Correcção…

Lia hoje nas notícias do Sapo: “Índia: maior democracia do mundo vai às urnas.”

Ora, lamento desmentir o Sapo e a France Press, mas a Maior Democracia do Mundo estou farto de dizer que são… os Estados Unidos da América.
(…Qual merceeiro que prega certezas aos fregueses das sua loja de bairro.)

Por excelência, “A” nação do mundo moderno a nascer de uma revolução de independência; “A” revolução dos Direitos do Cidadão; balão de ensaio para a Revolução Francesa, essa sim, endeusada como o farol da ética política europeia.

A Índia… enfim. Ainda faz muitos filmes.

Compreendo…

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Compreendo muito bem quem me diz que já não tem paciência para Bush, depois de dois mandatos tão compridos.

Compreendo-os muito bem…

É que Obama ainda agora está a tomar posse e eu já nem posso ouvir falar dele!

(…Assunto a que voltarei já, como é evidente.)

Não…

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…Se estivesse nos States não votaria Obama.
(Eu sei, “que chatice”, “sempre do contra”… Mas que fazer?…)

Por uma razão singular: é-me demasiado familiar a sua cassete.
…Semelhante a uma que ouvi tocar ultimamente há uns três anos e tal atrás. Dum artista menor – fraco compositor, fraco intérprete – mas que levou muitos na cantiga e ainda continua a encher casas. – Está para se perceber como.

A semelhança dos seus métodos políticos com os de José Sócrates é avassaladora.”, escrevia o Orlando.
E eu assino por baixo.

Se calhar hoje nos States – como em portugal há três anos – há quem procure a “mudança”, a “juventude”, a “abertura”,… Basicamente algo diferente…
E arrisca-se a tê-lo.

O que é muito giro é que quem pensa um bocado facilmente o percebe.
Para o exemplificar, deixo um clip de um dos republicanos mais malvados que se conhecem.
(“Bandidos!” “Más-línguas!”)


Ah pois!

Certo certo é que a mim Obama não metia no saco.

Daí para a frente, ponho nas mãos de Deus.
…Que sempre provê.

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“World Under Obama”

(...Com dedicatória àqueles a quem a secreta admiração pela América força à renegação.)

Consta que Obama já ganhou as eleições americanas.
(O que espremido na mão ainda pode vir a valer tanto como a vitória de Kerry ou de Gore.)
A comprová-lo, a parada de “Obamas-desde-pequeninos” que se lhe vão emplastrando à passagem. 

…Sabe-se que numa boa campanha de marketing garante quase tanto a mentalização para a compra como o momento da compra em si.
E se o eleitorado (tendencialmente conformado, pachorrento, seguidista…) acreditar na inevitabilidade de um resultado certamente ele acontecerá.
(Excepto se, contra todas as expectativas da “intelectualidade” americana, mais uma vez a América “parola”, “rural”, “ignorante”, “retrógrada”, não der a volta ao resultado e não afirmar a sua voz noutro sentido…)

Certo é que na Europa Obama ganharia com pompa e circunstância!
(…O que, bem entendido, não passa de uma força de expressão, uma vez que tão obamófilo e moderno continente já elegeu até ao dia de hoje 0 cidadãos negros.)
“Obama é que era! Deus lhe dê saúde!”

Só que muita desta euforia nasce de uma clínica mania de inferioridade que era tempo de ir acabando – mais: que só acabando nos permitirá (Nação, Europa, Ocidente) afirmarmo-nos psicológica e civilizacionalmente.

“Um democrata Obama abriria as portas ao multilateralismo global…” – O que cinicamente se pretende não é a melhor escolha para os Estados Unidos. Ou diria sequer para o clima de relacionamento entre as Nações da Terra.
O que se fita é, aliviada a pressão militar e diplomática de uma América hegemonicamente sufocante, apanhar-lhe migalhas do chão e abocanhá-las sôfregas, entre empurrões e delírio, as demais Nações aspirantes a “potências mundiais”.
Não sabendo afirmar-se de forma autónoma, a Europa anseia por vir a ter uma América “amiguinha” do outro lado da rua atlântica, que não lhe dispute em vantagem o palco e os proveitos, que a deixe ir aparecendo. Porque isso da “paz no mundo”, da “sustentabilidade do planeta”, do “desenvolvimento e da equidade” é tudo muitíssimo relativo – pelo menos na prioridade.

