natal na rua!” Errado. “Tu viste na rua um senhor com roupas parecidas com as do Pai Natal; que o Pai Natal está no Pólo a abusar dos duendes para ver se tem as prendas prontas a horas.” Ou: “Eu sei pintar a Guernica!” Errado. “Qualquer pessoa sabe pintar uma coisa parecida com a Guernica, mas não pode pintar «a» Guernica porque ela já foi pintada por um senhor que chegou primeiro.”
Digam os “comentadores” da “arte” o que lhes pagarem para dizer. (“O melhor acontece quando às piadas britânicas se junta a capacidade dos actores nacionais construirem personagens próprias, superando o original“, in Correio da Manhã; “Os Melhores Sketches dos Monty Python”- o equivalente em português não lhe fica atrás” in Diário de Noticias).
Assim, a ASAE tinha mais era que fechar a loja de queijo da UAU, apreender o material contrafeito e autuar os prevaricadores.

(O que remete para a…)

3ª – A razão contabilística.

Parece que a quem por lá aparece são pedidos entre €18 e €20 por um lugar sentado – o que até para mim, que não sei fazer contas, é um evidente mau negócio.
Levantar por levantar o rabo do sofá, mais vale na próxima ida ao hiper ou à Fnac vasculhar a zona dos DVDs e comprar a saga completa dos Monty Python.
É que, ao preço de ir a família ao teatro ver uma imitação de papagaio meio morto, pode-se ver em casa as séries todas do “Flying Circus” a menos de €40.
Alguém me dirá que “DVD é DVD” e “o espectáculo é ao vivo”… A esses só digo que agradeço, mas não posso ficar aqui o resto do dia a enumerar vantagens na comparação.

Até porque esta coisa de a gente calçar sapatos dez números acima tem muito que se lhe diga…

Sempre gostava de saber se o Markhl “adaptou” do filme “Meaning of Life” para o espectáculo o sacrílegoEvery Sperm Is Sacred“, ou os sketches quasi-pornográfico do Reitor ou grotesco do Mr. Creosote…
Se da série “Flying Circus” “adaptou” a canção xenófoba “Never Be Rude to an Arab” ou o tema gay “Lumberjack Song”, ou o sketch com o Sr. Hilter e os seus nazis no lar de terceira idade a replanear a conquista da Europa…
Se do filme “Life of Brian” “adaptou” um sketch sobre esquadrões suicidas – já que o tema “Always Look on the Bright Side of Life” do mesmo filme não é cantado no espectáculo por crucificados, mas por 5 tótós em bicha a assobiar…
(…E a lista continuaria extensa.)
Ou se – como prevejo – se limitou a servir uns carapaus fritos de véspera a uma “intelectualidade” que – ele sabe que – mais que omnívora é meramente lambareira.

Nem todos são Monty Python…
(Que ousaram pegar mais ou menos onde quiseram por imperativo criativo, o fizeram com inteligência e graça, e servem hoje de referencial a parasitas artísticos desinspirados.)
…E disso ninguém tem culpa.

Mas não fui eu que puxei o assunto.

– Ficam uns exemplos do que não se encontrará no Casino de Lisboa. –

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