Falar Claro – VI

Nem de propósito…

…Estávamos a ver televisão e perguntam cinco anos de inocência: “Ò pai, o que é o «aborno»?”

Minutos depois da graça e do deleite, dei por mim a pensar:”Filho, o «aborno» é o aborto no seu retorno…

E no que o massacre mediático indescriminado não corresponde em frutos.

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Star Wars. Sempre à mão

Dailymotion blogged video

Para apreciadores.

Como o A…. 🙂

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Falar Claro – V

Para quem é tão forte a tolerância, que prescinda de discutir?…

Mais valia marcar uma data para votar e passar por cima desta «campanha»!

Uma prova de que não há monopólios de verdade nem de bom-senso.

Transcrevo um texto de Pacheco Pereira que tanto foi vendido impresso como postado grátis no Abrupto.
Já disse eu mesmo isto, por outras palavras. Pelo que não posso estar mais de acordo.

…Vote Pacheco Pereira “Sim” ou “Não”.

O DEBATE DO REFERENDO DO ABORTO

Havendo referendo, ou seja, uma escolha com significado político, é natural que haja debate público, que haja um contraditório a favor do convencimento das decisões e do voto. No entanto, nunca como agora eu desejaria que este referendo fosse silencioso, que este debate fosse quase inaudível, que ele pudesse ser feito quase por telepatia, por gestos subtis, sem voz, nem escrita, nem imagem. Tomem isto como uma metáfora, ou seja, não à letra, mas serve para dizer outra coisa que me parece mais importante.

Esta absurda cacofonia em que partidários do “sim” e do “não” esgrimem argumentos, opiniões, acusações, cada vez num tom mais alto, mais agressivo, mais descuidado, mais displicente, mais para se ouvirem do que para serem ouvidos, parte do princípio de que o essencial neste referendo é convencer. Duvido que alguém se convença nesta matéria, a não ser por rejeição – votava duma maneira mas ficou tão indignado(a) com uma frase ou uma atitude que passou a votar doutra. Talvez todos estes excessos possam servir marginalmente para mobilizar para o voto, embora duvide muito da sua eficácia, penso até que favorece mais a abstenção do que a mobilização. Posso estar enganado, são só impressões, não servem para nada.

Fique já bem claro que eu gosto do som e da fúria da política. Não tenho nenhuma das manias elegantes e preciosas de quem pensa que a política é só cumprimentos amáveis e frases subtis. Não sou dessa escola, nem me apanham na defesa de salamaleques de salão ou na condenação de compromissos e dedicações de quem está activamente nesta campanha. Não me esqueço nunca de uma tarde na Assembleia da República em que, depois de eu e mais dois ou três deputados termos passado uma hora de quezília parlamentar até conseguirmos que um respeitado deputado do CDS pudesse falar numa matéria que desejava e para a qual a maioria do PS fazia obstrução, a primeira coisa que o respeitado parlamentar disse no tempo que lhe tínhamos arrancado a ferros depois de uma cena pouco edificante de requerimentos, interpelações e outras guerrilhas parlamentares, foi manifestar o seu desgosto e enfado com a discussão a que tinha acabado de assistir. Fiquei, digamos, para o furioso, com a afronta de quem nos fez meter a mão na massa, para depois aparecer com luvas brancas acima do vulgo. Não é isso que pretendo dizer, se é que me faço entender. É o tom. E aqui o tom é quase tudo.

O que me desagrada nesta campanha – feita mais para os homens do que para as mulheres – é que ela passa ao lado, mais do que isso, desrespeita, ignora, menospreza, o carácter essencialmente existencial, vivido, do problema do aborto. É por isso que o aborto é mais uma questão das mulheres, como é a maternidade, e não é totalmente extensível e compreensível aos homens. Este é um dos casos que esquecemos muitas vezes, quando achamos que a igualdade é algo de adquirido sob todos os aspectos, e que tem a ver apenas com a sociedade, a economia, a cultura e o direito. Não, pelo contrário, há desigualdades, “diferenças” no dizer politicamente correcto, estruturais entre os seres humanos, uma das mais fundamentais é a que a maternidade introduz entre homens e mulheres. E para as mulheres, que, quase todas, ou abortaram ou pensaram alguma vez em abortar, ou usam métodos conceptivos que à luz estrita do fundamentalismo são abortivos, o aborto de que estamos a falar neste referendo não é uma questão de opinião, argumento, razão, política, dogmática, mesmo fé e religião. Também é, mas não só. É uma questão de si mesmas consigo mesmas, íntima, própria, muitas vezes dolorosa e nalguns casos dramática. Não é matéria sobre que falem, se gabem, argumentem ou esgrimam como glória ou mesmo como testemunho. Não é delas que vem esta estridência, nem é por elas que vêm os absurdos do telemóvel, do pinto, do ovo, do Saddam Hussein, do coraçãozinho. É mais provável que sintam tudo isso mais como insultos do que como argumentos que lhes suscitem a atenção. No seu silêncio votarão ou abster-se-ão, mas é por elas, por si, pelo seu corpo, pelos seus filhos, pelo seu destino, pela sua vergonha, pela sua dor, pela sua miséria, pelas suas dificuldades económicas, pela sua vida, pelos seus erros, pelas suas virtudes.

