Coutada Azul-áurea

Não é a primeira vez que faço o elogio dos “media dos malucos”. Aqueles jornais, revistas, canais de televisão, que por vezes se esquecem do País em que laboram e se permitem – contra todas as expectativas – dizer o que lhes apetece, apenas porque é preciso ser dito.

E no universo dos media que não são “de referência”, encontram-se os jornais gratuitos. Ao que não é pago mas dado (supostamente) mão se reconhece valor…
Jornais este às vezes “malucos” também.

O Meia-Hora de hoje traz, por exemplo, algo que deveria fazer abanar os pilares da boa consciência nacional e não vi assim destacado noutros lados.

Vital Moreira, candidato socialista às eleições europeias, compara o Direito nacional e o europeu e conclui que como a Convenção Europeia dos Direitos do Homem traduz uma “visão libertária” da liberdade de expressão, deveria ser alterada para se aproximar ao que temos na nossa Constituição e na nossa legislação.

…É que lhe parece que em Portugal vai havendo – por contaminação europeia – “uma prevalência crescente da liberdade de expressão relativamente ao direito à honra e bom-nome.

Ora, por pontos:
1 – fica mal a Vital Moreira, no momento em que estamos, preocupar-se com tretas relativas como esta;
2 – sendo Vital Moreira o candidato que é, de quem é, fica-lhe mal esta conversa de “voz do dono”, inevitavelmente contaminada pela mediatização das sucessivas escandaleiras de Sócrates, cuja base de existência descaradamente coloca em causa refugiando-se no legalismo reinante no nosso Rectângulo;
3 – fica mal a Vital Moreira meter as suas cândidas e tecnicamente competentes mãos na mixórdia que é o folhetim das escandaleiras socratinas (vida pessoal, habilitações, vida profissional, desempenho político, comportamento cívico), recheado de cromos repetidos, pressões, “faltas de provas”, eventuais prescrições, “campanhas” e contra-campanhas, com que cada vez mais o constitucionalista faz questão de se lamentavelmente identificar;
4 – não é muito normal que um homem com o passado político de Vital Moreira – um comunista dos quatro costados té ter descoberto o elevador rosa para a esfera celeste – venha cuspir pelo canto da boca o epíteto de “libertário” a quem quer que seja.    

Basicamente, o que este candidato vem dizer-nos é que, chegado à Europa, vai lutar para que ela – Coutada Azul-áurea dos bem-pensantes em que a pequenita coutada lusitana se encontra encravada – faça recuar a liberdade de expressão para dar espaço à “honra” e ao “bom-nome” de incertos (?).

O que, para além de ser um supremo insulto, é um absurdo prático: acautelar obssessivamente o “bom-nome” de quem o não tem (e seus congéneres) por exclusiva culpa própria, porfiar cegamente na guarda de uma “honra” em que já ninguém pegaria em saldos, limitando o direito a pô-los em causa…

De quem é tudo menos ingénuo, inofensivo ou impotente. 
Não bastando centrais de propaganda privadas, arregimentações dos advogados mais eficazes ou a bonomia de comunicações sociais nacionais por inteiro, ainda há quem pretenda ter (…que terá!) a sua lança numa Europa decrépita e indolente que lhe ampare as costas a escrutínios legítimos e justificados.

Mas a consciência nacional só se sentiria abanar por estas avarias nos seus pilares profundos… se pilares tivesse. Se não se mantivesse doentiamente assente sobre dois ou três pilaretes, num crónico equilíbrio precário e circense.

Os Filhos da Puta

…ou A Véspera do 25 de Abril 

O R. não teve culpa.
Esteve na rua errada quando alguém era atacado por um bando de selvagens e pretendeu intervir.
E daí não saiu bem.

Foi a pior das escolhas. Na sociedade porca que temos, os actos de nobreza e bravura escorrem como lixo solto varrido em aluvião para a sarjeta da indiferença. Para mais, os de um miúdo.

Mas nem os selvagens cobardes tiveram a culpa a sério. Umas bestas sem cabresto, bichos mal domesticados.

Culpados?, os Filhos da Puta coveiros de um Abril que nunca chegou a ser nem se deixará chegar. Todos! Todos, todos eles.

Todos os que evocados, invocados e convocados às exéquias anuais da nossa “Revolução” desfilarem este ano mais uma vez em infindável maratona encenada.

