O que é que está a dar no outro?

Era uma vez um um spot televisivo sobre as mortes na estrada, que mostrou (mais uma vez) como somos um País de tristes.

Partiu do princípio de que andamos todos a dormir em relação à sinistralidade rodoviária há décadas e que só através da comunicação choque se consegue despertar consciências (duas premissas corectas!) – como se faz aliás nos países a sério…

Definiu depois que um spot sobre criancinhas seria mais eficaz na obtenção desse efeito choque. (Claro!, como não?)

Enquadrou depois a mensagem com o ícone de um avião, usado em primeiro lugar como quantificador e em segundo como referencial simbólico (ineludível) da catástrofe humanitária em transporte civil – que fornecia o mote para “o” avião que “todos os anos cairia nas estradas portuguesas cheio de crianças”.

No final, foi barrado com um texto que acompahava as imagens da lógica descrita.

Ora, como distraído que sou e cansado que ando, julguei noutro dia ter tido uma branca de audição quando o tal spot me passou ao de leve, mais uma vez, pelos ouvidos enquanto vegetava no sofá ao fim do dia.
Era capaz de jurar que tinha faltado alguma coisa… Mas o quê?
E prometi-me que da vez seguinte lhe prestaria a atenção que me permitisse matar o bicho da curiosidade!
E confirmei-o.

Pelos visto (como fui apurar) tinham sido vários os incomodados sociais que logo à saída do spot se insurgiram contra a sua natureza, o seu teor e a sua construção.
A Prevenção Rodoviária Portuguesa, que o achou uma inutilidade e desperdício de fundos – uma vez que considera, com base em números, campanhas destas totalmente inúteis -, a TAP e muitos dos ligados ao transporte aéreo, que o apelidaram de incorecto e alarmista – nunca “caiu um avião” em Portugal, muito menos só com crianças, e não é a altura histórica e cultural ideal para se jogar com o terror aeronáutico dos destinatários do spot – e muitos comentadores polivalentes, pelas mais variadas razões.

O que é certinho é que o spot que inicialmente rezava

Todos os anos cai um avião cheio de crianças em Portugal. É este o número de crianças vítimas da velocidade nas estradas portuguesas. Este ano ajude-nos a evitar a tragédia. Reduza a velocidade.“,

diz agora

Um avião cheio de crianças. Todos os anos, é este o número de crianças vítimas da velocidade nas estradas portuguesas. Dá medo de andar na estrada, não dá?… Reduza a velocidade.

Conclusão: satisfeita a birra farisaica da “queda do avião” que não caiu, das “crianças no dito” que lá não entraram, do “não morrerem tantas crianças por ano como as que preencheriam aquele avião” (sim, sim, a argumentária foi diversa…), ficámos com um spot capado por razão nenhuma, supostamente menos básico, mas na verdade idiota na precisa medida do “Dá medo de andar na estrada, não dá?…“.

Gostava do primeiro. A sério.
Era uma banhada, pois era. Mas era um spot simples, intencional e penetrante (na ressalva de que nem todo o coiro é penetrável!).
Digo eu…

Mas agradeçamos aos intelectuais a luz que derramam sobre a nossa simpleza de ignorantes.

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PSP

falei disto a dada altura.
Portanto, não
nos percamos mais.

Foi noticiada uma marcha de polícias que se realizou ontem, de protesto e apoio aos seus colegas banidos pelo MAI.
Os polícias mostraram a sua indignação pelo facto de agentes medalhados e com louvores, com uma vintena de anos de serviço e em desempenho regular até agora, terem sido corridos da corporação por terem falado demais, em questões polémicas – derivadas da sua acção sindical.

Repito, já falei disto e não vou repetir-me.

Anoto apenas duas evidências.
A força do corporativismo – que tanto se condena na praça pública em relação a alguns sectores profissionais – e a manipulação sindical – de quem se diz outro tanto.

Estiveram presentes na marcha perto de 40 agentes.
40!
Para se insurgirem contra uma realidade (supostamente) insuportável à classe de insulto e atropelo.