Acontece que, ganhe quem ganhar em Novembro, tanto a Europa como o mundo continuarão sob influência (não digo “controlo estratégico” para não chocar ninguém) dos Estados Unidos. E ainda bem.

“Ainda mal”, quando me confronto com o meu orgulho pátrio – que o tenho. Com o orgulho – hoje bastante envergonhado – de dizer-me português. De um País que desejo livre, democrático, poderoso de alma e com um futuro pela frente.
Mas inequivocamente “ainda bem” no contexto de um mundo que aplica a regra crua de não existir vácuo na geoestratégia: não há espaços por ocupar, não há espaços em branco. E se uma força civilizacional, política, ideológica, moral, não ocupa o espaço, alguém proveitará para o fazer…
…E a Europa é um tudo-nada cultural que se limita a ocupar um espaço geográfico. Como peso morto de civilização em que se vai tornando.
E as ameaças existem.
E se geneticamente a Europa e a América estão ligadas – quer agrade, se abomine ou nada pese – alguém vela activamente pelo resquício da nossa identidade.

Claro que há quem goste mais de chazinhos.
Desviar a conversa para outro lado.
Quem escolha fazer-se desentendido, brincar aos analistas ou aos “americanos virtuais” e “preferir muito muito muito” Obama a McCain, como se num momento libertador de escolha vital lhe rasgassem o peito inflados sentimentos de impertinente pureza política.

A questão para mim é simples. É preferível para a Europa fazer parte de um mundo sob Obama ou sob McCain?…
Não sendo para mim a resposta clara ou fácil. (Ao que hei-de voltar…)

Entretanto, como exemplo de que estar debaixo deste ou daquele às vezes é uma mera questão de circunstância, fica um clipezinho da palhaçada – que desde os primórdios se sabe que são os mais certeiros…
…Só para refrescar a memória. 

Os Empatas

“Ai que horror, e tal!”, que o sistema financeiro americano começa a estalar de inchado…
- Após décadas de corrida cega para o abismo, o Way of Life moderno ameaça o colapso.

Começam a chover pesadas sobre os mercados provas finais que atestam – além das conjecturas apocalípticas e por isso sempre despiciendas – que as espirais de endividamento não são auto-sustentáveis…
…E que a Finança – por mais conceptual, hoje a anos-luz do dinheiro no colchão – perante as naturais convulsões do mundo lhes está tão vulnerável como sempre.

E que quem deve, deve sempre; quem há, sempre haverá.
O que pode variar são meras taxas de juro.


O comum mortal acreditou MESMO na história de que a material modernidade lhe supriria não só as necessidades como as veleidades.
Que a sua alma se completaria, satisfeitas as promessas de uma generosíssima Babel bancária.
Que ocuparia o seu lugar devido na intrincada arquitectura da felicidade global ao fazer a ínfima parte que lhe cabia: pôr o seu pescoço no cepo… E o dos seus. E o dos vindouros. E – sem o saber – o pescoço do próprio circo inconsciente que alimentou e que ao afundar-se consigo o afundaria ainda mais baixo.


Estas são as notícias na têvê.

Outra coisa são as interpretações dos factos.

Tenho ouvido inúmeros “comentadores” “comentar” nos seus “comentários” que observamos hoje, através destas convulsões de capitais, a queda – ou pelo menos, vá lá, o tropeção – de uma sociedade americana e do sistema materialista em que culturalmente chafurda e com que vai porfiando na intoxicação do pobre mundo normal. Berço do capitalismo que hoje tão cabo dá do que tanto trabalho deu a conquistar em todos os continentes aos mouros dos libertarismos e dos igualitarismos.