Todos os que, à nascença, tentaram subverter o princípio puro e simples do viver em liberdade, querendo colonizar à força o País e o bem-comum.
Todos aqueles que, depois, por tíbios e incapazes não sonharam à altura de um Sonho prometido, nem agiram à altura da História de uma Nação.
Todos, por fim, os que hoje, num País podre e estagnado, vão impingindo cartilhas, atamancando respostas, simulando-nos saídas, arrebanhando sentires para sua promoção, predadores do que resta, coveiros de um Abril que nunca chegou a ser nem se deixará chegar.

Filhos da Puta, hoje, todos, aqueles que dão corpo e textura à camada grassa de sebo da nossa democracia. E que assim a vão mantendo, porque tal lhes aproveita.

Todos os que brincam e gozam no recreio da política com as vidas de quem paga.
Os que têm as mãos sujas do hipotecar a Nação, tanto ontem como hoje. Os que não lhe deram progresso nem lhe dão educação. Os que não lhe dão a regra porque numa selva sem lei mais imperam os tiranos.

O R. não teve culpa de ser nobre e ser ingénuo. De um lado o seu feitio, de outro a sua idade… – nenhum digno de censura.
Mas nem os selvagens cobardes. Que numa terra normal, da decência e consciência, sofreriam quarentena do convívio dos humanos – atendendo à primazia da segurança e da paz - para mais tarde poderem, recuperados, completos, voltar à vida comum, com tudo que têm a dar.

Acuso os Filhos da Puta que olham a sociedade como enorme variável dos seus planos pessoais.
Acuso-os de não nos levarem – cegos e enfileirados – a caminho de coisa alguma.
Acuso-os de delapidarem, vis, grosseiros, debochados, a Educação de um povo e um futuro por inteiro.
Acuso-os do mal repetido que se tolera em desleixo.
Acuso-os de provocarem a perda e simularem o seu espanto.    

Ontem, véspera de feriado do Dia da Liberdade.
Hoje festança e orgia.
Não é assim que eu os sinto. Nem os que conhecem o R.

…A quem dou o meu abraço.

Rir-se Três Vezes

Este cavalheiro é Luís Campos Ferreira. Deputado do PSD.

…Que pela sua bancada se insurgiu contra a aprovação solitária no Parlamento, pelo PS, da Lei do Pluralismo e da não Concentração dos Meios de Comunicação Social.
(Ou, em rigor, da aprovação exclusiva pelo PS das alterações que o PS fez à Lei já votada exclusivamente pelo PS na Assembleia e entretanto não promulgada pelo Presidente da República, que a criticou.)

Mas não foco tanto a peculiaridade da pressa desta legislação, que atropela a reflexão que a União faz neste momento e que quando chegar a conclusões nos vai obrigatoriamente vincular (e desdizer?); nem a graça desta preocupação com “concentrações” de órgãos de informação nacionais, quando a concentração de media em mãos estrangeiras (por exemplo espanholas) não merecem preocupação por aí além; ou a curiosidade da exigência de garantia pelos próprios media (!) de “serem plurais”, de “darem voz a diferentes sensibilidades”, numa clara intromissão em quem lá está, o que lá faz e a opinião que tem, numa cavalgada muito além das competências da ERC; ou a comovente bondade de determinar em definitivo que o Estado não terá parte em meios de comunicação, no que pareceria ético da parte de quem ao privilégio prescinde, mas não esconde o garrote que quer colocar aos media locais – por exemplo na inconveniente Madeira; foco apenas a intervenção pontual deste deputado.

Dizia o dr. Luís Campos Ferreira no Parlamento, dirigindo-se ao Primeiro-Ministro: “Ó senhor engenheiro, dê-me um pouco de atenção. O país precisa de mais liberdade de expressão.”
…Socorrendo-se como é evidente da letra daquela música dos Xutos.

Só que me fez parecer aquela célebre figura do sujeito que quando ouve uma anedota se ri três vezes: quando a ouve, quando lha explicam e quando a percebe.

É que quando os Xutos falam dos que “andam na roubalheira“, dos que “nos andam a comer“, de quem “anda a enganar o povo que acreditou“, é bastante provável que se refiram a políticos quase com 10 anos de mandato de Deputado, com mandatos exercidos na política local, com cargos de destaque nas hierarquias partidárias, eventualmente “advogados-gestores”… Tal como o dr. Luís Campos Ferreira!
(Isto independentemente da injustiça que esta “caricatura de homem público” encerre ou – evidentemente – de o senhor não encaixar na caricatura em questão…)

O que é certo é que em política é fácil morrer pela boca.
…E que a cultura pop, ainda que não pareça, não é só pega e usa.
E que os Maria-vai-com-as-outras são mesmos uns tristes.

