Toque a finados

O Pedro_Nunes_no_Mundo torna público o óbito da nova Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário.

Após doença prolongada, a TLEBS faleceu na noite de quinta-feira, na sequência de complicações cerebrais.

A notícia, dada aos órgãos de informação por um tio da falecida, comoveu um País mantido há largos meses em ansiosa expectativa.

Associamo-nos, nesta hora de pesar, a todos os alunos, professores, Encarregados de Educação, investigadores, opinadores e demais cidadãos, que desde o primeiro momento choram o seu desaparecimento.

(Claro que, face à desvergonha política que envolveu a TLEBS desde o seu início, há a rocambolesca e maximamente descarada possibilidade de esta “suspensão” – cuja formalização por portaria “até ao final do mês de Fevereiro” fez rir os meus jovens alunos – se tratar efectiva e exclusivamente de uma “suspensão”.

Isto é, há o grave risco para a saúde pública de, após tudo o que fica para trás, numa salsicharia mixordeira dos arrabaldes estar em vias o enchimento de uma tripa mal lavada e mal temperada, que depois de vazada do seu recheio pestilento seja agora recheada com os restos mortais de uma TLEBS, malvado cadáver que teimam em não deitar e deixar a apodrecer como lhe compete.

A melhor, depois de tudo o que fica para trás, seria que um “projecto” destes, que nunca teve uma identidade própria, nem uma paternidade definida, que nunca se soube bem o que era, o que dele fazia parte, a quem se dirigia, de que forma e porquê, que nunca se soube como o aplicaria quem o aplicasse, que timing real respeitaria, a que regras estava sujeito, qual o seu plano de contingência, um “projecto” que nunca deu garantias de coerência ou continuidade aos seus envolvidos compulsivos, profissionais, educadores, educandos, uma Língua, um País, a melhor, depois de tudo o que fica para trás, seria que este morto-vivo, assassinado pelas mãos dos seus próprios curadores, resurgisse ainda um dia, de forma incompreensível e inaceitável para tantos que foram espezinhados no seu processo.

Mas a irresponsabilidade desta gente é muita e os seus escrúpulos inversamente similares.
Nada daí já espanta.

…Apenas como pôde um povo chegar a este nível de miséria moral.)

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"Dark side of The Force"? Boa!

Acabou a Exposição Star Wars no Museu da Electricidade.

Uma reunião de família global.
(Vá lá, que a globalização tenha algumas vantagens…)

Onde foi possível rever algumas caras, num belíssimo espaço.

May The Force be with you.

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A TLEBS socialista

Não sejam queixinhas e leiam o post até ao fim…


Era uma vez um absurdo que vivia numa casinha no meio da floresta com a sua mãezinha…

A história é longa e difícil de resumir.
Mas cá vai.

Uns senhores de um Governo que já lá vai, deram à luz uma coisa chamada TLEBS (Terminologia Linguística dos Ensinos Básico e Secundário) que nem sonhavam que nunca chegariam a ver crescer.

Essa TLEBS nasceu da cabeça retorcida de uma intelectualidade sociopolítica obcecada pela imortalidade histórica, como ferramenta definitiva de formatação da Língua Portuguesa as we knew it.
Graças à TLEBS, todas as pontas soltas, todas as lacunas, todos os equívocos do estudo, do ensino e da aprendizagem da linguística pátria, seriam depurados, aparados fora como excrecências de uma Língua renormalizada, reactualizada e unívoca.

Mas estamos em Portugal. Não esquecer.

Foram arregimentados uma série de carolas das áreas da Língua e Línguística (que reza a história nunca chegaram a encontrar-se no decurso do processo para comparar notas, com o resultado que se viu!) e esgalharam a Nova Terminologia.

Havia que pô-la a andar.

Pelo que o Governo Santana Lopes, da eminente pedagoga Ministra Maria do Carmo Seabra e do descentralizado em Aveiro Secretário de Estado da Educação Diogo Feio, a colocou “à experiência” por três anos.
Nas cobaias do costume: alunos, professores e Encarregados de Educação.

