Ficção

SECÇÃO “ESCRITA EM DIA


Com uma miséria de tempo destas, já se fazem sentir as saudades da Feira do Livro e dos passeios curiosos por entre as barraquinhas coloridas…

…Onde por vezes se encontram tão singelos exemplos de ficção.

Mas bem visto já só falta um ano para a próxima.

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Dar

SECÇÃO “ESCRITA EM DIA
Dia 14 de Junho, Dia Mundial do Dador de Sangue.
Festa do dar.

A todos os que generosamente partilham vida e vivê-la em qualidade, um grande e forte abraço.
A todos os que apoiam e colaboram nesta senda não podendo dar também, mais um, mais forte ainda.

Finjamos que este dar não tem senão altruísmo. E que o íntimo sentimento de realização pessoal não é mais o que nos move.
Que é pura abnegação a remissão pretendida a espaços pré-definidos, nascida da mágoa dolente de sabermos dia-a-dia não olharmos uns pelos outros.

Por uma vez, vamos dar…

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O Deserto

…Mais um Deserto tudo menos vazio.

(Bem misturado. Bem acabadinho. Ainda que eu nem goste muito dela…)

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Os camelos

Há os que em Portugal gozam de um estatuto de impunidade a todos os títulos pornográfico.
Já o disse e repito.

Há quem nesta terra não seja chamado à pedra por NADA (com maiúsculas e negrito) que faça ou diga.
São coisas… Há quem nasça com sorte.

O mais recente – e também reincidente – artista da asneira foi o Ministro dos Transportes e Obras Públicas, Mário Lino.
(Engenheiro ele próprio inscrito na Ordem, como em dichote lançado ao incompleto senhor Pinto de Sousa fez questão de chalacear perante plateia. Acrescente-se que sem ter sido corrido de funções! Aí está a sorte de alguns e o azar de outros!…)

Abriu a boca o cavalheiro para dizer que um novo aeroporto na margem Sul do Tejo nunca!
Que seria “faraónico […] fazer o aeroporto na Margem Sul, onde não há gente, onde não há escolas, onde não há hospitais, onde não há cidades, nem indústria, comércio, hóteis“, isto é, literalmente: “um deserto”.
E logo um coro de vozes (com as mais variadas motivações) se fez ouvir contra a asneada do ministro em questão.
Figurinhas, figurões, partidos, movimentos, todos apareceram no terreiro, até o culminar da figura elevada a instituição do Buzinão na Ponte.
(Que consta nas páginas da mitologia tuga como responsável certo dia pela queda de um Governo.)

O que é incontornável é a alarvidade do ministro.
…Que pode dar o dito pelo não dito, rectificar, acrescentar (que retirar a bacorada mesmo que involuntária não é próprio da sua constituição).
O que é certo, como naquele boneco do Gato, é que para o senhor Ministro a Ota – e arredores, claro! – é uma metrópole com gente aos milhões, estruturas, serviços, etc., uma autêntica loucura em condições de enxerto…

Acontece que para mim a ministerial bojarda do “deserto” não tem qualquer relevo, perante o resto que o senhor disse e que nem a (redundantemente chamada) “comunicação social” nem a (pleonasticamente chamada) sociedade civil pegaram para ferrar dente.

Na altura em que, desesperado, deixou sair por orifício aberto a peregrina tese do “deserto“, permitiu-se também o cavalheiro comparar as construções do aeroporto na Ota ou no “deserto” com as situações de dois senhores.
Um que não “tivesse um braço, não tivesse uma perna“, andasse todo torto “mas que lá ia vivendo“; e um outro que tivesse duas pernas e dois braços, que falasse e visse bem, que tivesse aparentemente boa saúde, mas tivesse também “um cancro nos pulmões” que o desse como “condenado“.

