Parabéns a PC

O PC faz anos.
(
Não, “o PC” mesmo a sério!…)

O que me provoca sentimentos contraditórios, nascidos de duas certezas.
Se por um lado até ao dia de hoje ainda não consegui encaixar o dogma de que através do socialismo o homem potencia a sua probabilidade de alcançar a felicidade (ponto!), por outro, durante estes anos de vida já conheci diversas pessoas, com duas pernas e dois braços, cabeça pensante, modos civilizados, espírito humanista e… comunistas, de quem guardo grata memória, como dos cidadãos mais modelares com quem me cruzei.

Como explicar este potencial paradoxo?
Se calhar de forma fácil.

Para mim, essas pessoas conseguiram sublimar o que de mais universal e fundamental transporte a mensagem socialista: a existência histórica de uma barreira material e social à felicidade do homem, a necessidade de eleger o seu derrube como prioridade dialética de evolução humana, a necessidade da consciência de pertença e partilha de uma vida colectiva como sustentáculo social.
Valores universais, fundamentais. E transparentes.

Sublimados esses valores de um pacote global impregnado de vícios…
A centralização.
A planificação do quotidiano.
A elitização naturalista do pensamento, da gestão e da decisão.
A sujeição da identidade individual a uma outra maior, geral e determinante.
A conflitualidade social artificialmente alimentada como motor de auto-regeneração.
A vertigem homogenizante e expansionista.

O que é bizarro.
Tal faz destes gratos companheiros de percurso portadores de uma mensagem inacabada?
Agentes de uma missão condicional?
Utopistas de um projecto parcelar?
…Não o sei.

Sei que, seja como for, das minhas duas certezas, dois propósitos me resultam.

Primeiro, perseverar. Na minha resistência ao socialismo.
Resistência ao socialismo marxista, que nunca vi triunfar sobre a miséria e a infelicidade. Que não se adaptou nem redimiu através da oportunidade da história e assim se mantém hoje, senão uma ameaça, uma condicionante à liberdade e ao futuro.
Resistência ao “socialismo” queque, que enjeitando as suas raízes, órfão genético, se propõe um pé cá e outro lá veículo de intenções ancestrais e modelos práticos actuais do exactamente oposto. Corporização de um casuísmo político apelidado sem pudor de “modernidade” e “pragmatismo”.

Segundo, perseverar. Na minha insistência em acreditar.
Acreditar que o entendimento entre os cidadãos é possível. É inevitável mesmo, entre os homens de pensamento livre, que rejam as suas atitudes pelo bom-senso e não pela ignorância ou pelo maniatamento doutrinário – de qualquer tipo.
Acreditar que juntos nos completamos para fazer face a um futuro incerto.

A um PC – se o quisermos ver como eu vejo os meus companheiros de caminho – que se move por ideais gerais de humanismo, que esteve presente no estabelecimento da democracia neste País, que hoje se bate na defesa de princípios em risco de atropelo grosseiro por quem “governa”, que pelo exotismo da sua identidade enriquece o leque político português, parabéns.

E que nunca tenha a possibilidade de realizar em Portugal o seu ideal de sociedade.

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