Mas o tal Governo foi, ele próprio, posto a andar e entrou em cena o actual Governo socialista.

Aqui o enredo adensa-se, entre a obrigação deste de dar continuidade à “experiência”, a aceitação tácita e voluntarista da herança que aprofundou – deu continuidade à “experiência” e dilatou-a no tempo – o seu apadrinhamento e as barracadas que se seguiram.

Como sempre, o País foi apanhado (por culpa própria) a dormir.
Foi aberta a comporta da “experiência” ao segundo, ao terceiro ciclos de escolaridade e ao secundário, sem ninguém tugir nem mugir.
Foi dada ordem de marcha aos professores de Português e Língua Portuguesa para começar a leccionar a TLEBS no 5º, 7º e 10º anos sem qualquer preparação adequada para o efeito.
Foram editados manuais, gramáticas, dicionários, livros, materiais pedagógicos diversos, sem uma certificação científica da conformidade com a TLEBS – isto é, cheios de bacoradas.
Em suma, foi auto-generalizada a “experiência” a todos os ciclos que inicialmente se previa que abrangesse, sem que o próprio Ministério da Educação tivesse fechado o processo de construção da TLEBS ou, muito menos, definido como seria ministrada e avaliada no trabalho com os alunos.

Depois, finalmente, a “sociedade civil” começou a acordar.
Entre os cientifico-ressabiados, os politicamente interessados, os desencantados, os revoltados, os ignorados e outros que tais, começou a crescer uma onda de contestação que talvez já não se esperasse.
Ameaçando chegar ao Zé Povinho votador. Que é onde reside o perigo dos Governos.

Com cuspo e uns bocados de adesivo, a TLEBS lá foi sendo usada no dia-a-dia da aprendizagem da Língua nas nossas escolas, nos tais anos lectivos.
(Que Desenrascanso é uma pós-graduação dos professores portugueses.)

A graça (?) da coisa é o sentimento de profundíssima insegurança no trabalho quotidiano, numa prática que devia primar pela solidez: a do ensino.
A TLEBS entrou no limbo: nem está verdadeiramente a ser “experimentada” por amostra – já grassa generalizada nas escolas do País e é trabalhada como adquirida – nem está ainda a valer – como não acabou ainda o prazo da “experiência”, não se sabe (mesmo) se vingará.

Dizia o Ministério em Novembro de 2006 que não estava tomada uma decisão final e definitiva” sobre o futuro da TLEBS, não excluindo “qualquer cenário“, “desde a [sua] generalização […] ao seu abandono ou reconversão total“!
Que, aliás, a generalização só poderia acontecer “quando os professores se [sentissem] preparados e seguros sobre esta opção“.
Circulando por essa altura no mercado gramáticas, dicionários, manuais escolares adquiridos e utilizados pelos alunos, e estando na escola a TLEBS a ser ensinada pelos professores, nunca tidos nem achados!

Perante a possibilidade de a TLEBS ser “generalizada” (!!!) aos 4.º, 6.º e 8.º anos em 2007/2008, colocou-se a questão da renovação dos manuais escolares de Língua Portuguesa do 8º ano, que teriam de contemplar a TLEBS, por força de ter sido ministrada já este ano aos alunos do 7º!…
Novo imbróglio.

Com o ovo entalado, o Ministério da Educação produziu então agora um Ofício-Circular singular.

Enquanto se descarta bruta da paternidade da TLEBS atirando-a para o colo dos “outros”, enquanto propagandeia o bem social que anda a tentar fazer às economias familiares através de um novo calendário de adopção de manuais, enquanto salienta o espírito de “negociação” das suas decisões (!?), explica que tudo leva o seu tempo, “o processo de avaliação e certificação tornar-se-ia muito difícil nessas circunstâncias“.
Isto é, não há mudança de manuais do 8º ano no próximo ano lectivo.

Restava dizer que não há, não por causa destas razões, mas porque o Ministério da Educação não sabe neste momento o que há-de fazer à TLEBS.