É verdade que, como em todas coisas, há irresponsabilidades, há mulheres irresponsáveis nos abortos que fazem, como nos filhos que fazem, mas duvido muito que sejam a regra. A regra é que aborto é sofrimento, físico e psicológico, e é sobre esse sofrimento que vamos votar. Eu vou votar sim, mas admito que, exactamente com a mesma consciência do mesmo problema, haverá quem vote não. Mas os moderados, estranha palavra rara no meio desta estridência, não podem deixar de recusar este folclore que infelizmente nalguns casos torna príncipes da Igreja iguaizinhos ao Bloco de Esquerda e vice-versa. Se percebêssemos esse silêncio interior da maternidade, mesmo quando dilacerada pelo aborto, seríamos menos arrogantes, menos estridentes, menos obscenos nas campanhas.”

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O Melhor Professor

(Nota: Isto não é um post repetido. É um “Governo” repetitivo)

Está em marcha o Prémio Nacional para o Melhor Professor.
…Afinal a ameaça foi mesmo concretizada.

Já disse o que tinha a dizer sobre o assunto na altura devida.
E que nada mais acrescentaria.

Por isso aqui fica; sem gelo, mais uma vez.

Pois é, choca, não choca? O vender-se nas ruas.

Choca que exista, que assim se viva, que se admita, que se aceite ou que se escolha.
Choca que esteja perto, que faça parte da nossa rua e da nossa vida.

Não por moralismos da treta, mas por nos ser tão bizarro, por ser tão longínquo e ao mesmo tempo pôr em causa tudo a que nos agarramos, familiar e confortável.
E por isso nos assusta.

Um universo à parte em que a identidade e o respeito são regateados na calçada, em que a humanidade muda de mãos pelo preço certo.

Mas hoje o Primeiro-Ministro Sócrates derrubou a barreira.

Não bastando o que está já feito no Ensino e o que virá a fazer-se, o Governo da Nação foi ainda mais longe. Longe demais.
Tão longe que não há mais nada que possa dizer ou fazer para remediar a sua vergonha.
Ultrapassou o limite e não há regresso.

Depois da incúria, da incompetência, do desprezo, da má-fé, da desonestidade do Governo para com a Educação e os seus profissionais, os professores deste País foram equiparados a reles rameiras cuja importância é a do valor facial da moeda a que alugam a sua virtude, a que vendem a sua dignidade.

Depois de macerados e arrastados na lama, os professores ouvem da boca de quem os espezinha que terão “um prémio”.

Que eventualmente distraísse as críticas.
Que talvez confundisse os juízos.
Que certamente compraria como divisa forte a débil virtude e a escassa decência de quem ensina.

Mas enganam-se, estes senhores. E todos os ignorantes cegos que pensam como eles.
O resto de prestígio que nos sobra não se compra com “prémios”.
As últimas aparas da reputação que nos resta nem estão à venda, nem nunca esta gente teria dinheiro para comprá-las.

Chocaria qualquer um, não era? Ser tratado como rameira que a peso e a rodo acede nas suas taras a quem lhe possa pagar.

Sou cidadão professor.
Prostituto do Ensino, nunca fui nem o serei.
Isolado por ofício, sitiado desta terra que não me respeita nem estima, menos é dor que usança.
Mas “prémios”, de «homenagem à condição de professor», da parte de quem me humilha?…
Não senhor, muito obrigado…

E como o que vai cá dentro mais ganha em ser calado, não há mais nada a dizer.
Encontramo-nos em Outubro
.”

Ou, neste caso, na primeira oportunidade.

