Li no Jornal de Notícias que o negócio da “animação nocturna” – neste caso no Porto – está a ser afectado pela crise, como tantos outros ramos de comércio.
(…Neste caso, por “animação nocturna” leia-se “alterneirice” e “prostituição-da-boa”.)
Com direito (clicar abaixo…) a roteiro anotado e tudo.

Ao que parece, os senhores – mais ou menos – endinheirados que em tempos idos faziam o regalo das suas vistas e das caixas das casas de “diversão”, andam arredados.
Invadidos pelo “pragmatismo” em voga, reconsideraram o gasto e a paga de se “animarem”… e hoje já não comparecem ao encontro.
Correspondentemente, a “prostituição em ‘part-time’”, “disparou” segundo o DN…
…Uma prostituição, obviamente!, de contorno grosseiramente tradicional: uma prostituição no feminino, recurso de mulheres fragilizadas que nela caem, que dela se envergonham e que a ela dificilmente se auto-resgatam, uma prostituição mato para chulos e outros predadores similares; uma prostituição que não é projecto nem muito menos solução de vida para quem dela precisa.
É esta a carne em conversa. São estes os corpos em discussão.
Num País em que socialmente tudo corria – segundo várias versões oficiais – às mil maravilhas, deparamo-nos com uma Crise maiúscula que nos agrava os tormentos ignorados, nos reforça dificuldades reais e nos patenteia o pior cenário ainda por vir.
Num País em que alguns desejavam à agonia que a retórica de oásis fosse engolida pelos seus autores com língua de palmo, algo terrífico aconteceu: por um lado os piores efeitos da incúria concretizaram-se, por outro o ruído de uma avalanche universal baralhou num rolo indistinto gritos, explicações, lamentos, recriminações, desabafos, previsões, palha, palha, muita palha, de que não se resgatou nada de racional, sequer um histórico apuramento de responsabilidades políticas milagrosamente branqueadas.
É esta a carne em conversa.
Servida em repastos quentes e frios, enlutada, em abertura tão fácil.
Pouco relevando a sua naturalidade ou proveniência.
No fim, o mais caprichoso e sintomático é que na voragem de uma crise social o Homem resulte curiosamente mais virtuoso e a Mulher mais desregrada.
Coutada do pensamento…
Andará ainda por aí algum daqueles das “liberdades”, da “auto-determinação”, da “emancipação do corpo da mulher”?
Se andar, chamem-no. É que é cá preciso….
[Com o agradecimento ao CNN... e ao impagável LiDL.]