Ora, nem me maço a apontar a idiotice de defender um plano de investimento público massivo num projecto sem membros, desequilibrado, mas que lá vá “vivendo“!!
(Ainda que me revolte a forma ligeira como o dinheiro que dou a ganhar ao País mereça uma gestão deste nível de leviandade…)
O que verdadeiramente me enoja é a forma como são contados na palma da mão os trocos de um espírito débil, sem a mínima reacção de repulsa por uma sociedade acéfala.

Desde os doentes no geral, aos deficientes ou aos cancerosos, todos foram usados pelo senhor Ministro no seu arrazoado, como quem chafurda numa malga sem modos nem recato.
Quando EM PORTUGAL (com maiúsculas e negrito) – que é onde estamos e vivemos – são titeritados pela retórica de um bruto a doença, a morte, a sobrevivência, a dignidade do cidadão tantas vezes vítima da sua condição, sem a mínima perturbação das belas consciências, é um País inteiro que está doente. Muito doente.
Profundamente doente.

Longe os idos de uma era em que por ter contado em público uma mórbida anedota sobre a morte de hemodializados em Évora por contaminação de alumínio um Ministro do Ambiente, o aveirense Carlos Borrego, se viu forçado a demitir-se do Governo da Nação.
Hoje, …nada!
Nem a contestação, nem a censura, nem oposição que se veja. (Nomeadamente de um inexistente Marques Mendes, líder do PSD nacional actual e à data da miserável anedota do Ministro Borrego líder da secção aveirense que o viu cair!)

Assim o Ministro percorre a passerelle da política, incólume, superior, provocante, apoucando quem reage
Assim é apoiado na boçalidade por um “histórico” (já não me lembro bem de quê), Almeida Santos, com a terrorista argumentação de que “um aeroporto na margem sul tem um defeito: precisa de pontes“, que devemos supor que pudessem um dia ser “dinamitadas – sempre sem o menor escândalo social.
Assim sobressaem uns outros pobres de espírito, sem gosto nem caco, que em tudo se assemelham ao demente Ministro – excepto já na exausta originalidade.

Apontamento final: cuidado, que o mundo é redondo.

Por tal, o Presidente da República assinalou a passagem do 10 de Junho em Setúbal: Dia de Portugal no “deserto“.
Oásis a que o senhor Pinto de Sousa teve de se deslocar para ser vaiado a rigor por uma mão cheia de ululadores de ocasião.

Por tal, surge – finalmente – neste blog um vídeo que anda há uma data de tempo no YouTube, que já fez a rota dos mails e que até esta data tinha resistido a colocar aqui por razão de algum pudor.

Mas o mundo é mesmo redondo.
E nem sequer os camelos se furtam à universal lei.

Por isso por cá esperaremos, por isso continuamos aqui.

O estado da Nação

Portugal é um País sem alma.

Não sei se alguma vez a teve. Se a terá perdido no percurso.
Se a saga da Conquista aos mouros, se a gesta dos Descobrimentos, se o projecto colonial, momentos em que Portugal foi epicentro e motor de um mundo atento, nos fizeram crescer de alguma forma, se nos ensinaram algo que já não transportemos hoje. Que nos caracterizasse, que nos estruturasse, que nos guiasse agora – que dolorosamente nos falta.

Defendo que não. Que tal crescimento nunca existiu.

Para o bem e para o mal, um espanhol sabe quem é. Como um francês, um inglês, um alemão.
Sabem quem são porque sabem quem têm ao seu lado. E na identidade, na especificidade que reconhecem no conjunto dos seus, reflectem-se e compreendem-se a si mesmos.

Os portugueses não.

Portugal é uma mole esquizofrénica – confundida amiúde sem inocência com um grupo heterogénio ou plural – de interesses indolentemente aceites como sinónimo de vontades, num delírio auto-gerido de horizonte imediato (na forma e na substância), comprimida na prensa mecânica da apatia.

Mas é pior que isto.

Portugal é um feudo lato de dois tipos de oligarcas.