O Poder Absoluto

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Vivemos tempos gloriosos.

Do global e do paroquial.
De conforto e de violência.
Do aparente e do grotesco.
De informação e de opacidade.
De promessa e de decepção.
De liberdade e de clausura.

Li com espanto no Hora Absurda que o blog Perspectivas pode ter sido obrigado a fechar portas no WordPress por acção de mão invisível.

…E já não seria a primeira vez que o OB veria interrompido o seu clamor no deserto, contra inimigos visíveis e invisíveis de um estar na vida e na sociedade hoje proibido pelo pensamento único do Estado Global vigente.


Acabou de passar o Dia Contra a Ciber-Censura.
…Que passou mesmo. Com estertor.
E o combate perdura. Contra os poderes a quem interessa manter a net sob a redoma do silêncio, detrás do biombo da publicidade.

Depois li no blog em questão que o WordPress culpou um bug por se ter queixado de “preocupação sobre algum do conteúdo do blog“.
E que foi resolvido.

Ainda bem que tudo volta aos eixos.
E que o maléfico “bug” foi derrotado.

Mas a praga de bicharada contiunua aí. Alguma dúvida?

Ouvide, Agora, Senhores

Henrique Medina Carreira falou. De novo.
Disse-me o PCS.

No programa do Mário Crespo.

Como cortesia do JPG, do Apdeites, deixo mais três clips da sua colecção.
[O audio podia estar melhor, mas perante o relevo de um discurso como o que ali se ouve, tal queixa é pura mariquice.]

a) “Isto é um País? É uma brincadeira.
Nós estamos ao mesmo nível em que estávamos em 1910.
Nós estamos a endividar-nos a €48 milhões/dia.” “Isto esfuma-se tudo aí por sítios que agente nem sabe quais são.
Nós andamos a viver de tretas.” “O País anda a ser embebedado pela classe política.
Maioria absoluta é uma coisa excelente para gente competente, para gente sensata, para gente humilde.”
Os partidos são os bancos alimentares.

b) “Cada partido novo que se faz é mais uma porta para entrarem 30 sujeitos para irem arranjar um lugar.
As soluções nascem na base, com educação, com exigência, com rigor, com disciplina, com exemplo.
Novo partido?” “Casas de mulheres de má-vida já há muitas.
25 de Abril.” “Havia gente, havia ideias, havia um País e havia esperança.
Quando o estrangulamento externo chegar, este Governo vai ser réu.
Os ministros são uns mandaretes da situação.” “Começa por ser uma mentira a eleição; aqueles programas eleitorais.

Empregos.” “Dizer ‘eu crio 150.000′ é trafulhice eleitoral.” “Porque se disser coisas sérias as pessoas não prestam atenção.

…E Mário Crespo, que cada vez mais se assume um pouco-alinhado no rebanho do “yes, Minister“.

Quando batermos no fundo, não será por falta de avisos.

Do Pão ao Circo

Do pão ao circo vai um passo.

Um País inteiro que esteve mantido na – voluntária e – estúpida ilusão da blindagem ao caos que alguém criou, que depois sentiu um súbito arrepio de realismo ao vislumbrar um tsunami que no horizonte se erguia feroz, que de seguida perdeu a sua adolescente concentração na feira popular das tretas que os férteis media apascentam… reencontra-se finalmente e em paz com a sua verdadeira natureza: a de uma Terra de Lorpas.

Enfiado à pazada nos bicos desesperados e chilreantes dos portugueses, novo fardo de feno e alienação - reconfortante ao papo da alma: um jackpot do Euromilhões.

Já há muito que não me lembrava de ver tamanha… “coisa” assim.
Desde a manhã que houve notícias, reportagens, comentários, directos, entrevistas, em todos os canais, tempo infindo de antena para um imenso nada televisivo - e sabendo-se da importância do “televisivo”, falamos de um gigantesco nada social, de um épico e deliberado parêntesis, um vácuo promovido pelos media na eventual noção do pântano nacional… Durante um dia inteirinho.

Ilusão, delírio, alheamento. Manipulação.

Assim a falta de pão é – de novo e como tantas vezes na história – compensada com o circo.