Choque Techno

Ora deixa ver se consigo colocar em poucas palavras uma dúvida que me assaltou, recorrendo à calma possível…
(Já dizia o mestre que “É a precipitação que dá cabo da condensação“…)

Ainda a respeito do malfadado Ofício-circular que punha em banho-maria a TLEBS, também lá as TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação) levavam por tabela.

Depois de ter havido magotes de professores a habilitar-se para leccionar as generalizadas TIC, depois desses professores terem sido colocados em Quadros de Nomeação Definitiva em escolas nessa mesmíssima qualidade, depois de ser enunciado para o País e para o mundo que as Tecnologias no 10º Ano eram uma alavanca do nosso desenvolvimento futuro, ficámos a saber que a própria disciplina corre risco de extinção!!

Deus me livre e guarde de pôr em causa as sábias decisões (?) do “Governo” Sócrates em matéria de Educação, seja na gestão, seja na pedagogia!
Depois de tantas provas dadas, o mais renitente dos Tomés já se terá rendido – vide o douto Professor Marcelo, que dá sucessivamente nota de aprovação à senhora Ministra!

Parece-me esquisita é a contradição inerente à política do “Governo”.

Quem quiser ler ainda as Bases Programáticas, de Janeiro de 2005, com que o PS se apresentou a Eleições Legislativas, pode tirar teimas.

No Capítulo I – “Uma Estratégia de Crescimento para a Próxima Década“, Ponto II. “Um Plano Tecnológico para uma agenda de crescimento“, pode ler-se em Português fluente que “A generalização do acesso à Internet e às tecnologias de informação e comunicação (TIC) é um elemento crítico da proposta do PS para o desenvolvimento da sociedade portuguesa.”
Mais: “[…] A aposta nas TIC irá permitir a aproximação à fronteira tecnológica dos países mais avançados. O nosso atraso em termos de utilização de TIC penaliza negativamente o nosso índice de competitividade geral.”

Querendo isto dizer em linguagem familiar que sem as TIC nunca seríamos ninguém de Badajoz para lá…
Propõe-se agora o “Governo” ponderar se a disciplina se manterá sequer no curriculum dos jovens do 10º Ano.
Eu sei que sempre foi uma brincadeira deste “Governo” a atribuição de uma carga horária semanal de 90 minutos (e não me venham falar em “flexibilidade curricular”!) a um “elemento crítico da proposta do PS“, mas isto é um bocado demais.

Haverá quem me diga: “Mas onde é que está a novidade? Não te lembras deste «Governo» num mês fazer a propaganda de todas as escolas do Primeiro Ciclo estarem cobertas por ligação à net em banda larga e pouco tempo depois anunciar o fecho de 500 delas?”

É verdade, é verdade…
Mas diz quem está por dentro da coisa que a razão mais plausível é outra: a taxa de insucesso na disciplina – que, ao contrário do que muitos alunos e pensadoretes julguem à partida, não é exactamente nem jogar computador nem assassinar a Língua Portuguesa horas seguidas no messenger – um insucesso incomportável a uma Educação higienizada no sentido do Insucesso-Zero.
…Por via natural ou laboratorial.

E fico com esta dúvida…

Será a sério a “paixão” do “Governo” pela tecnologia, ou limitar-se-á ela a um Choque Techno, em que a par do desgraçado do Vangelis os Pet Shop Boys passam a abichar espaço nos Congressos do PS, à semelhança do que aconteceu no último?

(Com uma piscadela de olho à CD.)

Falar Claro – IV

Homens e mulheres viram as suas vidas marcadas pelo dia 11 de Fevereiro. Enquanto garantiram para si mesmos, à sua maneira, um lugar na história.

O Presidente Cavaco Silva também?…

Grandes Portugueses

Hannah Arendt; 14 de Outubro de 1906, Linden, Alemanha – 04 de Dezembro de 1975, Nova Iorque, Estados Unidos.

Sem dúvida que fará parte da lista.

Eh pá!… Mas nem sequer era portuguesa!…
Não faz mal. Leva na mesma o meu voto.

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Toque a finados

O Pedro_Nunes_no_Mundo torna público o óbito da nova Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário.

Após doença prolongada, a TLEBS faleceu na noite de quinta-feira, na sequência de complicações cerebrais.

A notícia, dada aos órgãos de informação por um tio da falecida, comoveu um País mantido há largos meses em ansiosa expectativa.

Associamo-nos, nesta hora de pesar, a todos os alunos, professores, Encarregados de Educação, investigadores, opinadores e demais cidadãos, que desde o primeiro momento choram o seu desaparecimento.

