Distopia futurista

Bradbury está à solta em Paris e em França.

Visões distópicas de um futuro previsto?

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"Uma mensagem imperial"

O imperador – assim dizem – enviou-te, súbdito solitário e lastimável, sombra ínfima ante o sol imperial, refugiada na mais remota distância, justamente a ti o imperador enviou, do leito de morte, uma mensagem.
Fez ajoelhar-se o mensageiro ao pé da cama e sussurrou-lhe a mensagem no ouvido; tão importante lhe parecia, que mandou repeti-la em seu próprio ouvido. Assentindo com a cabeça, confirmou a exatidão das palavras. E, diante da turba reunida para assistir à sua morte – haviam derrubado todas as paredes impeditivas, e na escadaria em curva ampla e elevada, dispostos em círculo, estavam os grandes do império –, diante de todos, despachou o mensageiro.
De pronto, este se pôs em marcha, homem vigoroso, incansável.
Estendendo ora um braço, ora outro, abre passagem em meio à multidão; quando encontra obstáculo, aponta no peito a insígnia do sol; avança facilmente, como ninguém. Mas a multidão é enorme; suas moradas não têm fim. Fosse livre o terreno, como voaria, breve ouvirias na porta o golpe magnífico de seu punho. Mas, ao contrário, esforça-se inutilmente; comprime-se nos aposentos do palácio central; jamais conseguirá atravessá-los; e se conseguisse, de nada valeria; precisaria de empenhar-se em descer as escadas; e se as vencesse, de nada valeria; teria que percorrer os pátios; e depois dos pátios, o segundo palácio circundante; e novamente escadas e pátios; e mais outro palácio; e assim por milénios; e quando finalmente escapasse pelo último portão – mas isto nunca, nunca poderia acontecer – chegaria apenas à capital, o centro do mundo, onde se acumula a prodigiosa escória. Ninguém consegue passar por aí, muito menos com
a mensagem de um morto.
Mas, sentado à janela, tu a imaginas, enquanto a noite cai.”

Franz Kafka

(Obrigado à cantinho)

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As time goes by

Saudades.
De espaços. Tempos. Caras.


Recordados ao encontrar a S.B. numa visita de estudo. A D.C. numa editora. A C.M. no Parque das Nações. A A.V. ou a V.F. num centro comercial. O J.L. na manifestação do 17 de Outubro. A L.C. num evento em Loures… (Estes, os seus nomes de então. Perdoem-me, …mas os que para mim ainda valem.)
Ao manter contacto com o C.S., com a F.P., com a C.A. e com a E.F.
E ao vislumbrar uma figura familiar no meio da multidão. A uma distância improvável.

Todos estão presentes. Aqui. Como sempre estiveram.

A todos um beijo de boa-sorte e felicidade.

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O Estado liquidatário

Cada vez mais o estado deste Estado é o de um administrador liquidatário (nesta, pago direitos de autor a um jornal que não é de referência).
Um administrador que pegou “nisto” – como diria o ex-Presidente Sampaio – com a lúgubre função de fazer as contas, pendurar a tabuleta, apagar a luz e fechar a porta.

Por isso a presente estratégia de gestão governativa da Nação é a do fecho. Do corte. Da eliminação.
…Que poderiam ser razoáveis. Que poderiam fazer sentido e dar resposta a problemas prementes que careciam de solução ampla e firma.
Mas não quando o fecho, o corte e a eliminação são mecânicos e meramente instrumentais – para não acrescentar sumários.
Quando visam simplificar a actividade governativa e não os processos organizativos.
Quando visam descartar problemas e não resolvê-los.

Tal tem sido, nos últimos tempos, a causa de várias decisões espantosas.

A dos cortes a esmo nos orçamentos dos vários ministérios, com referência a um número astrológico de 5%, a que o Governo chegou (não 4%, nem 6%, nem 5,5%, nem…), mostrando no “padrão” total falta critério, completa falta de capacidade de diferenciação e priorização de gastos.
Nada se muda, nada se resolve, apenas se corta a direito e assim se enche um balãozinho de oxigénio.

Ou a machadada sem anestesia sofrida pelas universidades e politécnicos nas verbas provenientes do Estado para o seu funcionamento.
Sem qualquer manifestação de interesse ou vontade de participar da mudança de procedimentos em estruturas que se tutela,
corta-se a direito. Fecha-se a torneira, manda-se pastar que está no terreno e mesmo os amados media são mandados ir ver se chove. (Ver como remata a notícia referida!)

Ou, soube-se agora, a decisão de amnistiar (na prática) os prevaricadores até finais de Outubro do não pagamento de portagens e viagens em transportes sem bilhete.
Descriminalizando os actos, o Governo transformou estes crimes em contra-ordenações e resolveu a chatice que era ter estes 200 mil casos a ser julgados e a entupir o sistema de Justiça! Acontece que este Governo-canalizador, ao desentupir o cano, não aliviou a questão, aluviou-a! (E seria curioso apurar quantos portugueses sabem disso.)
Através da “simples” transformação destas transgressões em contra-ordenações puníveis com coima, na prática, o legislador prescinde do início de novos procedimentos criminais contra este tipo prevaricadores, extingue os já iniciados (por falta absoluta de enquadramento criminal) e mesmo os casos “condenados” vêem cessada a sua execução.
Em comple
mento, como a nova legislação descriminaliza actos passados, torna impossível sequer que aqueles sejam sancionados retroactivamente com aplicação de coimas!
Em suma: cerca de 200 mil transgressões ficam impunes, vão directamente para o arquivo e muitos milhões de euros ficam por arrecadar pelo Esta
do.
…Porque se decid
e matar o doente como forma de curá-lo.

