Falar Claro – IX

À dimensão de cada um.

Se calhar, a “questão do aborto” resume-se de forma simples.
É meramente uma questão de dimensões. Valorizadas em escala por cada um de nós, e que no momento da verdade condicionam a nossa posição.

A dimensão política – para alguns o que prevalece é a vitória política no referendo e a superioridade diferida de ideais ou ideologias.

A dimensão social – para alguns o que urge resolver é a questão social de uma gravidez e um nascimento constituírem factor de diferenciação entre cidadãos, no caso, mulheres de condições sociais diferentes que por esse motivo não podem ter direitos diferentes de abortar ou obrigações diferentes de ser perseguidas pela lei.

A dimensão bioética – para alguns a vida intra-uterina já o é, na acepção de um projecto em curso que sem nada a obstar resultará num nascimento e num cidadão com direitos, não se confundindo e por isso dissociando estes conceitos do estrito fôro legal.

A dimensão religiosa – para alguns a existência da vida é um dom superior de que não cabe ao homem dispor com a facilidade de uma escolha, sendo inviolável .

A dimensão económica – para alguns o que mais se salienta é o impacto que tem sobre a economia futura do País a eventual liberalização, se a demografia dá a perder ou a ganhar, se os abortos serão custeados por estes ou por aqueles.

A dimensão funcional – para alguns se as condições consideradas mínimas de segurança e conforto não estão asseguradas ao nascituro e à família, é lícito impedir a gravidez e o nascimento, evitando a chegada de mais um elemento desagregador a um núcleo já fragilizado.

A dimensão legal – para alguns o mais importante é a perspectiva da lei e do seu cumprimento, se a lei actual vinga não sendo aplicada, se há que legislar na corrente de um sentimento social que se altera, se há a interpretetar de forma distinta o espírito da lei mantendo-a.

A dimensão igualitária – para alguns o corpo de uma mulher é o seu domínio, podendo esta fazer dele o que desejar, sem bloqueios de partes exteriores, sejam a sociedade, uma lei impositiva, ou o homem a quem não tem de sujeitar-se, obedecendo apenas a sua escolha e as suas consequências ao seu livre juízo pessoal.

Cada uma destas dimensões, e outras que aqui faltam, têm peso e fundamento.

Seria apenas preciso (preciso, sério e prático…) que cada um de nós respondesse claramente a si mesmo à questão: a qual destas dimensões dou um valor superior?, qual delas me move e me leva a decidir?
Sem fugas nem culpas.

A mim, claramente a dimensão bioética.
Nenhuma se sobrepõe a ela. Daí a minha escolha. Daí o meu voto.

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One Response to “Falar Claro – IX”

  1. dia-a-dia Says:

    O caríssimo importa-se de passar lá pelo meu canto e deixar o seu endereço de e-mail? Tenho uma coisa para lhe oferecer e não encontro vestígios de arrobas neste seu espaço.

    Agradecidíssima.

    😉


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