…Mais: se observámos nos 90s o esboroar político do Bloco Soviético nas mãos dos seus dirigentes – que não souberam cumprir o ideal e o ideário socialistas – observamos hoje o desmoronar do que restou da Guerra Fria, o resquício vergonhoso de uma Nação arvorada em superpotência mas minada por um cancro social cujos sintomas agoram se manifestam agudos.

Teríamos assim, hoje, perante nós, o cair de um pano adiado.
O desenlace protelado de um desafio a que alguns atribuíram prematuras vitórias e derrotas, mas que agora se afirma como acabando num empate.


Acontece que – como de costume – discordo deste tipo de análise.

Ver assim o mundo e o dia de hoje é manifestamente míope. E desonesto.

Colocar em dicotomia o socialismo (soviético ou outro) e o capitalismo americano, no patamar comum dos erros que se equilibram e anulam se simultâneos e que grassam viçosos se solitários, é um exercício grosseiro.
Equiparar em natureza um sistema político com um aspecto de outro distinto, misturar de forma tão espalhafatosa alhos e bugalhos, facilmente se confunde com um expediente de diversão e ilusionismo.

O socialismo não é confundível com uma economia de mercado.
Como a democracia não é confundível com uma economia planificada.

Uma economia mais ou menos aberta – com os seus pecados próprios – é confrontável com qualquer outra diferente.
Um regime mais ou menos respeitador da identidade e potencial do indivíduo apenas rivaliza com outro sistema complexo e completo com propostas contrárias.

Evidente…

Sendo fácil desmontar a falácia.


Como poderia um regime chinês conjugar com tanto sucesso o exercício de um poder totalitário de esquerda com uma economia de investimento, produção e comércio tão “capitalistas”…

Como poderia um regime russo conjugar com tanto sucesso o exercício de um poder totalitário de esquerda com um figurino social, cultural e político tão “capitalistas”…


Como poderia um regime cubano conjugar de forma tão esquizofrénica o exercício de um poder totalitário de esquerda imposto ao seu povo com uma paralela vivência paradisíaca de Estado-resort tão “capitalista”, coincidentes no espaço…

…Se o socialismo não fosse também ele tão passível de albergar – mutualista – ao seu seio farto e entumecido o expedito “capitalismo”?

E é aí que radica a questão: só por limitação cromática de interpretação se pode continuar a afunilar obssessivo nos Estados Unidos a “paternidade”, a “sediação”, a “responsabilidade” ou o ónus da “exploração” dessa coisa do “capitalismo”.

Após ter dado ao mundo o mote para o estabelecimento de Nações livres e confiantes no futuro das suas mãos – quase 15 anos antes dos revolucionários franceses! – muitos foram os povos que mais tarde ou mais cedo optaram pela democracia republicana como o sistema que os governasse.
Pela liberdade de intervir ou de se resguardar, de agir ou de se abster, de optar, na relação consigo mesmo, com os outros, com o Estado,… ou com o mercado. (Repito, desnecessariamente, “com todos os pecadilhos e falhas que às liberdades vêem apensos”.)
E muitas Nações adoptaram hoje essa liberdade financeira – quer enquadrada em sociedades genericamente livres, quer como uma tranche de “liberdade cirúrgica” que as sustenta…

O que não é bom nem mau. É um facto.

Espantoso é o apartheid civilizacional auto-infligido por alguns, que numa cirurgia a frio se amputam de um corpo global a que pertencem, apenas pelo penhor de poder “de fora” – quiçá “independentemente” – elaborar juízo sobre aquilo que os demais por força do comprometimento não alcançam.

Prefiro por isso fazer votos de que o terremoto financeiro “norte-americano” seja a tempo minorado.
Que os “capitalismos” latino-americano, europeu, africano, asiático, oceânico não sejam afectados com  violência.
Que as economias de mercado nacionais, regionais ou global possam manter-se estáveis. – Só assim o porco do “capitalismo” poderá ir sendo amestrado e corrigido como deve, num globo – liberto há mais de uma década da sombra do derrotado socialismo global – exigente e humanista.

…Mais que armar-me em empata e, num momento-chave da nossa vida em comum, confundir tempos, perder contexto e ficar, inútil, sozinho num canto, de bandeirinha na mão, a falar a língua de um homem só.