- Só espero que os 100M me tenham calhado a mim.

Regresso ao Panorama Informativo

[É a primeira vez que faço isto neste blog...
(...E estranha e inquietantemente as "primeiras vezes" vão começando a tornar-se um hábito nesta casa!)
...Repostar textos na íntegra. Parece-me chocho.

Mas esta repetição de cromos não visa senão dar resposta a uma outra chochice que um dia motivou um texto e que hoje continua repetindo-se também, obrigando-me a acompanhá-la em eco.

Ora cá vai.]

« Já ouvi falar muitas vezes do paradigma informativo britânico.
O rigor, a profundidade, a isenção.
E estou tentado a mais ou menos acreditar. (Que é melhor que o português!, quero eu dizer…)
Mais tablóide, menos tablóide, bom e mau há-de haver em todo o lado, e no ranking internacional alguém será a referência!

Por isso algum espanto quando aqui há tempo vi o spot promocional do Panorama BBC da SIC Notícias.
À primeira vista um purgama decentezinho, com a tal chancela de qualidade informativa inglesa, vendido no canal português.

Tudo normal…
…Não estivessemos nós em Portugal, com o jeito especial que temos para asneirar.

É que o spot em questão na SIC Notícias é um autêntico absurdo.

Nuns tons incendiados de vermelho escaldante, imagens choque espreitam e recolhem-se, legendas brancas as seguem, com um off cavernoso a rematar solene algo do género: “Para que algumas coisas não tornem a acontecer…

Ora, que coisas seriam essas? As superlativamente sinistras “coisas” da História, elencadas em segundos, que há que a todo o custo evitar repetir?
Várias: a “Tortura no Iraque“, “Auschwitz“, o “Ku Klux Klan“, os “Neo-nazis“, a “Guerra no Líbano“… E fecha a lista, que mais urge dizer que o purgama passa lá para 4ªfeira, não sei a que horas.

O que me parece é que se calhar o chamariz televisivo precisava de uns retoquezitos – coisa pouca – que o tornassem mais completo.

É que algum espírito mesquinho poderia ler na lista das tais “coisas da História” da SIC uma ligeiríssima tendenciosite (…tendência acompanhada de inflamação!) para focar o que de direita a História apresentou de mais ranhoso, deixando de fora o que as esquerdas possam ter produzido também…

…Numa lista que, completa, seria qualquer coisa do género: “Tortura no Iraque“, “Auschwitz“, o “Ku Klux Klan“, os “Neo-nazis“, a “Guerra no Líbano“, a “Tortura em Cuba“, a “Sibéria“, o “Weather Underground“, os “Neo-anarquistas“, a “Campanha do Aço“.

Isso sim, talvez uma listinha equilibrada…

Ficando a graça de que o spot feito pela SIC Notícias, tão politicamente carregado pelos seus autores como se vê, introduz um Panorama como o da semana passada, em que uma irmã doou metade do útero a outra, resolvendo-lhe com risco para a própria saúde o problema de infertilidade que a amargurava havia anos.
Um comportamento cívico e humano com que decerto ganharíamos se uma e outra vez “tornarem a acontecer…”

É o panorama jornalístico.»

[Sem mudar uma vírgula.]

Jargão “Hi-Tech”

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Mais uma Graaaaaande Entrevista. Enooooorme!

Por motivos de agenda – que um caramelo qualquer de que não ouvi o nome não pôde estar ontem no estúdio da RTP – a Procuradora Cândida Almeida senta-se à frente de Judite de Sousa.

Por obra do Altíssimo, no mesmo dia em que o sr. Pinto de Sousa achou que tinha de vir a público – pela vigésima vez – fazer importantes esclarecimentos sobre “campanhas negras“, “provações“, “derrubes políticos“, “poderes ocultos“, “notícias difamatórias“, “informação selectiva“, “manipulação“, “calúnias“, apareceu no canal do Estado a dar-lhe corda a Directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal.

imag0100Vi. Com atenção.

Mas confesso a dificuldade para acompanhar aquele jargão técnico dos magistrados e juristas.

Percebi bem, isso sim – até pela repetição – que o sr. Pinto de Sousa “não está a ser investigado“… neste momento, quero dizer! E que se fosse hoje nem a expressão “ [ter] «solicitado, recebido ou facilitado pagamentos»” teria sido aplicada ao Primeiro-Ministro… ainda que amanhã não se saiba!
(Por tudo isso sou eu um crente na alvura do cavalheiro.)

