Ponto por ponto

Anda tudo em polvorosa por causa de João Jardim.
(E sendo ele como é, o que ele deve gozar com isso…)

É facto consumado a sua demissão da chefia do Governo Regional da Madeira. E a sua recandidatura a novo mandato.
E as notícias apanharam todos em contrapé.
Tem razão o PS quando diz que o PSD não foi tido nem achado na decisão de Jardim (ainda que seja uma estupidez a conversa dos “reféns“, da “autoridade” e da “instabilidade“).
Tal como o PS, que se vê desarmado à boca de mais uma disputa de eleições regionais na Madeira.
(Ensinamento que todos já deviam ter retirado há muitos anos: “estar sempre preparado para as venetas de João Jardim!“)

O Presidente do Governo Regional demite-se como forma de “protesto contra as medidas do executivo socialista da República“, tendo-as denunciado desde o início como gravosas e arbitrárias no que toca à Madeira.
E recandidata-se, porque nunca foi sua intenção deixar o mandato a meio, governa com maioria e tem obra feita e em curso no arquipélago que quer ver concluir.

Mas e de permeio?“…
Exactamente!

Num momento em que o País atravessa uma crise mais profunda que a económica e que a de auto-confiança: a crise da participação cívica, João Jardim dá aos madeirenses a oportunidade de dizerem nas urnas de que lado acham que está a razão de um conflito institucional que opõe o Governo Central e o Regional.

Claro que tem algo de populista.
Claro que se o PSD-Madeira ganhar as eleições a Lei das Finanças Regionais não retrocede um milímetro.
Claro que – a não ser que caia um santinho do altar abaixo – o PS-Madeira será de novo derrotado numas eleições que, pela banalização do rol de vitórias eleitorais a que João Jardim que já perdeu a conta, não terão sequer um impacto por aí além.
Claro! Claro!

Mas cortemos um pouco com o maldito do PC. (Que nos diz que o senhor é um nepotista e um mauzão e um malcriado e um gordo.)
Paremos um pouco para pensar por cabeça própria.

Não é coerente que um eleito num cargo político que se manifesta de forma tão agressiva em ruptura com o poder central que o tutela e lhe altera as regras do mandato a meio, dê de novo à população voz para se exprimir a favor ou contra a sua continuação em funções sob as novas regras?
Devolver a voz ao povo” que se governa não é a maior dádiva da democracia? É que era capaz de jurar que tinha sido essa a argumentação que nos idos dias de Santana Lopes levou Sampaio e os seus simpatizantes a justificar uma convocação de Legislativas…
Jardim leva o seu protesto até às últimas consequências.

É isso que distingue um resistente de um queixinhas. Não se acobardar à última da hora.
A diferença é que, contrariamente a um Guterres ou a um Barroso que deixaram a meio mandatos para quem haveria de vir, João Jardim persevera no posto há trinta anos e desafia adversários sucessivos a depô-lo nas urnas – se o conseguirem. Não tem nada a ver com “guerrilha institucional“, ao contrário do que diz o porta-voz do PS, Vitalino Canas.
E o resto são cantigas.


Mas sobre o duelo Jardim/PC, não vou deixar ambiguidades.
Ponto por ponto.

Concordo com o pouco eloquente deputado Guilherme Silva quando disse queJosé Sócrates e o PS/Madeira fizeram um cerco a João Jardim, na aprovação da lei das Finanças Regionais“.
A discriminação negativa da Madeira em favor dos Açores é um erro – como se pode permitir que uma região com uma taxa de execução orçamental como a Madeira perca fundos para outra cujos governantes demonstraram incompetência para os gerir?
É o célebre “deitar dinheiro para cima do problema”.

Como percebo o que disse João Jardim sobre a necessidade absoluta de uma frente de “combate ao Governo Sócrates“, abarcando todas as forças politicas, sem excepção” desde que firmes neste propósito.
Há muito que esta “governação” atingiu o limite sensato de tolerância. Como homem, como profissional, como contribuinte, como cidadão, não me pode ser pedido mais.
Há muito que a falta absoluta de propósito, de projecto, de noção, de mesura, de decoro desta gente, os elevou a uma categoria de ameaça pública ao futuro comum que não pode merecer outro tratamento.

Da mesma forma que percebo o que dizia Jardim sobre as últimas Presidenciais: “os candidatos que se perfilam para Belém não defendem o interesse de Portugal“.
A clarividência de votar no menor dos males mas não ter ilusões sobre um mandato de um “Presidente Cavaco” com uma agenda própria desde há anos, potencial refúgio estratégico de políticas ínvias do “Governo”.

Em suma, é verdade que o País “está a ser conduzido por gente louca” e que “se Portugal não se livrar deste Primeiro-Ministro e deste Ministro das Finanças vai atravessar momentos dramáticos“.
Até porque “a asneira tem rosto e não é depois do mal feito que o país deve acordar“.

Para rematar, ultimamente e sobre os resultados do referendo do aborto, o Presidente do Governo Regional da Madeira disse[não haver] testículos para se dizer que referendo não [fora] vinculativo“.
“Nem para isso nem para mais nada”, acrescentaria eu.
Prisioneiros que insistimos em manter-nos do politicamente corecto que nos envenena e do comodismo mental, enfileiramos arrebanhados pelos caminhos por onde nos levam, sem tugir nem mugir.
Seja quem for, seja por onde for. E no fim… queixamo-nos.

Não dá para dissociar homens de políticos, pelo que o embrulho ficará sempre mal atado.
Mas até lá, João Jardim será referência de um home de coragem num mar de cobardes, um homem de acção e obra entre incapazes, um homem frontal e temerário no meio de convencionados.

E até ver… a Madeira é um jardim.

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