
Alguém me disse que talvez aparecesse por cá…
…E como bom anfitrião, quero estender um tapete novo, pôr a melhor toalha e convidar a entrar.
Bem-vindos os companheiros de estrada.

Alguém me disse que talvez aparecesse por cá…
…E como bom anfitrião, quero estender um tapete novo, pôr a melhor toalha e convidar a entrar.
Bem-vindos os companheiros de estrada.
A Junta de Freguesia de Loures tem o prazer de convidar (também) todos os ilustres visitantes deste apeadeiro para o III Encontro com a Música Clássica, a realizar em três sábados deste mês na Igreja Matriz.
Espectáculos gratuitos, programas ligeiros, a uma horinha simpática, no jacket required, …apenas puro gosto da música.
Uma pausa – a sério – na corrida quotidiana, um parêntesis de serenidade. (Comprovados efeitos medicinais!)
Bem-vindos.
O partido dos laranjinhas fez anos. Tantos quantos a democracia (possível) desta terra, que ajudou a fundar.
Motivo para trocar palmadinhas nas costas e acender velas.
De aniversário.
Mas também de velório.
Após o falecimento, por doença degenerativa, de uma Direcção incapacitada há muito para o exercício prático de funções.
Alumia-se-lhe o cadáver ainda quente…
[...O que não deixa de encerrar algum absurdo: com um ano apenas de mandato, Luís Filipe Menezes e sua equipa conseguiram entrada merecida na galeria dos benfazejos do partido, por dois actos memoráveis.
Primeiro, ter apeado Marques Mendes do pavoroso sonho de vir a ser Primeiro-Ministro.
Segundo, ter saído pelo próprio pé antes de correr o risco de o sonhar também.]
Mas mais velinhas se acendem.
Agora de súplica e devoção.
Arrancou a corrida à liderança do PSD. E exige-se que um partido com tanta gente faça sobressair os seus melhores.
Como militante, votarei. Como sempre. Com a maior consciência da responsabilidade que o meu voto pode ter. – Sou dos que acreditam que o que desta eleição resultar tanto pode ajudar ao erguer desta Nação como ao seu enterro definitivo.
E neste contexto de desfile de candidaturas e candidatos, urge fazer uma reflexão definitiva sobre os candidatos que parece arredada do palco político.
- A reflexão de um social-democrata a que não só a oportunidade como a consciência e a coerência me obrigam.
Candidato Neto da Silva.
Ex-Secretário de Estado de Cavaco Silva.
Não conheço. Não sei quem é. E não voto em quem não conheço. Nem eu nem os outros portugueses. E se nele nunca votariam, por maioria de razão pouco sequer interessa o que o senhor tenha a dizer no presente contexto.
[É cruel, a verdade política.]
Candidato Patinha Antão.
Doutorado em Economia, Professor Universitário, Secretário de Estado-Adjunto, Vice-Director de Direcção-Geral, Chefe de Gabinete, Director de Gabinete, Deputado.
Uma das poucas figuras que pelo partido fala de Finanças como quem sabe do que fala e frequentemente tábua de salvação de um indigente Grupo Parlamentar laranja neste (…) domínio.
Já andou por muito lado, conseguiu mobilizar caramelos para recolher assinaturas por ele – que chegaram a vir a minha casa – mas os votantes não o encaram como um candidato “a sério” nesta eleição.
“E se nele nunca votariam“…, idem aspas.
Candidata Manuela Ferreira Leite.
Economista, Directora de Departamento, Directora-Geral, Presidente de Conselho de Administração, Técnica Consultora, Chefe de Gabinete, Professora Universitária, Deputada, Secretária de Estado, Ministra por duas vezes, Membro do Conselho de Estado e Comendadora.
A sua entrada na corrida à Presidência do partido elevou a fasquia para todos os candidatos.
Mulher de longo currículo, muitas artes e imagem publicada de severidade e rigor, com uma longa e fiel corte de dependentes em cascata, é uma concorrente a ter em conta.
Pena é não ter assumido ainda a sua quota-parte de culpa no panorama em que hoje Portugal vive.