(Claro que, face à desvergonha política que envolveu a TLEBS desde o seu início, há a rocambolesca e maximamente descarada possibilidade de esta “suspensão” – cuja formalização por portaria “até ao final do mês de Fevereiro” fez rir os meus jovens alunos – se tratar efectiva e exclusivamente de uma “suspensão”.

Isto é, há o grave risco para a saúde pública de, após tudo o que fica para trás, numa salsicharia mixordeira dos arrabaldes estar em vias o enchimento de uma tripa mal lavada e mal temperada, que depois de vazada do seu recheio pestilento seja agora recheada com os restos mortais de uma TLEBS, malvado cadáver que teimam em não deitar e deixar a apodrecer como lhe compete.

A melhor, depois de tudo o que fica para trás, seria que um “projecto” destes, que nunca teve uma identidade própria, nem uma paternidade definida, que nunca se soube bem o que era, o que dele fazia parte, a quem se dirigia, de que forma e porquê, que nunca se soube como o aplicaria quem o aplicasse, que timing real respeitaria, a que regras estava sujeito, qual o seu plano de contingência, um “projecto” que nunca deu garantias de coerência ou continuidade aos seus envolvidos compulsivos, profissionais, educadores, educandos, uma Língua, um País, a melhor, depois de tudo o que fica para trás, seria que este morto-vivo, assassinado pelas mãos dos seus próprios curadores, resurgisse ainda um dia, de forma incompreensível e inaceitável para tantos que foram espezinhados no seu processo.

Mas a irresponsabilidade desta gente é muita e os seus escrúpulos inversamente similares.
Nada daí já espanta.

…Apenas como pôde um povo chegar a este nível de miséria moral.)

"Dark side of The Force"? Boa!

Acabou a Exposição Star Wars no Museu da Electricidade.

Uma reunião de família global.
(Vá lá, que a globalização tenha algumas vantagens…)

Onde foi possível rever algumas caras, num belíssimo espaço.

May The Force be with you.

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A TLEBS socialista

Não sejam queixinhas e leiam o post até ao fim…


Era uma vez um absurdo que vivia numa casinha no meio da floresta com a sua mãezinha…

A história é longa e difícil de resumir.
Mas cá vai.

Uns senhores de um Governo que já lá vai, deram à luz uma coisa chamada TLEBS (Terminologia Linguística dos Ensinos Básico e Secundário) que nem sonhavam que nunca chegariam a ver crescer.

Essa TLEBS nasceu da cabeça retorcida de uma intelectualidade sociopolítica obcecada pela imortalidade histórica, como ferramenta definitiva de formatação da Língua Portuguesa as we knew it.
Graças à TLEBS, todas as pontas soltas, todas as lacunas, todos os equívocos do estudo, do ensino e da aprendizagem da linguística pátria, seriam depurados, aparados fora como excrecências de uma Língua renormalizada, reactualizada e unívoca.

Mas estamos em Portugal. Não esquecer.

Foram arregimentados uma série de carolas das áreas da Língua e Línguística (que reza a história nunca chegaram a encontrar-se no decurso do processo para comparar notas, com o resultado que se viu!) e esgalharam a Nova Terminologia.

Havia que pô-la a andar.

Pelo que o Governo Santana Lopes, da eminente pedagoga Ministra Maria do Carmo Seabra e do descentralizado em Aveiro Secretário de Estado da Educação Diogo Feio, a colocou “à experiência” por três anos.
Nas cobaias do costume: alunos, professores e Encarregados de Educação.

Mas o tal Governo foi, ele próprio, posto a andar e entrou em cena o actual Governo socialista.

Aqui o enredo adensa-se, entre a obrigação deste de dar continuidade à “experiência”, a aceitação tácita e voluntarista da herança que aprofundou – deu continuidade à “experiência” e dilatou-a no tempo – o seu apadrinhamento e as barracadas que se seguiram.

Como sempre, o País foi apanhado (por culpa própria) a dormir.
Foi aberta a comporta da “experiência” ao segundo, ao terceiro ciclos de escolaridade e ao secundário, sem ninguém tugir nem mugir.
Foi dada ordem de marcha aos professores de Português e Língua Portuguesa para começar a leccionar a TLEBS no 5º, 7º e 10º anos sem qualquer preparação adequada para o efeito.
Foram editados manuais, gramáticas, dicionários, livros, materiais pedagógicos diversos, sem uma certificação científica da conformidade com a TLEBS – isto é, cheios de bacoradas.
Em suma, foi auto-generalizada a “experiência” a todos os ciclos que inicialmente se previa que abrangesse, sem que o próprio Ministério da Educação tivesse fechado o processo de construção da TLEBS ou, muito menos, definido como seria ministrada e avaliada no trabalho com os alunos.

