O que é um mês de atraso?
Este post tinha mesmo de aparecer.
Esta é a cara de quem somos. Porque continuo a dizê-lo e a senti-lo: nós alimentamo-nos de símbolos.
32 anos depois da Revolução de 1974, o português esperançado que andou de cravo na mão, como o miúdo do boneco da propaganda, é como ele um funcionário médio de uma empresa de serviços, profissional bem remunerado, estável e reconhecido pelo seu valor.
Se estiver no estrangeiro, quero eu dizer! Se tiver, ainda que por necessidade, virado as costas a Portugal.
Porque se se mantiver por cá, teimoso, irredutível, são dois os tipos de dias da sua vida: os dias que passa desanimado e os outros, em que é mesmo frustração.
32 anos de promessas depois, é o Presidente da República que, caído na armadilha do símbolo, confronta o povo português com o seu reflexo no espelho.
Sem a energia de outras horas, prevalece sobretudo o sentimento de vergonha.
Com o extra amargo de o português ser um triste que não exerce, nem por si próprio, os seus direitos e obrigações de cidadania.
Sem qualquer desculpa. Seja lá fora, como cá dentro.