Seriam mesmo?… Um insulto e uma indignidade sentidos?, digo.
Haveria?, o melindre e a revolta?
Não seriam eles mais fortes que a pachorrice e a desresponsabilização lusitanas – mesmo no que nos toca – talvez.

Tenho a minha opinião.
De que sim. Que razões havia. (Sob certas condições eu próprio lá teria estado.)
Mas não se pode ir a todas. E cada um tem as suas.

Fica o risível.
Das decisões políticas (no mau sentido) tomadas a esmo sem controlo nem oposição, das diligências de uma Justiça que desarma o cidadão (Providências Cautelares interpostas a propósito estão pré-comatosas), do sindicalismo que, como dizia alguém, não conta (mesmo) com os melhores, da sociedade, e dos seus sectores que a constituem, alheados, indiferentes, queixinhas, desleixados, nulos.

Mais passos atrás.

Companhia dos Índios

É um bocado ingrato, não é preciso que mo lembrem.
Ver de sopetão a sua própria carantonha plantada aos pés de um morro venezuelano a dar serventia à campanha presidencial de um cromo como Chavez.
(Esta é a perspectiva politicamente correctinha…)

Acontece que a velha sentença do “dir-te-ei quem és” ainda não foi revogada por nenhum revisionista do bom-senso.
Como tal, não deixa de ter graça que o tal cromo se tenha feito acompanhar não só por “congéneres”, como por certos “congénitos” (uns índios como Fidel Castro ou Mahmoud Ahmadinejad), seleccionados entre todos os muitos que lhe estenderam o bacalhau ao longo dos tempos, por gosto, protocolo ou frete, por lhe parecerem conferir mais agasalho político.
…E que eles por lá se deixem estar, pendurados em postes, com tal companhia.

Para além do que só uma cabeça bloqueada como a de Chavez (que não é nenhum donkey) podia engendrar – que estar sentado ao lado de José Sócrates Carvalho é um acto libertário e relevante aos olhos de alguém… – fica o enigma de qual pode ser o verdadeiro divisor comum a ambos…
(O que se remete para
a intimidade política dos dois. )

Resta saber se o abuso em que se traduz o voluntarista acto venezuelano sofrerá a influência da enorme “coragem política” do Engº Sócrates.
Resta saber se lhe chega à política externa o que lhe abunda (salvo seja…) na vida doméstica.

_________________________

ADENDA

Por esta hora, já os venezuelanos tiraram o cartaz do Engº.
Menos mau. Era um abuso.

Vamos supor que foi o Governo Português que se entesou com Chavez e que afinal Sócrates abunda internacionalmente, também…

Já só resta a “tal” curiosidade de Chavez ter escolhido Sócrates como único líder europeu como muleta congénere no caminho de regresso para a presidência.

Homem de encantos…

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Convite

O Pedo_Nunes_no_Mundo convida todos os fanáticos religiosos a assistir ao final do ciclo de música clássica que a Junta de Freguesia de Loures promoveu no corrente mês, associando-se às festividades da Igreja Matriz da cidade, onde a nível local se formatam comportamentos sexuais e se atrofiam espíritos com ladaínhas e penitências a um Deus que não existe.

Será decerto um momento marcante da repressão das liberdades de pensamento e expressão em Loures, em que se celebrarão alguns dos mercenários que a soldo da Igreja Católica Apostólica Romana genocida e epidémica compuseram umas coisas, ajudando a bloquear o desenvolvimento da cultura, da filosofia, da arte, da civilização, e alargando o espectro de doença de um culto e de uma moral irracionais e anacrónicas, assentes cegamente nas páginas de um livro escrito por uns espertos.

A entrada será livre, ao contrário de quem escolhe viver agrilhoado à obssessão das tentações, de ser controlado e da vida eterna.

Claro que os fanáticos ateus também serão bem-vindos…

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O Iberismo…

Isto do “Iberismo” é muito lindo, mas é sempre a mesma coisa.