Mas já não percebi bem foi aquela parte em que a senhora Procuradora disse – de forma muito técnica – que a associação duvidosa de Sócrates ao licenciamento do Fripóre foi feita pela primeira vez numa denúncia anónima à PJ, em 2004, “num parágrafo inocente, metido à força, [em que] aparecia o nome de José Sócrates e da mãe“.

Desconheço o termo jurídico “num parágrafo inocente“. E o “metido à força” também.

Teria sido importante a pedagogia do povo ignorante, feita por alguém que veio à pantalha para propositadamente trazer a luz da verdade e da justiça ao caos.

Mas não lhe chegou a boca para tanto. Foi pena.

Fica de certeza para a próxima.

A Caça ao Estúpido

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Afinal parece que a malta das notícias já se vai descosendo, como eu pedia.
Não só já o Sol, mas a SIC, a TVI, o Correio da Manhã, o Expresso, o Diário de Notícias e outros avançam com “investigações”, informações, cruzamentos de dados, análises e questões formuladas directa e indirectamente aos protagonistas, numa maré de perda de respeito ao dono e de zarpar rumo ao que é o seu trabalho sério: fuçar na lama e encontrar as trufas.

É a isso que todos temos direito. É isso que nos confere o código deontológico do jornalismo.

“Parece” que houve asneirada da grossa no nascimento do Freeport de Alcochete. E que está a vir à tona.

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Houve uma conferência de imprensa, dada live, de urgência, pelo Sr. José Sócrates Pinto de Sousa sobre o caso Freeport (daqui em diante referido como Fripóre.)
Que colocou o País na posição em que prefere estar:  a da Caça ao Estúpido.

Na conferência disse então Sócrates sobre o Fripóre:
não se lembra da conversa que teve com o tio sobre pagamentos ilícitos de 4 milhões de contos para aprovação em Portugal, durante um “Governo” em que estava, do maior outlet de toda a Europa;
2º a única reunião em que esteve presente foi convocada pelo Presidente da Câmara de Alcochete à data;
3º aliás, o processo de licenciamento do Fripóre não contou com nenhum tratamento de favor da parte do Ministério de Sócrates, nomeadamente um especial desembaraço;
4º e muito menos teria o Ministério de Sócrates favorecido os promotores do Fripóre ao torcer as regras ambientais que regem o País e a União, reajustando limites de uma Zona de Protecção Especial da Natureza…

…O que não podia estar mais em contradição com os factos até aqui apurados, parecendo ser a afirmação peremptória de cada um destes pontos um evidente risco para quem o faz.

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O já famoso tio de Sócrates afirmou com todas as letras que ajudou os senhores que queriam fazer o Fripóre a reunir com o sobrinho – mal-agradecidos que nem obrigado lhe disseram – porque “um gabinete de advogados” os informara que o preço de aprovação do projecto eram “4 milhões de contos“, ao que responderia Sócrates ao familiar que não era nada disso, “ele é que tratava desses assuntos“.
(…Sendo muito interessante que Sócrates não tenha depois mexido um dedo para apurar isso de andarem a pedir milhões a terceiros sob pretexto de aprovação de projectos sob a sua alçada!…)
Mais: um primo de Sócrates terá mesmo exigido aos senhores do Fripóre um pagamento pela intervenção da família no processo.
Pontos 1 e 2 ao ar. (Mesmo que Sócrates renegue a família aspergindo-a com água benta.)

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Sobre a estranha eficiência do processo de aprovação do Fripóre fica tudo dito no taxativo despacho do primeiro juiz de instrução do caso, que considerou encontrar nele “várias irregularidades e uma celeridade invulgar“.
Sobre os – chamemos-lhes – “ajustes” que a Zona de Protecção Especial sofreu às mãos do Ministério do Ambiente a três dias de saída de funções, não só a SIC apresentou um boneco que torna tudo muito claro, como o Secretário de Estado do Ambiente que veio depois de Sócrates confirmou o que era por demais sabido: que a União Europeia veio a chumbar as alterações do Ministério do “Engenheiro” e as obrigou a recuar.

Tudo num sentido diverso do afirmado pelo Primeiro-Ministro.

Ou seja, esperemos que, mais uma vez, Sócrates não tenha falado demais embaraçando-nos a todos.