Daí a loucura de se repetir que se está em “experiência”; de com ela a correrpromover a revisão científica da Terminologia“; de nesta alturapromover a produção de um referencial didáctico para a Terminologia Linguística nos diversos níveis de ensino“; de, tendo começado a ministrá-la em Setembro, “prosseguir um programa de formação contínua de docentes para a utilização da Terminologia“; de depois de vendidas toneladas de materiaispermitir a produção de manuais e outros suportes pedagógicos adequados ao ensino da estrutura da língua de forma harmonizada e cientificamente rigorosa“; e de, depois destes investimento todo, “avaliar a eficácia da utilização da Terminologia por parte dos professores no ensino do português“, como quem diz: “ver se vale a pena avançar com ela“!!!!!

Estou farto que brinquem comigo.
E com os meus alunos.
E com os nossos filhos.
E com os nossos impostos.
E com os nossos votos.

Mas como estou sozinho nesta revolta, resta-me assinar a petição contra este nojo feito política, ética, “Educação”.

Vou assinar a petição online (até fim de Janeiro) contra esta introdução no ensino da TLEBS.

Até porque, como se diz neste Ofício-Circular: “a TLEBS é um instrumento a utilizar [pelos professores] como profissionais do ensino da língua, e não para administração directa aos alunos“!!!

TLEBS?
Que fique o PS com ela, que bem precisa.

"Ó mãe, compra-me aquilo!"

Fora o show-off, eis o Apple iPhone.
Pr’ ó menino e pr’ á menina.”

…Ser rico e disponível deve ter a sua graça.

(Com um abraço ao AFD.)

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Humor negríssimo

Só eu é que oiço estas coisas?!?…

Mais ninguém ouviu o Ministro da Saúde, Correia de Campos, alarvar à boca cheia numa dada visita a um hospital que “só se admirava não ter sido enforcado, agora que os enforcamentos andavam tanto na moda” (sic) ?!?…

Ninguém ouviu isto?
É que se alguém ouviu e viu isto – e digo “alguém”, não digo um gajo que dá aulas, mora na periferia, escreve umas coisas num blog nos poucos tempos livres que tem e que nutre desde há já bastante tempo uma grande amizade por este Ministro! – como é possível não ter sido um escândalo?

Porque não se escandaliza ninguém?
Ou pelo menos ninguém, agora!
Ou ninguém, em relação a estes (sim) gajos!

Também já ninguém se lembra daquele outro alarve de um Governo PSD que contou uma espécie de anedota triste sobre hemodiálise e alumínio, e que por isso mesmo não teve outro remédio senão sair do Governo, tal foi a pressão da “opinião pública“?

Isto é tão grave e nojento quanto o ter passado há uns dois Domingos na SIC, na rubrica “Nós por Cá”, esfregado na cara da Nação, o clip deste cavalheiro a dizer exactamente isto – tendo aí merecido o reparozito pedagógico da parte da D Conceição Lino, mais lampeirote que condenatório!…

Mas só!

E está tudo bem!
Tudo na maior! Na maior impunidade!
Alguém já acredita que alguém deste “Governo” vai algum dia ser responsabilizado por aquilo que diga ou faça, mesmo que seja (mais) uma barbaridade cavalar?

E tenho o direito democrático de perguntar: “Porquê?”
Uma pergunta que se houvesse nesta terra gente com vergonha ela mataria fulminante.

Fica para fechar uma graçola.
Portugal vai, em Outubro, promover em Lisboa uma conferência internacional contra a pena de morte, no âmbito da sua Presidência da União.

Mas está tudo bem!
Tudo na maior!

Ele fala, fala, fala… Ainda!

Ele há temas, tão sensíveis e “fracturantes”, que a sua análise e debate sempre acarreta a virulência e a acutilância de opiniões.

Há-os.
Como o aborto.

Por essa razão o Ex-Presidente da República, Dr Jorge Sampaio, não conseguiu conter-se, vindo a terreiro dar o seu contributo cívico.