Exemplo e Liderança


Dia de Memória no mundo.
De como qualquer Nação – qualquer Povo – é vulnerável às ameaças invisíveis que a rondam sinistras.

Lembrete da necessidade de a maior democracia do mundo se repensar de forma inteligente, de se definir com objectividade, de escolher um caminho em consciência e convicção. E o mundo com ela.

Exemplo e Liderança precisam-se.

Pedro Nunes no Mundo Americano

Tenho uma surpresa para todos!

Parece que as regras das eleições americanas mudaram à última da hora!
…E eu decidi avançar.

Agradeço por isso o vosso maior apoio!…

(Apesar de a campanha já não estar a correr nada mal.)

Com uma piscadela de olho ao Retrossexual.
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De Novo 4 de Julho

De novo 4 de Julho.
Um pouco por todo o lado.

Por mais que alguém não queira, é Dia da Independência no Mundo.

Porque não depende de que alguém o queira ou não, a partilha de cultura do mundo ocidental com a América.
A identidade comum, a afinidade genética, a sua influência – natural e benéfica – no nosso futuro e nas nossas escolhas.

“Colonização cultural!” denunciada pelos “puros” – débeis de uma cultura por que não se batem e por isso definha e se prostitui fácil – mas verdadeiro e último tampão a uma real revolução cultural hegemónica global.

O Mundo suspenso de uma América de destino duvidoso, de caminho incerto.
Também ela em crise por uma globalização-peste que não cura da alma humana.

Mas o que tem a ensinar-lhe uma Nação que comemora como o faz um 10 de Junho que é hoje o que é?
Mas o que tem a ensinar-lhe uma Nação que comemora como o faz um 25 de Abril que é hoje o que é?
O que tem a ensinar-lhe uma Nação que comemora como o faz um 1 de Dezembro que é hoje o que é?
O que podem censurar-lhe no dia de hoje os anti-americanos do costume?…

…Mas Deus faz as coisas muito bem feitas.
É que – para todos – amanhã já é dia 5.

O Punho Irlandês

“Europa”… “Ser europeu”.

Ora aí está uma senhora ideia…

E convindo que não é nova, até tem um certo charme modernista.
A de, num mundo cada vez mais cruel e agressivo, uma galeria de Nações-Benetton-Unidas por um cordão umbilical atarrachado de civilidade, de virtude e de vontade comuns. Salvaguarda de um modo de vida, de uma cultura e de uma identidade partilhados pelos milhares de “irmãos continentais” unidos na segurança, na confiança e na garantias de desenvolvimento e de futuro.

A Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade finalmente estabelecidas de forma universal e perene num continente federado que as viu nascer…

Um quadro florido, em suma.


Acontece que a Europa não é bem isso.

Em rigor, aliás, a Europa não sabe o que é, rejeita a explicação plausível que a resgataria da falta de identidade e antes corre cega e leda para a frente, perseguindo uma utopia – tão fiável como qualquer outra – tornada dogma e fatalidade.

Europa foi raptada por Júpiter. É a última coisa que se sabe dela ao certo
(E mesmo assim parece que isso do “rapto” ainda teve algo d
e consentido…)


Daí para cá, apenas cruzamentos de passagem, apenas paradoxos d
e encontro entre as peças do mosaico cultural de um continente outrora unificado sob Roma.

Principados, reinos, cidades-estado, nações, blocos, confederações, impérios, desfilaram durante quinze séculos por uma Europa convulsa e disputada a talhões pela força do aço – dentro e fora de portas – muito longe de homogénea, muito longe de tranquila, berço de Guerras Mundiais.


Mas contra todas as expectativas farol hoje autoproclamado da pureza de intenções.
O continente pacífico. O continente civilizado. O continente diplomático. O continente higiénico. O continente cientificamente normalizado.


Nada dessas coisas passadistas e bafientas das matrizes culturais judaico-cristãs ou afins, infiltradas bolorentas nas suas raízes de uma espécie nova de árvo
re, produto de laboratório!
Europa que se fez a si mesma do esboço, nascida de um ponto zero, parida pela mão engenhosa e sábia de sombrios artesãos de uma confraria ex
clusiva.

