Franz Kafka
(Obrigado à cantinho)
Saudades.
De espaços. Tempos. Caras.
Recordados ao encontrar a S.B. numa visita de estudo. A D.C. numa editora. A C.M. no Parque das Nações. A A.V. ou a V.F. num centro comercial. O J.L. na manifestação do 17 de Outubro. A L.C. num evento em Loures… (Estes, os seus nomes de então. Perdoem-me, …mas os que para mim ainda valem.)
Ao manter contacto com o C.S., com a F.P., com a C.A. e com a E.F.
E ao vislumbrar uma figura familiar no meio da multidão. A uma distância improvável.
Todos estão presentes. Aqui. Como sempre estiveram.
A todos um beijo de boa-sorte e felicidade.
Esta autêntica plotline de filme de ficção-científica provoca-nos com uma hipótese chocante: e se a vida na Terra devesse a sua origem a uma longa viagem cósmica?…
Basicamente, que os “extraterrestres” cuja existência sempre nos questionou e inquietou, somos nós mesmos.
Que a vida que suspeitávamos existir algures no universo tem em nós, que a conjecturamos, e na vida à nossa volta, a sua prova.
A teoria, ainda que chocante, já terá sido mais desconsiderada que nos dias de hoje, e coloca-nos uma questão apaixonante: se fosse comprovada, deixava-nos mais perto da teoria creacionista ou evolucionista da vida na Terra?…
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Peter Gabriel foi eleito “Homem da Paz 2006″, nomeação de tipo Liga de Honra, decorrente da escolha de um grupo de nobelizados da Paz.
A nomeação, ainda que discreta, já terá tido menos relevância que nos dias de hoje, e coloca-nos uma questão apaixonante: e se “o Nobel” fosse, de facto, como alguém já o caracterizou, um mero colégio de anciãos, fechados, à janela sobre mundo, num país frio e deprimente com uma elevada taxa de suicídio?
E se um “Homem da Paz” fosse mais isto?…
Momento televisivo de antologia.
Não, não!… Não estou a falar de nenhuma das duas entrevistas que tiveram lugar ontem.
Falo do facto genial de, simultaneamente, termos tido duas entrevistas deste coturno; mais: duas entrevistas que são cara e corôa, verso e reverso, a face A e a face B de uma mesma realidade política recente e actual.
Os espectadores tiveram de optar entre ver uma e outra (ou então ir dar uma volta para apanhar ar fresco), num acto de consciência e arbítrio. O que é muito bom.
Pessoalmente preferi assistir à entrevista de Santana Lopes (como uma boa parte dos portugueses preferiram), não dei o tempo por mal gasto e consideradas as análises que hoje já ouvi foi, de longe, mais interessante.
(Só gostava de saber qual das entrevistas foi atrás de qual – não acredito em “coincidências” destas. Seria muito revelador.)
Na entrevista, Santana demonstrou mais uma vez de forma linear e inequívoca – só ele neste País é obrigado a dar provas permanentes e sucessivas – que lhe foi feita politicamente a cama e ao seu Governo, por muito boa gente que lhe tirou proveitos.
Jorge Sampaio, com o interesse socialista – o inconveniente Ferro Rodrigues já estava fora de jogo e o caminho aberto para o primo-ministeriável Sócrates.
Cavaco Silva e a sua mira da eleição presidencial – sem Santana e PSD no Governo, mais facilmente se escolheria um social-democrata (?) para Belém com um socialista (?) em S. Bento.
Jorge Sampaio, com o interesse próprio – como disse ontem Santana Lopes, o magistério de Sampaio só brilhou (?) por ter aberto a porta da Presidência a Cavaco (com a ascensão de Sócrates) e não a porta a Soares, que o poria “entre parêntesis”.
Marcelo Rebelo de Sousa e a sua sede de protagonismo – com proverbial “informação privilegiada” sobre o que se há-de passar no rectângulo, o prof. Marcelo soube que Santana era para (a)bater e pretendeu aos olhos da Nação renascer em popularidade e saliência pessoais, por compaixão pela pseudovítima que talhou em postas o Governo com as suas próprias mãos.
E o PS em bloco, evidentemente…
E algumas figuras do PSD, que assim ascenderam (ou não)…
E sectores – relevantes – da sociedade que viam a vida andar para trás.
Et cætera…
O livro de Santana Lopes está escrito. Toda a gente escreve um.
A história escrever-se-á sozinha.
…E o que é certo é que (o ingénuo) Santana ainda anda por aí anda.
(Aplauso para o DN e uma das capas mais bem conseguidas que vi nos últimos tempos.)
Aos 84 anos Saramago alcançou o improvável.
Os píncaros do máximo reconhecimento literário, confrontado com o discurso de um douto popularismo barroco desconfortavelmente moderno.
A fama do homem e do escritor das liberdades, à pendura com o alforge de um pensamento missionário, prosélito e decadente.
O enaltecimento pela verticalidade e pela coerência do serviço à frágil República, a alguém que lhe virou costas num capricho cobarde, não tolerando as escolhas e as mudanças de um País livre, que o tolera ao limite do bom-gosto e do bom-senso.
Um homem que um povo generoso e humilde insiste em assinalar em festa.
Quando o contrário não acontece.
A história não se conta toda hoje. Aqui.
Hoje, parabéns e só.