O Melhor Professor

(Nota: Isto não é um post repetido. É um “Governo” repetitivo)

Está em marcha o Prémio Nacional para o Melhor Professor.
…Afinal a ameaça foi mesmo concretizada.

Já disse o que tinha a dizer sobre o assunto na altura devida.
E que nada mais acrescentaria.

Por isso aqui fica; sem gelo, mais uma vez.

Pois é, choca, não choca? O vender-se nas ruas.

Choca que exista, que assim se viva, que se admita, que se aceite ou que se escolha.
Choca que esteja perto, que faça parte da nossa rua e da nossa vida.

Não por moralismos da treta, mas por nos ser tão bizarro, por ser tão longínquo e ao mesmo tempo pôr em causa tudo a que nos agarramos, familiar e confortável.
E por isso nos assusta.

Um universo à parte em que a identidade e o respeito são regateados na calçada, em que a humanidade muda de mãos pelo preço certo.

Mas hoje o Primeiro-Ministro Sócrates derrubou a barreira.

Não bastando o que está já feito no Ensino e o que virá a fazer-se, o Governo da Nação foi ainda mais longe. Longe demais.
Tão longe que não há mais nada que possa dizer ou fazer para remediar a sua vergonha.
Ultrapassou o limite e não há regresso.

Depois da incúria, da incompetência, do desprezo, da má-fé, da desonestidade do Governo para com a Educação e os seus profissionais, os professores deste País foram equiparados a reles rameiras cuja importância é a do valor facial da moeda a que alugam a sua virtude, a que vendem a sua dignidade.

Depois de macerados e arrastados na lama, os professores ouvem da boca de quem os espezinha que terão “um prémio”.

Que eventualmente distraísse as críticas.
Que talvez confundisse os juízos.
Que certamente compraria como divisa forte a débil virtude e a escassa decência de quem ensina.

Mas enganam-se, estes senhores. E todos os ignorantes cegos que pensam como eles.
O resto de prestígio que nos sobra não se compra com “prémios”.
As últimas aparas da reputação que nos resta nem estão à venda, nem nunca esta gente teria dinheiro para comprá-las.

Chocaria qualquer um, não era? Ser tratado como rameira que a peso e a rodo acede nas suas taras a quem lhe possa pagar.

Sou cidadão professor.
Prostituto do Ensino, nunca fui nem o serei.
Isolado por ofício, sitiado desta terra que não me respeita nem estima, menos é dor que usança.
Mas “prémios”, de «homenagem à condição de professor», da parte de quem me humilha?…
Não senhor, muito obrigado…

E como o que vai cá dentro mais ganha em ser calado, não há mais nada a dizer.
Encontramo-nos em Outubro
.”

Ou, neste caso, na primeira oportunidade.

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