Não se é (?) impunemente membro de sucessivos Governos, aparecendo um belo dia como salvadora do País que se ajudou a moldar.
[E é assustadora a proximidade que se percebe entre a sua visão socio-política e a do "Governo" actual.]
Mais: Manuela Ferreira Leite contribuiu activamente para o descrédito em que a política hoje se encontra.
Engrossou a casta da clientela iluminada que assume indiferenciadamente qualquer mandato que esteja à mão, não deixou nem marca nem saudade nos Ministérios que dirigiu – Educação ou Finanças -, não disse “presente!” no momento da vida do seu partido em que era obrigada a fazê-lo (quando Durão Barroso saiu) e limitou-se a integrar o coro grego de agoiro de Direcções, em que muitos dos seus cortesãos se movimentam.
Agora, é mero rosto daquilo que a falange mendista consiga reacender após a derrota que lá vai e do seu objectivo de reconquistar o partido, encerrando um sonho mau em que tem vivido.
Candidato Pedro Santana Lopes.
Advogado, Professor Universitário e Regente, Presidente de Conselho Fiscal, Presidente de Conselho de Administração, Assessor de Gabinete, Adjunto de Ministro, Presidente de duas Câmaras Municipais, duas vezes Secretário de Estado, Deputado, Deputado ao Parlamento Europeu, Primeiro-Ministro, Presidente de Clube Desportivo, Comendador numa data de países.
Santana Lopes concorre fundamentalmente por si próprio. Não pelo seu partido.
Não entendendo que o epíteto de imortal da política mais faz dele um chato que um resistente, Santana pretende corrigir a História.
Uma História que não percebeu que avança, que muda e que se fecha.
Fui (e sou) dos poucos que ouvi afirmar alto que a trapaça institucional a que Santana foi sujeito pelo ex-Presidente Jorge Sampaio não passou disso mesmo. Uma canalhice de contornos partidários.
O Presidente da República concretizou um Golpe de Estado constitucional, interrompendo o mandato dum Governo quatro meses depois de ter optado pessoalmente por dar-lhe posse.
Sob pretexto levianamente aludido de (sic) “uma série de episódios“, a que acrescentou (sic) “dispenso-me de os mencionar um a um pois são do conhecimento do País“, cobrando a um Governo de quatro meses a “obra consistente e estruturante na resolução dos problemas” não realizada.
…Mas isso é História Antiga. Passada. Encerrada.
Se Santana se considera hoje uma vítima sedenta dos seus tempos de Governo, não tem senão que engolir o sapo, procurar Sampaio a uma esquina escura ou esperar por uma encarnação em que concretize o seu desígnio de governante de sucesso.
Tudo mais, é puro delírio.
Mesmo que tenha consigo um resto de santanistas não encaixados no partido desde o seu desaire e uma falange de menezistas que prefere as apostas altas, não é a espécie de oposição ao “Governo” PS que desenvolveu em articulação com Filipe Menezes que o torna nem opção séria para o partido nem para o País.
Candidato Pedro Passos Coelho.
Economista, Professor Universitário, Gestor, Deputado, Autarca.
Com ele estão todos os outros menezistas. Isto é, todos os que ajudaram a eleger Luís Filipe Menezes Presidente contra Marques Mendes – mesmo que mais por missão que por convicção, como eu.
O seu currículo é curto. O que o ajuda, ou nem tanto.
Num País parolo como o nosso é possível que se olhe para Passos Coelho como um candidato politicamente menos capaz, por não ter estado tão amesendado como os seus concorrentes em cargos e lugares no Estado.
Mas a sua distância do Estado e do aparelho do Partido permitem-lhe uma independência de discurso em relação à degradação actual da Nação e ao pedido de confiança para agir que as demais figuras elegíveis não alcançam.
(Apesar de, com alguns apoios, estar tão mal acompanhado como os demais…)
Um homem novo; um discurso com um novo tom; eventualmente uma nova mentalidade… A única possibilidade em aberto do fraco leque de escolhas.
É ele que receberá o meu voto.
João Jardim. O candidato que nunca o foi.