Depois, finalmente, a “sociedade civil” começou a acordar.
Entre os cientifico-ressabiados, os politicamente interessados, os desencantados, os revoltados, os ignorados e outros que tais, começou a crescer uma onda de contestação que talvez já não se esperasse.
Ameaçando chegar ao Zé Povinho votador. Que é onde reside o perigo dos Governos.

Com cuspo e uns bocados de adesivo, a TLEBS lá foi sendo usada no dia-a-dia da aprendizagem da Língua nas nossas escolas, nos tais anos lectivos.
(Que Desenrascanso é uma pós-graduação dos professores portugueses.)

A graça (?) da coisa é o sentimento de profundíssima insegurança no trabalho quotidiano, numa prática que devia primar pela solidez: a do ensino.
A TLEBS entrou no limbo: nem está verdadeiramente a ser “experimentada” por amostra – já grassa generalizada nas escolas do País e é trabalhada como adquirida – nem está ainda a valer – como não acabou ainda o prazo da “experiência”, não se sabe (mesmo) se vingará.

Dizia o Ministério em Novembro de 2006 que não estava tomada uma decisão final e definitiva” sobre o futuro da TLEBS, não excluindo “qualquer cenário“, “desde a [sua] generalização […] ao seu abandono ou reconversão total“!
Que, aliás, a generalização só poderia acontecer “quando os professores se [sentissem] preparados e seguros sobre esta opção“.
Circulando por essa altura no mercado gramáticas, dicionários, manuais escolares adquiridos e utilizados pelos alunos, e estando na escola a TLEBS a ser ensinada pelos professores, nunca tidos nem achados!

Perante a possibilidade de a TLEBS ser “generalizada” (!!!) aos 4.º, 6.º e 8.º anos em 2007/2008, colocou-se a questão da renovação dos manuais escolares de Língua Portuguesa do 8º ano, que teriam de contemplar a TLEBS, por força de ter sido ministrada já este ano aos alunos do 7º!…
Novo imbróglio.

Com o ovo entalado, o Ministério da Educação produziu então agora um Ofício-Circular singular.

Enquanto se descarta bruta da paternidade da TLEBS atirando-a para o colo dos “outros”, enquanto propagandeia o bem social que anda a tentar fazer às economias familiares através de um novo calendário de adopção de manuais, enquanto salienta o espírito de “negociação” das suas decisões (!?), explica que tudo leva o seu tempo, “o processo de avaliação e certificação tornar-se-ia muito difícil nessas circunstâncias“.
Isto é, não há mudança de manuais do 8º ano no próximo ano lectivo.

Restava dizer que não há, não por causa destas razões, mas porque o Ministério da Educação não sabe neste momento o que há-de fazer à TLEBS.

Daí a loucura de se repetir que se está em “experiência”; de com ela a correrpromover a revisão científica da Terminologia“; de nesta alturapromover a produção de um referencial didáctico para a Terminologia Linguística nos diversos níveis de ensino“; de, tendo começado a ministrá-la em Setembro, “prosseguir um programa de formação contínua de docentes para a utilização da Terminologia“; de depois de vendidas toneladas de materiaispermitir a produção de manuais e outros suportes pedagógicos adequados ao ensino da estrutura da língua de forma harmonizada e cientificamente rigorosa“; e de, depois destes investimento todo, “avaliar a eficácia da utilização da Terminologia por parte dos professores no ensino do português“, como quem diz: “ver se vale a pena avançar com ela“!!!!!

Estou farto que brinquem comigo.
E com os meus alunos.
E com os nossos filhos.
E com os nossos impostos.
E com os nossos votos.

Mas como estou sozinho nesta revolta, resta-me assinar a petição contra este nojo feito política, ética, “Educação”.

Vou assinar a petição online (até fim de Janeiro) contra esta introdução no ensino da TLEBS.

Até porque, como se diz neste Ofício-Circular: “a TLEBS é um instrumento a utilizar [pelos professores] como profissionais do ensino da língua, e não para administração directa aos alunos“!!!

TLEBS?
Que fique o PS com ela, que bem precisa.