Acontece que sabemos bem de quem falamos: o lacónico, profundo e relevante Dr Jorge Sampaio.
Homem que tanto nos habituou ao caco e à linearidade das suas intervenções, durante dez anos de mandatos.

O distinto cidadão (agora de corpo inteiro, já sem necessidade de recurso ao “panamá do cidadão” ostentado na cabeça) diz-nos que está “«espantado» e «triste» com alguns dos argumentos apresentados a propósito do referendo sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez” – “aborto”, em português corrente.
«Numa perspectiva de observador”, fica “um pouco espantado, um pouco triste com alguns argumentos, já que não é a primeira vez que este debate se faz», acrescenta.

Bem, por um lado, dou-lhe razão. Ou dá-ma ele a mim.
Já não é a primeira vez que este debate se faz“. Como não é a primeira vez que esta campanha é suscitada. Como não é a primeira vez que este referendo se realiza….
O que (como eu digo sem descanso) os torna requentados, redundantes, racionalmente translúcidos. (“Mais valia marcar uma data para votar e passar por cima desta «campanha»!“, deixei eu escapar numa conversa noutro dia…)

Parece é divergir o Dr Sampaio na obrigação de “diversidade”, de “variedade”, dos argumentos hoje esgrimidos.
(O que é espantoso, discutindo as mesmas pessoas os mesmos assuntos nos mesmos termos de há oito anos atrás!)
Nesta campanha pré-referendo o que o Dr Sampaio queria eram “variedades”.

Mas se está tão preocupado que “ao fim de tantos anos de democracia [seja necessário] ter a capacidade de perceber o outro [de forma a] não transpormos algumas fronteiras que não são compatíveis com um debate democrático, sincero e franco», porque não começar o próprio por ter a capacidade de dar-se ele mesmo a perceber ao “outro“?

Por uma vez na vida, falar a direito, dizer ao que vem, desemerdar-se de uma vez, libertando-se da incapacidade crónica que tem de fazer frutificar as suas palavras!!!

Se continua com aquela mania do “Andem cá que eu quero ensinar-vos uma coisa fundamental sobre a democracia, a sinceridade e a franqueza: «Fico um pouco espantado, um pouco triste com alguns argumentos, já que já não é a primeira vez que se ouvem e se arriscam a ultrapassar algumas fronteiras»”, mais vale é calar-se bem calado e esperar de caneta em punho pelo dia do referendo sem nos chatear a cabeça.

Porque “debate «dignificador»” é cada vez mais aquele em que o senhor não entra.

Grandes Portugueses – Edição Especial

“Olhó Português fresquinho, ó fregueeeesa!
É a 60 é a 60!…”

Estamos convocados a votar no “Maior Português” e há muito por onde escolher.

Podemos votar em políticos mortos no século XX como Salazar ou Cunhal.
Um deles que manteve 40 anos Portugal num parêntesis que se sente até hoje; outro que não obstante o seu papel na “História Moderna Portuguesa” não chega a mais que uma nota de rodapé na “História de Portugal” – como virá a comprovar-se em 100 anos (por diversos motivos, graças a Deus).

Podemos votar num político que morto há séculos pautou a sua intervenção e o seu reformismo pela perseguição, pela violência, pela ambiguidade moral, pelo absolutismo e pelo jogo oligárquico.

Podemos votar num homem de coragem e determinação deste último século que com um mundo em convulsão determinou a vida de centenas em risco de vida, mas contudo cuja honradez não colheu nem reproduziu na natureza lusitana.


Podemos votar em notáveis homens da arte nacional.
Daqueles que interpretaram como ninguém a essência de Portugal, mas que nada em concreto (infelizmente) provocaram a decisão ou o rumo do que de bom (?…) fôssemos hoje.

Restam-nos os Heróis do Mar e o Fundador – Homem que deu origem a esta aventura.

Não era de prever? Não era evidente?
Só são esquisitas as suas companhias. Que não são culpa de quem respondeu. São culpa de quem perguntou.

…E todos valerem o mesmo: módicos 60 cêntimos+IVA.

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