Seria seu o meu voto. Fosse a sua candidatura mais que um espectro.
Por isso apoiei o seu avanço em altura própria. Quando o que parecia estar em causa era uma questão de apoios…
E a explicação da minha posição não precisa de muitas mais palavras do que as que escrevi na resposta ao Palácio do Marquês, que fez uma graça com a minha manifestação pública:
“É essa a medida do meu patriotismo: não me interessar se João Jardim tinha possibilidades contra Sócrates ou sequer à frente do PSD. Apenas a certeza de que a podridão geral em que este País chafurda precisa de um, dois, dez João Jardim, que abanem este charco e nos façam abrir os olhos de uma vez. Tudo que lá não chegue, é jogar para o empate, é brincar com coisas sérias, é dar de comer à vergonha de não fazer nada contra este estado de coisas. Mas o JJ já não concorre. E o País respira tranquilidade e paz.“
Jardim, ao contrário de Santana, não concorre por si.
Faz política por si.
Disse-o em tempos e repito-o à exaustão:
«Como percebo o que disse João Jardim sobre a necessidade absoluta de uma frente de “combate ao Governo Sócrates”, abarcando “todas as forças politicas, sem excepção” desde que firmes neste propósito. [...] Da mesma forma que percebo o que dizia Jardim sobre as últimas Presidenciais: “os candidatos que se perfilam para Belém não defendem o interesse de Portugal”. [...] Em suma, é verdade que o País “está a ser conduzido por gente louca” e que “se Portugal não se livrar deste Primeiro-Ministro e deste Ministro das Finanças vai atravessar momentos dramáticos”. Até porque “a asneira tem rosto e não é depois do mal feito que o país deve acordar“.
“Não dá para dissociar homens de políticos, pelo que o embrulho ficará sempre mal atado.
Mas até lá, João Jardim será referência de um homem de coragem num mar de cobardes, um homem de acção e obra entre incapazes, um homem frontal e temerário no meio de convencionados.»
Quem tivesse visto certa entrevista na RTP com a Judite de Sousa, teria esclarecido que “O Alberto João” é um genial cromo retórico com que Jardim distrai as atenções de papalvos enquanto governa sem que o aborreçam.
«Rigoroso, coerente, ponderado, incisivo, sobrando-lhe tempo de sobra para os recados às instituições, aos governantes e aos portugueses”, quando quer.
Mas perante a lôbrega pergunta: “E não teme os prejuízos políticos que daí possam vir?” e a resposta lapidar “Eu não tenho que pensar em mim.”, pouco ficou para dizer.
Claro que o dr João Jardim continuará amanhã a ser visto (ou queira-se fazer parecer) como um louco. No Portugal do politicamente correcto [denunciar como ele o faz] é impensável. Só explicável por uma profunda perturbação mental.
Mas no fundo, nesta terra, quem são os alienados, quem são os carcereiros, quem está irremediavelmente fechado, onde e porquê?
Quantos homens destes seriam necessários para subverter a ordem instalada no hospício?»
«Um político com defeitos públicos desfraldados e provocantes. Ao contrário de outros, com defeitozinhos privados e mesquinhos.
Um homem frontal. Ao contrário da casta dominante de castrados que nos governa.
Um governante de ideais, projectos e riscos. Ao contrário dos tíbios de verbo fácil que pululam e infestam uma política paralisada pelo politicamente correcto.»
Mas a oportunidade perdeu-se e a fria realidade convoca-nos. Exigir-se-ia que um partido com tanta gente fizesse sobressair os seus melhores. Isto é, alguns bons… Ou pelo menos uns candidatos melhores que estes… Mas deixemos o reino de tons laranja decidir como quer desembrulhar a prenda que Menezes deixou no seu sapatinho…

(Ou é muita coincidência, ou vai para aí uma pouca-vergonha de que só me vou apercebendo a pouco e pouco.)
Fui outra vez ao cinema. (E por isso a culpa deve ser minha, ou algo assim.)
E não é que a resma de publicidade do aquecimento voltou a trazer água no bico?