É que já houve outro momento extremamente embaraçoso para todos com características semelhantes estas, envolvendo o “sr. Engenheiro”.
Regressos ao passado, suspeitas de irregularidades, “estão todos contra mim!“, grandes esclarecimentos ao País“, “não é assim que me derrotam!“, lágrima no canto da alma, “não foi isso, foi parecido“, “ai que eu não me lembro!“, “eu andei foi com más companhias“, “mas alguém consegue provar alguma coisa?!“… Fim!

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Daí eu falar da Caça ao Estúpido.

Não me interessa tanto saber se Sócrates meteu ao bolso dinheiro que não devia.

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Não me interessa se Sócrates admite conversas com o tio e se elas os comprometem.
Ou se gente à sua volta ganhou com o caso o que não podia ter ganho.
Não me interessa.

…Ou melhor, interessa-me muito. Imenso!

Não preciso é disso para formular uma opinião.
Para me colocar ao lado ou contra gajos que “apenas” pelo que é garantido que fizeram, que “apenas” pelo forma como o julgam desmentir, facilitam muito a vida a quem queira decidir-se.

E a Caça ao Estúpido consiste exactamente nisto: ficar à espera. À espera que alguém em qualquer processo tenha sido tão terrivelmente estúpido que tenha metido a pata na poça. Que tenha cometido a estupidez suprema de deixar pontas soltas, rabos de palha a descoberto, em ilícitos criminais.
E fazer depender a opinião individual a que estamos obrigados do sucesso de uma caça a gambuzinos.

É isso o ficarmos à espera que “as entidades competentes” “apurem” e depois “se pronunciem”. Assim tipo, para não ser “injusto”, para não parecer “parcial” e tal…

Até lá, deixamos correr. Achamos indiferente – porque é achar indiferente o não apertar de imediato os calos a quem percebemos que meteu os pés pelas mãos onde eticamente lhe era vedado.
Deixamos correr. Porque é muuuuito mais confortável e a co
nsciência já não é o que era, nem a dos políticos nem a dos cidadãos.

Ora, as “entidades competentes” só podem pronunciar-se sobre o que é do âmbito estrito das investigações.
Só se podem pronunciar sobre matérias do âmbito da violação da lei.
Só se podem pronunciar sobre o que em Portugal faz prova.
Só se podem pronunciar no tempo próprio dos processos.

Eu não preciso das “entidades competentes” para julgar gravíssimos erros políticos – que elas não arbitram.
Não preciso
das “entidades competentes”para ter opinião sobre evidentes bizarrias técnicas – a que elas não chegam.
Não preciso de ficar à espera dessas “entidades” quando sei que a haver provas de violações de lei - caso do famoso vídeo inglês – pode dar-se o caso de elas não poderem sequer julgar à sua luz.
Não vou de certeza ficar
meses à espera de uma Justiça convenientemente morosa que se não me garante eficácia nem neutralidade, muito menos a solicitude que me permita uma opinião e uma posição como cidadão em tempo útil.

Por isso, boa caça. A quem gostar dela.

A minha conversa é outra.

“Le Temps des Cerises…”

De um tempo de carneiros, que já lá vai…
Tão diferente deste em que vivemos.

“Only for Sheep”, The Bureau, 1981

That man is in pain and he’s shouting so loud
There’s a space all around him a space in the crowd
He is olding his head like it’s gonna explode

It’s part of a new meaning
From deep in is soul

It is only for Sheep
only for sheep, for sheep
Yeah
Cos’ when you’re awake you’re a asleep
Yeah

You show us a new way you sound so sincere
How sweet it must be to be able to think so clear
But you are just another in a long line of fools

Giving us freedom
With a new set of rules

It is only for Sheep
only for sheep, for sheep
Yeah
Cos’ when you’re awake you’re a asleep
Yeah

It is only for Sheep
only for sheep, for sheep
Yeah

When you’re awake you’re a sheep, asleep

That man is in pain and he’s shouting so loud
There’s a space all around him a space in the crowd
He is holding his head like it’s gonna explode

It’s part of a new meaning
From deep in his soul

It is only for sheep
only for sheep, for sheep
Yeah
When you’re awake you’re a asleep
Yeah
It’s only
it’s only
it’s only for sheep
only for sheep, for sheep
Yeah
When you’re awake you’re asleep
Yeah
Yeah
Yeah
Yeah
Yeah, it’s only for sheep,
only for sheep, for sheep
Yeah
When you’re awake you’re a asleep
Yeeeaahh

[Com um obrigado à Loba.]