“Que se a Europa não se une a abafam!…”

Ao ritmo contabilizado do alargamento de base a novos ex-miserandos, convidados à mesa farta que através de passes mágicos se transmutam de mão-de-obra em mercado.
…No que são logo rendidos, por outros que os p
erseguem, até aos confins do terreno, até às portas da Ásia.

Europa do leite e do mel.
A Europa da promessa.


Mas nada se toma sem preço.
E pela mão protectora, maternal e generosa, existe um preço a pagar.

Aceitar a sua lei, aceitar a sua força – maviosa e intoxicante – , depositar-lhe a vontade aos pés perfumados e ungidos da entidade divina que nos salva de nós mesmos.
Da nossa incapacidade, na nossa passividade, da nossa falta de brio. Da nossa falta de honra.

Pouco a pouco, pouco a pouco, o que se nos pede é o sangue, que ainda corre nas veias.
Que ainda faz de nós o que podemos vir a ser.

Que ninguém no-lo merece!
Horda de estranhos passantes.

É útil viver do cinismo. Da chacota e do desdém. (Para alguns lá o será.)
Mas o poder delegado pelo cidadão americano a um Estado ou à Nação, não tem o paralelo possível que já vi tentar montar. Aqui, nesta velha Europa. A mim, servindo de exemplo.

Entalados que vivemos entre a traição a esta Pátria se a colocamos para trás e ao fascismo instantâneo de ousar um dia dizer que estará sempre primeiro.


O Tratado de Lisboa foi grande acontecimento.
Actualização em directo da capacidade dos magos de fingir lutar sorrindo, de fingir mudar mantendo, de fingir dar retirando.
Para o fundo da sacola do que se perde para sempre.

Quando um parceiro de blog escrevia no outro dia sobre o deve e o haver nesta família europeia de primos em décimo grau, foi certeiro e lapidar. Pouco restando a apor.

Cada vez releva menos “aquilo” de “ser português”, na cegueira de ser “europeu”.
Cada vez releva menos a História que nos precede – mais rica desta Europa – pesado o beato êxtase de ser parte de uma Europa velha de cinquenta anos.
Haverá quem por nós fale. Quem nos alivie o fardo do contacto com o Mundo – povo de Mar e Viagem. Triste vida. Triste Fado. Vergonha para os que passaram.
Cada vez menos releva que se pense ou se deseje. Que se sonhe ou que se queira. Outros quererão por nós.

Já não temos o que é nosso. Já não mandamos em nós.
Num pesadelo diferido de uma vida delegada.

…E nós sem poder dizê-lo.

Ontem a Irlanda votou – parece que sem convicção (curioso este cancro do não ligarmos a nós, que vai alastrando mais fundo abrindo caminho ao terror…) – o destino da Europa.

A Irlanda, país rafeiro, católico, labrego e sem modos, único que sujeitou ao vexame da pública exibição a imaculada vontade dos cérebros da União.
Que ousou o atrevimento de conferir ao seu povo uma voz sobre o seu destino!

…E nos mantém em suspenso de um último golpe de asa para a cura de uma doença que se persiste em vender como cura de outro mal.

Pode bem ser que aconteça.

Que seja pelo punho irlandês que a Europa conquiste auto-estima e amor-próprio, pela única via possível: o orgulho nacional e a liberdade sem freio para escolher não estar sozinho.

Senão, como utopia, como concepção teórica, nunca deixará de sê-lo.
E quanto menos nascida de um sentimento popular que a baseie, vontade que a sustente, mais e mais estará exposta às suas contradições e suas inatas fraquezas.

O mundo em guerra


Alguns distraídos e mais uma porção de desonestos mantêm-se barricados numa ilha ideal de que o mundo actual não se encontra em guerra…

E confortavelmente, ao não reconhecê-lo, recusam-se a tomar partidos, preferindo entreter-se com jogos florais ideológicos no conforto ocidental.

11 de Setembro.
Hoje, ainda “somos todos americanos”?