Fui ver “O Gang do Pi”; que é uma espécie de rapadura do que do “À Procura de Nemo” e do “Gang dos Tubarões” tinha restado dizer sobre peixarias animadas e suas desventuras, ou seja, nada!
E para além da secura do filme, mais uma surpresa publicitária, desta vez numa sala Lusomundo.
Então não é que entre os spots destinados à plateia de “Maiores de 6″ surgiram 2 da Bwin (Bet and Win)?!…
É que o jogo a dinheiro – não a feijões como nos serões de outrora, com Loto e paródia -, seja na net seja noutro lado, é uma entretenga séria, para maiores de 18 anos, potencialmente aditiva, tratada com pinças por quem a explora e tutela.
O próprio site da Bwin deixa claro que o
registo online se destina a adultos,
e tem a “preocupação” de exibir uma página sobre os perigos do jogo e do seu vício!…
…Porque a Bwin tem “consciência da sua responsabilidade social para com a sociedade, querendo portanto cumpri-la activamente“.
“Social“, “sociedade“, lindo!…
Sendo que “este compromisso fundamental perante os clientes, o público em geral e os próprios colaboradores foi colocado no centro do [seu] interesse nos últimos meses“.
Nos “últimos meses” !?!…
Há sempre a possibilidade destes besugos se estarem a virar para o cluster das Corridas de Peixes ou para as Competições de Enfardar Douradinhos, e tal…, e estarem a desbravar terreno a reboque dos filmes de bonecos.
Não o fazem é com o meu consentimento. E porque estamos numa de criancices, desta vez fiz mesmo queixinhas à ASAE.
Está na hora de alargar a base.
Deus lhes dê muita saúde.
Já sabe quem por aqui passa que me aflige a deseducação de miúdos por vícios de adultos.
(Deseducar os crescidos, muito bem… se os próprios se quiserem deseducar.)
E entra-nos pelos olhos dentro; para mais quando reincide.
Refiro-me à fase de engonha que por legítimo interesse de caixa a Castello Lopes agrafa aos filmes que exibe, mas que no caso da publicidade a leva a perder-se eticamente na exibição das sessões infantis.
Se já uma certa vez denunciei a desadequação etária de um trailer promocional passado pela Castello Lopes, irritou-me bastante mais ver publicitados os vinhos da Romeira no entretanto de ver em família um ogre verde aos saltos, um burro e um gato – inofensivos do ponto de vista formativo da jovem plateia.
Não sou um fundamentalista anti-álcool, mas sabendo que até socialmente já se aceita que não haja fretes à indústria e ao comércio da pinga em horário nobre, em patrocínios institucionais, etc., às três pancadas, não me parece que uma plateia de miúdos seja um alvo aceitável para a captação de fregueses.
Só por incúria?…
Como me irritou profundamente a forma artística como foi traduzida e legendada a versão original do filme Os Simpsons.
Sem quê nem porquê, por três vezes contadas se “ouviu” legendada “m€rd@”, saída da boca de elementos da família amarela de Springfield.
Gostava, a sério, de saber o que o pai dos Simpsons, Matt Groening, pensaria desta baixaria vocabular que nem nunca encontrei nas centenas de episódios d’Os Simpsons que vi ao longo dos anos na televisão, nem o argumento do filme inclui!
Falando nós de um filme para maiores de 6 anos…
Só tive pena de em nenhuma destas alturas me ter insurgido como da tal vez, em forma de livrinho de reclamações.
Agora que a ASAE até anda tão excitadinha.
Mas a ideia não era irmo-nos revezando?

Após o sucesso da iniciativa lançada no ano passado, regressa pela mão da Junta Freguesia de Loures o encontro dos seus fregueses com a música sacra.
Em três sábados de Setembro a Igreja Matriz encher-se-á de sons compostos por homens em louvor ou companhia de um Deus que não é preciso reconhecer para apreciar a beleza da sua música.
Um ano depois posso dizer por experiência que é um espectáculo para todas as idades, formações, raças, inclinações, sensibilidades ou colorações.