Basta irem ver esta notícia e depois aquela outra para perceberem que assim é.

Então o nosso Presidente, coitado, apesar de pobrezinho como o País a que preside, como ia visitar os espanhóis foi à pressa comprar um PDA para ofertar ao Rei Juan Carlos (que lhe deve ter ficado para cima de 10 euros…) e os monarcas, senhores (mais ou menos…) de uma Nação cinco vezes maior que a nossa, rica em proporção e igualmente próspera, brindam-no em troca com a notícia do nascimento de um novo Príncipe?

Isso é mais ou menos como vir alguém a minha casa, trazer-me um presunto e eu retribuir-lhe com a notícia de que o meu mai’ novo já vai à casa-de-banho sozinho!

Espero que ao Presidente Cavaco sirva de emenda e que nunca mais leve a dignidades estrangeiras prendas acima de umas trusses ou de uma chinesa em porcelana para pôr no aparador.

Caso contrário, nunca mais se sai desta espiral de prejuízo.

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Prós e Contras – Arco do Triunfo

POR FAVOR NÃO ME DIGAM QUE TAMBÉM SÃO DAQUELES QUE
“NÃO GOSTAM DE POSTS MUITO COMPRIDOS”…

Cada qual tem a sua mania.

Uma das minhas é estar lá.
“Lá” onde a coisa acontece, “lá” onde preciso de estar para ver e crer, “lá” onde sei que mais tarde me arrependeria de não ter estado.

E fui “lá”, ao “Prós e Contras” da RTP. O do “Exame Final” com a Ministra da Educação – serviço público com pinta de filme do Van Damme.
Não fui lá para ver o circo a pegar fogo.
Fui testemunhar como se comportariam os que lá fossem falar, para registar para mim as palavras por que cada um quereria ser recordado do previsto debate sobre o
miserável momento da Educação nacional.

Mas mais uma vez, nestes meus curtos anos, me ocorreu a clássica imagem do porco ciclista, que provoca no passante anónimo o choque invariável de um relativo insólito…

Quando parecia impossível numa emissão daquelas, perante o País, em directo tv, com “prós” e com ”contras” em palco, havendo tanto por onde bordoar num encontro que jamais escaparia ao confronto, eis que a Ministra da Educação se passeia, goza do momento e sai ilesa e risonha, segundo um já hábito seu, inexplicável e surreal.

Desde uma moderadora cujo nível de preparação a própria precisou de gabar, dizendo do quanto se documentara durante as férias (o que todavia nem de perto lhe chegou), passando pelo painel dos “convidados” escolhidos, todos eles tão “pró” que só simuladamente ousaram sentar-se no “contra”, passando por uma plateia arregimentada – foi lindo o momento de início de entrada no Auditório Armando Cortez em que a um grito de: “Ministério da Educação!”, de alguém da produção, uma mole de gravatinhas e penteados altos se apressou a entrar lampeira na sala e a ocupar as filas de destaque – tudo correu de feição.
Diria mesmo… como previsto.

E o espectáculo foi um tributo em vida àquela virgem Maria, Senhora da Educação, alma pensadora egrégia, de decência magnífica, de excelsa honestidade e benemérita vontade de talhar este País à sua grotesca imagem (sua e de quem come consigo).

Tudo estava montado para a gloriosa parada (ai o dinheiro dos meus impostos…).

A começar pela farsa da cassete do “início do ano lectivo na data prevista” (entenda-se “ao contrário de outros anos que para aí houve em que os concursos borregaram…”) – a Ministra ficou embuchada quando uma mãe lhe lembrou que sempre o ano lectivo começou nesta altura (vão lá ver a data de início d’ “o tal ano“) ou quando lhe lembraram que a própria já reconhecera ter encontrado à chegada ao Ministério a bagunça dos concursos cabalmente resolvida.

Associado à vergonheira do que fizeram este ano com os professores de Português/Francês e Inglês/Alemão (conferir) e que segue para bingo sem ninguém ser responsável por nada!