Os oligarcas da sociedade. Que vão e vêm, em ciclo e em círculo. Que assumem rotativamente relevo na logística do hospício e concertam entre si irmãmente a partilha do naco público. Ladeados cúmplices pelos seus desiguais, apajentados servilmente por uma corte oficial de subalternos, seguidos de perto por uma horda sedenta da sua vez.

E os oligarcas da mentalidade. Os que saídos de vários caldeirões de mixórdia cultural constituem um círculo cerrado de admissão controlada, recruta iniciática, sinalética críptica e quotização periódica. Um pastiche trapalhão de moral, ética, política, estética, filosofia,…, dúctil ao extremo das histriónicas propostas dos seus associados; inflexível perante a heterodoxia dos ingénuos leigos. Que tutelam militarmente a superfície mental e intelectual da Nação, incluso o espaço aéreo.

Dois grupos de oligarcas que são um só.
O dos péssimos portugueses, vergonha da nossa suja e esbofeteada cara, que impunemente ocupam lugar um no nosso meio.

Mas o pior de tudo está ainda noutra morada.

Quando no jogo dum mundo mercantil, global e frio, que desde o início da História põe e dispõe de nações, populações, continentes, trupes de bairro exibem as suas rábulas de ditame paroquial.

Quem manda no mundo – isto é: no exíguo Portugal – é o poder religioso! É o poder da política! É o poder económico!
Sendo que nenhum dos três tem cá a sua origem, escolheu ter cá uma sede, ou delegação executiva.
Daí vivermos na contingência de cumprirmos o calendário da nossa vida em conjunto, de acordo com regras ditadas….

…Mas vivermos ainda cobertos da camada de ridículo de vivermos encenando, representando, aplaudindo ou mesmo sequer tolerando a momice e a monice do corso grosseiro e grotesco da sociedade portuguesa, é a pura crueldade.
Como à indignidade, à desonra, ao desespero, ao derradeiro insulto, acrescer ainda a farsa.

Viver em terra queimada – Pátria estéril – sem presente nem futuro, se a alma não for encontrada.

10 de junho e a Nação.

Mudanças

O Conselho de Administração deste blog decidiu por unanimidade
a eliminação da secção lateral do mesmo, intitulada até
este momento “Em Quarentena”. Tal fica a dever-se ao entendimento
de que este blog não deve associar-se a outros cujo conteúdo
considere miserável, sob pena de confundir-se com eles.
No seu lugar surge um espaço destinado a links de jovens bloggers.
A presente decisão enquadra-se na nova política deste blog,
de não transigir com abusos, sacanagens,
anomalias de educação e
bom-senso, deformidades de carácter ou outras maleitas culturais,
no âmbito do jubileu do seu primeiro aniversário.

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1 ANO e…

“O blog que está a visitar fez 1 ano.”
Poderia
rezar uma tabuleta pendurada à entrada. À laia de alerta ou de aviso.

O que pode pretender? O que pode desejar quem bloga um ano inteiro?
E que mais dirá de si o facto de blogar um ano e nada ver concretizado?
(Justificava-se a advertência…)

Blogar é nada.
Versão actualizada de por obra do Senhor imprimir em escaparate literatura de pazada.
Milagre concretizado dos quinze minutos de mundo profetizados por Warhol – a fama, essa não chega.
A vertigem agudizada do delírio da certeza, que através do texto escrito se esculpe em autoridade.

Blogar é menos que nada.

Detesto aniversários. Balancetes compulsivos de um deve e de um haver que não são equilibráveis.
(Não fosse uma outra festa, nem sequer me ocorreria.)

Apenas se justifica uma foto panorâmica.
Daqueles que aqui vieram e dos que não quiseram vir. Dos que vieram e voltaram e dos que se foram de vez. Dos que voltaram e deram testemunho e dos que voltaram envergonhados. Dos que tiveram coragem de testemunhar da sua intimidade e dos que se refugiaram no silêncio. Dos que num ano de blogar foram parte da obra e dos que foram parte do nada.
De todos eles e de mim, uma foto de conjunto.

Batida em automático, com o sorriso possível…

Say cheese.

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