Mais um momento único em Loures, a que todos serão bem-vindos…
Com o patrocínio da Junta de Freguesia de Loures, nasceu o I Torneio Internacional de Futsal do Concelho – o mais competitivo dos realizados na Área Metropolitana de Lisboa um dos mais relevantes a nível nacional.
Para apreciadores.
De futebol, desporto, de competição, de combíbio, desta terra ou só de sair um bocado ao fim-de-semana sem ser para se meter em centros comerciais.

Há muitas maneiras de estar. Como há muitas maneiras de ser. Nenhuma forçosamente correcta, muitas necessariamente lícitas.
…Antiquíssimo e irresolúvel paradoxo.
Variem a construção pessoal de cada um, a sua história de vida, a sua formação, a perspectiva que tenham de si, dos outros, do mundo, da vida, a sua força interior (racionalizante?, problematizadora?, dinâmica?), o seu espírito (atento?, empenhado?, mobilizado?, empreendedor?), a sua moral e a sua ética, varie qualquer um destes elementos e cada um percorrerá um caminho pessoal tão peculiar quanto a forma como o trilha.
Assim é na política.
Assim é a política. Cheia de homens e mulheres não só inevitavelmente diferentes entre si, mas distintos nas suas formas de estar presentes, de escutar, de entender, de relacionar-se com a realidade e de agir com e sobre ela.
Quando em opinião publicada na edição de 07 de Novembro do Jornal Triângulo o Presidente da Junta de Freguesia de Loures resgatou à má-consciência envergonhada de alguns a necessidade absoluta de assumir a dimensão religiosa do património cultural de um povo, marcou uma posição pessoal, cívica e política importantes.
Deu conta aos leitores, na primeira pessoa, da sua forma de ser e de estar.
Partindo de Luther King, “Chega um dia em que é preciso assumir uma posição que não é nem segura, nem política, nem popular, mas que tem de ser assumida porque é a que está certa“, reforçou as palavras de Madeleine Albright, segundo a qual a sensibilidade ao religioso deve ser uma das preocupações da política e dos políticos.
A dimensão cultural da religião; a dimensão religiosa na cultura; a acção ética sobre a sociedade, isto é, a acção política.
O reconhecimento e o conhecimento do fenómeno religioso nas suas várias facetas (inclusive a sua experimentação) munem o homem, e por decurso o político, de uma maior compreensão dos seus actos e dos do outro, em sentido estreito e lato.
Reconhecendo o que há na sua sensibilidade, na sua perspectiva, na sua identidade própria, de uma tradição diversamente rica, o homem alarga as perspectivas de sucesso de um auto-entendimento e de um entendimento no contacto com o outro.
(Não beliscando a laicidade de Estados ou entidades civis, impessoais, universais e mediadores.)
Contrariando uma certa “tendência” fashion pós-moderna e militante para a arreligiosidade – já nem sequer para o próprio ateísmo, que involuntariamente adere à encenação do confronto do Homem com o divino – a opinião do Presidente da Junta de Freguesia de Loures teve a coragem de assumir-se organicamente resultante de um conjunto de fontes de sensibilidade culturais, uma delas a sua própria abertura à religião, e a clarividência de denunciar a hipocrisia de uma campanha convencionada contra o religioso – que numa dimensão antropológica não se configura como “alternativa intelectual”.
Ao opor-se ao argumentário e à prática dos eunucos culturais da (forte?) “tendência” arreligiosa, a atitude de João Nunes corporiza o verbo “presidir”.
Mais do que na acepção corrente da “chefia” ou “liderança”, na da “presença” e do “afrontamento”.
Etimologicamente “presidir”, ou “prae“-”sedere“, significa “estar sentado, colocado”, “face a, perante”.
Porque é disso que se trata nesta questão: de firmar posição clara, de demarcar espaço próprio, mesmo que não contra, em função directa de algo. De clarificar uma posição relativa, sem margens cinzentas de dúvida.
Mais gente parasse para olhar… Para reflectir. Mais gente avançasse e se assumisse…
(Não importaria quando, onde ou sobre quê.)
Mais gente aceitasse o desafio democrático à cidadania.
Um País estúpido “cadáver que procria“…, por favor, mais não!