Depois a farsa dos fechos das escolas do 1º ciclo, “sinalizadas como escolas do insucesso”. As mesmas escolas “do insucesso” que meses antes de se decidir fechar tinham recebido com pompa e os cumprimentos do Ministério a cobertura de acesso à net em banda larga! (Alguém já falou disso em tempos.)
As escolas da lista, que havia de sair já com o ano lectivo a andar e professores colocados nelas.

E foi por aí fora, muito conforme.
Tanto que chegado o intervalo vim para casa, porque paciência tem limites e estar naquela sala era sancionar aquela pouca vergonha.

A bajulice sabuja do distinto colega de fato domingueiro Presidente do Conselho Executivo da única Escola Secundária do País sem razão de queixa da Ministra – a única, por exemplo, onde não se devem ter registado os escândalos com os exames nacionais de 12º ano: conteúdos irregulares e erros, inexistência de provas modelo, inexistência de matrizes, falhas nos critérios de correcção, repetições selvagens, legislação à marretada com pretenso valor retroactivo, etc. ).
Dizia o espécime que “pela primeira vez a Ministra falou com todos os Conselhos Executivos do País“.
Começaria por ser giro saber como é que o senhor teve informação tão rigorosa disso. Porque TODOS os Executivos DO PAÍS é muito Executivo!
Mas ainda assim, as “reuniões” (como houve, por exemplo, na escola do Parque das Nações) foram grandes meetings em que (nem sempre) a Ministra (pessoalmente) se dirigia aos súbditos para explicar aos mais lentos as regras do novo jogo, não estando lá sequer para “debates” como o da RTP.
E no temor hierárquico, na timidez, na tibieza, na inconsciência ou na concordância com a Ministra lá regressavam todos os Executivos aos seus formigueiros para replicar as boas-novas.
(Excepto naqueles casos, que os há, de Executivos com consciência e coragem para dizer que sim mas fazer na sua escola consoante a responsabilidade lho dita.)

As mariquices e os salamaleques que o ex-Secretário de Estado usou para com a Ministra.
Porque eu sou uma autoridade de ciência e experiência, estive num Governo laranjinha mas não sou daqueles brutos que sujam a boca com debate político… Venho aqui só para encher chouriços porque não estou ‘contra’ nada, mas para mim é bom que já não aparecia na televisão há uma data de tempo e para vocês… olha, também deve ser, uma vez que me convidaram!”

O chove-não-molha de outra colega Presidente de um Conselho Executivo, que em nada contestou a Ministra, o Ministério e a política em curso.
Criticar a falta de aplicabilidade do 115-A/98 durante estes anos todos ou, EXCLUSIVAMENTE, a questão etária na progressão da carreira de acordo com a proposta ministerial… é pouco para uma bancada de “contra”. Muito pouco. “Contra” quê, afinal?

Não fosse um maluco de um professor de Seia que denunciou o “beija-mão” (sic) escandaloso a que se assistia e a “amizade” anormal com que a senhora Ministra foi reverentemente tratada, nenhuma voz veicularia o que é hoje o ambiente real e quotidiano nas salas de professores (e não só) pelo País fora, de que muito pouca gente ainda tem noção.

E continua a ser revelador que os únicos críticos estruturados do ME, os únicos que o expressam em directo, aberta e detalhadamente na televisão, são professores aposentados.
Ou não revela nada?
Não digo dos próprios, mas da produção do programa, da apresentadora, da Direcção de Informação da RTP.
Chama-se ao programa (são dois já seguidos) alguém que já não faz parte do activo (leia-se: “vem para aqui dar opinião sobre o que não vive“) e espera-se que ninguém o leve a sério..

Mas cá estaremos. No 5 de Outubro.
Pode ser que um dia destes, mais depressa do que a Ministra pensa (os exames de 12º deram-lhe um valente abanão inexperado) perca aquele seu contentamento insultuoso com que se passeia sob os arcos do triunfo.