Mas pensar-se-á: “caramba, nada se acautela nesta revoada de ‘reformismo’?”

Sim, claro!

Quando se decide passar para juristas privados a acessoria jurídica dos ministérios – até agora da responsabilidade de magistrados do Ministério Público – com o fito cego de esvaziar mais um bocado os quadros do Estado, no âmbito do PRACE (Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado), está a acautelar-se alguma coisa…
Não só o corte, o fecho, a restrição, mas também o negócio dos escritórios de advogados, que passam a prestar acessoria aos ministérios!
É unânime que o custoo do serviço até aqui prestado por quadros do Estado aumentará. (Até a Ordem dos Advogados refere esfingicamente que “é preciso considerar variantes além da folha de pagamentos da Função Pública”.)
Mas não podemos acusar o Governo de não se preocupar com nada.

Que ideia mais parva!…

Chuva vermelha

Em 2001, o sul da Índia foi assolado por uma misteriosa chuva vermelha, para a qual os cientistas encontraram uma rápida explicação. No entanto, há quem defenda que estas gotas traziam organismos alienígenas“.
Assim começava a notícia do jornal Sol.

Esta autêntica plotline de filme de ficção-científica provoca-nos com uma hipótese chocante: e se a vida na Terra devesse a sua origem a uma longa viagem cósmica?…

Renasce uma teoria dos anos 60, a da “Panspermia” (que me era estranha!), que propunha precisamente isso. O desenvolvimento de uma vida na terra, originada previamente noutro lugar.
Basicamente, que os “extraterrestres” cuja existência sempre nos questionou e inquietou, somos nós mesmos.
Que a vida que suspeitávamos existir algures no universo tem em nós, que a conjecturamos, e na vida à nossa volta, a sua prova.

A teoria, ainda que chocante, já terá sido mais desconsiderada que nos dias de hoje, e coloca-nos uma questão apaixonante: se fosse comprovada, deixava-nos mais perto da teoria creacionista ou evolucionista da vida na Terra?…

Chuva vermelha.
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Chuva vermelha.

Peter Gabriel foi eleito “Homem da Paz 2006”, nomeação de tipo Liga de Honra, decorrente da escolha de um grupo de nobelizados da Paz.
A nomeação, ainda que discreta, já terá tido menos relevância que nos dias de hoje, e coloca-nos uma questão apaixonante: e se “o Nobel” fosse, de facto, como alguém já o caracterizou, um mero colégio de anciãos, fechados, à janela sobre mundo, num país frio e deprimente com uma elevada taxa de suicídio?
E se um “Homem da Paz” fosse mais isto?…

Peter Gabriel – Red rain.
De quando a música era (parecia ser?) mais música.

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Grandes Portugueses

Franz Kafka; 3 de Julho de 1883, Praga, Império Austro-Húngaro (República Checa) – 3 de Junho de 1924, Viena, Império Austro-Húngaro (Áustria).
Sem dúvida, um tipo que fará parte da lista.

Eh pá!… Mas o gajo nem sequer é português!…
Olha, deixa lá, leva na mesma o meu voto.
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Face A, face B

Momento televisivo de antologia.

Não, não!… Não estou a falar de nenhuma das duas entrevistas que tiveram lugar ontem.
Falo do facto genial de, simultaneamente, termos tido duas entrevistas deste coturno; mais: duas entrevistas que são cara e corôa, verso e reverso, a face A e a face B de uma mesma realidade política recente e actual.
Os espectadores tiveram de optar entre ver uma e outra (ou então ir dar uma volta para apanhar ar fresco), num acto de consciência e arbítrio. O que é muito bom.
Pessoalmente preferi assistir à entrevista de Santana Lopes (como uma boa parte dos portugueses preferiram), não dei o tempo por mal gasto e consideradas as análises que hoje já ouvi foi, de longe, mais interessante.

(Só gostava de saber qual das entrevistas foi atrás de qual – não acredito em “coincidências” destas. Seria muito revelador.)

Na entrevista, Santana demonstrou mais uma vez de forma linear e inequívoca – só ele neste País é obrigado a dar provas permanentes e sucessivas – que lhe foi feita politicamente a cama e ao seu Governo, por muito boa gente que lhe tirou proveitos.

Jorge Sampaio, com o interesse socialista – o inconveniente Ferro Rodrigues já estava fora de jogo e o caminho aberto para o primo-ministeriável Sócrates.
Cavaco Silva e a sua mira da eleição presidencial – sem Santana e PSD no Governo, mais facilmente se escolheria um social-democrata (?) para Belém com um socialista (?) em S. Bento.
Jorge Sampaio, com o interesse próprio – como disse ontem Santana Lopes, o magistério de Sampaio só brilhou (?) por ter aberto a porta da Presidência a Cavaco (com a ascensão de Sócrates) e não a porta a Soares, que o poria “entre parêntesis”.
Marcelo Rebelo de Sousa e a sua sede de protagonismo – com proverbial “informação privilegiada” sobre o que se há-de passar no rectângulo, o prof. Marcelo soube que Santana era para (a)bater e pretendeu aos olhos da Nação renascer em popularidade e saliência pessoais, por compaixão pela pseudovítima que talhou em postas o Governo com as suas próprias mãos.
E o PS em bloco, evidentemente…
E algumas figuras do PSD, que assim ascenderam (ou não)…
E sectores – relevantes – da sociedade que viam a vida andar para trás.
Et cætera

O livro de Santana Lopes está escrito. Toda a gente escreve um.
A história escrever-se-á sozinha.

…E o que é certo é que (o ingénuo) Santana ainda anda por aí anda.

(Aplauso para o DN e uma das capas mais bem conseguidas que vi nos últimos tempos.)