“República”. Sim?
“República”. Não?
E é aqui que invoco o meu direito de ignorância.
Não sou obrigado a ter uma opinião sobre tudo. Nem nunca o conseguiria. (Ainda que não me importasse.)
Só valorizo a opinião de quem a fundamenta – e de preferência de acordo com alguma experiência.
Não sou obrigado a ter uma opinião sobre este tópico e é estúpido que alguém mo exija ou cobre.
Não vivi a monarquia, não sei como foi.
- E tanto é um rotundo disparate recapitular hoje as virtudes das monarquias de outrora para as elevar, como elencar os seus excessos ou as suas limitações para as diminuir; puras perdas de tempo.
Só sei que hoje há monarquias que me repelem, como há outras que admiro e invejo.
E se nem sei como foi, menos sei como seria…
(E “levem-me daqui a metafísica“.)
A república, experimentei-a. Anos a fio. E esgotou-me.
- Não, não se esgotou, esgotou-me a mim, à minha paciência, à minha energia, à minha bondade, tornando-me uma pessoa pior; pior do que desejaria perante mim.
A república viciosa e viciada, sustida em ombros por um côro que já não sabe o que canta; ou que mesmo que saiba já ninguém ouve.
…A República Portuguesa, maltrapilha. Que há outras que funcionam.
Mas, não acreditarei que era possível fazer dela mais que isto?…
“República”. Sim?
“República”. Não?
Muito se resume ao do costume: preconceitos, ideias feitas, reservas, deformações.
Fora isso, a democracia. Essa sim, indiscutível e – numa terra normal – inegociável!
Herança tomada e legada.
Participação e testemunho.
…Em república ou monarquia.
Tenho de aludir, contudo, ao asco que me provoca viver num regime instaurado por homicidas – designação universal de quem mata e que nenhuma cosmética da retórica dos vencedores pode mascarar.
Homicidas que no meu século, o século XX, conquistaram com sangue o que outros mais tarde cantaram por ter renovado sem recurso a ele. – Paradoxos.
Asco de viver no meio de homens que romantizando hoje o papel histórico de homicidas os indultam por procuração no tribunal da ética e da moral públicas.
Por tudo isto, eu, permito-me continuar na dúvida. Como forma de mais continuar alerta e exigente.
…Em relação ao que tenho. Em relação ao que há.
Porque se quiser ser frio, analítico, se quiser basear a minha opinião na minha própria experiência, bem vistas as coisas, hoje, a República pode não passar de uma mera história de mamas.






